{"id":50048,"date":"2025-08-29T12:23:09","date_gmt":"2025-08-29T12:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50048\/"},"modified":"2025-08-29T12:23:09","modified_gmt":"2025-08-29T12:23:09","slug":"teremos-sempre-ingrid-bergman-a-meia-luz-megafone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50048\/","title":{"rendered":"Teremos sempre Ingrid Bergman\u2026 \u00e0 meia-luz | Megafone"},"content":{"rendered":"<p>Com a sua larga, transl\u00facida e luminosa face, Ingrid Bergman tem um lugar mais que assegurado na hist\u00f3ria de Hollywood. N\u00e3o s\u00f3 era dotada desse rosto que derretia as c\u00e2maras como tinha muito talento, uma performance de maior conten\u00e7\u00e3o emocional que n\u00e3o parece t\u00e3o datada quanto a de outras atrizes da sua gera\u00e7\u00e3o, bem como um punhado de filmes inolvid\u00e1veis.<\/p>\n<p>Nasceu a 29 de agosto de 1915, em Estocolmo, e morreu tamb\u00e9m no mesmo dia e m\u00eas, mas em 1982. Faria hoje, portanto, 110 anos. \u00d3rf\u00e3 de m\u00e3e desde os dois anos, Bergman estudou na Real Escola de Arte Dram\u00e1tica de Estocolmo, estreando-se no cinema sueco antes de terminar o curso. Durante a d\u00e9cada de 1930, fez alguns filmes no seu pa\u00eds natal at\u00e9 ser, em 1939, levada pelo poderoso produtor David O. Selznick para Hollywood.<\/p>\n<p>Bergman, j\u00e1 casada e m\u00e3e, partiu sozinha para as terras do Tio Sam para participar na vers\u00e3o americana de um dos seus filmes suecos: Intermezzo. Dois anos mais tarde, ela faria dois filmes apenas razo\u00e1veis, mas dos quais vale destacar o tenebroso Rage in Heaven por mostrar pela primeira vez o papel a que a atriz ficaria mais associada: o de v\u00edtima atormentada por um homem.<\/p>\n<p>Ela teve um papel parecido mas mais tr\u00e1gico no filme de terror Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1941), dando vida a uma provocante bairmaid. \u00c9 um desempenho fabuloso (o meu preferido), sendo que Bergman conseguiu imprimir uma franca sexualidade que, misturada com uma irresist\u00edvel vulnerabilidade, roubou o filme a Spencer Tracy (e isso \u00e9 qualquer coisa). Foi no ano seguinte que se tornou uma grande estrela ao participar no seu filme mais emblem\u00e1tico, Casablanca, junto a Humphrey Bogart que era mais baixo que ela (Bergman era muito alta, medindo 1,75 metros), o filme que viria a ser a antonom\u00e1sia do cinema cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>O gui\u00e3o era reescrito todos os dias e ningu\u00e9m sabia com quem \u00e9 que a personagem de Bergman iria ficar, se com Bogart se com Paul Henreid. Isso n\u00e3o ajudava na hora de representar, mas o filme foi um sucesso gigante e o resto \u00e9 Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 1944, chegou um dos seus filmes mais importantes: o thriller g\u00f3tico Gaslight, onde uma tocante interpreta\u00e7\u00e3o lhe valeu o primeiro dos seus tr\u00eas \u00d3scares de Melhor Atriz (mais uma vez, Bergman fez de v\u00edtima atormentada).<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha trabalhado com realizadores not\u00e1veis, como George Cukor, mas foi em 1945 que integrou um filme do melhor realizador de sempre: Alfred Hitchcock. O filme de suspense era Spellbound. Este \u00e9 particularmente interessante por mostrar, ao contr\u00e1rio do habitual, o protagonista masculino como sendo a figura fr\u00e1gil e Bergman como a mulher forte que toma as r\u00e9deas. O segundo filme de Bergman com Hitchcock foi o melhor filme de toda a sua carreira e a minha pel\u00edcula preferida: o thriller rom\u00e2ntico Notorious (1946). Mais uma vez, Bergman interpreta uma v\u00edtima. O filme conta com Cary Grant, o ator-fetiche do mestre do suspense. Com a sua aura de eleg\u00e2ncia europeia, Bergman e Grant s\u00e3o a dupla perfeita.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em 1949, quando Bergman, desencantada com o artificialismo de Hollywood e com o facto de os seus \u00faltimos filmes n\u00e3o terem sido bem recebidos, lutou por ir fazer um filme neorrealista a It\u00e1lia com o realizador Roberto Rossellini, Stromboli (1950). Tinha visto Roma, Citta Aperta (1945), do mesmo realizador e parecia-lhe uma lufada de ar fresco, emocionante, comovente e realista.<\/p>\n<p>Rossellini e Bergman apaixonaram-se e esta engravidou. Hollywood ficou chocado e n\u00e3o perdoou que a \u201cSanta Ingrid\u201d, como era conhecida, que j\u00e1 tinha interpretado uma freira e a pr\u00f3pria Joana d\u2019Arc (que ela idolatrava) no cinema, fosse autora de tal \u201cpecado\u201d.<\/p>\n<p>Tornou-se persona non grata nos EUA e uma nova carreira em It\u00e1lia come\u00e7ou a desenvolver-se. Depois de v\u00e1rios filmes italianos e tr\u00eas filhos com Rossellini, Ingrid separou-se e, em 1956, conquistou um segundo \u00d3scar por Anastasia, uma produ\u00e7\u00e3o americana da Twentieth Century Fox, ainda que filmada na Europa.<\/p>\n<p>Estava perdoada! Fez mais alguns filmes interessantes, mais diversificados (nunca foi muito convincente em com\u00e9dia, devo dizer) como Murder on the Orient Express (1974), com o qual ganhou o \u00d3scar de Melhor Atriz Coadjuvante, mas a sua filmografia mais interessante est\u00e1, de facto, na d\u00e9cada de 1940. Morreu de cancro da mama no dia do seu 67.\u00ba anivers\u00e1rio, em Londres, depois de j\u00e1 ter feito duas mastectomias. Faleceu h\u00e1 43 anos mas ainda hoje \u00e9 adorada pela sua vasta legi\u00e3o de f\u00e3s, onde eu me incluo. Sempre teremos Ingrid Bergman, um encanto \u00e0 meia-luz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com a sua larga, transl\u00facida e luminosa face, Ingrid Bergman tem um lugar mais que assegurado na hist\u00f3ria&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50049,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[211,210,470,1404,315,114,115,2595,14696,534,32,33],"class_list":{"0":"post-50048","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-celebridades","9":"tag-celebrities","10":"tag-cinema","11":"tag-cronica","12":"tag-cultura","13":"tag-entertainment","14":"tag-entretenimento","15":"tag-hollywood","16":"tag-ingrid-bergman","17":"tag-p3","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50048\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}