{"id":499667,"date":"2026-08-25T08:22:10","date_gmt":"2026-08-25T08:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499667\/"},"modified":"2026-08-25T08:22:10","modified_gmt":"2026-08-25T08:22:10","slug":"este-po-preto-portugues-promete-revolucionar-o-jogo-do-gato-e-do-rato-do-desenvolvimento-de-drones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499667\/","title":{"rendered":"Este &#8220;p\u00f3 preto&#8221; portugu\u00eas promete revolucionar o &#8220;jogo do gato e do rato&#8221; do desenvolvimento de drones"},"content":{"rendered":"<p>                A guerra na Ucr\u00e2nia acelerou o uso de ve\u00edculos n\u00e3o tripulados, mas a pr\u00f3xima grande revolu\u00e7\u00e3o militar pode ter nascido num laborat\u00f3rio em Portugal. Com um peso virtualmente nulo e a espessura de um \u00fanico \u00e1tomo, esta nova subst\u00e2ncia h\u00edbrida de grafeno atua como uma &#8220;esponja&#8221; contra radares inimigos<\/p>\n<p>Um radar antia\u00e9reo de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o varre os c\u00e9us \u00e0 procura de amea\u00e7as, mas, no ecr\u00e3, n\u00e3o h\u00e1 qualquer sinal de perigo. No entanto, a poucos quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia, um drone militar de grandes dimens\u00f5es avan\u00e7a no terreno a grande velocidade em dire\u00e7\u00e3o ao alvo. A invisibilidade do drone n\u00e3o se deve a um design complexo, mas sim a um revestimento de uma tinta inovadora, incrivelmente leve, que permite absorver e neutralizar a radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica do inimigo, tornando a aeronave praticamente invis\u00edvel ao radar. Este cen\u00e1rio ainda \u00e9 hipot\u00e9tico, mas \u00e9 a promessa de um grupo de cientistas portugueses que criaram\u00a0uma subst\u00e2ncia h\u00edbrida de grafeno, que amea\u00e7a quebrar o monop\u00f3lio militar at\u00e9 agora detido por pot\u00eancias como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Um metal, por exemplo, faz blindagem eletromagn\u00e9tica, n\u00e3o deixa passar ondas, mas reflete de volta. O nosso material, o que tem diferente \u00e9 que captura grande parte dessa onda e o que reflete \u00e9 nada ou muito pouco, reduzindo em muito a capacidade do radar de detetar que aquele objeto est\u00e1 l\u00e1&#8221;, explica Bruno Soares Gon\u00e7alves, presidente do Instituto de Plasmas e Fus\u00e3o Nuclear e investigador coordenador no Instituto Superior T\u00e9cnico.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de drones de grandes dimens\u00f5es a passar despercebidos aos radares inimigos cobertos por tecnologia furtiva portuguesa ainda n\u00e3o \u00e9 uma realidade dos campos de batalha, mas isso \u00e9 algo que pode estar a meses de acontecer. Tudo porque a empresa portuguesa GTechPlasma, um spin-off do Instituto de Plasmas e Fus\u00e3o Nuclear do Instituto Superior T\u00e9cnico, desenvolveu uma forma in\u00e9dita e altamente eficiente de produzir derivados de grafeno, um material feito a partir de carbono que se destaca por ser ultraleve e extremamente resistente.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de uma tecnologia baseada em plasma, a equipa portuguesa consegue pegar em mol\u00e9culas ricas em carbono, como o \u00e1lcool et\u00edlico comum, e transform\u00e1-las num &#8220;p\u00f3 preto&#8221; de elevada qualidade, num processo que permite produzir &#8220;grafeno de alt\u00edssima qualidade&#8221; sem processos qu\u00edmicos demorados, caros e com forte uso de componentes t\u00f3xicos. \u00c9 precisamente o p\u00f3 h\u00edbrido que resulta desse processo que pode ser misturado com tintas vulgares e aplicado diretamente na fuselagem das aeronaves. Mas n\u00e3o s\u00f3.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos falado de avi\u00f5es e de drones, mas podem ser navios, podem ser ve\u00edculos que se queiram esconder do radar. Na realidade, qualquer plataforma que se queira tornar mais invis\u00edvel ao radar beneficiar\u00e1 de ter um coating com o nosso material. (&#8230;) O objetivo \u00e9 incorpor\u00e1-lo numa tinta que possa ser usada de forma ampla em m\u00faltiplas plataformas&#8221;, garante Bruno Soares Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o praticamente in\u00e9dita na Europa e que coloca Portugal na vanguarda de um mercado global altamente restrito, habitualmente dominado pelas principais pot\u00eancias mundiais. China e Estados Unidos dominam a produ\u00e7\u00e3o desta subst\u00e2ncia, s\u00f3 que o grafeno produzido em Portugal \u00e9 diferente daquele que \u00e9 produzido em massa na China. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o queremos competir com o mercado do grafeno da China, n\u00e3o \u00e9 a nossa ambi\u00e7\u00e3o&#8221;, refor\u00e7a Bruno Soares Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do grafeno do mercado asi\u00e1tico, o produto feito em Portugal permite incorporar outro tipo de \u00e1tomos ou mol\u00e9culas diretamente no grafeno, uma vez que as m\u00e1quinas portuguesas permitem controlar &#8220;todo o processo a n\u00edvel at\u00f3mico&#8221;, algo que n\u00e3o era poss\u00edvel com os processos tradicionais.\u00a0 &#8220;Estamos a entrar num mercado onde n\u00e3o existe neste momento um material que compita com aquilo que n\u00f3s estamos a produzir, e o nosso m\u00e9todo \u00e9 o \u00fanico a produzi-lo&#8221;, explica o cientista.<\/p>\n<p>O alvo do projeto nacional \u00e9 preencher uma lacuna t\u00e1tica e estrat\u00e9gica que, at\u00e9 agora, s\u00f3 estava ao alcance dos ex\u00e9rcitos das principais pot\u00eancias mundiais. Os Estados Unidos da Am\u00e9rica t\u00eam a tecnologia para tornar os seus avi\u00f5es praticamente invis\u00edveis aos sensores inimigos, mas n\u00e3o exportam essa tecnologia. &#8220;A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 o material stealth utilizado para tornar os avi\u00f5es invis\u00edveis, como os F-35, mas que os Estados Unidos n\u00e3o vendem para fora&#8221;, aponta o cientista.<\/p>\n<p>Mas a principal guerra no continente europeu desde a Segunda Guerra Mundial est\u00e1 a transformar a forma de combater a uma velocidade pouco comum. No seu quinto ano, a guerra na Ucr\u00e2nia pouco tem de semelhante com os primeiros meses de guerra. Hoje, o conflito evoluiu para uma guerra cada vez mais robotizada, com os drones a\u00e9reos a dominar os c\u00e9us e o campo de batalha. Os desenvolvimentos da guerra hoje acontecem de forma r\u00e1pida, numa esp\u00e9cie de &#8220;jogo do gato e do rato&#8221;. Isso leva o respons\u00e1vel da GTechPlasma a tra\u00e7ar um objetivo claro e ambicioso.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 para todos os drones, n\u00e3o \u00e9 para os drones mais pequenininhos que temos visto a assistir a atuar na Ucr\u00e2nia, \u00e9 para drones que j\u00e1 tenham uma assinatura de radar que sejam identificados. J\u00e1 estamos a falar de drones provavelmente de maior dimens\u00e3o e que penetram no terreno&#8221;, perspetiva o investigador, acrescentando que, &#8220;dentro de um ano&#8221;, espera ter &#8220;pelo menos alguns exemplos a voar&#8221; com o material &#8220;incorporado e a provar que funciona&#8221;.<\/p>\n<p>Para isso, a empresa portuguesa est\u00e1 a ser pensada nas realidades da linha da frente, com o objetivo de ser o &#8220;menos disruptiva poss\u00edvel&#8221; para os fabricantes, de forma a facilitar a ado\u00e7\u00e3o. O m\u00e9todo que est\u00e1 a ser desenvolvido por portugueses permite aos operadores restaurar capacidades em pouco tempo, sem necessitar de grandes interven\u00e7\u00f5es. &#8220;Havendo uma tinta at\u00e9 \u00e9 f\u00e1cil, caso haja um dano local numa asa ou em qualquer s\u00edtio, pintar no terreno e voltar a pintar para que o drone continue a manter a sua invisibilidade&#8221;, garante.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 o risco de este revestimento comprometer o desempenho da aeronave. Sendo composto por folhas com a espessura de um \u00fanico \u00e1tomo, o grafeno tem um peso virtualmente nulo, um fator cr\u00edtico para n\u00e3o prejudicar a autonomia e a capacidade de carga de um drone.<\/p>\n<p>O potencial desta subst\u00e2ncia parece n\u00e3o ter passado despercebido \u00e0 For\u00e7a A\u00e9rea Portuguesa (FAP), que j\u00e1 avan\u00e7ou com um projeto conjunto com uma equipa do Instituto Superior T\u00e9cnico para validar a capacidade operacional desta tecnologia. Batizado de projeto &#8220;Black Jacket&#8221;, as duas entidades est\u00e3o a trabalhar nas &#8220;especifica\u00e7\u00f5es militares&#8221; da tinta com grafeno, para garantir que as formula\u00e7\u00f5es cumprem em pleno os rigorosos requisitos das For\u00e7as Armadas, quer a n\u00edvel das frequ\u00eancias de absor\u00e7\u00e3o de radar, quer da resist\u00eancia operacional.<\/p>\n<p>Embora o setor da Defesa concentre atualmente as aten\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria, a revolu\u00e7\u00e3o do grafeno nacional tamb\u00e9m aponta a mercados mais pac\u00edficos. Na pr\u00f3xima d\u00e9cada, a empresa prev\u00ea que este p\u00f3 h\u00edbrido transforme radicalmente v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es civis. Um dos maiores focos, sublinha Bruno Soares Gon\u00e7alves, ser\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o de terras raras, recursos fundamentais para a tecnologia moderna e cujo fornecimento global se encontra, hoje, quase inteiramente nas m\u00e3os da China.<\/p>\n<p>Outros dos principais focos da equipa \u00e9 a investiga\u00e7\u00e3o na &#8220;absor\u00e7\u00e3o em estado s\u00f3lido de hidrog\u00e9nio&#8221;, com o grande objetivo de criar botijas que funcionem \u00e0 temperatura ambiente. Se a investiga\u00e7\u00e3o for bem sucedida, esta inova\u00e7\u00e3o \u00e0 base de grafeno portugu\u00eas poder\u00e1 vir a mudar o paradigma da mobilidade verde, substituindo, num futuro pr\u00f3ximo, as complexas bombas de carregamento de ve\u00edculos por botijas s\u00f3lidas.<\/p>\n<p>Mas para que Portugal consiga produzir tecnologia capaz de alterar a geopol\u00edtica militar ou a mobilidade global, o investigador avisa que a receita tem de ser mantida. &#8220;A vanguarda da ci\u00eancia em \u00e1reas deep tech, como \u00e9 o nosso caso, s\u00f3 se faz com investimento, com contrata\u00e7\u00e3o e com forma\u00e7\u00e3o de pessoas de elevada qualidade cient\u00edfica&#8221;, insiste Bruno Soares Gon\u00e7alves. Afinal, a inova\u00e7\u00e3o que agora promete esconder drones e neutralizar radares &#8220;n\u00e3o nasceu do nada&#8221; e foi o resultado direto de &#8220;anos de aposta sustentada na excel\u00eancia da investiga\u00e7\u00e3o nacional&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A guerra na Ucr\u00e2nia acelerou o uso de ve\u00edculos n\u00e3o tripulados, mas a pr\u00f3xima grande revolu\u00e7\u00e3o militar pode&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":499668,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[609,836,611,27,28,55050,607,608,333,832,604,135,610,837,80110,476,15,16,75890,301,53831,80111,830,14,80109,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,33,839,110,17,18,840,29,30,31],"class_list":["post-499667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-bruno-soares-goncalves","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-drones","tag-drones-furtivos","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-furtividade","tag-governo","tag-grafeno","tag-gtechplasma","tag-guerra","tag-headlines","tag-invisibilidade","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-russia","tag-tecnologia","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ucrania","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/499667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=499667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/499667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/499668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=499667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=499667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=499667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}