{"id":506241,"date":"2026-08-31T08:54:24","date_gmt":"2026-08-31T08:54:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506241\/"},"modified":"2026-08-31T08:54:24","modified_gmt":"2026-08-31T08:54:24","slug":"menos-palantir-mais-europa-onde-entra-portugal-na-corrida-pela-soberania-digital-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506241\/","title":{"rendered":"Menos Palantir, mais Europa. Onde entra Portugal na corrida pela soberania digital? \u2013 ECO"},"content":{"rendered":"<p> A Europa quer reduzir a depend\u00eancia da Palantir, enquanto tenta criar alternativas europeias. Em Portugal, a soberania digital levanta outra quest\u00e3o: onde pode o pa\u00eds encaixar nesta corrida? <\/p>\n<p>Durante anos, a <strong>Europa habituou-se a depender de tecnologia norte-americana para algumas das fun\u00e7\u00f5es mais cr\u00edticas<\/strong> da sua economia e seguran\u00e7a. A depend\u00eancia tornou-se t\u00e3o natural que, em muitos casos, a discuss\u00e3o sobre quem desenvolveu o software, quem controla a \u201cm\u00e1quina\u201d ou quem pode aceder aos dados passou para segundo plano. <strong>Agora, essa rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser posta em causa. Com a Europa a colocar na ordem de prioridades de seguran\u00e7a a soberania digital dos blocos americano e chin\u00eas. Numa luta entre blocos, que papel pode ter Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>O tema da soberania digital em temas de defesa \u2014 e da depend\u00eancia europeia da tecnologia de terceiros \u2014 \u00e9, particularmente, not\u00f3rio no <strong>caso da Palantir.<\/strong> A empresa americana de an\u00e1lise de dados e intelig\u00eancia artificial (IA) \u00e9 <strong>fornecedora de algumas das organiza\u00e7\u00f5es mais sens\u00edveis do bloco europeu, desde servi\u00e7os de informa\u00e7\u00f5es e for\u00e7as de seguran\u00e7a at\u00e9 sistemas de sa\u00fade<\/strong>. Fundada em 2003 com o objetivo de ajudar ag\u00eancias de informa\u00e7\u00f5es a utilizar dados de forma segura, hoje os seus produtos <strong>Gotham<\/strong> \u2014 sistema operacional de tomada de decis\u00f5es \u2014 e <strong>Foundry \u2014<\/strong> sistema operacional baseado em ontologia para empresas \u2014 s\u00e3o utilizados por governos em muitas parte do mundo para analisar e responder a amea\u00e7as de seguran\u00e7a nacional, pode ler-se no <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.palantir.com\/\" rel=\"nofollow noopener\">site<\/a> da companhia.<\/p>\n<p>O problema que agora bate \u00e0 porta das capitais europeias n\u00e3o \u00e9 saber se a tecnologia funciona. A quest\u00e3o \u00e9 outra: <strong>at\u00e9 que ponto uma Europa que depende de tecnologia desenvolvida por empresas fora do continente pode considerar-se verdadeiramente soberana quando est\u00e3o em causa os seus dados, a sua defesa e a sua seguran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>O sistema f\u00edsico \u00e9 importante, naturalmente, mas a verdadeira diferencia\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais na autonomia, no software, nos sensores, nas comunica\u00e7\u00f5es, na fus\u00e3o de dados e na intelig\u00eancia que permite tomar melhores decis\u00f5es. \u00c9 por isso que a soberania deve ser pensada para al\u00e9m do hardware.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tRui Lobo<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Diretor da Tekever do sul da Europa<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>A pergunta tornou-se mais urgente \u00e0 medida que a IA passou de uma promessa tecnol\u00f3gica para uma ferramenta operacional. Em mar\u00e7o <strong>nos Estados Unidos, o sistema Maven, desenvolvido em grande parte pela Palantir, foi transformado num programa oficial do Pent\u00e1gono<\/strong>, garantindo financiamento e utiliza\u00e7\u00e3o de longo prazo pelas For\u00e7as Armadas norte-americanas. O sistema \u00e9 usado para <strong>processar dados provenientes de sat\u00e9lites, drones, radares e outros sensores e apoiar a identifica\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imprescind\u00edvel que invistamos agora e com foco para aprofundar a integra\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial em toda a For\u00e7a Conjunta e estabelecer a tomada de decis\u00f5es habilitada por IA como a pedra angular da nossa estrat\u00e9gia\u201d, afirmou o subsecret\u00e1rio de Defesa norte-americano Steve Feinberg numa carta direcionada ao Pent\u00e1gono e aos comandantes militares dos EUA, citado pela <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.reuters.com\/technology\/pentagon-adopt-palantir-ai-as-core-us-military-system-memo-says-2026-03-20\/\" rel=\"nofollow noopener\">Reuters<\/a>.<\/p>\n<p>A Palantir tem desde 2008 uma parceria com o Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, com as solu\u00e7\u00f5es de software a serem \u201cimplementadas em praticamente todas as \u00e1reas de miss\u00e3o do Ex\u00e9rcito, garantindo que os dados estejam acess\u00edveis em todos os escal\u00f5es para uma tomada de decis\u00e3o r\u00e1pida e \u00e1gil, permitindo que o combatente supere o advers\u00e1rio em intelig\u00eancia e velocidade\u201d, explicita a Palantir no seu <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.palantir.com\/offerings\/defense\/army\/\" rel=\"noopener nofollow\">site<\/a>. E a <strong>tecnologia de IA da Palantir tem sido usada pelo Pent\u00e1gono para acelerar a defini\u00e7\u00e3o de alvos no conflito do Ir\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/05\/12\/zelensky-procura-reforcar-defesa-com-ia-da-norte-americana-palantir\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Zelensky procura refor\u00e7ar defesa com IA da Palantir<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o do Palantir pelo Pent\u00e1gono mostra at\u00e9 onde chegou a integra\u00e7\u00e3o entre an\u00e1lise de dados e opera\u00e7\u00f5es militares. A<strong> guerra moderna est\u00e1 cada vez mais dependente da capacidade de recolher informa\u00e7\u00e3o<\/strong><strong> e tomar decis\u00f5es rapidamente. <\/strong>\u201cAs necessidades das for\u00e7as armadas n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticas. Doutrinas, amea\u00e7as e ambientes operacionais mudam muito rapidamente\u201d, destaca Rui Lobo, diretor da Tekever para a Europa do Sul, ao ECO\/eRadar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos simplesmente a construir aeronaves: estamos a construir computadores com asas. O sistema f\u00edsico \u00e9 importante, naturalmente, mas a verdadeira diferencia\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais na autonomia, no software, nos sensores, nas comunica\u00e7\u00f5es, na fus\u00e3o de dados e na intelig\u00eancia que permite tomar melhores decis\u00f5es. \u00c9 por isso que <strong>a soberania deve ser pensada para al\u00e9m do hardware<\/strong>\u201c, refor\u00e7a Rui Lobo.<\/p>\n<p>A Palantir tamb\u00e9m continua exponencialmente a crescer. No in\u00edcio de agosto, a empresa <strong>reviu em alta a previs\u00e3o de receitas para 2026 para, pelo menos, 8,15 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares <\/strong>(pouco mais de 7 mil milh\u00f5es de euros), impulsionada pela procura por ferramentas de an\u00e1lise de dados e IA, sobretudo nos Estados Unidos. \u201cO nosso neg\u00f3cio est\u00e1 a crescer a uma velocidade e escala que nunca vimos antes\u201d, <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.reuters.com\/technology\/palantir-raises-annual-revenue-forecast-strong-demand-us-government-commercial-2026-08-03\/\" rel=\"nofollow noopener\">assinalou o CEO da empresa<\/a> com sede em Denver, Alex Karp. As <strong>vendas ao Governo norte-americano cresceram 90% no segundo trimestre<\/strong>, para 809 milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 702 milh\u00f5es de euros).<\/p>\n<p>Enquanto a Europa discute como reduzir a depend\u00eancia, <strong style=\"font-size: 17px;\" data-start=\"3522\" data-end=\"3656\">a empresa continua a ganhar escala e a aprofundar a integra\u00e7\u00e3o da sua tecnologia em \u00e1reas cr\u00edticas<\/strong>.<\/p>\n<p>A \u201ccaixa m\u00e1gica\u201d que transforma dados em decis\u00f5es<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"3713\" data-end=\"4146\">Parte do sucesso da Palantir est\u00e1 precisamente na forma como apresenta uma tecnologia que, para o utilizador final, pode parecer simples. <strong>Grandes quantidades de informa\u00e7\u00e3o provenientes de sistemas diferentes s\u00e3o integradas numa \u00fanica arquitetura<\/strong>, relacionadas entre si e disponibilizadas de forma a permitir que uma organiza\u00e7\u00e3o encontre rela\u00e7\u00f5es, padr\u00f5es e respostas anteriormente dispersos por diferentes bases de dados.<\/p>\n<p data-start=\"4148\" data-end=\"4510\">\u00c9 uma l\u00f3gica particularmente \u00fatil para organiza\u00e7\u00f5es onde a informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 fragmentada. Uma ag\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es pode cruzar pessoas, ve\u00edculos, localiza\u00e7\u00f5es e eventos; <strong>uma for\u00e7a militar pode relacionar imagens de sat\u00e9lite, radares, drones ou informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia<\/strong>; uma empresa pode juntar dados de produ\u00e7\u00e3o, log\u00edstica, clientes e cadeia de abastecimento.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>O que os americanos fazem eu tamb\u00e9m consigo copiar. Isto n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel porque no dia que conseguirmos copiar, quando quisermos copiar, eles j\u00e1 est\u00e3o mais avan\u00e7ados. Isso significa que a economia europeia tamb\u00e9m vai estar atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m tem capital como os Estados Unidos e eles conseguem com isso desenvolver tecnologia topo de gama. Os europeus est\u00e3o aqui \u2018entalados\u2019. N\u00e3o temos dinheiro e somos lentos.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tAndr\u00e9 Godinho Luz<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">CEO da Infinite Foundry<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p data-start=\"4512\" data-end=\"5006\">O segredo est\u00e1 menos num \u00fanico algoritmo do que na arquitetura que permite ligar os diferentes dados e sistemas. A pr\u00f3pria <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.palantir.com\/docs\/foundry\/object-link-types\/enable-gotham-integration\" rel=\"nofollow noopener\">documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/a> da Palantir descreve o <strong>ontology \u2014<\/strong> software operacional que transforma dados brutos de uma empresa num \u201cg\u00e9meo digital\u201d do mundo real \u2014 como uma <strong>camada que d\u00e1 uma representa\u00e7\u00e3o unificada aos diferentes tipos de informa\u00e7\u00e3o e permite relacionar objetos, eventos e documentos<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"4512\" data-end=\"5006\">\u00c9 precisamente este ponto que Andr\u00e9 Godinho Luz, CEO da Infinite Foundry, considera decisivo. \u201cO que os americanos fazem eu tamb\u00e9m consigo copiar. <strong>Isto n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel porque no dia que conseguirmos copiar, quando quisermos copiar, eles [os norte-americanos] j\u00e1 est\u00e3o mais avan\u00e7ados<\/strong>. Isso significa que a economia europeia tamb\u00e9m vai estar atr\u00e1s. Temos a s\u00edndrome de copiar os americanos\u201d, afirma ao ECO\/eRadar.<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"5357\" data-end=\"5495\">Para o empres\u00e1rio, <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/03\/17\/exercito-cria-gemeos-digitais-para-acelerar-decisao-no-terreno-e-no-apoio-a-calamidades\/\" rel=\"nofollow noopener\">cuja empresa est\u00e1 envolvida no projeto AMIDA-UT para a cria\u00e7\u00e3o de g\u00e9meos digitais de ambientes urbanos para antecipar cen\u00e1rios de resposta operacional no terreno<\/a>, o <strong>problema europeu come\u00e7a antes da tecnologia. Est\u00e1 na capacidade financeira<\/strong> para desenvolver e escalar essas solu\u00e7\u00f5es. \u201cNingu\u00e9m tem capital como os Estados Unidos e eles conseguem com isso desenvolver tecnologia topo de gama. Os europeus est\u00e3o aqui \u2018entalados\u2019. N\u00e3o temos dinheiro e somos lentos.\u201d<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"952\" height=\"536\" class=\"size-full wp-image-1751333\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cropped-inteligencia-artificial.png\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"5704\" data-end=\"6065\">\u00c9 uma diferen\u00e7a que se torna especialmente importante na IA. Os grandes modelos norte-americanos, desenvolvidos por empresas como OpenAI e Anthropic, podem ser ligados \u00e0s bases de dados de uma organiza\u00e7\u00e3o para gerar informa\u00e7\u00e3o e automatizar tarefas. A Palantir vai um passo al\u00e9m ao colocar essa capacidade dentro de uma arquitetura pr\u00f3pria de dados e opera\u00e7\u00f5es. \u201cO que a Palantir fez e faz foi perceber que, <strong>se eu chegar e tu despejares todos os teus dados para a minha caixa m\u00e1gica, vais saber muito mais coisas e, com isso, conseguir ser muito mais r\u00e1pido a tomar decis\u00f5es<\/strong>\u201d, sintetizou Andr\u00e9 Godinho Luz.<\/p>\n<p>Quando os dados deixam de ser apenas dados<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"6840\" data-end=\"7114\">A integra\u00e7\u00e3o de IA em sistemas empresariais e p\u00fablicos criou uma nova corrida para modernizar software que, em alguns casos, tem d\u00e9cadas. O mesmo acontece com organiza\u00e7\u00f5es que possuem enormes volumes de informa\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o t\u00eam capacidade interna para os tratar ou relacionar. Para Godinho Luz, <strong>a tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 precisamente essa: entregar a informa\u00e7\u00e3o a uma plataforma que consegue organiz\u00e1-la rapidamente<\/strong>. \u201c\u00c9 demasiado tentador e \u00e9 f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/07\/07\/especialistas-argumentam-que-a-europa-deveria-apostar-na-ia-industrial-com-base-nos-seus-proprios-dados\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Europa deve apostar na IA industrial com dados pr\u00f3prios<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"7279\" data-end=\"7519\">O problema surge quando a informa\u00e7\u00e3o integrada deixa de ser apenas informa\u00e7\u00e3o operacional e passa a incluir <strong data-start=\"7389\" data-end=\"7518\">segredos industriais, dados comerciais, informa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a ou elementos sobre o funcionamento interno de uma organiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u201cO risco de entregar os meus segredos para algu\u00e9m que eu n\u00e3o sei o que \u00e9 que vai fazer com aquilo, \u00e9 extremamente elevado\u201d, vinca o diretor executivo da Infinite Foundry.<\/p>\n<p data-start=\"7657\" data-end=\"7838\">\u00c9 aqui que uma distin\u00e7\u00e3o importante entra no debate: <strong data-start=\"7710\" data-end=\"7837\">ter os dados dentro de uma infraestrutura europeia n\u00e3o \u00e9 necessariamente o mesmo que controlar a tecnologia que os processa<\/strong>. \u201cExiste o medo da Palantir usar os europeus. N\u00e3o queremos \u2018dar o ouro ao bandido\u2019 porque isto \u00e9 t\u00e3o estrat\u00e9gico globalmente. \u00c9 quase como se fosse uma arma nuclear. Quem a tiver vai ter uma vantagem competitiva relativamente a toda a gente\u201d, acrescenta Andr\u00e9 Godinho Luz.<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"8515\" data-end=\"8613\">Ant\u00f3nio Gameiro Marques, antigo diretor do Gabinete Nacional de Seguran\u00e7a, considera que a quest\u00e3o \u00e9 mais abrangente. \u201cNormalmente falamos nos dados, mas h\u00e1 tamb\u00e9m os metadados. Os metadados tamb\u00e9m s\u00e3o dados, mas s\u00e3o dados sobre os dados\u201d, refere ao ECO\/eRadar.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Dificilmente agarr\u00e1vamos no nosso dinheiro e o p\u00fanhamos em bancos americanos a n\u00e3o ser que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos bancos europeus ou portugueses. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que fazemos isso com os nossos dados? A Comiss\u00e3o Europeia acordou para isso e os pr\u00f3prios Estados-membros tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tContra-almirante Ant\u00f3nio Gameiro Marques<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Antigo diretor do Gabinete Nacional de Seguran\u00e7a<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"8857\" data-end=\"9145\">Os dados sobre uma pessoa podem incluir a pr\u00f3pria informa\u00e7\u00e3o pessoal, enquanto os metadados permitem saber quando determinada informa\u00e7\u00e3o foi criada, onde foi produzida, com que frequ\u00eancia \u00e9 consultada ou que comportamentos lhe est\u00e3o associados. \u201c<strong>Se algu\u00e9m depois quiser perceber comportamentos para intercetar ou tirar partido vai aos metadados, n\u00e3o vai aos dados.<\/strong>\u201d<\/p>\n<p class=\"PDq2pG_selectionAnchorContainer\" data-start=\"9269\" data-end=\"9537\">Uma arquitetura tecnol\u00f3gica n\u00e3o precisa necessariamente de transferir todo o conte\u00fado de uma base de dados para gerar informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica sobre quem a utiliza. <strong>Os padr\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o podem, por si s\u00f3, revelar informa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/06\/03\/dos-chips-a-ia-novo-pacote-da-comissao-aposta-tudo-na-soberania-tecnologica-europeia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Novo pacote da Comiss\u00e3o aposta tudo na soberania europeia<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p data-start=\"9539\" data-end=\"9760\">\u201cDificilmente agarr\u00e1vamos no nosso dinheiro e o p\u00fanhamos em bancos americanos a n\u00e3o ser que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos bancos europeus ou portugueses. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que fazemos isso com os nossos dados?\u201d, questiona Gameiro Marques. \u201cA Comiss\u00e3o Europeia acordou para isso e os pr\u00f3prios Estados-membros tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>Europa acordou mas o \u201cdespertador\u201d tocou tarde<\/p>\n<p data-start=\"8857\" data-end=\"9145\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/06\/03\/dos-chips-a-ia-novo-pacote-da-comissao-aposta-tudo-na-soberania-tecnologica-europeia\/\" rel=\"nofollow noopener\">A Comiss\u00e3o Europeia apresentou, a 3 de junho, o European Technological Sovereignty Package<\/a> para <strong>aumentar a soberania tecnol\u00f3gica da UE, abordando a depend\u00eancia de fornecedores norte-americanos e chineses<\/strong>. As medidas tocam um vasto leque de \u00e1reas, como os semicondutores (vulgarmente chamados de chips), a computa\u00e7\u00e3o na nuvem, o desenvolvimento de intelig\u00eancia artificial (IA), o uso de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de c\u00f3digo aberto (open source) e a digitaliza\u00e7\u00e3o do setor energ\u00e9tico, entre muitas outras. O objetivo declarado \u00e9 reduzir depend\u00eancias de fornecedores externos e aumentar a capacidade europeia para desenvolver, implementar e proteger tecnologias cr\u00edticas.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a foi um dos pa\u00edses que decidiu transformar o discurso em pol\u00edtica concreta. Em junho, <strong><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/06\/17\/franca-troca-norte-americana-palantir-por-alternativa-europeia\/\" rel=\"nofollow noopener\">Paris rescindiu o contrato com a norte-americana de an\u00e1lise de dados e substitui-a pela francesa ChapsVision<\/a> na Dire\u00e7\u00e3o-Geral de Seguran\u00e7a Interna<\/strong> (DGSI), ap\u00f3s anos a utilizar a plataforma norte-americana.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/06\/17\/franca-troca-norte-americana-palantir-por-alternativa-europeia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Fran\u00e7a troca americana Palantir por alternativa europeia<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi apresentada pelo Governo franc\u00eas como parte de uma estrat\u00e9gia de soberania tecnol\u00f3gica. O pr\u00f3prio primeiro-ministro franc\u00eas, S\u00e9bastien Lecornu, afirmou que a <strong>Fran\u00e7a n\u00e3o pode depender da \u201cboa vontade de alguns parceiros\u201d estrangeiros<\/strong> e defendeu o desenvolvimento de ferramentas europeias. O executivo adiantou que o pa\u00eds <strong>planeia investir mais de 655 milh\u00f5es de euros em intelig\u00eancia artificial at\u00e9 2030 e disponibilizar um assistente de IA aos funcion\u00e1rios do governo<\/strong>, desenvolvido pela francesa Mistral.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>A Europa tem uma base tecnol\u00f3gica, cient\u00edfica e industrial muito forte, mas continua a existir depend\u00eancia externa em algumas capacidades cr\u00edticas. A coopera\u00e7\u00e3o com aliados continuar\u00e1 a ser fundamental para a seguran\u00e7a europeia. Esse \u00e9 um desafio simultaneamente tecnol\u00f3gico e industrial. N\u00e3o basta desenvolver boa tecnologia: \u00e9 necess\u00e1rio criar capacidade de produ\u00e7\u00e3o, conhecimento, cadeias de fornecimento e compet\u00eancias dentro da Europa, e faz\u00ea-lo a uma escala compat\u00edvel com as necessidades atuais de defesa e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tRui Lobo<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Diretor da Tekever para a Europa do Sul<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Na Alemanha, o debate ganhou uma dimens\u00e3o semelhante. <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/04\/15\/alemanha-quer-alternativa-europeia-da-americana-palantir\/\" rel=\"nofollow noopener\">O ministro da Transforma\u00e7\u00e3o Digital e Moderniza\u00e7\u00e3o do Estado alem\u00e3o, Karsten Wildberger, reiterou em abril que a <strong>Europa precisava de uma alternativa \u00e0 Palantir<\/strong><\/a><strong>, mas reconheceu que, enquanto essa alternativa n\u00e3o tiver capacidade compar\u00e1vel, \u201ca seguran\u00e7a torna-se priorit\u00e1ria\u201d. <\/strong>Segundo o governante, existem empresas europeias capazes de preencher esse espa\u00e7o, mas <strong>aumentar a escala poder\u00e1 demorar dois ou tr\u00eas anos.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/08\/13\/tekever-inicia-ronda-que-faz-voar-avaliacao-da-unicornio-para-55-mil-milhoes\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Tekever inicia ronda que voa avalia\u00e7\u00e3o para 5,5 mil milh\u00f5es<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>Mas, mais do que a quest\u00e3o do tempo, ser\u00e1 que o bloco europeu deve tentar reproduzir o que a Palantir alcan\u00e7ou? \u201cA Europa acordou para a realidade, de n\u00e3o querer ajudar os americanos. Se quisermos ganhar a corrida da IA, temos de olhar para o modelo americano, at\u00e9 para o modelo chin\u00eas, e tentar ter uma ideia de fazer uma coisa diferente. <strong>Tentar criar uma empresa europeia que fa\u00e7a o mesmo que a Palantir, n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel porque a Palantir j\u00e1 est\u00e1 no mercado. E eles n\u00e3o param<\/strong>\u201c, adverte Andr\u00e9 Godinho Luz.<\/p>\n<p data-start=\"8857\" data-end=\"9145\">Por\u00e9m, reconhecer a depend\u00eancia \u00e9 mais f\u00e1cil do que a mitigar.<\/p>\n<p>O problema europeu come\u00e7a na escala<\/p>\n<p data-start=\"8857\" data-end=\"9145\">\u201cA Europa tem uma base tecnol\u00f3gica, cient\u00edfica e industrial muito forte, mas <strong>continua a existir depend\u00eancia externa em algumas capacidades cr\u00edticas. Existem diferen\u00e7as claras de escala, quer em termos de investimento quer de dimens\u00e3o de mercado<\/strong>\u201d, acautela Rui Lobo.<\/p>\n<p>O diretor da Tekever para o sul da Europa defende, contudo, que <strong>soberania n\u00e3o significa isolamento<\/strong>. \u201cA coopera\u00e7\u00e3o com aliados continuar\u00e1 a ser fundamental para a seguran\u00e7a europeia. Significa, isso sim, assegurar que a Europa tem capacidade pr\u00f3pria suficiente para tomar decis\u00f5es, controlar tecnologias cr\u00edticas e adaptar rapidamente as suas capacidades \u00e0s necessidades operacionais.\u201d<\/p>\n<p>O <strong>desafio est\u00e1 \u201cmenos na qualidade da engenharia europeia e mais na capacidade de transformar essa inova\u00e7\u00e3o em escala industrial com suficiente rapidez\u201d, <\/strong>considera o diretor da unic\u00f3rnio nacional. \u00c9 uma dificuldade que se repete em v\u00e1rios setores. A Europa tem universidades, investigadores, empresas e tecnologia, mas tem dificuldade em criar empresas com a dimens\u00e3o financeira necess\u00e1ria para competir com os gigantes norte-americanos.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Naquilo que \u00e9 estruturante, a Europa ainda depende muito de outras geografias que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 norte-americanas, s\u00e3o chinesas tamb\u00e9m. N\u00f3s n\u00e3o estamos numa situa\u00e7\u00e3o muito boa face a esse aspeto. Era preciso criar algo que fosse um cons\u00f3rcio de empresas europeias. Um agregado de compet\u00eancias em v\u00e1rios pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, uma ind\u00fastria pan-europeia<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tAnt\u00f3nio Gameiro Marques<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Antigo diretor do Gabinete Nacional de Seguran\u00e7a<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>A<\/strong> <strong>fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das principais fragilidades da Uni\u00e3o Europeia<\/strong>, constitu\u00edda por \u201cmuitas \u2018empresazinhas\u2019 pequeninas\u201d. \u201cEra preciso criar algo que fosse <strong>um cons\u00f3rcio de empresas europeias. Um agregado de compet\u00eancias em v\u00e1rios pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, uma ind\u00fastria pan-europeia<\/strong>\u201c, frisa o contra-almirante Gameiro Marques.<\/p>\n<p>O antigo diretor do Gabinete Nacional de Seguran\u00e7a recorre \u00e0 Airbus como exemplo: \u201cDevia haver um mecanismo em que, mais uma vez usando a analogia com a Airbus, houvesse oportunidades para, na dimens\u00e3o de cada um dos Estados-membros, haver participa\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o do bloco europeu aparenta ser o nosso \u2018calcanhar de Aquiles\u2019. \u201c<strong>A Europa continua a ser um mercado de defesa relativamente fragmentado<\/strong>. Os diferentes pa\u00edses t\u00eam doutrinas, processos de aquisi\u00e7\u00e3o, requisitos t\u00e9cnicos e procedimentos de seguran\u00e7a distintos. Ao contr\u00e1rio de outros grandes mercados, n\u00e3o existe uma \u00fanica autoridade de procurement nem um \u00fanico mercado verdadeiramente integrado\u201d, aponta o diretor da Tekever para a Europa do Sul.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1920\" class=\"size-full wp-image-1941762\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tekever-ar3.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tNo setor de defesa as empresas de drones s\u00e3o algumas das quais que mais tem atra\u00eddo investimento de capital de risco.\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\u201cNaquilo que \u00e9 estruturante, <strong>a Europa ainda depende muito de outras geografias que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 norte-americanas, s\u00e3o chinesas tamb\u00e9m<\/strong>. N\u00f3s n\u00e3o estamos numa situa\u00e7\u00e3o muito boa face a esse aspeto. Todavia, estamos melhores do que est\u00e1vamos h\u00e1 uns anos\u201d, lembra Gameiro Marques.<\/p>\n<p>Mas, para obter escala, <strong>ser\u00e1 que a Europa investe o suficiente? \u201cN\u00e3o<\/strong>. Porque os investimentos s\u00e3o verticais\u201d, respondeu perentoriamente o antigo diretor do Gabinete Nacional de Seguran\u00e7a, quando questionado se a Europa investe o suficiente para competir com os Estados Unidos e a China.<\/p>\n<p>E Portugal?<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">O pa\u00eds n\u00e3o tem dimens\u00e3o financeira nem mercado interno para replicar, sozinho, os gigantes tecnol\u00f3gicos norte-americanos. Mas isso n\u00e3o significa que esteja condenado a ser apenas consumidor de tecnologia desenvolvida por outros. Pelo contr\u00e1rio, <strong>Portugal tem compet\u00eancia, mas precisa de a transformar em escala, produto e capacidade de decis\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u201cPortugal tem todas as condi\u00e7\u00f5es para desempenhar um papel relevante nesta transforma\u00e7\u00e3o. <strong>Tem talento de engenharia, universidades, ind\u00fastria e empresas tecnol\u00f3gicas capazes de desenvolver sistemas complexos e competir internacionalmente<\/strong>\u201c, destaca Rui Lobo.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/08\/13\/tekever-inicia-ronda-que-faz-voar-avaliacao-da-unicornio-para-55-mil-milhoes\/\" rel=\"nofollow noopener\">A pr\u00f3pria trajet\u00f3ria da empresa, que nasceu no pa\u00eds e hoje est\u00e1 a tentar<strong> levantar 500 milh\u00f5es de euros junto dos investidores \u2014<\/strong> o que a concretizar-se, far\u00e1 voar a <\/a><strong>avalia\u00e7\u00e3o da unic\u00f3rnio nacional para 5,5 mil milh\u00f5es de euros \u2014 <\/strong>demonstra que \u00e9 poss\u00edvel partir de Portugal para construir tecnologia sofisticada com dimens\u00e3o internacional.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Mas a ambi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve passar por concentrar toda a capacidade num \u00fanico pa\u00eds. \u201cPensamos a soberania europeia precisamente como uma capacidade distribu\u00edda\u201d, afirma. <strong>O objetivo \u00e9 criar capacidade local onde a empresa est\u00e1 presente e \u201cligar essas capacidades numa rede europeia comum\u201d<\/strong>.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>N\u00e3o somos um pa\u00eds de produto. A esmagadora maioria da ind\u00fastria portuguesa \u00e9 uma ind\u00fastria de fabricar para terceiros, mas fabricamos para marcas de bastante prest\u00edgio. N\u00f3s fabricamos produtos de alta gama. N\u00e3o h\u00e1 assim muita concorr\u00eancia no mundo e se conseguirmos melhorar a competitividade, temos efetivamente um nicho brutal no mercado.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tAndr\u00e9 Godinho Luz<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">CEO da Infinite Foundry<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Nesse modelo, Portugal pode desempenhar um papel pr\u00f3prio. <strong>O desafio passa por transformar essas compet\u00eancias em \u201ccapacidade operacional e industrial<\/strong> que contribua n\u00e3o apenas para Portugal, mas para uma Europa mais forte tecnologicamente e com maior capacidade de decis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/06\/18\/adocao-de-ia-pelas-empresas-portuguesas-tem-de-disparar-ate-2030-para-cumprir-meta-da-ue\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">IA nas empresas tem de disparar at\u00e9 2030 para cumprir meta<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Andr\u00e9 Godinho Luz identifica <strong>a pr\u00f3pria estrutura tradicional da ind\u00fastria portuguesa como uma vantagem.<\/strong> \u201cN\u00e3o somos um pa\u00eds de produto. A esmagadora maioria da ind\u00fastria portuguesa \u00e9 uma ind\u00fastria de fabricar para terceiros, mas fabricamos para marcas de bastante prest\u00edgio\u201d, explica o CEO da Infinite Foundry.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">Essa especializa\u00e7\u00e3o pode deixar de ser apenas uma limita\u00e7\u00e3o e transformar-se numa oportunidade se for acompanhada por maior competitividade tecnol\u00f3gica. \u201cN\u00f3s fabricamos produtos de alta gama. N\u00e3o h\u00e1 assim muita concorr\u00eancia no mundo e se conseguirmos melhorar a competitividade, temos efetivamente um nicho brutal no mercado\u201d, aponta Godinho Luz.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A vantagem estaria em <strong>usar a ind\u00fastria portuguesa \u201ccomo test-bed\u201c<\/strong><strong> para novas tecnologias<\/strong>, aproximando software, IA e automa\u00e7\u00e3o de uma base industrial que j\u00e1 existe. \u201cEstamos bem posicionados para tirarmos benef\u00edcio da nossa ind\u00fastria tradicional. Tens a oportunidade, mas tens este bloqueio mental europeu. \u00c9 o drama que tens em Portugal e que limita muitas vezes conseguirmos voar para lugares mais altos\u201d, defende.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Queremos criar capacidade local nos pa\u00edses onde estamos presentes e, simultaneamente, ligar essas capacidades numa rede europeia comum. Portugal pode ser um dos centros dessa rede. Tem talento de engenharia, universidades, ind\u00fastria e empresas tecnol\u00f3gicas capazes de desenvolver sistemas complexos e competir internacionalmente.<\/p>\n<p>O objetivo deve ser transformar essas compet\u00eancias em capacidade operacional e industrial que contribua n\u00e3o apenas para Portugal, mas para uma Europa mais forte tecnologicamente e com maior capacidade de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tRui Lobo<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Diretor da Tekever para a Europa do Sul<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"isSelectedEnd\">\u00c9 aqui que as vantagens e limita\u00e7\u00f5es portuguesas se cruzam com o problema europeu. <strong>Portugal pode contribuir com empresas, universidades, ind\u00fastria e conhecimento especializado, mas dificilmente ter\u00e1 capacidade para construir sozinho toda a cadeia tecnol\u00f3gica necess\u00e1ria<\/strong> para competir com os EUA ou a China.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\">A resposta deve assentar tamb\u00e9m em sistemas de c\u00f3digo aberto, que permitam maior interoperabilidade e reduzam a depend\u00eancia de plataformas fechadas. \u201cNa Europa est\u00e1-se a adotar uma pol\u00edtica de desenvolvimento de sistemas desta natureza com fonte aberta, com c\u00f3digo aberto. E isto acelera o desenvolvimento e permite que sistemas diversos possam cooperar, por oposi\u00e7\u00e3o a sistemas fechados, como s\u00e3o os sistemas norte-americanos\u201d, adverte Gameiro Marques.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2026\/08\/11\/portugal-esta-entre-mercados-europeus-mais-competitivos-para-centros-de-dados\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Portugal entre mercados mais competitivos para data centers<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\"><strong>A quest\u00e3o passa menos por Portugal construir sozinho uma alternativa \u00e0 Palantir e mais por encontrar o lugar que consegue ocupar numa ind\u00fastria europeia mais integrada.<\/strong> Se utilizar uma tecnologia estrangeira, deve conseguir compreender como funciona, controlar os dados, manter capacidade de opera\u00e7\u00e3o e, sobretudo, garantir uma alternativa caso essa tecnologia deixe de estar dispon\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"isSelectedEnd\"><strong>Para Gameiro Marques, o passo seguinte ter\u00e1 de ser pol\u00edtico e n\u00e3o apenas tecnol\u00f3gico<\/strong>. \u201cTem que ser assim, tem que ser a Uni\u00e3o Europeia, mas para isso tem que se modificar a arquitetura pol\u00edtica. Dev\u00edamos evoluir nesse sentido sob o risco de sermos um s\u00edtio muito apraz\u00edvel de visitar e de viver, mas, a prazo, deixarmos de ser aquilo que dev\u00edamos ser, ombrear com os outros\u201d.<\/p>\n<p>Portugal entra nesta equa\u00e7\u00e3o com uma vantagem e uma limita\u00e7\u00e3o. <strong>Tem empresas capazes de desenvolver tecnologia competitiva a partir do pa\u00eds, mas continua a precisar de escala europeia para transformar essa capacidade num verdadeiro ativo de soberania.<\/strong> \u00c9 a\u00ed que a discuss\u00e3o sobre a Palantir deixa de ser apenas uma quest\u00e3o de fornecedor e passa a ser uma quest\u00e3o sobre o lugar que Portugal quer ocupar na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Europa quer reduzir a depend\u00eancia da Palantir, enquanto tenta criar alternativas europeias. 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