{"id":504528,"date":"2026-08-29T12:23:10","date_gmt":"2026-08-29T12:23:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504528\/"},"modified":"2026-08-29T12:23:10","modified_gmt":"2026-08-29T12:23:10","slug":"mercado-imobiliario-em-portugal-2026-queda-nas-vendas-de-casas-entre-5-e-7-com-desequilibrio-entre-oferta-precos-e-poder-de-compra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504528\/","title":{"rendered":"Mercado imobili\u00e1rio em Portugal 2026: queda nas vendas de casas entre 5% e 7% com desequil\u00edbrio entre oferta, pre\u00e7os e poder de compra"},"content":{"rendered":"<p><strong>O mercado de venda de casas em Portugal dever\u00e1 fechar o ano com uma queda entre 5 a 7%.<\/strong> Os sinais de retra\u00e7\u00e3o surgiram ainda no \u00faltimo trimestre de 2025 e estenderam-se pelos primeiros tr\u00eas meses de 2026, per\u00edodos em que se verificaram quebras hom\u00f3logas no n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es, 4,7% e 8,7%, respetivamente. Apesar do Instituto Nacional de Estat\u00edstica ainda n\u00e3o ter divulgado o comportamento da atividade no primeiro semestre, os agentes imobili\u00e1rios admitem j\u00e1 uma travagem do neg\u00f3cio. <strong>A causa n\u00e3o est\u00e1 na procura, que se mant\u00e9m robusta, mas no desequil\u00edbrio entre oferta, pre\u00e7o e poder de compra<\/strong>, dizem.<\/p>\n<p><strong>Alfredo Valente, CEO da Iad Portugal<\/strong>, reconhece que n\u00e3o \u00e9 &#8220;expect\u00e1vel um crescimento do mercado este ano&#8221;. As suas <strong>previs\u00f5es apontam &#8220;para uma diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es na ordem dos 5% a 7% face a 2025&#8221;<\/strong>. J\u00e1 <strong>Patr\u00edcia Bar\u00e3o, <\/strong><strong>Partner Residential<\/strong><strong> da Dils Portugal,<\/strong> real\u00e7a que &#8220;o mercado continua com uma procura muito forte&#8221;, mas os compradores demoram mais tempo a tomar decis\u00f5es e <strong>existe maior sensibilidade ao pre\u00e7o<\/strong>. Neste quadro, diz, &#8220;n\u00e3o antecipo um crescimento das transa\u00e7\u00f5es face a 2025&#8221;. <strong>Ricardo Sousa, CEO da Century 21<\/strong>, tem a mesma leitura: <strong>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 falta de procura. H\u00e1 uma dificuldade crescente em transformar procura em acesso efetivo \u00e0 habita\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>. Por isso, <strong>antecipa um ano \u201cprovavelmente abaixo<\/strong> do n\u00edvel de transa\u00e7\u00f5es <strong>de 2025\u201d<\/strong>. O CEO da Zome, Carlos Santos, prev\u00ea uma &#8220;estabiliza\u00e7\u00e3o&#8221; da atividade, condicionada &#8220;sobretudo pela disponibilidade de produto adequado \u00e0 procura e pela capacidade financeira das fam\u00edlias&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Uma vis\u00e3o mais otimista tem Beatriz Rubio, CEO da Re\/Max. Na sua opini\u00e3o, 2026 &#8220;revelar\u00e1 ser um ano de crescimento, ainda que num contexto de maior equil\u00edbrio e racionalidade do mercado&#8221;. A gestora acredita que &#8220;o n\u00famero de transa\u00e7\u00f5es dever\u00e1 registar uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel&#8221;. Certo \u00e9 que, <strong>na \u00faltima d\u00e9cada, a venda de im\u00f3veis apresentou crescimentos anuais sucessivos<\/strong>, excetuando os anos de 2000 (marcado pela covid-19) e de 2023 (subida da infla\u00e7\u00e3o e das taxas de juro, em consequ\u00eancia da guerra da Ucr\u00e2nia). No ano passado, foram vendidas 169.812 habita\u00e7\u00f5es, um crescimento de 8,6% face a 2025.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que o aumento do custo do cr\u00e9dito \u00e9 uma barreira \u00e0 compra de casa. O Banco Central Europeu aumentou os juros em junho e espera-se nova subida no pr\u00f3ximo m\u00eas. <strong>Alfredo Valente<\/strong> defende isso mesmo: <strong>a quebra nas transa\u00e7\u00f5es deve ser enquadrada &#8220;num contexto internacional ainda marcado pela incerteza e por riscos inflacionistas<\/strong>, ao qual se junta a expectativa de alguma estabilidade das taxas de juro, ainda que com possibilidade de uma ligeira subida at\u00e9 ao final do ano&#8221;.<\/p>\n<p>Mas <strong>a quest\u00e3o<\/strong> fulcral <strong>est\u00e1 no pre\u00e7o das casas<\/strong> que, no ano passado, subiu 17,6% e <strong>as previs\u00f5es apontam para novos aumentos<\/strong>. Como afirma Patr\u00edcia Bar\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de admitir uma &#8220;invers\u00e3o do ciclo de valoriza\u00e7\u00e3o, mas antes uma desacelera\u00e7\u00e3o progressiva do crescimento dos pre\u00e7os&#8221;. Carlos Santos tamb\u00e9m acredita em &#8220;alguma normaliza\u00e7\u00e3o&#8221;. No entanto, &#8220;enquanto a oferta n\u00e3o responder de forma mais consistente \u00e0 procura, continuar\u00e1 a existir press\u00e3o sobre os pre\u00e7os&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A realidade assim o comprova. Apesar da quebra de 8,7% no n\u00famero de casas vendidas <strong>no primeiro trimestre deste ano<\/strong> face ao mesmo per\u00edodo de 2025, <strong>o pre\u00e7o registou um aumento hom\u00f3logo de 17,8%<\/strong>. &#8220;A escassez estrutural de oferta continua a funcionar como um fator de suporte aos pre\u00e7os&#8221;, justifica Alfredo Valente. Com essa base, <strong>&#8220;o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 de estabiliza\u00e7\u00e3o ou crescimento muito moderado&#8221;<\/strong>, acrescenta. &#8220;Enquanto este desequil\u00edbrio estrutural persistir, ser\u00e1 dif\u00edcil assistir a corre\u00e7\u00f5es significativas dos pre\u00e7os&#8221;, frisa, por sua vez, Beatriz Rubio. Para Ricardo Sousa, o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 de \u201ccontinuidade da valoriza\u00e7\u00e3o, mas menos uniforme\u201d.<\/p>\n<p><strong>Retra\u00e7\u00e3o da procura internacional<\/strong><\/p>\n<p>Os compradores internacionais tamb\u00e9m d\u00e3o sinais de conten\u00e7\u00e3o na aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis em Portugal. <strong>H\u00e1 tr\u00eas anos consecutivos que se regista uma quebra nas vendas a pessoas com domic\u00edlio fiscal no estrangeiro.<\/strong> E o primeiro trimestre deste ano confirmou a tend\u00eancia, tendo-se observado uma queda hom\u00f3loga de 15,6%. Segundo Patr\u00edcia Bar\u00e3o, <strong>&#8220;h\u00e1 sinais de renova\u00e7\u00e3o da procura internacional, mas n\u00e3o de regresso ao padr\u00e3o de h\u00e1 alguns anos&#8221;<\/strong>. Os espanh\u00f3is t\u00eam-se destacado no seu interesse por Lisboa, tanto para investimento como para mudan\u00e7a de resid\u00eancia, os brasileiros continuam a ser um mercado muito relevante, particularmente no segmento de maior valor, e os norte-americanos mant\u00eam uma presen\u00e7a importante, aponta. Ricardo Sousa real\u00e7a tamb\u00e9m a chegada dos irlandeses ao mercado.<\/p>\n<p>J\u00e1 Carlos Santos sublinha que os principais mercados urbanos e tur\u00edsticos (Grande Lisboa, Algarve, \u00c1rea Metropolitana do Porto e Madeira) continuam a despertar o interesse dos estrangeiros. Cautelosos, os especialistas em imobili\u00e1rio contactados pelo DN preferem n\u00e3o antecipar previs\u00f5es sobre o comportamento das vendas a investidores internacionais. <strong>Patr\u00edcia Bar\u00e3o<\/strong>, ainda assim, antecipa: <strong>&#8220;N\u00e3o apresentaria ainda como facto que 2026 vai marcar uma invers\u00e3o definitiva de tr\u00eas anos de queda&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O grande desafio do mercado<\/strong> continua a ser <strong>&#8220;a oferta<\/strong>. E, dentro da oferta, a <strong>capacidade de colocar mais produto no mercado a pre\u00e7os compat\u00edveis com a procura&#8221;<\/strong>, sublinha Patr\u00edcia Bar\u00e3o. Este \u00e9 &#8220;o ponto central que atravessa todas as outras quest\u00f5es&#8221;, frisa ainda. Alfredo Valente defende tamb\u00e9m que a maior dificuldade \u00e9 &#8220;encontrar um novo equil\u00edbrio entre oferta e procura, num contexto em que a capacidade de compra est\u00e1 condicionada e a oferta continua estruturalmente limitada&#8221;. <\/p>\n<p><strong>Ricardo Sousa<\/strong> opta por colocar a t\u00f3nica no &#8221; acesso \u00e0 habita\u00e7\u00e3o\u201d, ou seja, <strong>\u201cn\u00e3o se trata apenas de construir mais casas, mas de garantir que a oferta que chega ao mercado responde \u00e0s necessidades reais das fam\u00edlias, nos locais certos e com pre\u00e7os compat\u00edveis com os seus rendimentos\u201d<\/strong>. Carlos Santos remata: &#8220;O verdadeiro risco para o mercado portugu\u00eas \u00e9 termos procura para comprar casa, mas cada vez menos fam\u00edlias com capacidade para aceder ao produto dispon\u00edvel&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O mercado de venda de casas em Portugal dever\u00e1 fechar o ano com uma queda entre 5 a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":504529,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[80853,88,48029,89,90,80848,10554,80850,28372,32,80849,80852,33,4437,80851],"class_list":["post-504528","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-acesso-a-habitacao","tag-business","tag-credito-habitacao","tag-economy","tag-empresas","tag-habitacao-portugal","tag-mercado-imobiliario","tag-oferta-imobiliaria","tag-poder-de-compra","tag-portugal","tag-precos-casas","tag-procura-internacional","tag-pt","tag-taxas-de-juro","tag-transacoes-imobiliarias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117178781260556636","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=504528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504528\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/504529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=504528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=504528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=504528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}