{"id":505557,"date":"2026-08-30T14:23:48","date_gmt":"2026-08-30T14:23:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/505557\/"},"modified":"2026-08-30T14:23:48","modified_gmt":"2026-08-30T14:23:48","slug":"estudo-traz-otimismo-sobre-tratamento-para-autismo-28-08-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/505557\/","title":{"rendered":"Estudo traz otimismo sobre tratamento para autismo &#8211; 28\/08\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas descobriram uma s\u00e9rie de pistas sobre como muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas levam a formas graves de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/autismo\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">autismo<\/a>, abrindo caminho para testar <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicamentos\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">medicamentos<\/a> que poderiam tratar a condi\u00e7\u00e3o, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (27).<\/p>\n<p>Os pesquisadores mapearam como as muta\u00e7\u00f5es alteram a maneira como as prote\u00ednas interagem nas c\u00e9lulas, modificando o desenvolvimento do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>&#8220;Isso equivale a mapear territ\u00f3rios desconhecidos, o que \u00e9 realmente necess\u00e1rio para fazer a biologia avan\u00e7ar&#8221;, disse Dan Geschwind, neurogeneticista da UCLA que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p>Pesquisadores estudam o autismo h\u00e1 mais de 80 anos, mas foi apenas recentemente que conseguiram explorar sua biologia molecular. Um dos motivos para o progresso lento \u00e9 que o autismo n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o \u00fanica, mas um amplo espectro de condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pessoas com autismo podem apresentar dificuldades com a linguagem e na forma\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais, al\u00e9m de exibir comportamentos restritos ou repetitivos. Embora muitas crian\u00e7as com diagn\u00f3stico de autismo possam crescer e levar uma vida adulta independente, outras podem n\u00e3o desenvolver a fala, apresentar defici\u00eancia intelectual e necessitar de cuidados em tempo integral.<\/p>\n<p>No entanto, em cerca de 30% das pessoas com autismo \u2014aquelas com as defici\u00eancias mais severas\u2014, cientistas identificaram muta\u00e7\u00f5es em um \u00fanico gene que provavelmente est\u00e3o associadas ao transtorno.<\/p>\n<p>Quando esses genes foram descobertos, h\u00e1 20 anos, os cientistas esperavam ansiosamente encontrar tratamentos precisos para formas graves de autismo. Mas os esfor\u00e7os n\u00e3o resultaram em nenhum tratamento eficaz direcionado a um gene espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Matthew State, psiquiatra da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco e um dos autores do novo estudo, afirmou ter ficado claro que os cientistas precisavam compreender muito mais profundamente o que as muta\u00e7\u00f5es fazem no c\u00e9rebro antes de pensar em criar medicamentos para tratar o autismo.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pesquisadores da \u00e1rea do autismo est\u00e3o agora tentando preencher essa lacuna. Geschwind e seus colegas, por exemplo, est\u00e3o analisando como os genes s\u00e3o ativados e desativados em neur\u00f4nios que apresentam muta\u00e7\u00f5es ligadas ao autismo. Outros, incluindo State, t\u00eam investigado a fun\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas codificadas por esses genes.<\/p>\n<p>Quando um gene produz uma prote\u00edna dentro de uma c\u00e9lula, essa prote\u00edna quase nunca atua sozinha. Para entender a fun\u00e7\u00e3o de uma prote\u00edna, \u00e9 preciso conhecer as outras prote\u00ednas com as quais ela interage. No novo estudo, State e seus colegas selecionaram 100 prote\u00ednas fortemente associadas a formas graves de autismo e buscaram identificar suas parceiras moleculares.<\/p>\n<p>Os pesquisadores injetaram cada prote\u00edna em um lote de c\u00e9lulas e permitiram que elas se unissem a outras prote\u00ednas. Em seguida, isolaram as prote\u00ednas associadas ao autismo \u2014junto de qualquer prote\u00edna parceira que estivesse ligada a elas.<\/p>\n<p>Essa busca revelou mais de mil prote\u00ednas que s\u00e3o parceiras das 100 prote\u00ednas ligadas ao autismo.<\/p>\n<p>Muitas dessas intera\u00e7\u00f5es nunca haviam sido documentadas. &#8220;H\u00e1 uma enorme quantidade de material aqui para futuras investiga\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Jonathan Sebat, geneticista da Universidade da Calif\u00f3rniaem San Diego, que n\u00e3o participou do estudo.<\/p>\n<p>Experimentos adicionais revelaram que muta\u00e7\u00f5es ligadas ao autismo alteram a forma como essas prote\u00ednas se unem. Em alguns casos, a muta\u00e7\u00e3o tornava um par de prote\u00ednas &#8220;pegajoso&#8221;, fazendo com que elas se mantivessem unidas com mais for\u00e7a. Em outros casos, a muta\u00e7\u00e3o as tornava &#8220;escorregadias&#8221;, fazendo com que as prote\u00ednas tendessem a se separar.<\/p>\n<p>Os cientistas suspeitam que essas altera\u00e7\u00f5es afetam a maneira como os neur\u00f4nios se desenvolvem no c\u00e9rebro. &#8220;Acredito que esses sejam fatores determinantes da doen\u00e7a&#8221;, disse Nevan Krogan, bi\u00f3logo molecular da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco e um dos autores do novo estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ent\u00e3o selecionaram algumas muta\u00e7\u00f5es para estudar em detalhes, a fim de verificar se essa hip\u00f3tese era verdadeira. Em um experimento, concentraram-se em um par de genes chamados FOXP1 e FOXP4, que se tornam ativos durante o desenvolvimento do c\u00e9rebro. Normalmente, as duas prote\u00ednas se unem e depois se ligam a certos genes, ativando-os para que a c\u00e9lula possa se dividir e produzir novas c\u00e9lulas cerebrais.<\/p>\n<p>Uma muta\u00e7\u00e3o ligada ao autismo altera a forma da prote\u00edna FOXP1. Krogan e seus colegas descobriram que a muta\u00e7\u00e3o remove a &#8220;cola molecular&#8221; que mant\u00e9m a FOXP1 e a FOXP4 unidas.<\/p>\n<p>Por si s\u00f3, a FOXP1 continua ativando os genes corretos para o desenvolvimento normal do c\u00e9rebro. No entanto, a FOXP4, agora liberada, &#8220;age de forma descontrolada&#8221;, disse Krogan.<\/p>\n<p>A prote\u00edna FOXP4 descontrolada liga-se a outros genes que deveriam permanecer inativos e os ativa. O resultado \u00e9 devastador: a c\u00e9lula n\u00e3o consegue mais se dividir adequadamente. Krogan e seus colegas argumentam que essa altera\u00e7\u00e3o na forma como as c\u00e9lulas cerebrais se dividem pode ser o mecanismo pelo qual algumas muta\u00e7\u00f5es contribuem para o surgimento do autismo.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o detalhada de como as muta\u00e7\u00f5es associadas ao autismo funcionam oferece aos cientistas novas ideias sobre como reverter seus efeitos. Um medicamento poderia, por exemplo, atuar como uma &#8220;cola molecular&#8221; para unir novamente as prote\u00ednas FOXP1 e FOXP4. Outra estrat\u00e9gia seria impedir que as prote\u00ednas FOXP4 se ligassem ao DNA, evitando, assim, que causassem danos.<\/p>\n<p>Caso os cientistas descubram um medicamento capaz de reverter a muta\u00e7\u00e3o da FOXP1, \u00e9 poss\u00edvel que ele seja eficaz apenas para pessoas que apresentem essa muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Se isso se confirmar, a busca por tratamentos para formas graves de autismo poder\u00e1 se tornar um processo \u00e1rduo, exigindo que os cientistas identifiquem um medicamento diferente para cada altera\u00e7\u00e3o molecular.<\/p>\n<p>Ensaios cl\u00ednicos semelhantes est\u00e3o em andamento para identificar poss\u00edveis tratamentos gen\u00e9ticos voltados para muta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>State argumentou, no entanto, que essa busca talvez n\u00e3o seja t\u00e3o dif\u00edcil. Ele e seus colegas descobriram que muitas das 100 prote\u00ednas ligadas ao autismo compartilhavam parceiros de intera\u00e7\u00e3o, o que sugere que elas integram as mesmas redes biol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos selecionando elementos aleat\u00f3rios&#8221;, afirmou State. &#8220;Elas s\u00e3o biologicamente coerentes.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas descobriram uma s\u00e9rie de pistas sobre como muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas levam a formas graves de autismo, abrindo caminho&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":505558,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[3987,4288,109,107,108,236,3083,1208,32,33,117,1030,896,105,103,104,106,110,1822],"class_list":["post-505557","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-autismo","tag-cerebro","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-folha","tag-medicamentos","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-saude-publica","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-the-new-york-times"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117184919478644025","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/505557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=505557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/505557\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/505558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=505557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=505557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=505557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}