{"id":503777,"date":"2026-08-28T16:34:26","date_gmt":"2026-08-28T16:34:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/503777\/"},"modified":"2026-08-28T16:34:26","modified_gmt":"2026-08-28T16:34:26","slug":"reino-unido-estudo-liga-menos-acucar-infantil-a-cancer-28-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/503777\/","title":{"rendered":"Reino Unido: estudo liga menos a\u00e7\u00facar infantil a c\u00e2ncer &#8211; 28\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Parece argumento de av\u00f3: &#8220;Quando eu era <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/crianca\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">crian\u00e7a<\/a> n\u00e3o tinha a\u00e7\u00facar, e veja como \u00e9ramos saud\u00e1veis&#8221;. Mas um novo estudo encontrou resultados que confirmam essa intui\u00e7\u00e3o. A pesquisa se baseia em um epis\u00f3dio hist\u00f3rico que ningu\u00e9m planejou como experimento: o racionamento de alimentos no <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/reino-unido\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Reino Unido<\/a> durante e ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/segunda-guerra-mundial\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Segunda Guerra Mundial<\/a>.<\/p>\n<p>Com as rotas de abastecimento brit\u00e2nicas amea\u00e7adas pela guerra, em 1940, o governo adotou um sistema de racionamento que atingiu diversos alimentos de consumo cotidiano, incluindo o a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A restri\u00e7\u00e3o se prolongou por anos ap\u00f3s o fim do conflito e s\u00f3 foi encerrada em setembro de 1953. A partir de ent\u00e3o, o consumo m\u00e9dio de a\u00e7\u00facar praticamente dobrou. Essa mudan\u00e7a abrupta criou, inadvertidamente, uma situa\u00e7\u00e3o excepcional para os pesquisadores.<\/p>\n<p>Esses n\u00edveis contrastantes de a\u00e7\u00facar na primeira inf\u00e2ncia de gera\u00e7\u00f5es t\u00e3o pr\u00f3ximas foram a base de um estudo conduzido pelos economistas da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> Chen Zhu, da Universidade Agr\u00edcola da China, e Weilong Zhang, da Universidade de Cambridge. Eles analisaram dados de 64.761 pessoas nascidas na Gr\u00e3-Bretanha entre 1951 e 1956. As informa\u00e7\u00f5es vieram do UK Biobank, um amplo banco de dados que acompanha a sa\u00fade de seus participantes ao longo de d\u00e9cadas. O trabalho foi publicado na revista PNAS.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o concentrou-se nos primeiros mil dias de vida, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o segundo anivers\u00e1rio. Trata-se de um per\u00edodo em que o metabolismo, os \u00f3rg\u00e3os e o sistema imunol\u00f3gico continuam em desenvolvimento e quando come\u00e7am a ser formadas as prefer\u00eancias alimentares.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, os nascidos antes do fim do racionamento passaram mais tempo com acesso limitado ao a\u00e7\u00facar durante esses primeiros mil dias; os nascidos depois, menos tempo.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00facar na inf\u00e2ncia e risco de c\u00e2ncer<\/p>\n<p>D\u00e9cadas mais tarde, as diferen\u00e7as se mostraram significativas. Segundo os resultados do estudo, aqueles que enfrentaram um racionamento maior durante os primeiros mil dias de vida, ou seja, consumiram menos a\u00e7\u00facar, tiveram uma incid\u00eancia menor de cinco tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o chegava a 69% no c\u00e2ncer de f\u00edgado e dos ductos biliares de dentro do f\u00edgado, 52% no c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, 41% no c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, 40% no c\u00e2ncer de reto e 36% no c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>Essas diferen\u00e7as s\u00f3 se tornaram vis\u00edveis muito tempo depois do fim do racionamento. O estudo tamb\u00e9m encontrou ind\u00edcios de envelhecimento biol\u00f3gico mais lento. Para investigar sinais desse processo em n\u00edvel celular, os pesquisadores analisaram os tel\u00f4meros, estruturas dos cromossomos cujo comprimento tende a diminuir com a idade.<\/p>\n<p>As pessoas mais expostas ao racionamento durante aquela fase apresentavam tel\u00f4meros mais longos. A diferen\u00e7a, segundo Zhang explicou ao site The Conversation, equivaleria a cerca de 2,2 anos a menos de envelhecimento biol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m exibiam n\u00edveis mais baixos de granzima B, outro marcador relacionado \u00e0 atividade do sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma marca que permanece por d\u00e9cadas<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as tamb\u00e9m aparecem nos h\u00e1bitos alimentares da vida adulta. Meio s\u00e9culo depois, aqueles que haviam sido mais expostos ao racionamento nos primeiros mil dias de vida consumiam menos a\u00e7\u00facar e apresentavam um padr\u00e3o alimentar um padr\u00e3o alimentar com menos a\u00e7\u00facar e maior diversidade de alimentos.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o compat\u00edveis com a hip\u00f3tese de que a exposi\u00e7\u00e3o precoce a sabores menos doces esteja associada a h\u00e1bitos alimentares mantidos ao longo da vida. Os pesquisadores sugerem que os dois fen\u00f4menos podem estar conectados.<\/p>\n<p>Segundo Zhang, em artigo publicado no The Conversation, parece haver uma via biol\u00f3gica, j\u00e1 que a nutri\u00e7\u00e3o inicial pode influenciar o desenvolvimento do metabolismo, dos \u00f3rg\u00e3os e do sistema imunol\u00f3gico, e outra via comportamental, ligada \u00e0s prefer\u00eancias de sabor que come\u00e7am a se formar muito cedo e podem persistir por d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Os resultados se somam a pesquisas anteriores que analisaram o mesmo epis\u00f3dio hist\u00f3rico. Esses trabalhos associaram uma menor exposi\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar na inf\u00e2ncia a um menor risco posterior de diabetes tipo 2 e hipertens\u00e3o. Outros estudos identificaram ainda uma redu\u00e7\u00e3o no risco de dem\u00eancia e doen\u00e7a de Alzheimer, al\u00e9m de doen\u00e7as card\u00edacas e acidentes vasculares cerebrais.<\/p>\n<p>Causa ou coincid\u00eancia?<\/p>\n<p>O fato de diferentes estudos encontrarem associa\u00e7\u00f5es semelhantes a partir do mesmo epis\u00f3dio hist\u00f3rico refor\u00e7a o interesse pelos resultados, mas n\u00e3o elimina todas as d\u00favidas sobre causalidade. Nesse caso, o fim abrupto do racionamento permitiu aos autores tratar a situa\u00e7\u00e3o como um experimento natural e falar em &#8220;evid\u00eancia causal&#8221;. Ainda assim, n\u00e3o se trata de um ensaio cl\u00ednico controlado.<\/p>\n<p>Entre a exposi\u00e7\u00e3o precoce e os resultados observados d\u00e9cadas depois podem incidir outros fatores. Por isso, o estudo n\u00e3o demonstra que o a\u00e7\u00facar consumido antes dos dois anos determine, sozinho, a sa\u00fade futura.<\/p>\n<p>O que os dados sugerem \u00e9 que a exposi\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar durante uma fase especialmente sens\u00edvel do desenvolvimento pode ter consequ\u00eancias de longo prazo. Isso n\u00e3o significa eliminar Isso n\u00e3o significa eliminar o a\u00e7\u00facar da alimenta\u00e7\u00e3o infantil nem transformar o racionamento do p\u00f3s-guerra em um modelo nutricional. o a\u00e7\u00facar da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/alimentacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">alimenta\u00e7\u00e3o<\/a> infantil nem transformar o racionamento do p\u00f3s-guerra em um modelo nutricional.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica chama aten\u00e7\u00e3o por outro motivo.<\/p>\n<p>Segundo o site Science Alert, os n\u00edveis de consumo de a\u00e7\u00facar sob o racionamento eram semelhantes aos atualmente recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Isso coloca a restri\u00e7\u00e3o em um contexto menos extremo do que a palavra &#8220;racionamento&#8221; pode sugerir e ajuda a explicar por que seus efeitos continuam relevantes para o debate contempor\u00e2neo sobre o consumo de a\u00e7\u00facar nos primeiros anos de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parece argumento de av\u00f3: &#8220;Quando eu era crian\u00e7a n\u00e3o tinha a\u00e7\u00facar, e veja como \u00e9ramos saud\u00e1veis&#8221;. 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