{"id":500541,"date":"2026-08-25T21:58:26","date_gmt":"2026-08-25T21:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/500541\/"},"modified":"2026-08-25T21:58:26","modified_gmt":"2026-08-25T21:58:26","slug":"cardiologistas-mudam-definicao-de-insuficiencia-cardiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/500541\/","title":{"rendered":"Cardiologistas mudam defini\u00e7\u00e3o de insufici\u00eancia card\u00edaca:"},"content":{"rendered":"<p>A insufici\u00eancia card\u00edaca acaba de ganhar uma nova defini\u00e7\u00e3o universal. Cardiologistas internacionais atualizaram os crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico e deixam um alerta importante: um cora\u00e7\u00e3o com valores aparentemente normais pode, afinal, n\u00e3o estar saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca00-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1137268\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, uma das principais refer\u00eancias para avaliar o funcionamento do cora\u00e7\u00e3o foi a quantidade de sangue que este consegue bombear a cada contra\u00e7\u00e3o. Contudo, <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/42366997\/\" rel=\"nofollow noopener\">uma nova defini\u00e7\u00e3o internacional<\/a> de insufici\u00eancia card\u00edaca vem alterar esta abordagem: <strong>ter uma fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o considerada normal n\u00e3o significa necessariamente que o cora\u00e7\u00e3o esteja saud\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a resulta da segunda Defini\u00e7\u00e3o Universal de Insufici\u00eancia Card\u00edaca, desenvolvida por algumas das principais organiza\u00e7\u00f5es de cardiologia mundiais, incluindo a <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/professional.heart.org\/en\/\" rel=\"nofollow noopener\">American Heart Association<\/a> (AHA), <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.acc.org\/\" rel=\"nofollow noopener\">American College of Cardiology<\/a> (ACC), <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.escardio.org\/\" rel=\"nofollow noopener\">European Society of Cardiology<\/a> (ESC) e <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/world-heart-federation.org\/\" rel=\"nofollow noopener\">World Heart Federation<\/a> (WHF).<\/p>\n<p>Afinal, o que \u00e9 insufici\u00eancia card\u00edaca?<\/p>\n<p>A <strong>insufici\u00eancia card\u00edaca n\u00e3o significa que o cora\u00e7\u00e3o tenha parado<\/strong>. Trata-se de uma s\u00edndrome cl\u00ednica em que uma altera\u00e7\u00e3o estrutural ou funcional compromete a capacidade do cora\u00e7\u00e3o para bombear sangue ou para se encher adequadamente.<\/p>\n<p>Entre os sinais e sintomas t\u00edpicos encontram-se falta de ar durante o esfor\u00e7o, dificuldade em respirar quando se est\u00e1 deitado, incha\u00e7o abdominal ou das pernas e determinados sinais detet\u00e1veis durante o exame m\u00e9dico.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 significativo \u00e0 escala mundial. Estima-se que a insufici\u00eancia card\u00edaca afete <strong>mais de 55 milh\u00f5es de pessoas<\/strong>, sendo uma das principais causas de hospitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca01-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1137269\"  \/><\/a><\/p>\n<p>O problema de olhar apenas para a fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Uma das principais altera\u00e7\u00f5es introduzidas pelo novo consenso est\u00e1 relacionada com a chamada <strong>fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou EF.<\/p>\n<p>Este valor representa a <strong>percentagem de sangue que o ventr\u00edculo esquerdo expulsa em cada contra\u00e7\u00e3<\/strong>o. Durante muito tempo, determinados valores foram utilizados para separar diferentes tipos de insufici\u00eancia card\u00edaca e at\u00e9 para determinar quem poderia participar em ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um problema: <strong>a fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o, isoladamente, n\u00e3o consegue confirmar nem excluir uma insufici\u00eancia card\u00edaca<\/strong>.<\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios autores salientam que os limites usados anteriormente eram, em parte, arbitr\u00e1rios. Al\u00e9m disso, os valores podem variar em fun\u00e7\u00e3o de fatores como idade, sexo e caracter\u00edsticas individuais.<\/p>\n<p>Assim, uma pessoa pode apresentar uma fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o aparentemente normal e, ainda assim, ter insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>Um exame &#8220;normal&#8221; pode esconder o problema<\/p>\n<p>A nova defini\u00e7\u00e3o procura, por isso, afastar-se de limites r\u00edgidos baseados exclusivamente na fra\u00e7\u00e3o de eje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico passa a ser entendido como uma avalia\u00e7\u00e3o conjunta de v\u00e1rios elementos: sintomas, exame cl\u00ednico, an\u00e1lises ao sangue e t\u00e9cnicas de imagem.<\/p>\n<p>Podem ser considerados, por exemplo, os n\u00edveis de <strong>BNP ou NT-proBNP<\/strong>, biomarcadores utilizados na avalia\u00e7\u00e3o da insufici\u00eancia card\u00edaca, juntamente com ecocardiogramas, radiografias, tomografia computorizada ou ecografia pulmonar para procurar sinais de congest\u00e3o ou altera\u00e7\u00f5es das press\u00f5es card\u00edacas.<\/p>\n<p>Ou seja, deixa de fazer sentido olhar para um \u00fanico n\u00famero e concluir que o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1, ou n\u00e3o, saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca02.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1137270\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca02-720x405.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"wp-image-1137270 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1137270\" class=\"wp-caption-text\">Os BNP e NT-proBNP s\u00e3o biomarcadores medidos atrav\u00e9s de uma an\u00e1lise ao sangue que ajudam a perceber se o cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 sob esfor\u00e7o ou press\u00e3o excessiva.<\/p>\n<p>Insufici\u00eancia card\u00edaca tamb\u00e9m pode melhorar<\/p>\n<p>H\u00e1 outra altera\u00e7\u00e3o particularmente interessante. A insufici\u00eancia card\u00edaca passa a ser encarada de forma mais din\u00e2mica.<\/p>\n<p>O novo documento introduz conceitos relacionados com <strong>melhoria, remiss\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o<\/strong>, reconhecendo que a condi\u00e7\u00e3o de um doente pode evoluir ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Isto significa tamb\u00e9m que um doente cuja fun\u00e7\u00e3o card\u00edaca melhore ap\u00f3s tratamento n\u00e3o deve necessariamente ser considerado \u201ccurado\u201d. A hist\u00f3ria da doen\u00e7a e a sua causa continuam a ser importantes para avaliar o risco futuro.<\/p>\n<p>Existem pelo menos 18 grandes grupos de causas<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a passa pela tentativa de perceber <strong>por que raz\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o entrou em insufici\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p>O novo consenso prop\u00f5e uma classifica\u00e7\u00e3o universal das causas, organizada em <strong>18 categorias<\/strong>, procurando substituir classifica\u00e7\u00f5es demasiado simplificadas que dividiam frequentemente os casos apenas entre <strong>causas isqu\u00e9micas e n\u00e3o isqu\u00e9micas<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre as poss\u00edveis origens est\u00e3o doen\u00e7a das art\u00e9rias coron\u00e1rias, hipertens\u00e3o arterial, doen\u00e7as das v\u00e1lvulas card\u00edacas, arritmias, infe\u00e7\u00f5es, processos inflamat\u00f3rios, doen\u00e7as heredit\u00e1rias, altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas ou nutricionais, gravidez, situa\u00e7\u00f5es de stress extremo e at\u00e9 alguns tratamentos contra o cancro.<\/p>\n<p>Esta distin\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque <strong>identificar corretamente a origem da insufici\u00eancia card\u00edaca<\/strong> pode permitir atuar diretamente sobre a causa.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca03.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca03-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1137271\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Prevenir antes de aparecerem os sintomas<\/p>\n<p>Talvez este seja um dos aspetos mais importantes da nova abordagem.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise referida no documento indica que <strong>quase 85% das pessoas que desenvolveram insufici\u00eancia card\u00edaca tinham pelo menos um fator de risco potencialmente modific\u00e1vel ou trat\u00e1vel registado nos cinco anos anteriores ao diagn\u00f3stico<\/strong>.<\/p>\n<p>Isto refor\u00e7a a import\u00e2ncia da hipertens\u00e3o, obesidade, diabetes e outras condi\u00e7\u00f5es que podem ser identificadas e tratadas muito antes de surgirem sintomas claros de insufici\u00eancia card\u00edaca.<\/p>\n<p>A nova defini\u00e7\u00e3o mant\u00e9m tamb\u00e9m o conceito de <strong>pr\u00e9-insufici\u00eancia card\u00edaca<\/strong>, introduzido anteriormente para identificar pessoas que ainda n\u00e3o apresentam sintomas, mas j\u00e1 possuem altera\u00e7\u00f5es card\u00edacas capazes de aumentar significativamente o risco futuro.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca04.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/insuficiencia_cardiaca04-720x404.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"404\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1137272\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Um cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resume a um n\u00famero<\/p>\n<p>A segunda Defini\u00e7\u00e3o Universal de Insufici\u00eancia Card\u00edaca n\u00e3o \u00e9 uma nova orienta\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, mas estabelece uma linguagem comum para m\u00e9dicos, investigadores e sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>E deixa uma mensagem particularmente relevante: <strong>um resultado aparentemente normal num exame card\u00edaco n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, garantia de que n\u00e3o existe insufici\u00eancia card\u00edaca<\/strong>.<\/p>\n<p>O cora\u00e7\u00e3o deve ser analisado como um sistema complexo, tendo em conta sintomas, estrutura, capacidade funcional, biomarcadores, evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e, sobretudo, a causa que poder\u00e1 estar por detr\u00e1s do problema.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a poder\u00e1 permitir diagn\u00f3sticos mais precoces e tratamentos mais personalizados, mas tamb\u00e9m refor\u00e7ar algo ainda mais importante: em muitos casos, a insufici\u00eancia card\u00edaca come\u00e7a a dar sinais muito antes de o doente perceber que algo est\u00e1 errado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A insufici\u00eancia card\u00edaca acaba de ganhar uma nova defini\u00e7\u00e3o universal. 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