{"id":502187,"date":"2026-08-27T08:09:21","date_gmt":"2026-08-27T08:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502187\/"},"modified":"2026-08-27T08:09:21","modified_gmt":"2026-08-27T08:09:21","slug":"os-nossos-microbios-podem-sobreviver-no-polo-sul-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502187\/","title":{"rendered":"Os nossos micr\u00f3bios podem sobreviver no polo sul da Lua"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">NASA<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-761739\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/c81e728d9d4c2f636f067f89cc14862c-40-1280x853.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Imagem da Lua e da Terra captada por um astronauta da miss\u00e3o Artemis II a partir da c\u00e1psula Orion, em abril de 2026<\/p>\n<p><strong>Cientistas da NASA dizem que alguns dos micr\u00f3bios da Terra que possam vir a viajar para o espa\u00e7o com os exploradores humanos talvez consigam sobreviver nos recantos e fendas \u00e0 sombra da regi\u00e3o do polo sul da Lua.<\/strong><\/p>\n<p>Apresentadas no dia 19 de agosto num <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.aec0811\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">artigo<\/a> publicado na Science Advances, estas descobertas destacam a necessidade de compreender melhor a persist\u00eancia microbiana em ambientes lunares extremos.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os seres humanos estabelecem uma presen\u00e7a permanente na Lua, poder\u00e1 tornar-se dif\u00edcil distinguir a qu\u00edmica lunar ancestral da contamina\u00e7\u00e3o trazida pelos astronautas visitantes.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o estende-se para al\u00e9m da Lua e chega at\u00e9 Marte, afirmam os cientistas.<\/p>\n<p>\u201cOs seres humanos s\u00e3o exploradores por natureza e, com eles, v\u00eam as suas vozes, as suas mem\u00f3rias\u2026 e os seus micr\u00f3bios\u201d, afirmou <strong>Prabal Saxena<\/strong>, cientista planet\u00e1rio que liderou o estudo no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, em <a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/humans-in-space\/human-related-microbes-may-survive-moons-south-pole-nasa-finds\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">comunicado<\/a> da NASA.<\/p>\n<p>\u201cPara alguns cientistas, incluindo eu pr\u00f3prio, essa realidade pode ser inquietante. Mas tamb\u00e9m cria uma oportunidade para transformar uma situa\u00e7\u00e3o imperfeita numa experi\u00eancia \u00fatil\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel levar micr\u00f3bios connosco: os seres humanos t\u00eam, em m\u00e9dia, 1 milh\u00e3o de bact\u00e9rias a viver em cada \u00e1rea de pele do tamanho das pequenas borrachas na outra extremidade de um l\u00e1pis, por exemplo.<\/p>\n<p>Estas bact\u00e9rias escapam pelos fatos espaciais e pelos habitats.<\/p>\n<p>Embora os autores do artigo cient\u00edfico se preocupem com a possibilidade de a contamina\u00e7\u00e3o interferir na procura de pistas qu\u00edmicas de geologia ou biologia antigas, defendem tamb\u00e9m que a Lua deve ser utilizada como um laborat\u00f3rio natural.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas \u00e0 sombra em torno do polo sul, os cientistas podiam testar cuidadosamente os limites reais da sobreviv\u00eancia microbiana num ambiente que n\u00e3o pode ser facilmente reproduzido na Terra.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\" style=\"margin: 0 0 4px 0; text-align: right;\">Ernie Wright \/ NASA<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\" style=\"margin: 4px 0 0 0; text-align: right;\">O programa Apollo levou seis pares de astronautas \u00e0 Lua entre 1969 e 1972.<\/p>\n<p>Os autores afirmam que antes de qualquer investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na superf\u00edcie poder ter lugar, os cientistas precisam de uma medi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia dos contaminantes que os humanos trazem.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de compreender o que l\u00e1 estava antes de n\u00f3s, porque quando formos a Marte \u00e0 procura de sinais de vida para al\u00e9m do nosso planeta, vamos querer ter a certeza de que n\u00e3o se trata de coisas que n\u00f3s lev\u00e1mos\u201d, diz <strong>Andrew Needham<\/strong>, coautor do artigo cient\u00edfico, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA e cientista respons\u00e1vel pelo controlo de contamina\u00e7\u00e3o do programa Artemis para amostras lunares.<\/p>\n<p>Mesmo com procedimentos rigorosos de esteriliza\u00e7\u00e3o, alguns organismos revelam-se obstinadamente resistentes.<\/p>\n<p>Um bom exemplo \u00e9 o fungo <strong>Aspergillus niger<\/strong>, que prospera em locais quentes e h\u00famidos, como casas de banho dom\u00e9sticas e sistemas de aquecimento, ventila\u00e7\u00e3o e ar condicionado.<\/p>\n<p>Os astronautas recolheram amostras deste fungo no interior da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, e as experi\u00eancias demonstram que o fungo tamb\u00e9m consegue sobreviver no exterior da esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Aspergillus niger foi um dos cinco micr\u00f3bios, incluindo bact\u00e9rias e fungos, selecionados para este estudo devido \u00e0 sua conhecida resist\u00eancia em ambientes de voos espaciais.<\/p>\n<p>De acordo com <strong>Aaron Regberg<\/strong>, geomicrobiologista do Centro Espacial Johnson da NASA em Houston, o facto de os micr\u00f3bios terem sobrevivido no exterior da esta\u00e7\u00e3o espacial surpreendeu os cientistas. Estas esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00e3o normalmente consideradas \u201cextrem\u00f3filos\u201d capazes de suportar condi\u00e7\u00f5es adversas, como o v\u00e1cuo do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cEu teria esperado que estes micr\u00f3bios n\u00e3o tivessem resistido\u201d, afirmou Regberg, que estuda as bact\u00e9rias da esta\u00e7\u00e3o espacial e foi coautor do artigo cient\u00edfico.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">JAXA\/Takuya Onishi<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-761738\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/c4ca4238a0b923820dcc509a6f75849b-42-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">A astronauta da NASA, Kate Rubins, no dia 14 de outubro de 2016, a recolher micr\u00f3bios no M\u00f3dulo de Experi\u00eancias Japon\u00eas a bordo da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional<\/p>\n<p>O astr\u00f3nomo salienta que a NASA costuma submeter as naves espaciais rob\u00f3ticas a temperaturas superiores a 200\u00ba C para reduzir o n\u00famero de organismos vivos nelas presentes.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel com os astronautas, pelo que as preocupa\u00e7\u00f5es com a contamina\u00e7\u00e3o assumem um novo significado na explora\u00e7\u00e3o tripulada do ambiente do polo sul da Lua.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia mais clara de onde os micr\u00f3bios poder\u00e3o sobreviver, \u00e9 necess\u00e1rio compreender como a luz solar se comporta nos polos. Neste estudo, \u201csobreviv\u00eancia\u201d significa que o micr\u00f3bio consegue manter-se vivo durante, pelo menos, um dia terrestre, o que n\u00e3o implica que consiga crescer e reproduzir-se.<\/p>\n<p>Como a Lua tem uma inclina\u00e7\u00e3o muito pequena do seu eixo, a vista a partir dos seus polos \u00e9 a de um Sol que parece pairar logo acima do horizonte, ro\u00e7ando a superf\u00edcie como uma lanterna pousada sobre uma mesa.<\/p>\n<p>Assim, partes elevadas da superf\u00edcie, incluindo cristas de crateras, montanhas e at\u00e9 mesmo pequenas sali\u00eancias, impedem que a luz alcance os terrenos mais baixos, o que cria zonas de sombra que podem permanecer frias e preservar a \u00e1gua, bem como proteger mol\u00e9culas fr\u00e1geis e poss\u00edveis microrganismos da radia\u00e7\u00e3o letal.<\/p>\n<p>Tendo em conta este contexto cient\u00edfico, a equipa decidiu testar quais os microrganismos terrestres capazes de sobreviver a condi\u00e7\u00f5es polares extremas. Concentraram-se em organismos frequentemente encontrados em ambientes de voos espaciais e naqueles comuns na pele humana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Aspergillus niger, estes inclu\u00edam o Bacillus subtilis, o Staphylococcus aureus, o Deinococcus radiodurans e v\u00e1rias esp\u00e9cies de Fusarium.<\/p>\n<p>Com base numa an\u00e1lise de estudos anteriores, os cientistas identificaram a quantidade m\u00e1xima de calor e radia\u00e7\u00e3o ultravioleta (UV) que cada organismo consegue suportar.<\/p>\n<p>Em seguida, os organismos foram testados em simula\u00e7\u00f5es de tr\u00eas regi\u00f5es pr\u00f3ximas do polo sul lunar \u2013 na borda da cratera Nobile, numa crista que liga as crateras Shackleton e De Gerlache e na borda da cratera De Gerlache. Essas simula\u00e7\u00f5es utilizaram mapas ambientais detalhados, elaborados a partir de dados de altitude e temperatura recolhidos por instrumentos a bordo da LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, combinados com modelos que simulam a forma como a radia\u00e7\u00e3o incide sobre a superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Os modelos mostraram mapas de \u201c<strong>nichos de sobreviv\u00eancia<\/strong>\u201d cujo tamanho varia desde o fundo de uma cratera com quil\u00f3metros de largura at\u00e9 \u00e0 pegada da bota de um astronauta.<\/p>\n<p>O Aspergillus niger, que se revelou o mais resistente \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV, conseguiu sobreviver mesmo em \u00e1reas com alguma exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz solar. A radia\u00e7\u00e3o UV \u00e9 t\u00e3o letal para a maioria dos micr\u00f3bios que \u00e9 utilizada para esteriliza\u00e7\u00e3o em hospitais.<\/p>\n<p>\u201cQuando pensamos na Lua, normalmente n\u00e3o pensamos em biologia\u201d, explica <strong>Heather Graham<\/strong>, coautora do artigo cient\u00edfico no Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, que ajuda a desenvolver ferramentas e t\u00e9cnicas para detetar formas de vida que podem n\u00e3o se assemelhar em nada \u00e0s da Terra.<\/p>\n<p>\u201cMas a Lua \u00e9 um local onde uma c\u00e9lula pode sobreviver, pelo que a nossa primeira explora\u00e7\u00e3o destes lugares deve prestar especial aten\u00e7\u00e3o aos nossos \u2018passageiros clandestinos\u2019 microbianos e trabalhar arduamente para caracterizar a qu\u00edmica lunar antes que as nossas visitas alterem o que iremos encontrar\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"NASA Imagem da Lua e da Terra captada por um astronauta da miss\u00e3o Artemis II a partir da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":502188,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[122,443,109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-502187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-astrofisica","tag-astronomia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117166458785207794","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=502187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502187\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/502188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=502187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=502187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=502187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}