{"id":504252,"date":"2026-08-29T06:11:25","date_gmt":"2026-08-29T06:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504252\/"},"modified":"2026-08-29T06:11:25","modified_gmt":"2026-08-29T06:11:25","slug":"joana-silva-lopes-alerta-produzir-uvas-como-commodity-sem-foco-no-destino-ameaca-sustentabilidade-do-setor-vitivinicola-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504252\/","title":{"rendered":"Joana Silva Lopes alerta: produzir uvas como commodity sem foco no destino amea\u00e7a sustentabilidade do setor vitivin\u00edcola portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Esta entrevista faz parte de uma s\u00e9rie de conversas que o Dinheiro Vivo\/DN teve com en\u00f3logos e produtores, em plena \u00e9poca de vindimas, sobre o estado da arte do setor e os desafios dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p><strong>A seca prolongada, na sequ\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, est\u00e1 a tornar-se estrutural no setor. Que evid\u00eancias t\u00eam de que o modelo produtivo atual continua a ser compat\u00edvel com o novo regime clim\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0No ano vit\u00edcola 2025\/2026 n\u00e3o podemos falar de seca prolongada. O Inverno foi rigoroso, com valores de precipita\u00e7\u00e3o superiores\u00a0\u00e0 m\u00e9dia; \u00a0as reservas h\u00eddricas do solo foram repostas, \u00a0ficando na sua capacidade m\u00e1xima.\u00a0A planta iniciou o ciclo vegetativo com as condi\u00e7\u00f5es ideais de desenvolvimento. \u00c9 evidente que as temperaturas m\u00e9dias mensais t\u00eam vindo a aumentar, o que na pr\u00e1tica se traduz numa antecipa\u00e7\u00e3o dos estados fenol\u00f3gicos, e na data de colheita. Este ano inici\u00e1mos a vindima no dia 29 de julho no Tejo e no Alentejo. H\u00e1 tamb\u00e9m uma tend\u00eancia de perfil de consumo, para vinhos mais frescos, com menor teor alco\u00f3lico e tamb\u00e9m por esse motivo h\u00e1 uma tend\u00eancia generalizada para antecipa\u00e7\u00e3o da vindima.<\/p>\n<p><strong>Que quebra de produ\u00e7\u00e3o antecipam &#8211; se \u00e9 que antecipam &#8211; este ano e at\u00e9 que ponto essa redu\u00e7\u00e3o amea\u00e7a a viabilidade econ\u00f3mica das explora\u00e7\u00f5es mais pequenas?<\/strong><\/p>\n<p>No Tejo, j\u00e1 vindim\u00e1mos\u00a070% das castas brancas, e para j\u00e1 temos cerca de 45% de aumento de produ\u00e7\u00e3o face \u00e0 colheita anterior (2025). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos, estamos 15% acima.<\/p>\n<p><strong>Com custos de \u00e1gua, energia e m\u00e3o de obra em m\u00e1ximos hist\u00f3ricos, que margens operacionais esperam manter? H\u00e1 risco real de encerramentos ou consolida\u00e7\u00e3o for\u00e7ada no setor?<\/strong><\/p>\n<p>As margens\u00a0s\u00e3o cada vez mais reduzidas e saliento os custos de m\u00e3o de obra, que\u00a0aumentaram \u00a0de forma insustent\u00e1vel.\u00a0Para al\u00e9m da pouca disponibilidade de m\u00e3o de obra especializada. Apesar da mecaniza\u00e7\u00e3o de viticultura j\u00e1 ser uma realidade na maior parte da \u00e1rea de vinha de Portugal, continuam a existir opera\u00e7\u00f5es especializadas e,\u00a0em determinadas condi\u00e7\u00f5es, \u00a0\u00e9 imposs\u00edvel mecanizar. Continuar a produzir uvas, como commodity, sem foco no destino, n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel para o produtor. Torna-se dif\u00edcil sobreviver neste setor se n\u00e3o houver cria\u00e7\u00e3o de uma produto de valor acrescentado. Acredito que muitas empresas v\u00e3o\u00a0encerrar, muitos produtores de uvas v\u00e3o procurar outras culturas alternativas que sejam\u00a0menos dependentes de m\u00e3o de obra, mais rent\u00e1veis e com escoamento assegurado. Ficar\u00e3o as empresas que tiverem a capacidade de se reajustar atrav\u00e9s\u00a0de uma gest\u00e3o eficiente e que estejam determinadas\u00a0em produzir vinhos\u00a0reconhecidos pela sua diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o de volume e a altera\u00e7\u00e3o do perfil dos vinhos afetam a capacidade de competir em mercados externos onde o pre\u00e7o e a consist\u00eancia s\u00e3o decisivos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 essencial conhecermos em detalhe o perfil do consumidor. N\u00e3o podemos continuar a produzir vinhos da mesma forma que sempre fizemos. Temos de fazer vinhos ajustados\u00a0\u00e0s novas tend\u00eancias de consumo, sem perder a nossa identidade. Num portef\u00f3lio de uma empresa ter\u00e1 de\u00a0haver espa\u00e7o para vinhos de perfil mais moderno, capaz de cativar novos consumidores e, naturalmente,\u00a0para os vinhos mais cl\u00e1ssicos. Mas n\u00e3o podemos\u00a0cair no erro de fazer\u00a0todo o tipo de vinhos, para todos os consumidores; \u00e9 ambicioso, mas imposs\u00edvel de conseguir para a grande parte das empresas de vinhos em Portugal, de pequena e m\u00e9dia dimens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como se combate esta nova vaga de campanha contra o consumo de vinho, em todo o mundo, mas de forma particular em Portugal onde h\u00e1 cada vez mais vozes a alertar para os efeitos nocivos do seu consumo?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma pergunta f\u00e1cil e n\u00e3o me sinto confort\u00e1vel em responder. Talvez\u00a0melhorar as\u00a0campanhas de marketing focadas no consumo moderado, associado \u00e0 qualidade e ao lifestyle. A cultura do vinho tem de chegar aos mais jovens com esta mensagem. N\u00e3o creio que esteja a chegar.<\/p>\n<p><strong>Que investimentos est\u00e3o a ser feitos e decis\u00f5es concretas est\u00e3o a ser tomadas para adaptar a vinha ao novo clima e \u00e0 nova realidade de consumo?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos a antecipar datas de colheita, a fazer vinhos de teor alco\u00f3lico mais moderado; estamos a usar t\u00e9cnicas de vinifica\u00e7\u00e3o com extra\u00e7\u00f5es mais suaves, procurando produtos mais apelativos, com mais fruta, mais equilibrados na prova e\u00a0que se traduzam num consumo mais frequente e descomplicado.<\/p>\n<p><strong>Se as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as redu\u00e7\u00f5es sucessivas de consumo dos \u00faltimos anos se mantiverem, qual \u00e9 o cen\u00e1rio mais realista para o setor vitivin\u00edcola portugu\u00eas nos pr\u00f3ximos cinco anos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 essencial que as empresas tenham uma gest\u00e3o profissional, onde se saiba exatamente as margens de cada produto, e se tomem rapidamente decis\u00f5es estrat\u00e9gicas. \u00c9 urgente que as empresas\u00a0se reajustem e procurem outras atividades complementares como o enoturismo, entre outras.<\/p>\n<p><strong>Quais considera serem os principais desafios desta vindima e do pr\u00f3ximo ano, para o setor, em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>O grande desafio, \u00e9 ajustar a oferta \u00e0 procura. Na cultura da vinha, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer de um ano para o outro. H\u00e1 um desafio imediato, que \u00e9 valorizar justamente as uvas produzidas\u00a0em Portugal. S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, iniciar este caminho, com estrat\u00e9gica eficiente de controlo da entrada de uva e vinho, nas fronteiras. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esta entrevista faz parte de uma s\u00e9rie de conversas que o Dinheiro Vivo\/DN teve com en\u00f3logos e produtores,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":504253,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[2335,88,80816,89,90,17056,80813,26299,80819,32,80811,33,80815,80810,80817,80812,80821,80820,80818,80814],"class_list":["post-504252","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alteracoes-climaticas","tag-business","tag-consumo-de-vinho","tag-economy","tag-empresas","tag-enoturismo","tag-joana-silva-lopes","tag-mao-de-obra","tag-margens-operacionais","tag-portugal","tag-producao-de-uvas","tag-pt","tag-seca-prolongada","tag-setor-vitivinicola","tag-valor-acrescentado","tag-vindima","tag-vinhos-de-baixo-teor-alcoolico","tag-vinhos-diferenciados","tag-vinhos-frescos","tag-vinhos-portugueses"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117177318934821481","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=504252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504252\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/504253"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=504252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=504252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=504252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}