{"id":501284,"date":"2026-08-26T14:24:53","date_gmt":"2026-08-26T14:24:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501284\/"},"modified":"2026-08-26T14:24:53","modified_gmt":"2026-08-26T14:24:53","slug":"como-fatores-geneticos-predispoem-a-depressao-em-jovens-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/501284\/","title":{"rendered":"Como fatores gen\u00e9ticos predisp\u00f5em \u00e0 depress\u00e3o em jovens brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as e jovens com maior predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o costumam apresentar sintomas mais fortes, que aumentam mais rapidamente. Ou seja: quanto maior o risco gen\u00e9tico, mais elevados s\u00e3o os n\u00edveis iniciais dos sintomas e mais r\u00e1pida \u00e9 sua intensifica\u00e7\u00e3o durante a adolesc\u00eancia. E entre quem tem Transtorno Depressivo Maior, a predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica mais alta tamb\u00e9m est\u00e1 associada a uma maior frequ\u00eancia de autoles\u00e3o n\u00e3o suicida.<\/p>\n<p>Essas foram algumas das descobertas de um <a href=\"https:\/\/www.biologicalpsychiatryjournal.com\/article\/S0006-3223(26)01397-1\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">estudo<\/a> da <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/usp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">USP<\/a><\/strong>, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/unifesp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Unifesp<\/a><\/strong>) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/ufrgs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">UFRGS<\/a><\/strong>) que aprofunda o que a ci\u00eancia sabe sobre a propens\u00e3o de uma pessoa ter depress\u00e3o com base em sua gen\u00e9tica. A pesquisa investigou o \u201crisco polig\u00eanico\u201d, combina\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que aumentam o risco de desenvolver depress\u00e3o, em mais de duas mil crian\u00e7as e jovens de escolas p\u00fablicas, de seis a 23 anos, acompanhados ao longo da inf\u00e2ncia e no in\u00edcio da vida adulta.<\/p>\n<p>Um dos principais diferenciais foi testar se as ferramentas atuais que a ci\u00eancia tem sobre esse impacto gen\u00e9tico realmente funcionam fora de popula\u00e7\u00f5es de origem europeia. \u201cPopula\u00e7\u00f5es brasileiras miscigenadas seguem ainda muito pouco presentes na gen\u00e9tica psiqui\u00e1trica\u201d, diz Marcelo Bra\u00f1as, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/fmusp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">FMUSP<\/a><\/strong>) e co-primeiro autor, ao lado de Lucas Ito, da Unifesp, do artigo com os resultados publicado no peri\u00f3dico Biological Psychiatry.<\/p>\n<p>\u201cO nosso artigo buscou responder \u00e0 pergunta se o risco gen\u00e9tico para depress\u00e3o apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se tamb\u00e9m molda a forma como os sintomas evoluem \u00e0 medida que um jovem cresce\u201d, resume Bra\u00f1as.<\/p>\n<p><img data-lazyloaded=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-168847\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Saude-mental-Pediatria-1.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"566\"  data-\/><\/p>\n<p><strong>Um transtorno, v\u00e1rias origens<\/strong><\/p>\n<p>Mais comum entre os tipos de depress\u00e3o, o desenvolvimento do Transtorno Depressivo Maior \u00e9 influenciado por muitos fatores ambientais, do contexto onde a pessoa cresce e vive \u2014 dificuldades socioecon\u00f4micas, se passou por adversidades na inf\u00e2ncia como viver em um ambiente familiar conflituoso, bullying, se teve pais usu\u00e1rios de drogas, entre outros.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda um forte componente gen\u00e9tico, j\u00e1 demonstrado por diversos estudos, especialmente com g\u00eameos. \u201cA depress\u00e3o \u00e9 multifatorial. Estima-se que cerca de 37% dela [uma m\u00e9dia do que os estudos mais robustos encontraram], em termos populacionais, est\u00e1 relacionada \u00e0 gen\u00e9tica, o que \u00e9 uma parcela consider\u00e1vel\u201d, diz o psiquiatra Marcelo Bra\u00f1as.<\/p>\n<p>Mas o que significa esse \u201cpopulacional\u201d? Quer dizer que os 37% se referem ao peso da gen\u00e9tica nas diferen\u00e7as entre as pessoas, no conjunto da popula\u00e7\u00e3o. Quando avaliado no n\u00edvel individual, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel explicar com tanta exatid\u00e3o o que levou cada pessoa \u00e0 depress\u00e3o \u2014 o quanto o componente gen\u00e9tico, naquela pessoa espec\u00edfica, colaborou para o desenvolvimento do quadro. \u201cAl\u00e9m disso, a parte da gen\u00e9tica que j\u00e1 conseguimos medir diretamente no DNA explica bem menos do que essa porcentagem: os estudos atuais chegam a algo entre 2% e 6% dessa varia\u00e7\u00e3o, e o teto, com as variantes gen\u00e9ticas comuns que medimos hoje, fica em torno de 8%\u201d, relata Bra\u00f1as. E n\u00e3o se trata de um gene s\u00f3, mas de um conjunto de varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que, juntas, v\u00e3o aumentando o risco de uma pessoa desenvolver depress\u00e3o. Essa medida \u00e9 chamada de escore polig\u00eanico, e foi esse tipo de escore que a pesquisa calculou e testou, ao acompanhar crian\u00e7as e jovens em S\u00e3o Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma soma ponderada. Digamos que cada troca numa determinada letra de um daqueles pares de bases [A, T, C, G] do DNA confere um risco mais ou menos intenso. Essa [letra] confere tal risco, essa outra confere tanto. Uma troca pode n\u00e3o significar quase nada, e outra pode significar muito. Ent\u00e3o, somamos todas as letras trocadas que uma pessoa tenha, considerando o peso de cada varia\u00e7\u00e3o, e assim conseguimos calcular o seu escore polig\u00eanico\u201d, detalha Marcelo Bra\u00f1as.<\/p>\n<p>\u201cO nosso escore polig\u00eanico explicou entre 2,6 e 3,6% das diferen\u00e7as no risco de Transtorno Depressivo Maior entre os participantes. Um adolescente da amostra por exemplo, que apresenta diminui\u00e7\u00e3o de energia, choro f\u00e1cil, falta de prazer nas atividades, vontade de ficar na cama o dia inteiro, n\u00e3o consegue render na escola, pensa em suic\u00eddio\u2026 Do quadro cl\u00ednico, dos sintomas de depress\u00e3o, tudo isso que ele conta para a gente, o nosso escore explica entre 2,6 e 3,6%.\u201d<\/p>\n<p>O n\u00famero \u00e9 baixo, mas n\u00e3o \u00e9 um resultado ruim no contexto da pesquisa. As doen\u00e7as mentais compartilham muitos sintomas, mas foi poss\u00edvel modelar estatisticamente o escore para ser mais espec\u00edfico para o Transtorno Depressivo Maior. Ele \u00e9 capaz de explicar mais esse tipo de depress\u00e3o do que outros transtornos, como ansiedade e transtorno bipolar. A ideia \u00e9 que, no futuro, esse instrumento tenha alguma utilidade na avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>O psiquiatra, por\u00e9m, alerta que tal futuro ainda est\u00e1 distante. \u201cA gente est\u00e1 come\u00e7ando a elucidar essa hist\u00f3ria, da utilidade cl\u00ednica dos escores polig\u00eanicos em psiquiatria.\u201d Quer dizer, estamos muito longe de uma pessoa e seus familiares fazerem um teste no laborat\u00f3rio que pode \u201cdiagnosticar\u201d ou mesmo indicar se ela tem grande risco para desenvolver um determinado transtorno mental. Sem contar as implica\u00e7\u00f5es \u00e9ticas disso.<\/p>\n<p>\u201cIsso ainda est\u00e1 longe, mas se a gente chegar a realmente ter esses instrumentos gen\u00e9ticos, ser\u00e1 que eles podem ser prejudiciais ao paciente, com impactos psicol\u00f3gicos? \u00c9 algo que ainda precisa ser muito bem discutido e estudado\u201d, pondera o m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Os participantes da pesquisa integram a Coorte Brasileira de Alto Risco para Condi\u00e7\u00f5es Mentais (BHRC) \u2013 um estudo de longa dura\u00e7\u00e3o que acompanha 2.500 crian\u00e7as e adolescentes em S\u00e3o Paulo (SP) e Porto Alegre (RS) h\u00e1 mais de 15 anos, tanto para entender a origem gen\u00e9tica quanto a ambiental dos transtornos mentais. O projeto, um dos mais importantes do mundo sobre o desenvolvimento do c\u00e9rebro, \u00e9 ligado ao Centro de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Mental (CISM), onde recebe o nome Conex\u00e3o Mentes do Futuro.<\/p>\n<p>O artigo Polygenic Risk for Major Depression: Diagnostic Specificity and Developmental Trajectories in an Admixed Youth Cohort \u00e9 parte do doutorado de Marcelo Bra\u00f1as, orientado pelo professor Euripedes Constantino Miguel (USP), e coorientado por Pedro Mario Pan (Unifesp). (Com informa\u00e7\u00f5es do Jornal da USP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crian\u00e7as e jovens com maior predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0 depress\u00e3o costumam apresentar sintomas mais fortes, que aumentam mais rapidamente.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":501285,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[7843,2217,116,24123,32,33,117,1030,473,54099,3064],"class_list":["post-501284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-fmusp","tag-genetica","tag-health","tag-pediatria","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-ufrgs","tag-unifesp","tag-usp"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117162274717777350","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/501284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=501284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/501284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/501285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=501284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=501284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=501284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}