{"id":499661,"date":"2026-08-25T08:17:55","date_gmt":"2026-08-25T08:17:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499661\/"},"modified":"2026-08-25T08:17:55","modified_gmt":"2026-08-25T08:17:55","slug":"linguagem-resiste-ao-envelhecimento-e-pode-melhorar-ao-longo-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499661\/","title":{"rendered":"Linguagem resiste ao envelhecimento e pode melhorar ao longo da vida"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">\u00a0\u00c0 medida que o envelhecimento ocorre, as fun\u00e7\u00f5es cognitivas declinam. Estudos de neuroimagem revelam mudan\u00e7as em \u00e1reas respons\u00e1veis pela mem\u00f3ria de trabalho e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. No entanto, agora, uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Boston em parceria com o MIT, nos Estados Unidos, mostra que a realidade \u00e9 diferente quando se trata das habilidades lingu\u00edsticas, ao contr\u00e1rio das outras, que pioram com o tempo, elas tendem a ser preservadas e podem se aprimorar ao longo da vida. As descobertas foram publicadas, ontem, na revista Nature Comunications.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os pesquisadores descobriram que, em adultos mais velhos, a atividade da rede de processamento da linguagem \u00e9 quase id\u00eantica \u00e0 observada no c\u00e9rebro de adultos mais jovens durante tarefas lingu\u00edsticas. Todavia, descobriram que os padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o na rede de demanda m\u00faltipla, um sistema cerebral envolvido em tarefas de controle executivo, como a tomada de decis\u00f5es, eram muito diferentes entre as duas faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNa rede de linguagem, n\u00e3o encontramos diferen\u00e7as entre os grupos mais velhos e mais jovens. Em contraste, o sistema executivo apresentou decl\u00ednio em quase todas as medidas. A sincroniza\u00e7\u00e3o da rede diminuiu nos adultos mais velhos, a extens\u00e3o da ativa\u00e7\u00e3o foi reduzida e a magnitude da ativa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m\u201d, detalha Anne Billot, uma das autoras principais do novo estudo e doutora pela Universidade de Boston.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os resultados sugerem que partes do c\u00e9rebro especializadas em fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como o processamento da linguagem, podem ser mais resistentes ao envelhecimento do que a rede de m\u00faltiplas demandas, que tem um prop\u00f3sito mais geral e maior flexibilidade de fun\u00e7\u00f5es, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Hist\u00f3rias e frases<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para estudar os efeitos do envelhecimento no c\u00e9rebro, os pesquisadores analisaram dois grupos de pessoas, com idades entre 17 e 39 anos e entre 41 e 80 anos. Com base em estudos anteriores, eles esperavam que a rede de demanda m\u00faltipla, que inclui diversas regi\u00f5es nos lobos frontal e parietal do c\u00e9rebro, apresentasse diferen\u00e7as nos volunt\u00e1rios mais velhos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Durante uma tarefa de mem\u00f3ria espacial, que consistia em lembrar a localiza\u00e7\u00e3o de quadrados em uma grade, os pesquisadores confirmaram que a rede de demanda m\u00faltipla apresentou atividade alterada em adultos mais velhos. Comparadas \u00e0s dos participantes mais jovens, suas redes eram menores e menos sincronizadas, e o n\u00edvel geral de ativa\u00e7\u00e3o era mais fraco.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para identificar a rede da linguagem, os pesquisadores pediram aos participantes que ouvissem hist\u00f3rias e lessem frases. Eles descobriram que, em ambos os grupos, a atividade cerebral em resposta a essa habilidade apresentou n\u00edveis e distribui\u00e7\u00e3o espacial semelhantes em toda a rede.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Eles tamb\u00e9m descobriram que indiv\u00edduos mais jovens e mais velhos apresentavam respostas cerebrais semelhantes ao se depararem com uma palavra desconhecida ou uma constru\u00e7\u00e3o gramatical incomum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os pesquisadores tamb\u00e9m mostraram que, em pessoas idosas, a rede da linguagem n\u00e3o apresentou sinais de dessincroniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o mostrou ind\u00edcios de estar se fundindo com a rede de m\u00faltiplas demandas, como alguns neurocientistas haviam hipotetizado que poderia ocorrer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo Carlos Uribe, neurologista do Hospital Bras\u00edlia, da Rede Am\u00e9ricas, a capacidade de linguagem pode, sim, ajudar a diferenciar o envelhecimento saud\u00e1vel. \u201cH\u00e1 alguns anos v\u00eam sendo desenvolvidas ferramentas de an\u00e1lise da linguagem que avaliam, por meio da fala espont\u00e2nea ou da leitura, aspectos como velocidade e complexidade gramatical. Com essas avalia\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel determinar, com um grau consider\u00e1vel de certeza, se a pessoa apresenta um processo de envelhecimento normal ou patol\u00f3gico.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O especialista diz, ainda, que muitas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade podem afetar as redes relacionadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es executivas, cujo principal assento \u00e9 o lobo frontal. \u201cEssa regi\u00e3o \u00e9 bastante suscet\u00edvel a condi\u00e7\u00f5es como infec\u00e7\u00f5es, hipoglicemia, hip\u00f3xia, falta de horm\u00f4nio da tireoide e defici\u00eancia de vitaminas, entre outros fatores que podem afetar essas redes direta ou indiretamente.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Embora este estudo n\u00e3o tenha avaliado a capacidade lingu\u00edstica, outros estudos demonstraram que essas habilidades n\u00e3o apenas se mant\u00eam com a idade, como, para algumas pessoas, melhora na terceira idade. Isso pode ocorrer porque o vocabul\u00e1rio e a capacidade de leitura podem continuar a crescer ao longo do tempo, afirmam os pesquisadores.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cO vocabul\u00e1rio continua aumentando desde que as pessoas come\u00e7aram a medi-lo, o que faz sentido. As pessoas s\u00e3o expostas cada vez mais a idiomas; e as pessoas mais velhas, \u00e0s vezes, come\u00e7am a ler mais, ent\u00e3o recebem um impulso extra. \u00c9 como um grande modelo de linguagem treinado com um volume cada vez maior de dados\u201d, diz Evelina Fedorenko, professora associada de ci\u00eancias cerebrais e cognitivas do MIT.<\/p>\n<p><strong>Duas perguntas para<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\t&#13;<br \/>\n  \t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1_whatsapp-image-2026-08-24-at-14-39-13-67501012.jpeg\" alt=\"Marina Papais Alvarenga \" title=\"Marina Papais Alvarenga \" class=\"lazy\" width=\"360\" height=\"240\"\/>&#13;<br \/>\n  \t &#13;<br \/>\n\t\tMarina Papais Alvarenga &#13;<br \/>\n\t\t(foto: Arquivo cedido)&#13;<br \/>\n\t&#13;<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Marina Papais Alvarenga, mestre e doutora em neurologia e especialista em neuroimunologia no Barralife Medical Center, no Rio de Janeiro<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>1. Por que as habilidades lingu\u00edsticas parecem ser mais resistentes ao envelhecimento do que fun\u00e7\u00f5es cognitivas, como mem\u00f3ria de trabalho, aten\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">A linguagem \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o bastante complexa, mas nem todos os seus componentes envelhecem da mesma maneira. O conhecimento acumulado ao longo da vida \u2014 como o significado das palavras, o vocabul\u00e1rio e os conhecimentos gerais \u2014 tende a permanecer relativamente preservado e, em alguns casos, pode at\u00e9 aumentar com a idade. Isso \u00e9 diferente de fun\u00e7\u00f5es que dependem muito da rapidez com que o c\u00e9rebro consegue processar e manipular informa\u00e7\u00f5es novas, como a mem\u00f3ria de trabalho, a aten\u00e7\u00e3o dividida, a velocidade de processamento e algumas fun\u00e7\u00f5es executivas. Essas capacidades s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as cerebrais relacionadas ao envelhecimento.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>2. A manuten\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 melhora do vocabul\u00e1rio ao longo da vida pode ser considerada uma forma de prote\u00e7\u00e3o contra o decl\u00ednio cognitivo associado ao envelhecimento?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Podemos relacionar esse fen\u00f4meno ao conceito de reserva cognitiva, mas \u00e9 importante fazer uma distin\u00e7\u00e3o. Ter um vocabul\u00e1rio amplo n\u00e3o significa, por si s\u00f3, que a pessoa esteja protegida contra doen\u00e7as como a doen\u00e7a de Alzheimer. A reserva cognitiva \u00e9 a capacidade de algumas pessoas utilizarem seus recursos cerebrais de maneira mais eficiente ou flex\u00edvel diante das altera\u00e7\u00f5es provocadas pelo envelhecimento ou por uma doen\u00e7a. Escolaridade, atividades intelectualmente estimulantes, ocupa\u00e7\u00f5es cognitivamente complexas, leitura e participa\u00e7\u00e3o social ao longo da vida est\u00e3o entre os fatores associados a uma maior reserva cognitiva. Um vocabul\u00e1rio rico pode ser uma manifesta\u00e7\u00e3o dessa trajet\u00f3ria de estimula\u00e7\u00e3o intelectual. Assim, ele pode funcionar mais como um indicador de reserva cognitiva do que como um fator de prote\u00e7\u00e3o isolado.<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/wa.me\/?text=Linguagem+resiste+ao+envelhecimento+e+pode+melhorar+ao+longo+da+vida%20https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/ciencia-e-saude\/2026\/08\/7486205-linguagem-resiste-ao-envelhecimento-e-pode-melhorar-ao-longo-da-vida.html\" target=\"_blank\" title=\"Whatsapp\" aria-label=\"WhatsApp\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2026%2F08%2F7486205-linguagem-resiste-ao-envelhecimento-e-pode-melhorar-ao-longo-da-vida.html&amp;text=Linguagem+resiste+ao+envelhecimento+e+pode+melhorar+ao+longo+da+vida\" target=\"_blank\" title=\"Facebook\" aria-label=\"Facebook\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2026%2F08%2F7486205-linguagem-resiste-ao-envelhecimento-e-pode-melhorar-ao-longo-da-vida.html&amp;text=Linguagem+resiste+ao+envelhecimento+e+pode+melhorar+ao+longo+da+vida\" target=\"_blank\" title=\"Twitter\" aria-label=\"Twitter\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgovbS8wNzZ0dms1\" title=\"Google Discover\" target=\"_blank\" aria-label=\"Google Discover\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787645874_711_google-discover-icon.png\" style=\"height: 25px; margin: 0 !important; margin-left: 3px;\" alt=\"Google Discover Icon\"\/><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>              <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/isabella-almeida\/page\/1\/\" style=\"height: 100%;\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787645875_137_img_3872__1_-30220876.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/isabella-almeida\/page\/1\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1787645875_137_img_3872__1_-30220876.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a>Isabella Almeida  <strong class=\"entryStrongAuthor\">Rep\u00f3rter<\/strong><\/p>\n<p class=\"entryDescricaoAuthor\">Goiana, mora em Bras\u00edlia desde 2018. Formada em jornalismo pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Especialista em publica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e ci\u00eancia.<\/p>\n<p>                          <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00a0\u00c0 medida que o envelhecimento ocorre, as fun\u00e7\u00f5es cognitivas declinam. 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