{"id":502139,"date":"2026-08-27T06:45:38","date_gmt":"2026-08-27T06:45:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502139\/"},"modified":"2026-08-27T06:45:38","modified_gmt":"2026-08-27T06:45:38","slug":"medio-oriente-trump-impoe-sancoes-historicas-ao-irao-trafego-maritimo-reduz-se-a-minimos-historicos-em-ormuz-e-a-china-navega-historicamente-contra-%e2%80%b3sancoes-ilegais%e2%80%b3-norte-americanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502139\/","title":{"rendered":"M\u00e9dio Oriente: Trump imp\u00f5e san\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas ao Ir\u00e3o, tr\u00e1fego mar\u00edtimo reduz-se a m\u00ednimos hist\u00f3ricos em Ormuz e a China navega historicamente contra \u2033san\u00e7\u00f5es ilegais\u2033 norte-americanas"},"content":{"rendered":"<p>As &#8220;mais pesadas san\u00e7\u00f5es impostas a um pa\u00eds&#8221; que o Presidente norte-americano preparou para o Ir\u00e3o s\u00f3 podem resultar se os pa\u00edses que t\u00eam neg\u00f3cios com o Ir\u00e3o temerem muito as repres\u00e1lias de Washington.<\/p>\n<p>Porque a inten\u00e7\u00e3o de leva a economia iraniana a deixar de respirar, um pa\u00eds inundado por san\u00e7\u00f5es h\u00e1 40 anos mas sempre a conseguir flutuar na linha de \u00e1gua da sobreviv\u00eancia, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se o resto do mundo deixar de ter rela\u00e7\u00f5es comerciais com Teer\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, se os Estados Unidos anunciassem este tipo de san\u00e7\u00f5es a um pa\u00eds, no dia seguinte tinham sobre a mesa de trabalho do Presidente americano, na Sala Oval da Casa Branca, um documento assinado com a sua rendi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje n\u00e3o \u00e9 assim porque o mundo mudou e est\u00e1 a mudar mais a cada dia que passa, com a ebuli\u00e7\u00e3o da Ordem Mundial com que os EUA dominam metade do mundo, at\u00e9 \u00e0 queda da URSS, em 1990, e desde a\u00ed, hegemonicamente o mundo quase todo.<\/p>\n<p>Quase todo, porque nunca deixou de haver resistentes, entre os quais desponta desde 1979, ano da revolu\u00e7\u00e3o, o Ir\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o pela qual pagou um pre\u00e7o inimagin\u00e1vel para o resto do mundo, como, por exemplo, viver em severa crise econ\u00f3mica permanente.<\/p>\n<p>E quando Donald Trump, na quarta-feira, 19, anunciou o &#8220;Dia D&#8221; com que pretende dar in\u00edcio \u00e0 invas\u00e3o do Ir\u00e3o, logo um imenso calend\u00e1rio de complica\u00e7\u00f5es come\u00e7ou a ser desfolhado \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p>O mundo mudou mesmo e isso transparece das palavras do secret\u00e1rio do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que, ao falar, numa entrevista \u00e0 CNBC, do &#8220;Dia D&#8221;, admitiu que sem a colabora\u00e7\u00e3o da China, os planos de Trump podem ir por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n<p>Pequim responde pela aquisi\u00e7\u00e3o de mais de 80% do petr\u00f3leo produzido diariamente pelo Ir\u00e3o e \u00e9 um dos principais fornecedores de bens a este pa\u00eds, seja por via mar\u00edtima, seja, cada vez mais, atrav\u00e9s da extensa linha f\u00e9rrea constru\u00edda entre a China e o Ir\u00e3o como parte da gigantesca revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica mundial que \u00e9 a &#8220;Nova Rota da Seda&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, porque \u00e9 sobre o eixo Pequim-Moscovo que assenta a transforma\u00e7\u00e3o da Ordem Mundial assente nas regras dos EUA criada ap\u00f3s a II Guerra Mundial, tamb\u00e9m a R\u00fassia, atrav\u00e9s do Mar C\u00e1spio, mant\u00e9m um &#8220;comboio&#8221; de navios com apoio em bens alimentares e industriais, seguramente, mas, provavelmente, tamb\u00e9m militar.<\/p>\n<p>E com estas duas pontas soltas na apertada lista de san\u00e7\u00f5es dos EUA, o Ir\u00e3o n\u00e3o apenas consegue aguentar a press\u00e3o, \u00e0 qual est\u00e1 habituado h\u00e1 d\u00e9cadas, como pode criar ferramentas novas para lidar com o problema atrav\u00e9s do aumento da produ\u00e7\u00e3o interna, que j\u00e1 \u00e9 um dos &#8220;milagres&#8221; iranianos, como tem referido v\u00e1rios analistas.<\/p>\n<p>Ao anunciar a mudan\u00e7a de &#8220;chip&#8221; da guerra convencional, m\u00edsseis e bombas, pelo atrofiamento econ\u00f3mico como forma de fazer colapsar o regime iraniano, Trump n\u00e3o parece ter contado com o efeito &#8220;China&#8221; como diluente da sua estrat\u00e9gia.~<\/p>\n<p>Mas o seu secret\u00e1rio do Tesouro (ministro da Economia) percebeu rapidamente e Scott Berssent veio, no canal norte-americano CNBC, num acto revelador do desespero em Washington, apelar \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de Pequim neste esfor\u00e7o para estrangular o mais relevante aliado da China no Golfo P\u00e9rsico.<\/p>\n<p>A resposta de Pequim foi c\u00e9lere e contundente, como sempre, reafirmando que a China n\u00e3o alinha em san\u00e7\u00f5es ilegais, como s\u00e3o todas as que s\u00e3o impostas sem um acordo nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, e preconiza como diluente para as crises a via diplom\u00e1tica e as negocia\u00e7\u00f5es directas entre as partes.<\/p>\n<p>O que, em linguagem pol\u00edtica deve ser lido como a China a avisar Washington que nada se pode ou poder\u00e1 intrometer no seu relacionamento comercial e pol\u00edtico bilateral com o Ir\u00e3o e que a parceria estrat\u00e9gica assinada entre os dois pa\u00edses h\u00e1 alguns anos n\u00e3o ser\u00e1 alterada.<\/p>\n<p>Ou seja, com esta posi\u00e7\u00e3o, Trump e Bessent j\u00e1 sabem que as suas san\u00e7\u00f5es, por hist\u00f3ricas que sejam em dimens\u00e3o e densidade, podem, como admitem as autoridades iranianas, criar complica\u00e7\u00f5es, desde logo o bloqueio naval, mas n\u00e3o de forma a fazer implodir o pa\u00eds e a sua estrutura governativa.<\/p>\n<p>Essa a raz\u00e3o pela qual, na entrevista \u00e0 CNBC, Bessent veio apelar a Pequim para cooperar com os EUA nesta tarefa de vergar o Ir\u00e3o por ser do seu interesse, lembrando em tom de amea\u00e7a que a China adquire 50% do petr\u00f3leo de que precisa diariamente dos pa\u00edses do Golfo P\u00e9rsico, sendo o crude iraniano apenas uma pequena parcela desse volume.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se esque\u00e7am que a China obt\u00e9m 50% do seu petr\u00f3leo do Golfo P\u00e9rsico, o que significa que \u00e9 do interesse chin\u00eas que o plano dos EUA tenha sucesso&#8221;, respondeu Bessent na entrevista ap\u00f3s ser questionado se as san\u00e7\u00f5es do &#8220;Dia D&#8221; se aplicariam \u00e0 China.<\/p>\n<p>Recorde-se que Pequim e Washington vivem h\u00e1 v\u00e1rios anos numa guerra de tit\u00e3s econ\u00f3mica, com um vai e vem de san\u00e7\u00f5es e contra-san\u00e7\u00f5es, especialmente desde que Trump chegou \u00e0 Casa Branca, embora, sem excep\u00e7\u00e3o, tenha sido Washington a come\u00e7ar o conflito e a recuar ap\u00f3s o an\u00fancio das contra-medidas de Pequim.<\/p>\n<p>Ficou c\u00e9lebre o recuo de Donald Trump quando, logo nos primeiros meses de 2025 anunciou 150% de san\u00e7\u00f5es para, pouco depois, recuar sentindo o efeito do an\u00fancio de Pequim de medidas semelhantes e um &#8220;b\u00f3nus&#8221; de limitar o acesso dos EUA \u00e0s &#8220;terras raras&#8221; apenas existentes na China mas insubstitu\u00edveis nas ind\u00fastrias 2.0, incluindo do armamento.<\/p>\n<p>Perante este cen\u00e1rio, alguns observadores, como Larry Johnson, antigo analista da CIA, questionava em v\u00e1rios podcasts o porqu\u00ea de Trump vir agora anunciar um Dia D contra o Ir\u00e3o, mesmo sendo econ\u00f3mico, quando, nos \u00faltimos meses, toda a Administra\u00e7\u00e3o norte-americana repete exaustivamente que os iranianos est\u00e3o por terra, &#8220;completamente derrotados militarmente&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 que, sublinhava em forma de quest\u00e3o ret\u00f3rica este antigo analista da CIA, &#8220;se a Marinha est\u00e1 no fundo do mar, se os seus sistemas bal\u00edsticos foram destru\u00eddos, se o programa  nuclear foi transformado em cinza, como Donald Trump garante h\u00e1 meses, ent\u00e3o porque precisa de um Dia D Econ\u00f3mico?&#8221;.<\/p>\n<p>Em pano de fundo a este cen\u00e1rio, onde o &#8220;Dia D&#8221; econ\u00f3mico de Trump contra o Ir\u00e3o come\u00e7a a trope\u00e7ar na realidade, outra come\u00e7a a emergir logo ap\u00f3s o embate inicial: come\u00e7a a ficar claro que este bra\u00e7o-de-ferro n\u00e3o vai ser ganho pela for\u00e7a mas pela resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Quem consegue aguentar mais tempo? O Ir\u00e3o, cuja economia aflita vive na corda bamba h\u00e1 d\u00e9cadas, pressionada por uma infla\u00e7\u00e3o estratosf\u00e9rica, desemprego recorde e um isolamento, apesar de tudo, crescente&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; ou os EUA, com um impacto devastador do fecho do Estreito de Ormuz, que arrolhou quase 15% do crude e do g\u00e1s mundiais, al\u00e9m de mat\u00e9rias-primas \u00fanicas, como o h\u00e9lio (ind\u00fastria 2.0 dos chips), fertilizantes&#8230; na infla\u00e7\u00e3o, especialmente no pre\u00e7o dos combust\u00edveis&#8230;<\/p>\n<p>&#8230; com as elei\u00e7\u00f5es intercalares de Novembro \u00e0 porta, onde o Partido Republicano de Trump pode perder a maioria no Congresso, precisamente devido ao aumento dos pre\u00e7os assente no estrangulamento de Ormuz, e com as ame\u00e7as, se assim suceder, de processos de destitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 na manga da oposi\u00e7\u00e3o Democrata?<\/p>\n<p>Para esta quest\u00e3o, Ir\u00e3o ou EUA, quem vai ceder primeiro? S\u00f3 o tempo dir\u00e1. Mas uma coisa \u00e9 j\u00e1 certa: o barril de crude est\u00e1 esta sexta-feira, 21, a valer mais de 92 USD, uma valoriza\u00e7\u00e3o de quase 5% desde o an\u00fancio de Trump do seu &#8220;Dia D&#8221; econ\u00f3mico sobre o Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>E uma sondagem recente promete deixar ainda mais intranquilo Donald Trump e o seu Partido Republicano: mais de 70% dos eleitores norte-americanos que em Novembro v\u00e3o decidir se mant\u00e9m ou lhe retiram o poder no Congresso, apontam como maior exig\u00eancia que o pre\u00e7o dos combust\u00edveis volte aos valores de antes desta guerra que come\u00e7ou a 28 de fevereiro deste ano (ver links em baixo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As &#8220;mais pesadas san\u00e7\u00f5es impostas a um pa\u00eds&#8221; que o Presidente norte-americano preparou para o Ir\u00e3o s\u00f3 podem&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":502140,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[2992,2713,836,1063,1753,3003,2995,27,28,470,1195,315,135,3005,476,2993,2258,1169,15,16,2085,524,3002,3000,643,14,2998,2086,1856,82,2513,1428,25,26,2996,2994,2997,21,22,606,3001,62,150,619,12,718,2990,13,19,20,2991,2989,835,602,52,32,23,24,2999,548,679,58,2387,218,605,17,18,151,29,30,31,578,63,64,65,3004],"class_list":["post-502139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-actualidade","tag-africa","tag-analise","tag-angola","tag-artes","tag-assinatura","tag-benguela","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cinema","tag-concerto","tag-cultura","tag-desporto","tag-download","tag-economia","tag-editorial","tag-eleicoes","tag-facebook","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-fotografia","tag-futebol","tag-galeria","tag-girabola","tag-google","tag-headlines","tag-huambo","tag-imagem","tag-informacao","tag-internacional","tag-jornal","tag-jornalismo","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-lobito","tag-luanda","tag-lubango","tag-main-news","tag-mainnews","tag-meteorologia","tag-multimedia","tag-mundo","tag-musica","tag-nacional","tag-news","tag-newsletter","tag-nj","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-nova-vaga","tag-novo-jornal","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-provincias","tag-redes-sociais","tag-reportagem","tag-sociedade","tag-teatro","tag-televisao","tag-tempo","tag-top-stories","tag-topstories","tag-tv","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-video","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews","tag-youtube"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=502139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502139\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/502140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=502139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=502139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=502139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}