{"id":501148,"date":"2026-08-26T12:08:28","date_gmt":"2026-08-26T12:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501148\/"},"modified":"2026-08-26T12:08:28","modified_gmt":"2026-08-26T12:08:28","slug":"de-mendonca-o-cantico-dos-canticos-desperta-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501148\/","title":{"rendered":"De Mendon\u00e7a: o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos desperta o amor"},"content":{"rendered":"<p>Um di\u00e1logo entre dois poetas, o cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a e Davide Brullo, realizado em 24 de agosto no Encontro de Rimini, apresentou e aprofundou o texto b\u00edblico em seus significados mais profundos. Leituras feitas pelo ator Giampiero Bartolini, com modera\u00e7\u00e3o de Annalisa Teggi<\/p>\n<p><b>Eugenio Murrali \u2013 enviado a Rimini<\/b><\/p>\n<p>Ouvir e reler o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos j\u00e1 \u00e9 uma primeira resposta ao convite do Papa Le\u00e3o XIV. Como lembrou o cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a, prefeito do Dicast\u00e9rio para a Cultura e a Educa\u00e7\u00e3o, referindo-se ao <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/leo-xiv\/pt\/speeches\/2026\/august\/documents\/20260822-visita-meeting-rimini.html\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\">discurso do Pont\u00edfice aos participantes do Encontro de Rimini<\/a>: \u201cO Papa Le\u00e3o disse a voc\u00eas que, no centro da proposta crist\u00e3, est\u00e1 a responsabilidade de despertar em cada um o desejo. Estamos aqui para falar do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos a fim de despertar o desejo de ser amado e de amar\u201d. \u00c9 fundamental, portanto, voltar a esse grande e dif\u00edcil texto b\u00edblico, em uma \u00e9poca em que, como diz o t\u00edtulo da obra da soci\u00f3loga Eva Illouz, fala-se do \u201cfim do amor\u201d. Citando o famoso poema de W.H. Auden, de Mendon\u00e7a afirmou que, como crist\u00e3os, temos a \u201cresponsabilidade de dizer a verdade sobre o amor\u201d.<\/p>\n<p>O \u201crisco\u201d de amar <\/p>\n<p>A for\u00e7a do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos est\u00e1 em sua capacidade de tocar profundamente o cora\u00e7\u00e3o humano com a verdade nua e crua. \u201cComo lembra o Papa Le\u00e3o em Magnifica Humanitas \u2013 observou o cardeal \u2013, estamos em um momento novo da hist\u00f3ria, pois, pela primeira vez, as m\u00e1quinas imitam o homem no discurso do amor. As m\u00e1quinas n\u00e3o sentem empatia, afeto, amizade, amor, mas s\u00e3o capazes de simular\u201d. E prosseguiu: \u201cEm suas solid\u00f5es, muitos acreditam que \u00e9 mais f\u00e1cil ficar ref\u00e9ns das m\u00e1quinas do que experimentar, arriscar-se em rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas de amor\u201d. Da\u00ed a necessidade de \u201cdespertar o desejo de ser amado e de amar\u201d.<\/p>\n<p>    <img decoding=\"async\" src=\"data:image\/gif;base64,R0lGODlhAQABAIAAAAAAAP\/\/\/yH5BAEAAAAALAAAAAABAAEAAAIBRAA7\" data-original=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/multimedia\/2026\/agosto\/24\/b87801f1-7a44-4d6a-b781-c96973e7cd21.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"O cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a e o poeta Davide Brullo\" title=\"O cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a e o poeta Davide Brullo\"\/><\/p>\n<p>\n   O cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a e o poeta Davide Brullo\n  <\/p>\n<p>Uma nudez que arde <\/p>\n<p>Para o poeta Davide Brullo, \u201ca B\u00edblia e o C\u00e2ntico, em particular, s\u00e3o nosso texto, s\u00e3o nossa vestimenta, que, por\u00e9m, n\u00e3o nos reveste, mas nos desnuda\u201d. Essa nudez, observa ele, \u201cobviamente arde\u201d. O poeta se questiona, se pergunta se esse C\u00e2ntico n\u00e3o \u00e9 nada mais do que pura beleza, inexplic\u00e1vel, que exige do poeta \u2014 de Dante, por exemplo \u2014 que se lance em busca de novas palavras para expressar o indiz\u00edvel, que force o verbo \u201ccomo se fosse um ladr\u00e3o que entra pela janela\u201d. Eis que o C\u00e2ntico se torna, para Brullo, \u201cuma busca, uma incurs\u00e3o, uma grande ca\u00e7ada ou, ainda, um seguimento\u201d.<\/p>\n<p>A alt\u00edssima dignidade do ser humano <\/p>\n<p>O cardeal de Mendon\u00e7a destacou que, muitas vezes, o C\u00e2ntico pareceu surpreendente para os int\u00e9rpretes, um livro no qual \u201ca palavra Deus \u00e9 balbuciada apenas uma vez\u201d, um livro que fala da beleza f\u00edsica, em detalhes, inclusive sensoriais, um livro, enfim, que n\u00e3o parece estar em continuidade com a poesia b\u00edblica e seu l\u00e9xico. E ele repassou algumas das muitas hip\u00f3teses sobre sua g\u00eanese, desde a eg\u00edpcia, passando pela mesopot\u00e2mica, at\u00e9 a de canto nupcial na regi\u00e3o palestina. Ele lembrou que o enigma permanece, mas que nunca se deve esquecer, ao interpretar esse texto, seu contexto, o fato de que ele est\u00e1 inserido na revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. \u00c9 assim que se compreende seu significado profundo: o C\u00e2ntico nos ensina a alt\u00edssima dignidade do ser humano.<\/p>\n<p>\n   L&#8217;incontro &#8220;Il Cantico dei Cantici&#8221;\n  <\/p>\n<p>A reciprocidade <\/p>\n<p>\u201cQuando lemos o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos \u2013 aprofunda o cardeal \u2013, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o chorar diante desse milagre de beleza e verdade que \u00e9 o ser humano\u201d. Com suas palavras, aprendemos tamb\u00e9m a reciprocidade do amor entre o homem e a mulher, mesmo em uma \u00e9poca em que n\u00e3o havia uma rela\u00e7\u00e3o social sim\u00e9trica entre os dois sexos. O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos deve ser contemplado como \u201cum \u00edcone do amor\u201d.<\/p>\n<p>A intimidade <\/p>\n<p>Com o C\u00e2ntico, aprende-se tamb\u00e9m o sentido profundo da intimidade, aquilo que pertence apenas ao amado e \u00e0 amada, mas, ao mesmo tempo, esse amor \u00e9 \u201cc\u00f3smico\u201d, tem uma resson\u00e2ncia que o transforma em um c\u00e2ntico das criaturas. O amor \u00e9 uma nova cria\u00e7\u00e3o, uma nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O c\u00e2ntico de amor, explica de Mendon\u00e7a, faz do homem e da mulher pr\u00edncipes, mas, ao mesmo tempo, faz deles mendigos que buscam, que se buscam, em sua insufici\u00eancia radical: o amor como ferida, busca, escuta, solid\u00e3o compartilhada, como ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um hino \u00e0 vulnerabilidade <\/p>\n<p>O C\u00e2ntico \u00e9 um livro sensual e divino ao mesmo tempo. A raz\u00e3o, para o cardeal, est\u00e1 no fato de que \u201cnada \u00e9 t\u00e3o desarmado e desarmante quanto o amor, em sua verdade. \u00c9 a aceita\u00e7\u00e3o da incompletude, da vulnerabilidade. \u00c9 compreender que a vida se constr\u00f3i na hospitalidade do outro ou n\u00e3o se constr\u00f3i\u201d. Essa pobreza extrema, aceita como a mais alta alegria, \u201cnos ajuda a compreender Deus, pois, como diz S\u00e3o Paulo, Jesus, sendo rico, tornou-se pobre para encher cada um de n\u00f3s com sua pr\u00f3pria riqueza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um di\u00e1logo entre dois poetas, o cardeal Jos\u00e9 Tolentino de Mendon\u00e7a e Davide Brullo, realizado em 24 de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":501149,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,19355,315,901,15,16,14,233,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,80319,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-501148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cardeais","tag-cultura","tag-cultura-e-sociedade","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-italia","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-sagrada-escritura","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117161735431406058","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/501148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=501148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/501148\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/501149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=501148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=501148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=501148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}