{"id":504835,"date":"2026-08-29T19:06:13","date_gmt":"2026-08-29T19:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504835\/"},"modified":"2026-08-29T19:06:13","modified_gmt":"2026-08-29T19:06:13","slug":"quando-eu-era-crianca-nao-havia-acucar-que-impacto-teve-isso-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504835\/","title":{"rendered":"&#8220;Quando eu era crian\u00e7a n\u00e3o havia a\u00e7\u00facar&#8221;. Que impacto teve isso na sa\u00fade?"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/white-granulated-sugar-spoon-background-pile-sugar-cubes-top-view-785657238.html\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">OlegDoroshenko \/ Depositphotos<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-707011 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/08c2768e094a654aedb5aee222d94499-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Investiga\u00e7\u00e3o analisou os impactos a longo prazo na sa\u00fade do racionamento de a\u00e7\u00facar na Gr\u00e3-Bretanha, nas d\u00e9cadas de 1940 e 1950. Inf\u00e2ncia marcada pela falta de a\u00e7\u00facar associada \u00e0 sa\u00fade mental, mais de meio s\u00e9culo depois.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando eu era crian\u00e7a n\u00e3o havia a\u00e7\u00facar, e veja como \u00e9ramos saud\u00e1veis\u201d.<\/p>\n<p>Parece um argumento de av\u00f3, mas um novo estudo encontrou resultados que confirmam essa intui\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as a um epis\u00f3dio hist\u00f3rico que ningu\u00e9m planeou como experi\u00eancia: o racionamento de alimentos no <strong>Reino Unido<\/strong> durante e ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Com as rotas de abastecimento brit\u00e2nicas amea\u00e7adas pela guerra, em 1940, o Governo adotou um sistema de racionamento que abrangeu v\u00e1rios alimentos de consumo quotidiano, incluindo o <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/tag\/acucar\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a\u00e7\u00facar<\/a>. A restri\u00e7\u00e3o prolongou-se por v\u00e1rios anos ap\u00f3s o fim do conflito e s\u00f3 terminou em setembro de 1953. A partir da\u00ed, o consumo m\u00e9dio de a\u00e7\u00facar praticamente duplicou, e a mudan\u00e7a abrupta criou, inadvertidamente, uma situa\u00e7\u00e3o excecional para os investigadores.<\/p>\n<p>Os n\u00edveis contrastantes de consumo de a\u00e7\u00facar na primeira inf\u00e2ncia de gera\u00e7\u00f5es t\u00e3o pr\u00f3ximas serviram de base a um estudo conduzido pelos economistas da sa\u00fade <strong>Chen Zhu<\/strong>, da Universidade Agr\u00edcola da China, e <strong>Weilong Zhang<\/strong>, da Universidade de Cambridge. Os investigadores analisaram dados de 64.761 pessoas nascidas na Gr\u00e3-Bretanha entre 1951 e 1956. As informa\u00e7\u00f5es vieram do <strong>UK Biobank<\/strong>, uma vasta base de dados que acompanha a sa\u00fade dos seus participantes ao longo de d\u00e9cadas. O trabalho foi <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2610287123\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">publicado<\/a> na revista PNAS.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o concentrou-se nos primeiros mil dias de vida, desde a conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao segundo anivers\u00e1rio. Trata-se de um per\u00edodo em que o metabolismo, os \u00f3rg\u00e3os e o sistema imunit\u00e1rio ainda est\u00e3o em desenvolvimento e em que come\u00e7am a formar-se as prefer\u00eancias alimentares.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, os nascidos antes do fim do racionamento passaram mais tempo com acesso limitado ao a\u00e7\u00facar durante esses primeiros mil dias; os nascidos depois, menos tempo.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00facar na inf\u00e2ncia e risco de cancro<\/p>\n<p>D\u00e9cadas mais tarde, as diferen\u00e7as revelaram-se significativas. Segundo os resultados do estudo, aqueles que estiveram sujeitos a um maior racionamento durante os primeiros mil dias de vida, ou seja, consumiram menos a\u00e7\u00facar, tiveram uma menor incid\u00eancia de cinco tipos de cancro.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 impressionante: chegava aos 69% no cancro do f\u00edgado e dos ductos biliares intra-hep\u00e1ticos, 52% no cancro da pr\u00f3stata, 41% no cancro do pulm\u00e3o, 40% no cancro do reto e 36% no cancro da mama.<\/p>\n<p>Estas diferen\u00e7as s\u00f3 se tornaram vis\u00edveis muito tempo depois do fim do racionamento. O estudo encontrou tamb\u00e9m ind\u00edcios de um envelhecimento biol\u00f3gico mais lento.<\/p>\n<p>Para investigar sinais desse processo ao n\u00edvel celular, os investigadores analisaram os <strong>tel\u00f3meros<\/strong> \u2014 estruturas dos cromossomas cujo comprimento tende a diminuir com a idade.<\/p>\n<p>As pessoas mais expostas ao racionamento durante aquela fase apresentavam tel\u00f3meros mais longos, uma diferen\u00e7a que, segundo Zhang explicou ao <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/babies-born-under-sugar-rationing-grew-into-adults-with-lower-cancer-risk-289873\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">The Conversation<\/a>, equivaleria a cerca de 2,2 anos a menos de envelhecimento biol\u00f3gico. Apresentavam tamb\u00e9m n\u00edveis mais baixos de granzima B, outro marcador relacionado com a atividade do sistema imunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Uma \u201ccicatriz\u201d que fica durante d\u00e9cadas<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as surgem tamb\u00e9m nos h\u00e1bitos alimentares da vida adulta. Meio s\u00e9culo depois, aqueles que tinham estado mais expostos ao racionamento nos primeiros mil dias de vida consumiam menos a\u00e7\u00facar e apresentavam um padr\u00e3o alimentar mais moderado, saud\u00e1vel e diversificado.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o compat\u00edveis com a hip\u00f3tese de que a exposi\u00e7\u00e3o precoce a sabores menos doces esteja associada a h\u00e1bitos alimentares mantidos ao longo da vida. Os investigadores sugerem que os dois fen\u00f3menos podem estar ligados.<\/p>\n<p>Segundo Zhang, parece existir uma via biol\u00f3gica, j\u00e1 que a nutri\u00e7\u00e3o inicial pode influenciar o desenvolvimento do metabolismo, dos \u00f3rg\u00e3os e do sistema imunit\u00e1rio, e outra via comportamental, ligada \u00e0s prefer\u00eancias de sabor que come\u00e7am a formar-se muito cedo e podem persistir durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Os resultados juntam-se a investiga\u00e7\u00f5es anteriores que analisaram o mesmo epis\u00f3dio hist\u00f3rico. Esses trabalhos associaram uma menor exposi\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar na inf\u00e2ncia a um menor risco posterior de diabetes tipo 2 e hipertens\u00e3o. Outros estudos identificaram ainda uma redu\u00e7\u00e3o do risco de dem\u00eancia e doen\u00e7a de Alzheimer, al\u00e9m de doen\u00e7as card\u00edacas e acidentes vasculares cerebrais.<\/p>\n<p>Causa ou coincid\u00eancia?<\/p>\n<p>O facto de diferentes estudos encontrarem associa\u00e7\u00f5es semelhantes a partir do mesmo epis\u00f3dio hist\u00f3rico refor\u00e7a o interesse pelos resultados, mas n\u00e3o elimina todas as d\u00favidas sobre a causalidade. Neste caso, o fim abrupto do racionamento permitiu aos autores tratar a situa\u00e7\u00e3o como uma experi\u00eancia natural e falar em \u201cevid\u00eancia causal\u201d. Ainda assim, n\u00e3o se trata de um ensaio cl\u00ednico controlado.<\/p>\n<p>Entre a exposi\u00e7\u00e3o precoce e os resultados observados d\u00e9cadas depois podem intervir outros fatores. Por isso, o estudo n\u00e3o demonstra que o a\u00e7\u00facar consumido antes dos dois anos de idade determine, por si s\u00f3, a sa\u00fade futura.<\/p>\n<p>O que os dados sugerem \u00e9 que a exposi\u00e7\u00e3o ao a\u00e7\u00facar durante uma fase especialmente sens\u00edvel do desenvolvimento pode ter consequ\u00eancias a longo prazo. Isso n\u00e3o significa eliminar completamente o a\u00e7\u00facar da alimenta\u00e7\u00e3o infantil nem transformar o racionamento do p\u00f3s-guerra num modelo nutricional.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica chama a aten\u00e7\u00e3o por outro motivo.<\/p>\n<p>Segundo o <a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/these-babies-grew-up-with-strict-sugar-limits-decades-later-the-results-are-dramatic\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Science Alert<\/a>, os n\u00edveis de consumo de a\u00e7\u00facar durante o racionamento eram semelhantes aos atualmente recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Isso coloca a restri\u00e7\u00e3o num contexto menos extremo do que a palavra \u201cracionamento\u201d pode sugerir e ajuda a explicar por que raz\u00e3o os seus efeitos continuam a ser relevantes para o debate contempor\u00e2neo sobre o consumo de a\u00e7\u00facar nos primeiros anos de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"OlegDoroshenko \/ Depositphotos Investiga\u00e7\u00e3o analisou os impactos a longo prazo na sa\u00fade do racionamento de a\u00e7\u00facar na Gr\u00e3-Bretanha,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":504836,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[13436,10172,2369,4614,1207,838,1490,116,736,1863,32,33,713,117,58],"class_list":["post-504835","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-2a-guerra-mundial","tag-acucar","tag-alimentacao","tag-biologia","tag-cancro","tag-criancas","tag-envelhecimento","tag-health","tag-historia","tag-nutricao","tag-portugal","tag-pt","tag-reino-unido","tag-saude","tag-sociedade"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117180366703790432","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=504835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504835\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/504836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=504835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=504835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=504835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}