{"id":500019,"date":"2026-08-25T14:37:17","date_gmt":"2026-08-25T14:37:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/500019\/"},"modified":"2026-08-25T14:37:17","modified_gmt":"2026-08-25T14:37:17","slug":"denisovanos-novos-ossos-descobertos-ampliam-misterio-25-08-2026-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/500019\/","title":{"rendered":"Denisovanos: novos ossos descobertos ampliam mist\u00e9rio &#8211; 25\/08\/2026 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>D\u00ea um passeio pela Trafalgar Square de Londres e voc\u00ea ver\u00e1 pessoas de todos os tipos de estatura, algumas altas, outras baixas: uma verdadeira mistura de tamanhos.<\/p>\n<p>Escolher apenas duas pessoas da multid\u00e3o para representar toda a esp\u00e9cie humana seria uma tarefa dif\u00edcil. Mas \u00e9 exatamente isso que fazemos quando encontramos f\u00f3sseis de <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/topics\/human-evolution-2687\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">homin\u00ednios<\/a> (parentes dos humanos modernos).<\/p>\n<p>Os antrop\u00f3logos podem estimar a altura de uma pessoa com precis\u00e3o razo\u00e1vel a partir dos ossos longos \u2014o f\u00eamur (osso da coxa) funciona bem para isso. Em m\u00e9dia, o tamanho desse osso corresponde bem \u00e0 altura total, considerando uma amostra grande de ossos.<\/p>\n<p>Foi exatamente isso que um grupo de cientistas fez usando f\u00f3sseis retirados do <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.64898\/2026.08.07.743438v1.full.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fundo do mar na costa de Taiwan<\/a>. Para aumentar o mist\u00e9rio, esses ossos pertencem aos denisovanos, uma das esp\u00e9cies mais enigm\u00e1ticas de homin\u00ednios.<\/p>\n<p>Os denisovanos eram uma esp\u00e9cie amplamente disseminada do g\u00eanero Homo (que abrange nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie, bem como parentes pr\u00f3ximos, como os neandertais). Inicialmente, eles eram conhecidos apenas por sequ\u00eancias gen\u00e9ticas extra\u00eddas de fragmentos isolados de material, como um pequeno osso do dedo encontrado na caverna de Denisova, nas Montanhas Altai, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/siberia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sib\u00e9ria<\/a>.<\/p>\n<p>A aparente aus\u00eancia de material f\u00f3ssil substancial dessa esp\u00e9cie os tornava misteriosos, embora, nos \u00faltimos anos, novas descobertas tenham ampliado nosso entendimento. Entre elas est\u00e1 o cr\u00e2nio do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/06\/cranio-chines-pode-por-fim-a-misterio-sobre-parentes-extintos-dos-humanos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Homem Drag\u00e3o (ou Harbin)<\/a>, recuperado de um rio no nordeste da China. <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(25)00627-0\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">A an\u00e1lise de DNA e prote\u00ednas<\/a> agora relacionou esse grande cr\u00e2nio aos <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adu9677\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">denisovanos<\/a>.<\/p>\n<p>A caracter\u00edstica not\u00e1vel dos f\u00f3sseis analisados por Yousuke Kaifu, da Universidade de T\u00f3quio, e seus colegas \u00e9 que eles foram dragados do canal de Penghu, no estreito de Taiwan.<\/p>\n<p>A maioria dos f\u00f3sseis raros de homin\u00ednios \u00e9 cuidadosamente escavada, permitindo que os pesquisadores registrem sua posi\u00e7\u00e3o exata nas camadas de sedimentos e sua rela\u00e7\u00e3o com animais, artefatos e evid\u00eancias ambientais associados.<\/p>\n<p>Os ossos analisados no novo estudo, por outro lado, foram recuperados do leito marinho entre os restos fossilizados de mam\u00edferos terrestres da era glacial, provavelmente depositados quando o n\u00edvel do mar exp\u00f4s o canal como terra firme, por volta da \u00e9poca em que a era glacial estava em seu auge. Seus locais exatos de descoberta e contextos geol\u00f3gicos n\u00e3o foram registrados.<\/p>\n<p>Isso torna os f\u00f3sseis cientificamente incomuns: sua anatomia e as prote\u00ednas preservadas cont\u00eam evid\u00eancias valiosas. Mas grande parte das informa\u00e7\u00f5es contextuais normalmente fornecidas por uma escava\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica foi perdida.<\/p>\n<p>Ossos longos recuperados<\/p>\n<p>Os ossos \u2014um f\u00eamur (osso da coxa) e uma t\u00edbia (o maior osso da perna) incompletos \u2014 foram atribu\u00eddos a dois denisovanos com base em an\u00e1lises de seus proteomas antigos recuperados. Um proteoma \u00e9 o conjunto de prote\u00ednas preservadas dentro de um f\u00f3ssil. Essas prote\u00ednas <a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/chreay\/article\/122\/16\/13401\/420960\/Paleoproteomics\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">podem reter evid\u00eancias<\/a> de rela\u00e7\u00f5es evolutivas, mesmo quando o DNA j\u00e1 foi perdido.<\/p>\n<p>Esses ossos produziram sinais prote\u00f4micos ligeiramente diferentes, raz\u00e3o pela qual os autores sugerem que se trata de dois indiv\u00edduos. O f\u00eamur e a t\u00edbia rec\u00e9m-descritos tamb\u00e9m n\u00e3o foram datados diretamente.<\/p>\n<p>Como foram recuperados por dragagem e carecem de proveni\u00eancia geol\u00f3gica comprovada, eles s\u00f3 podem ser situados, de maneira geral, entre o Pleistoceno M\u00e9dio e o Pleistoceno Tardio, com base nos restos de animais e nas evid\u00eancias de preserva\u00e7\u00e3o. A \u00e9poca do Pleistoceno durou de cerca de 2,58 milh\u00f5es de anos at\u00e9 11.700 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de atribuir os ossos aos denisovanos, os pesquisadores os utilizaram para inferir a estatura dos dois indiv\u00edduos. Eles est\u00e3o incompletos, o que complica um pouco as coisas, mas anatomistas experientes podem ter razo\u00e1vel confian\u00e7a quanto aos tamanhos completos dos ossos.<\/p>\n<p>A falta de contexto para os f\u00f3sseis \u2014normalmente fornecido pelos sedimentos dos quais s\u00e3o recuperados\u2014 significa que n\u00e3o sabemos se os dois indiv\u00edduos viveram na mesma \u00e9poca ou, pelo menos, em um intervalo semelhante.<\/p>\n<p>Mas os ossos s\u00e3o longos e, quando os demais elementos do corpo s\u00e3o dimensionados com base nos ossos das pernas, isso sugere que esses indiv\u00edduos eram altos. No novo artigo, Yousuke Kaifu e seus colegas afirmam que a altura estimada do Penghu 2 (um dos esp\u00e9cimes rec\u00e9m-descritos) era de aproximadamente 1,8 metro, com um peso de cerca de 83 kg.<\/p>\n<p>Suas estimativas para o outro f\u00f3ssil, o Penghu 3, indicam uma altura de cerca de 1,9 metro e um peso de cerca de 91 kg. Essas estimativas, escreve a equipe em seu estudo, &#8220;s\u00e3o compar\u00e1veis \u00e0s do maior Homo do Pleistoceno conhecido da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/africa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u00c1frica<\/a> e da Europa&#8221;.<\/p>\n<p>Inferir a altura como uma caracter\u00edstica da esp\u00e9cie com base em apenas dois indiv\u00edduos \u00e9 um desafio, embora isso n\u00e3o tenha impedido que alguns t\u00edtulos afirmassem que os denisovanos eram altos. Lembre-se do nosso passeio pela Trafalgar Square.<\/p>\n<p>Proceda com cautela<\/p>\n<p>Os perigos da reconstru\u00e7\u00e3o da estatura s\u00e3o ilustrados pelo famoso Menino de Turkana ou Menino de Nariokotome, um esqueleto notavelmente completo de Homo erectus descoberto no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/quenia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Qu\u00eania<\/a> em 1984. Ele era incomum porque seu cr\u00e2nio, dentes e ossos longos estavam todos completos e dispon\u00edveis para estudo.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 media cerca de 1,6 metro de altura quando morreu, mas as estimativas sobre sua idade divergem. Do ponto de vista dent\u00e1rio, ele parece <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1002\/ajpa.10376\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mais jovem do que seu esqueleto sugere<\/a>. Seu desenvolvimento esquel\u00e9tico parecia compar\u00e1vel ao de um ser humano moderno com idade entre 11 e 13 anos, enquanto os incrementos microsc\u00f3picos de crescimento em seus dentes sugeriam que ele tinha apenas cerca de oito ou nove anos.<\/p>\n<p>A discrep\u00e2ncia reflete a incerteza sobre se o Homo erectus crescia lentamente como n\u00f3s, incluindo um surto de crescimento na adolesc\u00eancia, ou se amadurecia mais rapidamente.<\/p>\n<p>Consequentemente, diferentes suposi\u00e7\u00f5es produziram diferentes proje\u00e7\u00f5es de sua altura adulta, embora modelos mais recentes sugiram que ele provavelmente teria atingido aproximadamente de 1,76 m a 1,80 m.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o \u00fanico exemplo de um esqueleto t\u00e3o completo de Homo erectus, mas isso significa que todos os membros de sua esp\u00e9cie teriam sido t\u00e3o altos? Devemos ser c\u00e9ticos, assim como devemos ser em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 altura dos denisovanos.<\/p>\n<p>Este texto foi publicado no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/the-conversation\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>. Clique <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/os-denisovanos-eram-altos-em-comparacao-com-outros-humanos-antigos-devemos-ser-ceticos-290294\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui <\/a>para ler a vers\u00e3o original.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"D\u00ea um passeio pela Trafalgar Square de Londres e voc\u00ea ver\u00e1 pessoas de todos os tipos de estatura,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":500020,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[2713,109,107,108,236,3536,32,33,6879,105,103,104,24607,106,110,5841],"class_list":["post-500019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-africa","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-folha","tag-pesquisa-cientifica","tag-portugal","tag-pt","tag-quenia","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-siberia","tag-technology","tag-tecnologia","tag-the-conversation"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117156658995399897","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500019","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=500019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500019\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/500020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=500019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=500019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=500019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}