{"id":499639,"date":"2026-08-25T07:50:16","date_gmt":"2026-08-25T07:50:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499639\/"},"modified":"2026-08-25T07:50:16","modified_gmt":"2026-08-25T07:50:16","slug":"adocantes-podem-mudar-de-efeito-quando-combinados-com-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499639\/","title":{"rendered":"Ado\u00e7antes podem mudar de efeito quando combinados com medicamentos"},"content":{"rendered":"<p>Estudo com 39 ado\u00e7antes encontrou altera\u00e7\u00f5es no crescimento de bact\u00e9rias intestinais e mais de 100 intera\u00e7\u00f5es com medicamentos e outras subst\u00e2ncias. Resultados foram alcan\u00e7ados em laborat\u00f3rio, fora do corpo humano.<\/p>\n<p>Ado\u00e7antes artificiais e de baixa caloria podem interferir diretamente no crescimento de bact\u00e9rias que vivem no intestino, segundo um estudo realizado em laborat\u00f3rio por pesquisadores da <a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/research\/news\/sweeteners-shown-to-slow-growth-of-important-gut-bacteria-in-lab-tests\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade de Cambridge<\/a>. Os cientistas testaram 39 ado\u00e7antes e encontraram mais de 100 situa\u00e7\u00f5es em que o efeito dessas subst\u00e2ncias mudou quando elas foram combinadas com medicamentos, cafe\u00edna ou aromatizantes.<\/p>\n<p>O resultado que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o ocorreu com o isosteviol, um composto utilizado em ado\u00e7antes, combinado com a duloxetina, um antidepressivo. No experimento, a combina\u00e7\u00e3o reduziu fortemente o crescimento de duas esp\u00e9cies de bact\u00e9rias associadas ao funcionamento do intestino e ao metabolismo. A mistura tamb\u00e9m diminuiu a diversidade da comunidade de microrganismos analisada pelos pesquisadores.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que tomar um ado\u00e7ante junto com duloxetina provoque esse efeito no organismo humano. O experimento foi realizado em laborat\u00f3rio, fora do corpo humano. Os pr\u00f3prios pesquisadores ressaltam que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que as intera\u00e7\u00f5es observadas causem problemas de sa\u00fade nas pessoas.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1038\/s44320-026-00225-6\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo<\/a>, publicado na revista cient\u00edfica Molecular Systems Biology, investigou 25 esp\u00e9cies de bact\u00e9rias cultivadas separadamente. Os pesquisadores expuseram essas bact\u00e9rias a 39 ado\u00e7antes de uso comercial, naturais e artificiais, e acompanharam se os microrganismos continuavam crescendo normalmente. As pesquisas foram feitas no laborat\u00f3rio da Universidade de Cambridge e financiadas pelo programa Horizon 2020 da Uni\u00e3o Europeia e pelo Medical Research Council do Reino Unido. Tamb\u00e9m publicada no site <a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2026\/07\/260716023552.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Science Daily<\/a> em julho de 2026.<\/p>\n<p>O objetivo da pesquisa \u00e9 mostrar que os efeitos dos ado\u00e7antes podem ser mais complexos do que se imaginava. Em vez de analisar apenas o que cada subst\u00e2ncia faz isoladamente, os cientistas come\u00e7am a investigar tamb\u00e9m como ado\u00e7antes, medicamentos, alimentos e bact\u00e9rias intestinais podem interagir entre si.<\/p>\n<p>Cerca de tr\u00eas quartos dos ado\u00e7antes testados alteraram o crescimento de pelo menos uma esp\u00e9cie de bact\u00e9ria. Em alguns casos, o crescimento foi reduzido ou completamente interrompido. A descoberta chamou a aten\u00e7\u00e3o porque os ado\u00e7antes s\u00e3o frequentemente tratados como subst\u00e2ncias que simplesmente passam pelo sistema digestivo, sem interagir de maneira relevante com os microrganismos do intestino.<\/p>\n<p>Os pesquisadores decidiram ent\u00e3o reproduzir uma situa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima do consumo cotidiano. Afinal, as pessoas normalmente n\u00e3o ingerem um ado\u00e7ante isoladamente. Ele pode estar presente em uma bebida com cafe\u00edna, em um alimento com aromatizantes ou at\u00e9 em um medicamento usado para mascarar o sabor amargo.<\/p>\n<p>Foram testadas combina\u00e7\u00f5es dos ado\u00e7antes com cafe\u00edna, vanilina, outro ado\u00e7ante artificial e oito medicamentos de uso comum. Em mais de 100 combina\u00e7\u00f5es, o efeito do ado\u00e7ante sobre as bact\u00e9rias mudou quando outra subst\u00e2ncia foi acrescentada. Em 34 casos, o efeito combinado foi mais intenso; em 68, foi mais fraco.<\/p>\n<p>Entre os resultados mais relevantes esteve a combina\u00e7\u00e3o de isosteviol e duloxetina. No laborat\u00f3rio, os dois compostos reduziram fortemente o crescimento das bact\u00e9rias Roseburia intestinalis e Parabacteroides merdae. Essas bact\u00e9rias fazem parte do microbioma intestinal, conjunto de microrganismos que vive no sistema digestivo e participa de processos relacionados \u00e0 digest\u00e3o, ao metabolismo e ao funcionamento do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Em uma etapa seguinte, os pesquisadores reuniram as 25 esp\u00e9cies em uma comunidade microbiana simplificada, tentando reproduzir melhor a intera\u00e7\u00e3o entre diferentes bact\u00e9rias. A combina\u00e7\u00e3o de isosteviol e duloxetina novamente alterou o equil\u00edbrio da comunidade e reduziu sua diversidade.<\/p>\n<p>Os cientistas tamb\u00e9m observaram mudan\u00e7as em c\u00e9lulas utilizadas no experimento para representar a intera\u00e7\u00e3o entre os microrganismos e o organismo humano. Algumas altera\u00e7\u00f5es estavam relacionadas \u00e0 inflama\u00e7\u00e3o e \u00e0s respostas do sistema imunol\u00f3gico. Ainda assim, esses resultados n\u00e3o permitem concluir que os mesmos efeitos ocorram em uma pessoa que consuma esses produtos.<\/p>\n<p>O chamado microbioma intestinal \u00e9 formado por uma enorme variedade de bact\u00e9rias e outros microrganismos. Eles ajudam a decompor componentes dos alimentos, produzem subst\u00e2ncias utilizadas pelo organismo e participam da regula\u00e7\u00e3o do metabolismo e do sistema imunol\u00f3gico. A composi\u00e7\u00e3o desse conjunto varia de uma pessoa para outra e pode ser influenciada pela alimenta\u00e7\u00e3o, pelo uso de medicamentos e por outros fatores.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m ajuda a explicar por que estudar apenas uma subst\u00e2ncia de cada vez pode n\u00e3o ser suficiente. Um ado\u00e7ante consumido como parte de um refrigerante, por exemplo, entra em contato com v\u00e1rias outras subst\u00e2ncias. Quando est\u00e1 presente em um medicamento, pode interagir com o princ\u00edpio ativo e com outros componentes da formula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores, no entanto, fazem uma ressalva importante: o estudo n\u00e3o demonstra que ado\u00e7antes sejam prejudiciais \u00e0 sa\u00fade nem que devam ser evitados por causa dessas descobertas. Dentro do organismo, essas subst\u00e2ncias podem ser absorvidas, modificadas, dilu\u00eddas ou eliminadas antes de entrar em contato com determinadas bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe se as concentra\u00e7\u00f5es utilizadas no laborat\u00f3rio correspondem \u00e0s quantidades normalmente encontradas no intestino de uma pessoa. Por isso, ser\u00e3o necess\u00e1rios estudos em humanos para verificar se essas intera\u00e7\u00f5es realmente acontecem no organismo, em quais doses e se provocam alguma consequ\u00eancia mensur\u00e1vel para a sa\u00fade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo com 39 ado\u00e7antes encontrou altera\u00e7\u00f5es no crescimento de bact\u00e9rias intestinais e mais de 100 intera\u00e7\u00f5es com medicamentos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":499640,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[17128,80095,80096,14614,109,107,108,80097,80098,3083,16386,3536,32,33,25149,105,103,104,106,110],"class_list":["post-499639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-adocantes","tag-aromatizantes","tag-bacterias-intestinais","tag-cafeina","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-duloxetina","tag-isosteviol","tag-medicamentos","tag-microbioma","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-saude-intestinal","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117155058441785240","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/499639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=499639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/499639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/499640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=499639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=499639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=499639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}