{"id":499929,"date":"2026-08-25T13:09:00","date_gmt":"2026-08-25T13:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499929\/"},"modified":"2026-08-25T13:09:00","modified_gmt":"2026-08-25T13:09:00","slug":"esqueleto-do-seculo-14-pode-ser-o-da-1a-vitima-de-trabuco-25-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/499929\/","title":{"rendered":"Esqueleto do s\u00e9culo 14 pode ser o da 1\u00aa v\u00edtima de trabuco &#8211; 25\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, o Castelo de Stirling, situado na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/escocia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Esc\u00f3cia<\/a>, \u00e9 um destino tur\u00edstico. Mas em 1304 era uma zona de guerra. Foram anos de combates intermitentes at\u00e9 que os ingleses o tomassem durante um cerco violento. Agora, uma nova pesquisa sugere que um dos esqueletos destro\u00e7ados nessa batalha pode ser o da primeira v\u00edtima confirmada de uma esp\u00e9cie de catapulta conhecida como trabuco.<\/p>\n<p>Os extensos ferimentos constatados no esqueleto 150, como \u00e9 chamado pelos arque\u00f3logos, levaram \u00e0 conclus\u00e3o de que os ossos provavelmente foram quebrados pelo impacto de alta velocidade e grande for\u00e7a de um proj\u00e9til de trabuco. A <a href=\"https:\/\/cfp.dainst.org\/25th-european-ppa-meeting\/talk\/GHF9V8\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">descoberta <\/a>foi apresentada no 25\u00ba encontro da Associa\u00e7\u00e3o de Paleopatologia, realizado no in\u00edcio deste m\u00eas em Berlim.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estava juntando todas as pe\u00e7as e me perguntando: \u2018Bem, o que estava acontecendo no Castelo de Stirling medieval que pudesse explicar isso?\u2019&#8221;, afirmou a antrop\u00f3loga Jo Buckberry, da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de Bradford (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/inglaterra\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Inglaterra<\/a>), que apresentou a descoberta. &#8220;A resposta \u00f3bvia \u00e9 o uso dos trabucos.&#8221;<\/p>\n<p>A resposta pode parecer \u00f3bvia hoje, mas se passaram d\u00e9cadas entre a descoberta do esqueleto 150 e a determina\u00e7\u00e3o de sua causa de morte.<\/p>\n<p>O material foi escavado em 1997, quando a Historic Environment Scotland, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela preserva\u00e7\u00e3o dos locais hist\u00f3ricos do pa\u00eds, executava obras de restaura\u00e7\u00e3o no castelo. O esqueleto 150, junto com v\u00e1rios outros, foi encontrado sob o piso da capela real.<\/p>\n<p>Incomum, o local de sepultamento sugeria que os respons\u00e1veis pelos funerais n\u00e3o haviam conseguido chegar aos cemit\u00e9rios habituais fora das muralhas do castelo. Isso levou os pesquisadores a considerar que os ossos poderiam datar da batalha de 1304, ap\u00f3s a qual os ingleses assumiram o controle de Stirling.<\/p>\n<p>Usando raios X e microscopia, Buckberry e seu colega antrop\u00f3logo Patrick Randolph-Quinney, da Universidade de Uppsala (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/suecia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Su\u00e9cia<\/a>), descobriram que o esqueleto 150 apresentava fraturas complexas, em zigue-zague, diferentes de tudo o que j\u00e1 haviam visto em restos mortais medievais. As les\u00f5es eram semelhantes \u00e0s observadas em v\u00edtimas de acidentes de carro hoje. Estava claro que o indiv\u00edduo havia sofrido um golpe violento e em alta velocidade.<\/p>\n<p>Os antrop\u00f3logos cogitaram que a v\u00edtima pudesse ter ca\u00eddo do alto das muralhas do castelo. Por\u00e9m, suas pernas retorcidas e fraturadas mostravam que ela estava de p\u00e9 no momento do impacto.<\/p>\n<p>A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o que parecia compat\u00edvel com todos os ferimentos era um trauma contundente causado por um proj\u00e9til extremamente pesado e que se deslocava em alta velocidade.<\/p>\n<p>O estudo sugere que esse proj\u00e9til, lan\u00e7ado pela mais poderosa das catapultas de guerra medievais, o trabuco, possa ter atingido o esqueleto 150 \u2014provavelmente um defensor do castelo na faixa dos 20 ou no in\u00edcio dos 30 anos\u2014 pelas costas, enquanto ele corria para se proteger.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um trauma imenso, imenso e, felizmente, uma morte instant\u00e2nea&#8221;, disse Buckberry.<\/p>\n<p>At\u00e9 que as armas de fogo se popularizassem na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/europa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Europa<\/a>, nas d\u00e9cadas que se seguiram ao cerco de 1304 ao Castelo de Stirling, os trabucos eram uma das principais armas de guerra.<\/p>\n<p>Os soldados colocavam um proj\u00e9til \u2014muitas vezes uma grande pedra\u2014 em uma enorme funda presa a um bra\u00e7o pivotante. Em seguida, soltavam um pesado contrapeso, que lan\u00e7ava o proj\u00e9til contra o alvo em alta velocidade.<\/p>\n<p>Essas armas eram constru\u00eddas principalmente para derrubar muralhas fortificadas, mas os danos que causavam eram indiscriminados, segundo o historiador e arque\u00f3logo Michael Fulton, da Universidade de Western Ont\u00e1rio (Canad\u00e1).<\/p>\n<p>&#8220;Temos muitos registros hist\u00f3ricos ou relatos de v\u00edtimas desse tipo, de pedras sendo arremessadas por cima de uma muralha, seja de dentro para fora ou de fora para dentro, e de algum desafortunado simplesmente sendo esmagado&#8221;, disse ele.<\/p>\n<p>Nenhum relato de ferimentos como esses no Castelo de Stirling sobreviveu nos registros hist\u00f3ricos. No entanto, as narrativas da \u00e9poca deixam claro que trabucos foram usados durante o cerco de 1304.<\/p>\n<p>Cerca de um m\u00eas depois de o rei Eduardo 1\u00ba da Inglaterra chegar ao Castelo de Stirling, os defensores escoceses se ofereceram para se render, contudo o monarca recusou a oferta. Em vez disso, exigiu que o cerco continuasse at\u00e9 que tivesse a oportunidade de concluir a constru\u00e7\u00e3o e os testes em campo de Warwolf, supostamente um dos maiores trabucos j\u00e1 constru\u00eddos.<\/p>\n<p>&#8220;Minha impress\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o seria uma prova de conceito, tampouco uma nova m\u00e1quina que ele nunca tivesse usado antes&#8221;, afirmou Fulton sobre a determina\u00e7\u00e3o do rei em concluir a montagem do trabuco no Castelo de Stirling. &#8220;Acho que ele estava se exibindo para as outras pessoas que o acompanhavam. Creio que isso tinha muito mais a inten\u00e7\u00e3o de impressionar o lado ingl\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores n\u00e3o t\u00eam certeza de que os ferimentos do esqueleto 150 tenham sido causados pelo pr\u00f3prio Warwolf. Mas eles afirmaram que esses restos mortais oferecem um vislumbre muito raro da viol\u00eancia dos combates no per\u00edodo medieval \u2014e das maneiras pelas quais a arqueologia pode reformular nossa compreens\u00e3o at\u00e9 mesmo de acontecimentos hist\u00f3ricos bem documentados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Hoje, o Castelo de Stirling, situado na Esc\u00f3cia, \u00e9 um destino tur\u00edstico. 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