{"id":50235,"date":"2025-08-29T14:35:13","date_gmt":"2025-08-29T14:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50235\/"},"modified":"2025-08-29T14:35:13","modified_gmt":"2025-08-29T14:35:13","slug":"mestres-da-fotografia-teahupoo-quinze-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50235\/","title":{"rendered":"Mestres da fotografia &#8211; Teahupoo quinze anos depois"},"content":{"rendered":"<p>\tNa primeira vez em que Sebastian Rojas fotografou Teahupoo, Jo\u00e3o Chumbinho, na foto n\u00e3o era nem nascido ainda. E Seb\u00e1 era o \u00fanico fotografo no pico. <\/p>\n<p>O Brasil tem grandes fot\u00f3grafos de surfe, mas talvez nenhum com uma trajet\u00f3ria t\u00e3o marcante quanto a de Sebastian Rojas. Ali\u00e1s, muitos dos fot\u00f3grafos espalhados pelas praias do extenso litoral brasileiro t\u00eam o trabalho de Seb\u00e1, como ele \u00e9 mais chamado na praia, como refer\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o. E entre seus disc\u00edpulos mais ass\u00edduos, est\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que frequentaram seus cursos, aprendendo diretamente com ele os segredos do clique perfeito. Especialmente as dicas do que fazer para sobreviver no ambiente desafiador que o Ti\u00e3o Vermelho, mais um dos seus apelidos, dominou como ningu\u00e9m, que \u00e9 a fotografia de dentro d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Pois bem, depois de d\u00e9cadas viajando o planeta como principal fot\u00f3grafo da revista Fluir, a publica\u00e7\u00e3o l\u00edder no segmento surfe no Brasil, Sebastian Rojas teve que buscar novos rumos para sua carreira. \u00c0 medida que tudo que era impresso foi sucumbindo diante do rolo compressor que se tornou a m\u00eddia digital, ele passou a focar em atender uma seleta clientela de surfistas que desejava ter uma foto sua clicada pelo grande mestre das lentes. Al\u00e9m de tamb\u00e9m seguir ministrando suas aulas por todo o Brasil.<\/p>\n<p> Seb\u00e1 voltou ao cen\u00e1rio onde registrou a foto de Carlos Burle que foi capa da revista Fluir em 1999. <\/p>\n<p>Isso fez com que diminu\u00edsse a frequ\u00eancia de suas viagens internacionais, ainda que continuasse batendo ponto no Hava\u00ed por v\u00e1rios anos. At\u00e9 que veio o momento de uma virada inesperada em sua carreira, que o levou a mudar do Guaruj\u00e1 para o interior de S\u00e3o Paulo. Foi quando recebeu o convite para ser um dos fot\u00f3grafos oficiais da primeira piscina de ondas a ser inaugurada no pa\u00eds, a Praia da Grama, em Itupeva.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, l\u00e1 se v\u00e3o mais de dois anos, Seb\u00e1 praticamente s\u00f3 fez imagens de ondas artificiais. Apesar de colocar o mesmo empenho e obter resultados sensacionais na nova modalidade de fotografia, ele vinha acumulando uma grande saudade de registrar ondas de verdade. Principalmente na sua onda favorita no planeta, Teahupo\u2019o, no Taiti. O ic\u00f4nico pico \u201cNo Fim da Estrada\u201d \u00e9 um lugar que ele j\u00e1 havia visitado v\u00e1rias vezes, inclusive como um dos pioneiros, na companhia de Carlos Burle, em 1999, expedi\u00e7\u00e3o que rendeu uma mat\u00e9ria hist\u00f3rica com direito a capa e muitas p\u00e1ginas na Fluir.<\/p>\n<p> Nada melhor do que voltar a fotografar seu pico preferido justo no maior dia do ano. Sebastian Rojas realizou o sonho pelo qual esperava h\u00e1 15 anos. <\/p>\n<p>Por uma daquelas coincid\u00eancias presenteadas pelo destino, a Praia da Grama iniciou uma reforma \u00e0s v\u00e9speras da entrada da maior ondula\u00e7\u00e3o do ano em Teahupo\u2019o. Para tornar as coisas ainda mais interessantes, tamb\u00e9m no momento em que a elite do surfe mundial estava convergindo para a Polin\u00e9sia Francesa devido ao iminente in\u00edcio do Lexus Tahiti Pro, prova do Circuito Mundial da WSL. Era a conjun\u00e7\u00e3o de motivos que Sebastian Rojas precisava para o reencontro com sua onda favorita, 15 anos ap\u00f3s a \u00faltima vez.<\/p>\n<p>Para sorte do Waves e seus usu\u00e1rios, o site foi o escolhido por Seb\u00e1 para receber seu emocionante relato e as imagens desta ocasi\u00e3o t\u00e3o especial. Aproveite com a gente.<\/p>\n<p>\u201cA \u00faltima vez que eu vim pra c\u00e1 foi com o Adriano de Souza, o Mineirinho, se n\u00e3o me engano foi em 2010, ent\u00e3o j\u00e1 fazem 15 anos. O Taiti sempre foi o meu lugar preferido. Devido \u00e0s ondas e pela receptividade do povo local. A vibe geral da ilha e a simplicidade dos nativos, fazem que seja um lugar muito mais tranquilo que o Hava\u00ed.<\/p>\n<p>Sempre se mantendo atualizado, Sebastian levou na bagagem seu drone, um equipamento que tem proporcionado a evolu\u00e7\u00e3o do seu trabalho.<\/p>\n<p>Parece o Hava\u00ed de 50 anos atr\u00e1s e continua sendo continua sendo muito bem conservado. N\u00e3o tem grandes edifica\u00e7\u00f5es, voltei agora e percebi que continua bem parecido com o que era quando vim pela primeira vez. Os locais tamb\u00e9m, super generosos, continuam recebendo a gente muito bem, sempre fiquei aqui com o Marama, amig\u00e3o de todos brasileiros. Quando n\u00f3s chegamos aqui na d\u00e9cada de 90, fomos pioneiros mesmo.<\/p>\n<p>A primeira mat\u00e9ria que rolou de Teahupo\u2019o foi com o Carlos Burle. Chegamos na onda sem nunca ter visto uma imagem, s\u00f3 ouvido falar do tubo no fim da estrada, pois o pico era conhecido como \u201cThe End of the Road\u201d. N\u00f3s fomos sem barco e sem saber o que \u00edamos encontrar, eu nadando com a caixa estanque, ele remando na prancha. Rendeu uma mat\u00e9ria na Fluir, fiz a capa com uma foto do Burle, e me apaixonei logo de cara pelo Taiti. Sempre curti demais essa vibra\u00e7\u00e3o, essa tranquilidade, essa natureza exuberante, e claro, as ondas principalmente. O potencial de produzir altas imagens aqui \u00e9 alt\u00edssimo.<\/p>\n<p> Quando nadou carregando sua caixa estanque ao lado de Carlos Burle que foi remando em 1999, Sebastian e o big rider brasileiro nem sabiam o que iriam encontrar l\u00e1 fora. Nunca imaginariam o canal lotado dos dias de hoje. <\/p>\n<p>A \u00e1gua transparente, mar azul, \u00e9 o sonho de qualquer fot\u00f3grafo vir pro Taiti e pegar um swell como est\u00e1 acontecendo agora aqui. Gra\u00e7as a Deus eu pude materializar o meu sonho de voltar ao Taiti 15 anos depois, s\u00f3 que com uma bomba, um big swell, para que eu pudesse trabalhar o que hoje \u00e9 meu hobby. Talvez essa seja a palavra correta para descrever o que estou fazendo, sem pautas da Fluir para cumprir, sem ter de fazer foto para ningu\u00e9m, s\u00f3 numa vibe de fazer a mente, de descansar tamb\u00e9m, dessa longa jornada de trabalho de dois anos na piscina.<\/p>\n<p>Tava merecendo umas f\u00e9rias e poder reviver aquilo que eu sempre fazia, que era vim pra c\u00e1 e curtir com a galera, dar umas risadas, curtir o povo que nos recebe com muito carinho. O que mais impressiona aqui em Teahupo\u2019o, \u00e9 o quanto voc\u00ea consegue estar t\u00e3o pr\u00f3ximo de uma onda gigante. Na condi\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem aqui, o barco fica na cara. Praticamente todas as ondas, quando o mar t\u00e1 grande, d\u00e3o uma baforada que molha o barco inteiro. Isso n\u00e3o existe em nenhum lugar do mundo, um barco t\u00e3o perto da onda.<\/p>\n<p> Para Seb\u00e1, n\u00e3o existe nada mais fascinante que a for\u00e7a da natureza em Teahupoo. <\/p>\n<p>O surfista quando sai do tubo quase bate no barco, tem que desviar, de t\u00e3o pr\u00f3ximo que a gente fica de uma onda t\u00e3o intensa, perigosa e insana, Dezenas de barcos ficam muito pr\u00f3ximos um do outros, n\u00e3o sei como n\u00e3o batem, os taitianos s\u00e3o muito bons pilotos. Eu trouxe minha esposa, a Regina, e ela ficou impressionada.<\/p>\n<p>Eu falei, antes de vir pra c\u00e1, voc\u00ea precisa ver a oitava maravilha do mundo acontecendo na sua cara, muito perto. Tomamos v\u00e1rias baforadas da onda, nos molhamos inteiros. Essa proximidade da a\u00e7\u00e3o, de tudo aquilo que est\u00e1 acontecendo, a vibra\u00e7\u00e3o da galera ali no canal depois que um surfista completa o tubo, o olhar, a express\u00e3o no rosto de cada um, \u00e9 tudo muito marcante. A galera t\u00e1 ali, colada numa onda amedrontadora, onde \u00e9 poss\u00edvel voc\u00ea trazer sua c\u00e2mera e fazer a imagem da vida. Mas s\u00f3 quem j\u00e1 veio ver um grande swell como esse pode dar um relato de como \u00e9 a onda.<\/p>\n<p> Consciente do tamanho do seu legado, Sebastian Rojas tem buscado compartilhar o conhecimento adquirido em d\u00e9cadas como um dos maiores fot\u00f3grafos de surfe do mundo, em palestras e cursos. <\/p>\n<p>Claro, o Taiti tem v\u00e1rias outras boas ondas, mas essa daqui \u00e9 a mais especial. Foi muito bom poder juntar os locais com os profissionais treinando para o campeonato e ainda com alguns podendo experimentar fazer um tow in. Alguns se atiraram l\u00e1, o Jack Robinson, o Jo\u00e3o Chianca, n\u00e3o sei se o \u00cdtalo chegou a fazer tow-in, ele estava bem ativo na remada. Deu pra ver que muitos competidores estavam se resguardando, muitos nem surfaram esse swell grande, n\u00e3o queriam arriscar.<\/p>\n<p>Vim tamb\u00e9m com o objetivo de, pela primeira vez, voar um drone aqui, nunca tinha feito isso. A adrenalina subiu, tomei uma baforada gigante no drone, que molhou inteiro, a\u00ed a c\u00e2mera deu um probleminha e tal, mas voltou a funcionar, gra\u00e7as a Deus. Mas \u00e9 uma baita adrenalina voar drone aqui, a onda d\u00e1 umas baforadas que, se vacilar, derruba o drone. E tamb\u00e9m tem que tomar todo o cuidado com outros drones voando ao mesmo tempo. Essa miss\u00e3o foi a miss\u00e3o cumprida das minhas f\u00e9rias, fotografar como hobby. Estou muito feliz, de cabe\u00e7a feita, realizado por poder ter voltado a uma terra que eu amo tanto\u201d.<\/p>\n<p> O elemento perigo de vida est\u00e1 sempre presente em Teahupoo, o que torna a miss\u00e3o do fot\u00f3grafo mais emocionante ainda. De Carlos Burle aos irm\u00e3os Chumbo, os personagens v\u00e3o mudando, mas Sebastian Rojas segue registrando os grandes momentos do surfe brasileiro.   <\/p>\n<p>Sebastian Rojas regressou do Taiti com a mala pesada, carregada de imagens sensacionais. Feliz com mais um sonho realizado.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na primeira vez em que Sebastian Rojas fotografou Teahupoo, Jo\u00e3o Chumbinho, na foto n\u00e3o era nem nascido ainda.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50236,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-50235","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50235","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50235\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}