{"id":502776,"date":"2026-08-27T17:05:28","date_gmt":"2026-08-27T17:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502776\/"},"modified":"2026-08-27T17:05:28","modified_gmt":"2026-08-27T17:05:28","slug":"arrancar-a-vinha-destilar-e-valorizar-como-o-douro-procura-podar-a-crise-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/502776\/","title":{"rendered":"Arrancar a vinha, destilar e valorizar. Como o Douro procura \u201cpodar\u201d a crise \u2013 ECO"},"content":{"rendered":"<p> Douro tenta sa\u00edda para uma crise que exige mais do que &#8220;podar&#8221; excedentes. \u00c9 preciso devolver valor econ\u00f3mico \u00e0 fileira e \u00e0 regi\u00e3o, dizem atores de um setor em que h\u00e1 escasso consenso sobre solu\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<ul id=\"ecofast-list\" class=\"ecofast-list\">\n<li>A crise do setor vitivin\u00edcola do Douro leva \u00e0 discuss\u00e3o de medidas como o arranque de vinha e a transforma\u00e7\u00e3o de excedentes em aguardente, mas n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os envolvidos.<\/li>\n<li>O Governo prop\u00f5e arrancar 5.000 hectares de vinha para reduzir a produ\u00e7\u00e3o, enquanto o setor debate a efic\u00e1cia e as consequ\u00eancias dessa medida para os viticultores.<\/li>\n<li>Se n\u00e3o forem implementadas solu\u00e7\u00f5es eficazes, a crise poder\u00e1 resultar em perdas significativas para os viticultores e afetar a paisagem e a economia da regi\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Arrancar vinha para travar o excesso de produ\u00e7\u00e3o e transformar as uvas, que o mercado n\u00e3o consegue absorver, em aguardente regional<\/strong> s\u00e3o duas das solu\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em cima da mesa para tentar \u201cpodar\u201d uma crise do Douro que se arrasta h\u00e1 anos. Mas est\u00e3o longe de reunir consenso entre os v\u00e1rios atores do setor v\u00ednico auscultados pelo ECO\/Local Online. Numa coisa, por\u00e9m, convergem: n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica tesoura capaz de cortar o problema pela raiz, de modo a<strong> garantir rendimento a quem cultiva<\/strong> <strong>a terra, e devolver valor econ\u00f3mico a uma fileira<\/strong> que tenta sobreviver num mercado em retra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o setor vitivin\u00edcola duriense n\u00e3o se esgota, assim, numa \u00fanica medida, nem sequer num apoio extraordin\u00e1rio para escoar o vinho que sobra, como aconteceu com as ajudas do Estado \u00e0 destila\u00e7\u00e3o, que podem n\u00e3o resolver o problema de fundo. O Governo tem algumas medidas na manga, como o arranque de<strong> 5.000 hectares de vinha, num universo de cerca de 43 mil<\/strong> hectares plantados na regi\u00e3o vinhateira.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" class=\"size-full wp-image-1563526\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/44104815-scaled.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tRui Paredes, presidente da Casa do Douro\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tLusa\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>O programa volunt\u00e1rio de ajustamento do potencial produtivo \u00e9 <strong>uma das medidas mais controversas no setor<\/strong> e est\u00e1 previsto no <strong>Plano Executivo para a Gest\u00e3o Sustent\u00e1vel e Valoriza\u00e7\u00e3o do Setor Vitivin\u00edcola da Regi\u00e3o Demarcada do Douro para 2026-2032<\/strong>. O documento prev\u00ea um pacote de incentivos e alternativas de reconvers\u00e3o ou renaturaliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da \u201climita\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o l\u00edquida da \u00e1rea vit\u00edcola e <strong>refor\u00e7o do controlo sobre novas planta\u00e7\u00f5es<\/strong>, transfer\u00eancias e replanta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O plano estabelece, a seis anos, a<strong> redu\u00e7\u00e3o de excedentes em 20% e a valoriza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o com o aumento de 10 a 15% no pre\u00e7o m\u00e9dio da uva<\/strong>, segundo j\u00e1 explicou o ministro da Agricultura e Mar, Jos\u00e9 Manuel Fernandes. O pacote de medidas foi coordenado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), com a participa\u00e7\u00e3o, entre outras entidades, da Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Regional (CCDR) Norte. O ECO\/Local Online tentou obter declara\u00e7\u00f5es do presidente do IVDP, mas Gilberto Igrejas manifestou-se indispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Se o arranque da vinha avan\u00e7ar, poder\u00e1 traduzir-se na <strong>perda de rendimento para muitos dos 18 mil viticultores \u2014 grande parte deles trabalha pequenas parcelas<\/strong> \u2013, al\u00e9m de se correr o risco de \u201cexpulsar\u201d do territ\u00f3rio quem vive da viticultura. O alerta \u00e9 deixado por Rui Paredes e Manuel Cordeiro, presidentes da Casa do Douro e da C\u00e2mara de S\u00e3o Jo\u00e3o da Pesqueira, respetivamente.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho nenhuma reserva mental em rela\u00e7\u00e3o ao tema arranque de vinha.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tRui Paredes<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da Casa do Douro<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>A fatura a pagar, apontam, pode estender-se \u00e0 paisagem de socalcos de vinhas como hoje a conhecemos, classificada como Patrim\u00f3nio Mundial pela Unesco, quando der lugar a outros cultivos.<\/p>\n<p>Se <strong>Rui Paredes n\u00e3o fecha a porta ao arranque<\/strong> <strong>da <\/strong><strong>vinha <\/strong>\u2014 embora recuse que seja apresentado como \u00fanica frente para todos os males da regi\u00e3o \u2013, j\u00e1 o <strong>autarca Manuel Cordeiro op\u00f5e-se \u00e0 solu\u00e7\u00e3o<\/strong> num territ\u00f3rio onde a vinha \u00e9 uma das principais \u00e2ncoras econ\u00f3micas e sociais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho nenhuma reserva mental em rela\u00e7\u00e3o ao tema arranque de vinha\u201d, admite o presidente da Casa do Douro. Mas se for necess\u00e1rio avan\u00e7ar, defende, a decis\u00e3o ter\u00e1 de ser repartida por todo o Douro, sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s: <strong>\u201cSeremos todos solid\u00e1rios e arrancaremos todos vinhas<\/strong> [para evitar] que o pequeno e m\u00e9dio viticultor, o elo mais fraco\u201d, pague a fatura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1471358\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cropped-cropped-cropped-vindimasjpr_duorum_12-scaled-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1442\" height=\"811\"\/><\/p>\n<p>Mais taxativo \u00e9 o<strong> autarca de S\u00e3o Jo\u00e3o da Pesqueira: \u201cN\u00e3o sou adepto do arranque, mas sim de uma maior fiscaliza\u00e7\u00e3o e rotulagem,<\/strong> assim como da defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os m\u00ednimos a pagar pelas uvas que n\u00e3o fiquem abaixo dos custos de produ\u00e7\u00e3o\u201d. <strong>\u201cComo autarca quero que as pessoas vivam da vinha e do vinho<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>Reclama, por isso, a interven\u00e7\u00e3o do Governo, preferindo, para j\u00e1, <strong>acreditar que \u201ceste ministro [Jos\u00e9 Manuel Fernandes] tem alguma consci\u00eancia do problema e que ainda se vai a tempo de inverter esta crise<\/strong>\u201d na mais antiga regi\u00e3o demarcada do Douro.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Como autarca quero que as pessoas vivam da vinha e do vinho<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tManuel Cordeiro<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Jo\u00e3o da Pesqueira<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>J\u00e1 do lado das empresas, a leitura \u00e9 outra.<\/strong> Para quem olha para a regi\u00e3o a partir do mercado, reduzir a \u00e1rea plantada parece inevit\u00e1vel quando se produz mais do que aquilo que se consegue vender.<\/p>\n<p><strong>Ant\u00f3nio Filipe, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Empresas de Vinho do Porto (AEVP)<\/strong>, considera que o arranque de 5.000 hectares, num universo de cerca de 43 mil, poder\u00e1 ajudar a reequilibrar a oferta e a procura e, consequentemente, valorizar a uva. \u201cTeremos um bem mais escasso que presumivelmente valer\u00e1 mais\u201d, assinala. Por\u00e9m, deixa um aviso: <strong>\u201cCaso o arranque da vinha n\u00e3o seja feito de uma forma controlada, ir\u00e1 acontecer [na mesma, mas] de uma forma descontrolada<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/especiais\/na-regiao-vinhateira-do-douro-ha-uvas-a-mais-e-stocks-por-escoar-como-se-chegou-aqui\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Regi\u00e3o Vinhateira do Douro em crise. Como se chegou aqui?<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>Mas reduzir a oferta, por si s\u00f3, n\u00e3o chega. \u00c9 preciso, aponta, refor\u00e7ar a promo\u00e7\u00e3o dos vinhos do Douro e do Porto, conquistar novos mercados e <strong>transformar os turistas em futuros consumidores dos vinhos da regi\u00e3o<\/strong>. Educar consumidores, formar sommeliers e restaura\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais algumas das estrat\u00e9gias apontadas pela associa\u00e7\u00e3o que representa os operadores de vinho do Porto e DOC Douro.<\/p>\n<p><strong>Adrian Bridge, CEO da Fladgate Partnership, v\u00ea igualmente o arranque como uma medida estrutural<\/strong> numa regi\u00e3o onde \u201ca \u00e1rea de vinha cresceu cerca de 25% desde 2000\u201d, enquanto o mercado do vinho do Porto foi perdendo terreno.<\/p>\n<p>O dono do grupo, que det\u00e9m marcas de vinho do Porto como a Croft, Fonseca ou Taylor\u2019s e outras de vinho de mesa, defende que a <strong>redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de vinha deve ser acompanhada por compensa\u00e7\u00f5es aos viticultores<\/strong>, \u00e0 semelhan\u00e7a do que acontece noutros pa\u00edses produtores como a Fran\u00e7a. Defende ainda <strong>o fim do sistema de \u2018benef\u00edcio\u2019<\/strong>, que fixa a quantidade de mosto generoso que cada produtor do Douro pode destinar para vinho do Porto.<\/p>\n<p>Aguardente v\u00ednica regional divide fileira<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outra forma de ecoar excedentes sem arrancar ra\u00edzes: <strong>transformar parte das uvas que sobram em aguardente v\u00ednica regional, para ser utilizada na produ\u00e7\u00e3o de vinho do Porto e Moscatel<\/strong>.<\/p>\n<p>A par do arranque da vinha, esta \u00e9 tamb\u00e9m uma das medidas mais pol\u00e9micas e que n\u00e3o re\u00fane consenso, uma vez que o partido JPP \u2013 Juntos pelo Povo quer torn\u00e1-la obrigat\u00f3ria e os operadores contestam a imposi\u00e7\u00e3o. \u201c<strong>Somos absolutamente contra por considerarmos que a obrigatoriedade seria catastr\u00f3fica para o vinho do Porto e para a regi\u00e3o<\/strong>\u201d, sustenta o presidente da AEVP.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1335\" class=\"size-full wp-image-729590\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/wow_43.jpg\" alt=\"World of Wine - WOW\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tAdrien Bridge, ceo do  The World of Wine &#8211; WOW\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tRicardo Castelo\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>A 30 de janeiro deste ano, o projeto-lei foi aprovado, na generalidade, com os votos contra do PSD, CDS-PP e IL e favor\u00e1veis das restantes bancadas e deputados. O diploma est\u00e1 em aprecia\u00e7\u00e3o na especialidade no Parlamento, e visa absorver excedentes e criar valor dentro da pr\u00f3pria regi\u00e3o vinhateira.<\/p>\n<p>Entretanto, um estudo pedido pelo ministro da Agricultura concluiu que a <strong>medida era \u201ctecnicamente invi\u00e1vel, economicamente insustent\u00e1vel <\/strong>e estrategicamente arriscada\u201d. Segundo o IVDP, os excedentes de uvas n\u00e3o chegam para assegurar a aguardente necess\u00e1ria: s\u00e3o precisos cerca de sete litros de vinho para produzir um litro de aguardente.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Somos absolutamente contra por considerarmos que a obrigatoriedade seria catastr\u00f3fica para o vinho do Porto e para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tAnt\u00f3nio Filipe <\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Empresas de Vinho do Porto (AEVP)<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Num mercado mundial j\u00e1 em retra\u00e7\u00e3o, o presidente da AEVP teme um efeito domin\u00f3 em toda a cadeia vitivin\u00edcola, desde uma quebra acentuada das vendas, passando pela redu\u00e7\u00e3o do \u201cbenef\u00edcio\u201d at\u00e9 \u201cao fim ou o princ\u00edpio do fim dos vinhos DOC Douro\u201d, os tranquilos.<\/p>\n<p>Se a obrigatoriedade for para a frente, vinca Ant\u00f3nio Filipe, da Symington Family Estates, \u201c<strong>ser\u00e1 desastroso do ponto de vista econ\u00f3mico<\/strong>, pois imagine o que acontece a uma empresa que, de repente, v\u00ea a sua capacidade de vender vinho do Porto reduzida para metade?\u201d A resposta n\u00e3o tardou em chegar: \u201c<strong>Tem de despedir metade das pessoas e [dispensar tamb\u00e9m] metade dos seus fornecedores de vidro, de rolhas e de cart\u00f5es<\/strong> e tudo o mais, al\u00e9m de fechar metade das linhas de engarrafamento. <strong>Seria desastroso do ponto de vista econ\u00f3mico\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Adrian Bridge considera \u201c<strong>insustent\u00e1vel a ideia pol\u00edtica de fazer aguardente s\u00f3 com uvas do Douro,<\/strong> porque vai aumentar substancialmente o custo de produ\u00e7\u00e3o do vinho do Porto e pode acelerar a redu\u00e7\u00e3o do volume\u201d. O litro da aguardente poder\u00e1 custar entre 10 e 12 euros, contra os atuais 1,70 a 2,50 euros, encarecendo depois os vinhos tranquilos, podendo mesmo acelerar a quebra do consumo, alerta o CEO da Fladgate Partnership.<\/p>\n<p>O impacto, argumenta, poder\u00e1 repercutir-se muito para l\u00e1 da vinha e da adega: \u201c<strong>O Douro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vinho do Porto, Douro ou espumante;<\/strong> <strong>tamb\u00e9m d\u00e1 emprego a mu<\/strong><strong>ita gente na \u00e1rea do turismo.<\/strong>\u201d E faz um reparo: \u201c<strong>At<\/strong><strong>\u00e9 nem sei se esta imposi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 legal<\/strong>\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>\u00c9 insustent\u00e1vel a ideia pol\u00edtica de fazer aguardente s\u00f3 com uvas do Douro, porque vai aumentar substancialmente o custo de produ\u00e7\u00e3o do vinho do Porto e pode acelerar a redu\u00e7\u00e3o do volume.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tAdrian Bridge <\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">CEO da The Fladgate Partnership<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cBal\u00e3o de oxig\u00e9nio\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 a Casa do Douro v\u00ea <strong>na aguardente v\u00ednica regional uma esp\u00e9cie de \u201cbal\u00e3o de oxig\u00e9nio\u201d para ecsoar o excedente de uvas<\/strong>. Defende, contudo, que <strong>s\u00f3 deve ser destilada a percentagem que o mercado n\u00e3o consegue absorver<\/strong>, sob pena comprometer a produ\u00e7\u00e3o de vinhos tranquilos. Rui Paredes cita como exemplo \u201co excedente de 10% de uvas que n\u00e3o foi vendido em 2025 e que poderia ter sido transformado em aguardente.\u201d<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m viticultor apoia a obrigatoriedade, porque <strong>\u201cse for volunt\u00e1ria, os operadores continuar\u00e3o a importar aguardente de outros mercados como o espanhol e franc\u00eas,<\/strong> onde \u00e9 mais barata.\u201d O uso de aguardente v\u00ednica da regi\u00e3o j\u00e1 foi testado na adega de Favaios (Alij\u00f3), conta, que \u201cj\u00e1 transformou algum excedente em aguardente e depois introduziu na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o de vinho do Porto e Moscatel\u201d.<\/p>\n<p>Igualmente o <strong>autarca Manuel Cordeiro v\u00ea na destila\u00e7\u00e3o uma forma de escoar as uvas que n\u00e3o entram no \u201cbenef\u00edcio\u201d<\/strong> e ficam sem comprador, sobretudo a dos pequenos produtores. Defende, por\u00e9m, uma <strong>introdu\u00e7\u00e3o \u201cpaulatina, integrada\u201d<\/strong>, que permita transformar os excedentes numa mat\u00e9ria-prima para um produto de origem da regi\u00e3o, em vez de repetir o ciclo de produzir, acumular e desvalorizar.<\/p>\n<p>Para Manuel Cordeiro de pouco servir\u00e1 produzir menos se aquilo que se produz continuar a ser pago abaixo do custo de produ\u00e7\u00e3o, na ordem dos 500 euros por pipa. <strong>A mesma uva, que pode valer perto de mil euros quando destinada ao vinho do Porto<\/strong>, pode chegar a ser vendida por 150, 200 ou 400 euros quando \u00e9 canalizada para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos DOC Douro, denuncia.<\/p>\n<p>Esta n\u00e3o seria de todo uma forma de congelar o mercado, mas sim valorizar quem est\u00e1 na base da cadeia. \u201cN\u00f3s vendemos as uvas, entregamos as uvas e <strong>n\u00e3o sabemos a que pre\u00e7o vamos receber<\/strong>\u201c, queixa-se o autarca que tamb\u00e9m explora uma vinha.<\/p>\n<p>A resposta, por isso, passa tamb\u00e9m por dar mais poder de negocia\u00e7\u00e3o aos viticultores, e <strong>exigir ao Estado um papel regulador mais forte<\/strong>. Para os quatro respons\u00e1veis n\u00e3o basta retirar uvas do mercado. O problema do Douro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quanto produz. \u00c9 quanto consegue vender e pagar a quem produz e quanto valor deixar na regi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Douro tenta sa\u00edda para uma crise que exige mais do que &#8220;podar&#8221; excedentes. \u00c9 preciso devolver valor econ\u00f3mico&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":502777,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[562,88,476,89,90,12920,834,32,33,12921,36291],"class_list":["post-502776","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-agricultura","tag-business","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-local-online","tag-negocios","tag-portugal","tag-pt","tag-regioes","tag-viticultura"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117168566236161395","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=502776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/502776\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/502777"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=502776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=502776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=502776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}