{"id":50168,"date":"2025-08-29T13:50:28","date_gmt":"2025-08-29T13:50:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50168\/"},"modified":"2025-08-29T13:50:28","modified_gmt":"2025-08-29T13:50:28","slug":"o-atlantico-esta-a-descascar-e-pode-explicar-grandes-sismos-em-portugal-atualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50168\/","title":{"rendered":"O Atl\u00e2ntico est\u00e1 a descascar e pode explicar grandes sismos em Portugal &#8211; Atualidade"},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, os ge\u00f3logos procuraram, sem sucesso, uma justifica\u00e7\u00e3o para a devasta\u00e7\u00e3o do Grande Terramoto de 1755, cuja magnitude \u00e9 hoje estimada entre os 8.5 e 8.7 na escala de Richter. Mas a regi\u00e3o onde ocorreu, a Plan\u00edcie Abissal da Ferradura, a cerca de 200 quil\u00f3metros do Cabo de S\u00e3o Vicente, apresentava-se como uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica plana, aparentemente est\u00e1vel.<\/p>\n<p>A nova conclus\u00e3o a que chegou este estudo mostra que, na verdade, existe uma fissura profunda, oculta nas profundezas do Atl\u00e2ntico ao largo da costa portuguesa, que poder\u00e1 finalmente explicar os grandes sismos que abalaram Lisboa em 1755 e 1969.<\/p>\n<p>A descoberta, feita por uma equipa da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa e publicada esta semana na prestigiada revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41561-025-01781-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Nature Geoscience<\/a>, desvenda um enigma geol\u00f3gico com s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Segundo Jo\u00e3o Duarte, ge\u00f3logo e professor na Universidade de Lisboa, em entrevista \u00e0 Lusa, citada pelo <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/08\/27\/descoberta-fissura-em-placa-tectonica-que-pode-explicar-grandes-sismos-de-lisboa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Observador<\/a>, o estudo revelou que uma por\u00e7\u00e3o da placa tect\u00f3nica Africana est\u00e1 a separar-se em duas camadas: a camada inferior est\u00e1 a afundar-se lentamente para o manto da Terra, enquanto a superior permanece \u00e0 superf\u00edcie, aparentemente intacta. \u201c\u00c9 como se uma l\u00e2mina estivesse a separar a placa horizontalmente\u201d, explica o investigador.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno, invis\u00edvel \u00e0 superf\u00edcie, s\u00f3 foi detetado gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o de tomografia s\u00edsmica (uma esp\u00e9cie de ecografia da Terra) e o registo de micro-sismos captado por sism\u00f3metros instalados no fundo do mar durante oito meses.<\/p>\n<p>A descoberta permite explica pela primeira vez, com base f\u00edsica, a origem prov\u00e1vel do terramoto de 1755. Al\u00e9m disso, mostra que a regi\u00e3o ao largo de Sagres pode gerar grandes sismos, mesmo sem falhas vis\u00edveis \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Assim, os investigadores da Universidade de Lisboa identificaram Portugal continental como uma zona com potencial risco s\u00edsmico extremo, algo que at\u00e9 agora era sugerido, mas sem uma explica\u00e7\u00e3o clara.<\/p>\n<p>\u201cO que est\u00e1 ali a acontecer \u00e9 um processo que pode gerar sismicidade significativa. Vai ter de ser considerado nos modelos de risco s\u00edsmico\u201d, alerta Jo\u00e3o Duarte.<\/p>\n<p>Uma janela para a preven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Embora a ci\u00eancia ainda n\u00e3o consiga prever sismos, a nova gera\u00e7\u00e3o de cabos submarinos de comunica\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 instalada naquela zona poder\u00e1 ajudar a monitorizar melhor a atividade s\u00edsmica. Estes cabos ter\u00e3o sensores que podem fornecer dados em tempo real, algo que at\u00e9 hoje n\u00e3o existia com este n\u00edvel de precis\u00e3o no local.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Jo\u00e3o Duarte acredita que a intelig\u00eancia artificial poder\u00e1 ter um papel crucial no futuro. Apesar dos grandes sismos serem eventos raros, e por isso dif\u00edceis de prever com base estat\u00edstica, o estudo cont\u00ednuo dos sismos pequenos, que ocorrem diariamente, pode abrir novas hip\u00f3teses de an\u00e1lise preditiva.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, os maiores sismos registados na Europa ocorreram precisamente nesta zona de fronteira entre a placa Euroasi\u00e1tica e a placa Africana onde Portugal se situa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa e provocou tsunamis at\u00e9 ao Brasil, h\u00e1 registo de outros eventos relevantes: o sismo de 1969 (magnitude 7.9) e os de 1356 e 1761.<\/p>\n<p>Com este novo conhecimento, espera-se uma evolu\u00e7\u00e3o dos modelos de avalia\u00e7\u00e3o do risco s\u00edsmico e o refor\u00e7o da vigil\u00e2ncia na regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, os ge\u00f3logos procuraram, sem sucesso, uma justifica\u00e7\u00e3o para a devasta\u00e7\u00e3o do Grande Terramoto de 1755, cuja&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50169,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-50168","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50168\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}