{"id":501062,"date":"2026-08-26T10:24:20","date_gmt":"2026-08-26T10:24:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501062\/"},"modified":"2026-08-26T10:24:20","modified_gmt":"2026-08-26T10:24:20","slug":"vacina-contra-o-hiv-e-vital-em-locais-com-menor-acesso-a-outras-formas-de-prevencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501062\/","title":{"rendered":"Vacina contra o HIV \u00e9 vital em locais com menor acesso a outras formas de preven\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O desenvolvimento de uma vacina para o v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV) n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A dificuldade est\u00e1 ligada \u00e0 alta variabilidade gen\u00e9tica desse retrov\u00edrus. Por\u00e9m, um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10837-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudo<\/a> publicado pela revista Nature, conduzido pelo <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/scripps-research-institute\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Scripps Research Institute<\/a><\/strong>, dos Estados Unidos, e pela International Aids Vaccine Initiative (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/iavi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">IAVI<\/a><\/strong>), mostra uma nova tentativa de produzir uma vacina.<\/p>\n<p>O estudo realizado em macacos-rhesus baseia-se em uma estrat\u00e9gia chamada de germline-targeting. A nova estrat\u00e9gia foca em ensinar o sistema imunol\u00f3gico a produzir os anticorpos amplamente neutralizantes \u2013 um tipo de anticorpo raro encontrado em alguns pacientes com HIV que consegue impedir a infec\u00e7\u00e3o de algumas cepas do retrov\u00edrus.<\/p>\n<p>Os casos de novas infec\u00e7\u00f5es por HIV no mundo reduziram, mas, segundo o infectologista \u00c1lvaro Costa, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/fmusp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">FMUSP<\/a><\/strong>), isso \u00e9 um fen\u00f4meno s\u00f3 em alguns pa\u00edses, como no Qu\u00eania e Zimb\u00e1bue. Mesmo com o desenvolvimento de outros m\u00e9todos de preven\u00e7\u00e3o contra o HIV, como a Profilaxia Pr\u00e9-Exposi\u00e7\u00e3o (PrEP) e a Profilaxia P\u00f3s-Exposi\u00e7\u00e3o (PEP), a busca pela vacina continua sendo importante.<\/p>\n<p><img data-lazyloaded=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-76712\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/vacina-vacinacao-555.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"567\"  data-\/><\/p>\n<p><strong>HIV e aids<\/strong><\/p>\n<p>O HIV foi descoberto em 1983 por uma equipe de cientistas do Instituto Pasteur, em Paris, liderada pelos pesquisadores Fran\u00e7oise Barr\u00e9-Sinoussi e Luc Montagnier. Costa explicou que esse v\u00edrus funciona alterando e reduzindo a quantidade da resposta imunol\u00f3gica do indiv\u00edduo, uma vez que utiliza do DNA do indiv\u00edduo para se multiplicar e, nesse processo, acaba por destruir a c\u00e9lula hospedeira.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre a S\u00edndrome da Imunodefici\u00eancia Humana (aids), o pesquisador explica que \u00e9 o est\u00e1gio da contamina\u00e7\u00e3o pelo HIV mais avan\u00e7ado, em que a destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de defesa, como o linf\u00f3cito T CD4+, principal alvo do v\u00edrus, \u00e9 t\u00e3o significativa no sistema imunol\u00f3gico que o paciente fica sujeito \u00e0s chamadas doen\u00e7as oportunistas \u2013 doen\u00e7as e infec\u00e7\u00f5es que se aproveitam do sistema imunol\u00f3gico enfraquecido e que podem evoluir para casos mais graves, como a pneumonia.<\/p>\n<p><strong>Formas de preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>As maneiras de prevenir a contamina\u00e7\u00e3o pelo HIV s\u00e3o variadas. Entre elas est\u00e3o o uso de camisinha masculina e feminina e a utiliza\u00e7\u00e3o da PrEP e PEP. Segundo Ricardo de Paula Vasconcelos, a PrEP e a PEP \u201cs\u00e3o duas formas de preven\u00e7\u00e3o do HIV que funcionam de maneira muito parecida, que \u00e9 dar medicamento antirretroviral para quem n\u00e3o vive com HIV com o objetivo de proteg\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<p>Vasconcelos \u00e9 investigador de estudos de preven\u00e7\u00e3o do HIV e outras infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis no Centro de Pesquisa Cl\u00ednica do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e explica que o medicamento retroviral usado nas duas formas de profilaxia \u00e9 o mesmo e, por conta dele, a replica\u00e7\u00e3o do HIV \u00e9 impedida.<\/p>\n<p>O infectologista afirmou que a diferen\u00e7a entre elas est\u00e1 no momento em que o paciente usou o medicamento. \u201cNa PrEP, antes de eu me expor, eu j\u00e1 sabia que eu poderia me expor e j\u00e1 tinha rem\u00e9dio no sangue. Enquanto na PEP, depois de uma exposi\u00e7\u00e3o eventual, eu ainda tenho uma janela de oportunidade de 72 horas para come\u00e7ar a tomar o rem\u00e9dio por 28 dias para, dessa forma, bloquear o risco de infec\u00e7\u00e3o por HIV\u201d, diz.<\/p>\n<p>Vasconcelos exemplifica como o medicamento funciona: \u201cSe uma pessoa que se exp\u00f5e ao HIV e tem esse rem\u00e9dio no sangue, o v\u00edrus que porventura tente entrar ali naquele corpo, por causa do medicamento antirretroviral da PrEP ou da PEP, n\u00e3o vai conseguir se multiplicar, n\u00e3o vai virar um milh\u00e3o de c\u00f3pias de v\u00edrus e dessa maneira a infec\u00e7\u00e3o por HIV n\u00e3o se instala naquele corpo\u201d.<\/p>\n<p><strong>A dificuldade de produzir uma vacina<\/strong><\/p>\n<p>A cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 a \u00fanica a distribuir gratuitamente p\u00edlulas de PrEP e PEP no mundo, sendo uma refer\u00eancia na preven\u00e7\u00e3o do HIV. S\u00f3 que nem todas as cidades possuem um sistema de preven\u00e7\u00e3o semelhante ao da capital paulista ou acesso a esses medicamentos.<\/p>\n<p>Vasconcelos comenta que as profilaxias, juntamente com uma vacina, seriam importantes para a queda mais acentuada dos novos casos. \u201cA gente pensa que o desenvolvimento de uma vacina \u00e9 muito bem-vindo, porque isso vai ajudar no controle, no longo prazo, de uma epidemia t\u00e3o brutal para a humanidade como foi a epidemia de HIV.\u201d<\/p>\n<p>O desenvolvimento de uma vacina \u00e9 importante, mas o HIV, conforme o infectologista, \u00e9 um v\u00edrus que consegue escapar de maneira eficaz dos mecanismos imunes do corpo. \u201cUma pessoa que se infecta por HIV n\u00e3o se cura sozinha, que nem uma pessoa que pega gripe consegue se curar. Por que uma pessoa que pega gripe consegue se curar sozinha? Porque ela organiza uma resposta imune que \u00e9 eficiente para conseguir eliminar o v\u00edrus do corpo dela. E por isso \u00e9 f\u00e1cil fazer uma vacina contra a gripe\u201d, conclui Vasconcelos.<\/p>\n<p>(Com informa\u00e7\u00f5es do Jornal da USP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O desenvolvimento de uma vacina para o v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV) n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. 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