{"id":504911,"date":"2026-08-29T20:54:19","date_gmt":"2026-08-29T20:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504911\/"},"modified":"2026-08-29T20:54:19","modified_gmt":"2026-08-29T20:54:19","slug":"as-pinturas-rupestres-mexem-se-faltava-acender-a-luz-certa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/504911\/","title":{"rendered":"As pinturas rupestres mexem-se. Faltava acender a luz certa"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Pedro Saura Ramos \/ Governo da Cant\u00e1bria<\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-762023\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/45c48cce2e2d7fbdea1afc51c7c6ad26-2-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Na gruta de El Castillo, em Espanha, pinturas em ocre vermelho retratam formas semelhantes a telhados do Paleol\u00edtico Superior<\/p>\n<p><strong>\u00c0 luz inst\u00e1vel de uma tocha, as paredes das cavernas podiam transformar-se: fissuras, sali\u00eancias e sombras faziam os animais pintados parecer surgir da pr\u00f3pria rocha.<\/strong><\/p>\n<p>As pinturas das cavernas pr\u00e9-hist\u00f3ricas podem ter sido muito mais do que imagens est\u00e1ticas nas paredes.<\/p>\n<p>Novas investiga\u00e7\u00f5es sugerem que, \u00e0 luz tremeluzente de tochas, os relevos naturais da rocha e as sombras faziam animais e figuras parecer ganhar vida, transformando grutas como El Castillo, no norte de Espanha, em experi\u00eancias imersivas.<\/p>\n<p>El Castillo foi visitada repetidamente por artistas entre h\u00e1 cerca de 13.000 e 41.000 anos. Nas zonas mais profundas e escuras deixaram gravuras e desenhos de animais, discos vermelhos, m\u00e3os em negativo e padr\u00f5es geom\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Quase 3.000 continuam leg\u00edveis, nota o cronista de ci\u00eancia <strong>Ben Crair<\/strong> num artigo na <a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/history\/prehistoric-paintings-walls-caves-have-always-been-moving-with-right-light-some-seem-move-180989276\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Smithsonian Magazine<\/a>.<\/p>\n<p>Para o arque\u00f3logo <strong>Eduardo Palacio P\u00e9rez<\/strong>, a gruta re\u00fane praticamente todos os temas conhecidos da arte rupestre paleol\u00edtica europeia.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, os arque\u00f3logos perguntaram sobretudo por que raz\u00e3o os humanos pr\u00e9-hist\u00f3ricos entravam em cavernas perigosas para fazer estas imagens.<\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es variaram: animais como totens de cl\u00e3s, s\u00edmbolos de fertilidade ou marcas produzidas por xam\u00e3s em estados alterados de consci\u00eancia. Muitos investigadores viram ainda o aparecimento da arte rupestre como sinal de uma nova capacidade para o pensamento simb\u00f3lico e abstrato.<\/p>\n<p><strong>Diego Garate<\/strong>, professor da Universidade da Cant\u00e1bria, come\u00e7ou a olhar para outra quest\u00e3o: o que sentiam e viam essas pessoas dentro das grutas?<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a ganhou for\u00e7a quando acendeu uma tocha numa caverna sem arte pr\u00e9-hist\u00f3rica, no Pa\u00eds Basco. A chama iluminava apenas poucos metros e a luz vermelha fazia as sombras moverem-se.<\/p>\n<p>\u201c<strong>A arte das cavernas n\u00e3o \u00e9 como um quadro na parede<\/strong>\u201c, concluiu.<\/p>\n<p>Outros arque\u00f3logos come\u00e7aram tamb\u00e9m a estudar a ilumina\u00e7\u00e3o, a localiza\u00e7\u00e3o das figuras, o som e o toque. O resultado \u00e9 uma vis\u00e3o da arte paleol\u00edtica como algo muito mais din\u00e2mico do que mostram as fotografias.<\/p>\n<p>Alguns investigadores chamaram-lhe um \u201c<strong>pr\u00e9-eco do cinema<\/strong>\u201c; outros compararam-na \u00e0 arte de instala\u00e7\u00e3o moderna. As m\u00e3os em negativo de El Castillo ajudam a perceber essa rela\u00e7\u00e3o f\u00edsica com a gruta.<\/p>\n<p>Num <a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/antiquity\/article\/abs\/new-views-on-old-hands-the-context-of-stencils-in-el-castillo-and-la-garma-caves-cantabria-spain\/B3D0CF5D4C385ADBBDA23EB25B94F94B\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> publicado em 2015 na Antiquity, <strong>Paul Pettitt<\/strong> e colegas descobriram que a maioria foi colocada junto de fissuras, ondula\u00e7\u00f5es ou curvas c\u00f4ncavas da parede.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o sugere que as m\u00e3os podiam servir para dar apoio a quem avan\u00e7ava pela escurid\u00e3o. Mais tarde, quando come\u00e7aram a representar animais, h\u00e1 cerca de 35.000 anos, os artistas continuaram a aproveitar as formas naturais da rocha.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">Pedro Saura Ramos \/ Governo da Cant\u00e1bria<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-762025 \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d3d9446802a44259755d38e6d163e820-1-900x900.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Para criar a arte manual de El Castillo, os nossos antepassados \u200b\u200bpodem ter colocado os pigmentos na boca e depois cuspido a tinta para marcar o contorno das m\u00e3os<\/p>\n<p>No <strong>Painel Policromado,<\/strong> uma sali\u00eancia faz as costas de um grande bisonte parecerem musculadas. Noutras cavernas, fendas completam hastes e relevos sugerem o dorso de cavalos.<\/p>\n<p>\u00c0 luz de uma tocha, os animais poderiam parecer surgir das fissuras e voltar a desaparecer.<\/p>\n<p>Pettitt e Derek Hodgson defendem que o sistema visual dos ca\u00e7adores paleol\u00edticos, treinado para reconhecer animais grandes mesmo parcialmente escondidos, poderia lev\u00e1-los a identificar formas animais nas superf\u00edcies irregulares das cavernas.<\/p>\n<p><strong>Izzy Wisher<\/strong>, da Universidade de Aarhus, chegou a uma conclus\u00e3o semelhante: aquilo que estamos habituados a ver pode levar o c\u00e9rebro a encontrar formas familiares em est\u00edmulos amb\u00edguos.<\/p>\n<p>Um dos exemplos mais intrigantes \u00e9 o chamado \u201c<strong>homem-bisonte<\/strong>\u201c, desenhado numa estalagmite. O artista trabalhou a pedra para dar volume aos joelhos e \u00e0s coxas.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">Pedro Saura Ramos \/ Governo da Cant\u00e1bria<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-762026 \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/6512bd43d9caa6e02c990b0a82652dca-3-900x900.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Numa sali\u00eancia rochosa que faz lembrar a cabe\u00e7a de um bisonte em El Castillo, um artista pr\u00e9-hist\u00f3rico fez marcas simples para evocar olhos e uma narina<\/p>\n<p>Quando Garate apontou uma lanterna para a figura, surgiu na parede oposta uma sombra semelhante a um bisonte sobre duas pernas. Ao mover a luz, a figura parecia caminhar.<\/p>\n<p>Garate n\u00e3o sabe se o efeito foi intencional: uma tocha paleol\u00edtica talvez n\u00e3o produzisse luz suficiente.<\/p>\n<p>Noutra zona est\u00e1 a \u201c<strong>M\u00e1scara de El Castillo<\/strong>\u201c. A pr\u00f3pria rocha tem a forma de uma cabe\u00e7a de bisonte. O artista acrescentou apenas um c\u00edrculo preto para o olho e um tra\u00e7o para a narina. Duas marcas bastaram para transformar a pedra num animal.<\/p>\n<p>A parede n\u00e3o era apenas o suporte da arte. Fazia parte dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pedro Saura Ramos \/ Governo da Cant\u00e1bria Na gruta de El Castillo, em Espanha, pinturas em ocre vermelho&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":504912,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[85],"tags":[3504,114,115,8666,32,33],"class_list":["post-504911","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento","tag-arqueologia","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-paleoantropologia","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117180791426401586","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=504911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/504911\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/504912"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=504911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=504911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=504911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}