{"id":499757,"date":"2026-08-25T10:10:16","date_gmt":"2026-08-25T10:10:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499757\/"},"modified":"2026-08-25T10:10:16","modified_gmt":"2026-08-25T10:10:16","slug":"como-jorge-furtado-fez-da-comedia-elo-entre-vida-e-ficcao-24-08-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499757\/","title":{"rendered":"Como Jorge Furtado fez da com\u00e9dia elo entre vida e fic\u00e7\u00e3o &#8211; 24\/08\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Muita gente lembra de ter visto &#8220;<a href=\"https:\/\/fotografia.folha.uol.com.br\/galerias\/1802431165048927-como-esta-a-ilha-das-flores-apos-as-chuvas-em-porto-alegre\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ilha das Flores<\/a>&#8221; quando era estudante. O curta de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/05\/wagner-moura-e-um-dos-maiores-atores-do-mundo-diz-o-diretor-jorge-furtado.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Jorge Furtado<\/a>, conhecido por roteiros sagazes, traz temas espinhosos e latentes da realidade brasileira, como a fome e a desigualdade, com a leveza de uma brincadeira.<\/p>\n<p>Ao menos \u00e9 a impress\u00e3o causada pelos arquivos, esquetes, colagens e a narra\u00e7\u00e3o que o filme usa, em poucos minutos, para falar sobre aquela ilha do delta em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/porto-alegre\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Porto Alegre<\/a>, marcada pela pobreza.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, personagens do cineasta continuaram a fazer reflex\u00f5es parecidas, em filmes como &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq2007200714.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Saneamento B\u00e1sico<\/a>&#8220;. Com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/fernanda-torres\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Fernanda Torres<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/wagner-moura\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Wagner Moura<\/a>, a com\u00e9dia acompanha moradores de uma cidade do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rio-grande-do-sul-estado\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Rio Grande do Sul<\/a> que decidem rodar um filme sobre um monstro que ganha vida ap\u00f3s o ac\u00famulo de lixo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os personagens do novo longa de Furtado seguem fazendo v\u00eddeos, agora por raz\u00f5es menos altru\u00edstas \u2014eles vendem grava\u00e7\u00f5es \u00edntimas dos clientes do motel que administram, sem consentimento. Em &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2026\/06\/jorge-furtado-volta-a-fazer-comedia-no-cinema-apos-20-anos-com-daniel-de-oliveira.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Muito Prazer<\/a>&#8220;, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, quem ocupa os quartos do Motel P\u00e9rola nem imagina que eles est\u00e3o repletos de c\u00e2meras.<\/p>\n<p>&#8220;A pornografia sempre seguiu tecnologias&#8221;, diz o diretor e roteirista, que teve a ideia para o longa a partir do desejo de p\u00f4r paix\u00f5es humanas e algoritmos do mundo virtual em rota de colis\u00e3o. &#8220;Calcula-se que 30% do fluxo digital diz respeito \u00e0 pornografia. Hoje, sites tentam oferecer um card\u00e1pio do que nos excita. Isso tem um potencial c\u00f4mico enorme.&#8221;<\/p>\n<p>No longa, um motorista de aplicativo, interpretado por <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/televisao\/2026\/01\/me-sinto-bem-a-vontade-diz-daniel-de-oliveira-sobre-universo-sertanejo-de-coracao-acelerado.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Daniel de Oliveira<\/a>, herda um motel abandonado. Ele encontra uma funcion\u00e1ria, papel de <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/cinema-e-series\/2026\/05\/atrizes-criticam-escalacao-de-luisa-arraes-como-cassia-eller-em-filme-sobre-a-cantora.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Luisa Arraes<\/a>, morando ali. Sem dinheiro para restaurar o local e cheios de d\u00edvidas, eles fecham uma parceria e come\u00e7am a publicar na internet v\u00eddeos de sexo dos amantes que ocupam suas su\u00edtes.<\/p>\n<p>O que come\u00e7a como uma contraven\u00e7\u00e3o despretensiosa, mirando um extra financeiro, evolui para uma rede de produ\u00e7\u00e3o mais complexa, com filmagens roteirizadas e uso de intelig\u00eancia artificial para esconder a identidade das estrelas amadoras. Apesar da premissa, o filme n\u00e3o \u00e9 expl\u00edcito e prioriza as express\u00f5es dos que espiam um mundo \u00edntimo via telas, em vez da intimidade sobre a cama.<\/p>\n<p>&#8220;Sexo n\u00e3o \u00e9 engra\u00e7ado. Erotismo n\u00e3o \u00e9 engra\u00e7ado. Ou \u00e9 uma coisa, ou \u00e9 outra. Esta \u00e9 uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica&#8221;, diz Furtado ao justificar a escolha por mostrar pouco, numa \u00e9poca em que se discute um suposto desinteresse dos jovens por sexo.<\/p>\n<p>Ainda assim, ele ri ao relembrar peculiaridades que descobriu enquanto escrevia o roteiro, como um quarto tem\u00e1tico de motel, inspirado na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/operacao-lava-jato\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato<\/a>, com fotos do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/lula\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">presidente Lula<\/a> sendo preso por <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sergio-moro\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Sergio Moro<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 existem mot\u00e9is em que o casal sabe que ser\u00e1 filmado e recebe uma c\u00f3pia da performance. Eles tamb\u00e9m se modernizam com a internet.&#8221;<\/p>\n<p>Sugerir, mais do que mostrar, sempre foi algo que interessou Furtado enquanto cineasta. Inspirado num conto de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/luis-fernando-verissimo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Luis Fernando Verissimo<\/a>, seu primeiro curta, &#8220;Temporal&#8221;, acompanhava o choque entre um grupo de idosos religiosos e outro de jovens que s\u00f3 querem beber e transar. Cores fortes, cen\u00e1rios teatrais e pap\u00e9is caricatos sugerem uma atmosfera de pervers\u00e3o, que enla\u00e7a os personagens entre trov\u00f5es e quedas de luz.<\/p>\n<p>Mais tarde, em 1986, Furtado espelhou cicatrizes da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ditadura-militar\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">ditadura militar <\/a>no premiado &#8220;O Dia em que Dorival Encarou a Guarda&#8221;. O curta acompanha uma conversa entre um prisioneiro e seus vigias, enquanto questiona o racismo e a viol\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na trama, o detento decide lutar por um banho, o que leva a ataques verbais e f\u00edsicos. Os \u00faltimos ocorrem em planos fechados, que mostram cacetetes, chutes e socos, e s\u00e3o intercalados com cenas de outros filmes, como um que v\u00ea a viol\u00eancia no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/webstories\/cultura\/2022\/05\/o-que-foi-o-cangaco\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Canga\u00e7o<\/a>.<\/p>\n<p>A intertextualidade tamb\u00e9m guia &#8220;A Matadeira&#8221;, curta sobre a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs210904.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Guerra de Canudos<\/a>. Nele, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/pedro-cardoso\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Pedro Cardoso<\/a> alterna entre pap\u00e9is \u2014de um professor at\u00e9 o l\u00edder messi\u00e2nico <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fol\/brasil500\/histcanudos3.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ant\u00f4nio Conselheiro<\/a>\u2014 e estuda o poder dos signos, como a tal m\u00e1quina-t\u00edtulo, sobre a constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com o tempo, o cineasta se especializou em unir fic\u00e7\u00e3o e realidade, e seu prest\u00edgio surgiu antes mesmo da funda\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.casacinepoa.com.br\/https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/ult90u13124.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Casa de Cinema de Porto Alegre<\/a>. A produtora, que completar\u00e1 quatro d\u00e9cadas em 2027, se firmou como um polo do cinema ga\u00facho independente.<\/p>\n<p>&#8220;Foi algo exc\u00eantrico, j\u00e1 que ga\u00fachos atra\u00eddos pela \u00e1rea [o audiovisual] iam para o Sudeste.&#8221; Recentemente, um relat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2026\/08\/margareth-menezes-apresentara-verba-recorde-ao-cinema-contra-criticas-do-setor.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Fundo Setorial do Audiovisual<\/a>, o FSA, mostrou que a regi\u00e3o concentra 70% da verba p\u00fablica voltada ao cinema.<\/p>\n<p>&#8220;Eram jovens loucos que queriam fazer cinema e TV, mas tinham limites tecnol\u00f3gicos&#8221;, afirma Furtado, que cita os celulares de hoje como uma nova ferramenta. Ele tamb\u00e9m fala do streaming, em que lan\u00e7ou s\u00e9ries como &#8220;Todas as Mulheres do Mundo&#8221; e o filme &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/05\/vai-dar-nada-com-rafael-infante-e-primeiro-filme-nacional-na-paramount.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Vai Dar Nada<\/a>&#8220;, como um espa\u00e7o atento a com\u00e9dias num contexto em que a TV aberta se fecha nas novelas. &#8220;Hoje, \u00e9 poss\u00edvel produzir em todo lugar.&#8221;<\/p>\n<p>A televis\u00e3o, ali\u00e1s, sucedeu &#8220;Ilha das Flores&#8221;, e os anos 1990 deram a Furtado s\u00e9ries da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/globo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Globo<\/a>. Foi o caso de &#8220;Agosto&#8221;, adapta\u00e7\u00e3o do livro que dramatiza o suic\u00eddio de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/getulio-vargas\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Get\u00falio Vargas<\/a>, e &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/4\/30\/tv_folha\/11.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">A Com\u00e9dia da Vida Privada<\/a>&#8220;, em que costura f\u00e1bulas do cotidiano.<\/p>\n<p>Outro projeto de destaque foi a miniss\u00e9rie &#8220;A Inven\u00e7\u00e3o do Brasil&#8221;. A s\u00e1tira ao descobrimento do pa\u00eds foi uma das primeiras que escreveu com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2023\/11\/guel-arraes-leva-premio-de-melhor-direcao-por-grande-sertao-em-festival-na-estonia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Guel Arraes<\/a>, com quem voltaria a trabalhar em produ\u00e7\u00f5es como &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/tvfolha\/tv01119811.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O Auto da Compadecida<\/a>&#8221; e, mais recentemente, &#8220;<a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/colunistas\/cristina-padiglione\/2021\/09\/guel-arraes-e-jorge-furtados-falam-sobre-debate-entre-lula-e-bolsonaro-na-tv.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O Debate<\/a>&#8220;, pe\u00e7a sobre as elei\u00e7\u00f5es que chegou aos cinemas, e uma vers\u00e3o dist\u00f3pica de &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2022\/01\/novo-grande-sertao-reflete-a-era-bolsonaro-com-milicias-e-tem-diadorim-nao-binario.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/a>&#8220;.<\/p>\n<p>Essa fase levou Furtado aos longas. Ele estreou no formato com &#8220;Houve uma Vez Dois Ver\u00f5es&#8221;, sobre um jovem que se desespera ap\u00f3s engravidar uma mo\u00e7a. Numa homenagem ao &#8220;coming of age&#8221;, g\u00eanero americano sobre o amadurecimento, a dire\u00e7\u00e3o contrap\u00f5e os sonhos do casal e a busca desenfreada por dinheiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para a necessidade financeira, tamb\u00e9m presente em &#8220;Muito Prazer&#8221;, virar um de seus motes. Em seu segundo longa, &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/ilustrada\/ult90u34018.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O Homem que Copiava<\/a>&#8220;, um jovem L\u00e1zaro Ramos imprime dinheiro falso para conquistar a garota dos sonhos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mergulhar em intrigas criminosas, seu personagem incorpora um novo estilo de vida. O contraste entre a ess\u00eancia e a apar\u00eancia tamb\u00e9m define &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq2011200517.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Meu Tio Matou um Cara<\/a>&#8220;, que Furtado adaptou de uma colet\u00e2nea de contos, o primeiro de seus livros.<\/p>\n<p>Aqui, um homem confessa um assassinato. Seu sobrinho, entretanto, cr\u00ea que ele assumiu a culpa por outra pessoa. Ele abre uma investiga\u00e7\u00e3o e p\u00f5e em choque a opini\u00e3o p\u00fablica e a sua pr\u00f3pria em rela\u00e7\u00e3o ao parente.<\/p>\n<p>&#8220;Hist\u00f3rias podem ensinar tr\u00eas coisas. Podem te ensinar algo sobre voc\u00ea, sobre os outros e sobre a linguagem&#8221;, afirma Furtado. De volta ao novo filme, ele cita os esfor\u00e7os da equipe do Motel P\u00e9rola em retratar o prazer, por meio de caras, sons e gestos. Seu interesse est\u00e1 na criatividade, que n\u00e3o pode ser catalogada pela internet.<\/p>\n<p>&#8220;Estou sempre buscando novas formas de pensar a linguagem e de refletir sentimentos&#8221;, diz. A busca por esse novo pode explicar por que o diretor se afastou da com\u00e9dia nos \u00faltimos anos \u2014n\u00e3o que ele tenha deixado de estudar as entrelinhas por tr\u00e1s das imagens. Exemplo disso \u00e9 &#8220;<a href=\"https:\/\/m.folha.uol.com.br\/serafina\/2014\/08\/1491166-critica-documentario-o-mercado-de-noticias-expoe-e-humaniza-o-jornalismo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O Mercado de Not\u00edcias<\/a>&#8220;, adapta\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a que une encena\u00e7\u00f5es e entrevistas para pensar a influ\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pouco depois, em 2015, aventurou-se no drama com &#8220;Real Beleza&#8221;, em que explorou o olhar humano e sua capacidade de tornar rostos em imagens. Na trama, um retratista procura modelos e \u00e9 atra\u00eddo pela beleza de uma jovem.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica voltaria a seus di\u00e1logos tr\u00eas anos mais tarde, quando o cineasta adaptou &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2017\/12\/1940586-peca-rasga-coracao-foi-simbolo-da-luta-contra-a-censura-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Rasga Cora\u00e7\u00e3o<\/a>&#8221; para as telas. A vers\u00e3o para a pe\u00e7a de Oduvaldo Vianna Filho segue um militante que, d\u00e9cadas depois de lutar contra a ditadura militar, ouve do filho que ele n\u00e3o passa de um conservador reacion\u00e1rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2024, Furtado quase voltou ao teatro, mas, diferentemente de outros de seus textos, preferiu levar &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/05\/jorge-furtado-e-yasmin-thayna-filmam-o-inicio-da-psicanalise-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Virg\u00ednia e Adelaide<\/a>&#8221; aos cinemas. Dirigido com Yasmin Thayn\u00e1, o longa v\u00ea um encontro entre a primeira psicanalista negra da Am\u00e9rica Latina e uma grande m\u00e9dica judia. Juntas, elas debatem a moral humana.<\/p>\n<p>Agora, Furtado parece feliz em voltar aos personagens que arrancam risadas com decis\u00f5es duvidosas. &#8220;Eles precisam fazer coisas horr\u00edveis para que n\u00e3o tenhamos de faz\u00ea-lo. \u00c9 uma aer\u00f3bica para a alma&#8221;, diz sobre os administradores do motel de &#8220;Muito Prazer&#8221;.<\/p>\n<p>Sobre o sucesso recente, no exterior, de produ\u00e7\u00f5es nacionais de verve dram\u00e1tica, como &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ainda-estou-aqui\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ainda Estou Aqui<\/a>&#8220;, ele diz que a brasilidade das piadas dificulta a exporta\u00e7\u00e3o das com\u00e9dias, que, por outro lado, seguem entre as principais bilheterias do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Filmes que fazem sucesso l\u00e1 fora est\u00e3o numa categoria \u00e0 parte&#8221;, diz o cineasta. &#8220;Com\u00e9dias n\u00e3o costumam aparecer em pr\u00eamios e festivais. Seu principal objetivo \u00e9 o riso. O humor sempre \u00e9 pol\u00edtico, mas ele denuncia hipocrisias de outro modo e leva o c\u00e9rebro a lugares inimagin\u00e1veis. \u00c9 uma terapia p\u00fablica.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Muita gente lembra de ter visto &#8220;Ilha das Flores&#8221; quando era estudante. 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