{"id":506414,"date":"2026-08-31T12:47:26","date_gmt":"2026-08-31T12:47:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506414\/"},"modified":"2026-08-31T12:47:26","modified_gmt":"2026-08-31T12:47:26","slug":"nova-diretriz-muda-tratamento-da-tireoide-na-gestacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506414\/","title":{"rendered":"Nova diretriz muda tratamento da tireoide na gesta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com o funcionamento normal da tireoide n\u00e3o devem mais usar medicamento hormonal. Tr\u00eas grandes estudos recentes comprovaram que o tratamento preventivo, nesses casos, n\u00e3o reduz riscos de abortamento ou parto prematuro.\u00a0A partir dessas informa\u00e7\u00f5es, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/sbem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">SBEM<\/a><\/strong>) e da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira das Associa\u00e7\u00f5es de Ginecologia e Obstetr\u00edcia (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/febrasgo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Febrasgo<\/a><\/strong>) mudaram as recomenda\u00e7\u00f5es aos m\u00e9dicos para diagn\u00f3stico, tratamento e cuidados de altera\u00e7\u00f5es da tireoide na gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As novas orienta\u00e7\u00f5es t\u00eam como base a <a href=\"https:\/\/www.thyroid.org\/new-ata-guidelines-for-thyroid-disease-in-preconception-pregnancy-and-postpartum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">diretriz<\/a> publicada pela <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/associacao-americana-da-tireoide\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Associa\u00e7\u00e3o Americana da Tireoide<\/a><\/strong>, quase uma d\u00e9cada desde a publica\u00e7\u00e3o das diretrizes anteriores, em 2017.<\/p>\n<p><strong>Detalhes do tratamento<\/strong><\/p>\n<p>Pelo novo posicionamento brasileiro, gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (Anti-TPO) n\u00e3o devem receber o horm\u00f4nio na vers\u00e3o sint\u00e9tica (levotiroxina), como tratamento preventivo, se a gl\u00e2ndula da tireoide estiver funcionando com regularidade, ou seja, com n\u00edveis normais de T4, que \u00e9 um dos horm\u00f4nios que atuam como reguladores do ritmo metab\u00f3lico do corpo humano.<\/p>\n<p>Apesar desta instru\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o usar o medicamento hormonal em caso de anti-TPO positivado e com o funcionamento normal da tireoide da gestante, a atividade da gl\u00e2ndula continuar\u00e1 sendo monitorada, pois estudos cl\u00ednicos indicam que existe maior risco para o desenvolvimento do hipotireoidismo ao longo da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Cleo Mesa J\u00fanior, explica que o anticorpo positivo detectado por exame mostra que existe apenas uma predisposi\u00e7\u00e3o a desenvolver a altera\u00e7\u00e3o da tireoide.<\/p>\n<p>\u201cSe os [horm\u00f4nios] TSH e o T4 livre est\u00e3o normais, a mulher \u00e9 considerada eutireoidiana e n\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcio comprovado em usar levotiroxina, apenas pela gestante ter o anticorpo positivo.\u201d<\/p>\n<p><img data-lazyloaded=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-94127\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gravida-gravidez-adolesc.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"566\"  data-\/><\/p>\n<p>Para aquelas mulheres que j\u00e1 tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a orienta\u00e7\u00e3o continua sendo aumentar em cerca de 30% a dose habitual do horm\u00f4nio assim que ela engravida.<\/p>\n<p><strong>Rastreamento precoce<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil manter\u00e1 a estrat\u00e9gia de rastreamento precoce de todas as gestantes, desde o in\u00edcio da gravidez, para identificar quem realmente precisa de tratamento.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o \u00e9 diferente da nova diretriz da ATA que sugere o rastreamento seletivo apenas em mulheres que tenham fatores de risco, que nos crit\u00e9rios anteriores eram a idade materna, a obesidade e o n\u00famero de gesta\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>O especialista em endocrinologia admite que a recomenda\u00e7\u00e3o internacionalmente, baseada em fatores de risco, \u00e9 controversa porque n\u00e3o existem provas cient\u00edficas definitivas de que testar apenas quem tem risco seja melhor do que testar todas as gestantes.<\/p>\n<p>\u201cO rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam altera\u00e7\u00e3o da tireoide, mas n\u00e3o possuem os fatores de risco considerados na triagem.\u201d<\/p>\n<p>A medida brasileira, al\u00e9m de n\u00e3o perder a oportunidade de diagnosticar a doen\u00e7a, busca maior individualiza\u00e7\u00e3o dos casos para tratar quem realmente precisa e para evitar o excesso de medica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Hipotireoidismo subcl\u00ednico<\/strong><\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a no posicionamento diz respeito ao hipotireoidismo subcl\u00ednico, situa\u00e7\u00e3o em que o TSH fica elevado, mas o horm\u00f4nio tireoidiano (T4 livre) permanece normal.<\/p>\n<p>A partir de agora, o in\u00edcio do tratamento para TSH (horm\u00f4nio que estimula a tireoide a trabalhar) entre 4,0 e 10 mUI\/L fica focado no primeiro trimestre da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Especialistas defendem que, at\u00e9 a 12\u00aa semana de gravidez, \u00e9 o momento em que o desenvolvimento do feto depende mais do horm\u00f4nio tireoidiano materno.<\/p>\n<p>Se o problema for identificado apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas acompanhar a fun\u00e7\u00e3o tireoidiana sem iniciar a levotiroxina, salvo se o TSH for superior a 10 mUI\/L), neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>O representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia esclarece que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica clara de benef\u00edcio em iniciar o tratamento hormonal de rotina.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o significa deixar de tratar o hipotireoidismo fraco ou altera\u00e7\u00f5es importantes. A decis\u00e3o deve considerar o n\u00edvel do TSH, o T4 livre, e o momento da gesta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Cleo Mesa J\u00fanior.<\/p>\n<p>Antes da diretriz norte-americana, quando o problema era detectado durante a gesta\u00e7\u00e3o, a reposi\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio poderia ser considerada, independentemente do tempo da gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Repeti\u00e7\u00e3o de exame<\/strong><\/p>\n<p>O posicionamento internacional tamb\u00e9m recomenda repetir o exame de detecta\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do horm\u00f4nio TSH somente ap\u00f3s o per\u00edodo de uma a tr\u00eas semanas antes de decidir tratar a gestante. Isso porque, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, algumas altera\u00e7\u00f5es leves podem ser transit\u00f3rias na gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, as sociedades m\u00e9dicas recomendam n\u00e3o aguardar este per\u00edodo para repetir a coleta de sangue antes, para s\u00f3 ent\u00e3o decidir iniciar a terapia na gestante, como defende Cleo Mesa J\u00fanior.<\/p>\n<p>\u201c[No Brasil], em um sistema em que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel garantir retorno r\u00e1pido, esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento.\u201d<\/p>\n<p><strong>Atualiza\u00e7\u00e3o dos fatores de risco<\/strong><\/p>\n<p>Quando n\u00e3o houver condi\u00e7\u00f5es para testar todas as gestantes, a nova diretriz prioriza o rastreamento de altera\u00e7\u00f5es na tireoide em gestantes com maior risco.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia busca o rastreamento de risco mais espec\u00edfico. Permanecem no grupo de risco as mulheres que tenham:<\/p>\n<ul>\n<li>hist\u00f3rico de hipo ou hipertireoidismo;<\/li>\n<li>cirurgia ou tratamento pr\u00e9vio da tireoide;<\/li>\n<li>doen\u00e7as autoimunes como diabetes tipo 1;<\/li>\n<li>hist\u00f3rico familiar de doen\u00e7a tireoidiana;<\/li>\n<li>infertilidade;<\/li>\n<li>dois ou mais abortamentos;<\/li>\n<li>uso de medicamentos que interfiram na gl\u00e2ndula.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Deixam de ser considerados fatores de risco, a idade materna, a obesidade e o n\u00famero de gesta\u00e7\u00f5es anteriores.<\/p>\n<p>A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia afirma que, isoladamente, os crit\u00e9rios anteriores n\u00e3o identificavam de maneira precisa quem realmente apresenta disfun\u00e7\u00e3o tireoidiana.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o caracter\u00edsticas muito frequentes na popula\u00e7\u00e3o e, portanto, t\u00eam baixo poder para selecionar adequadamente quem deve ser investigada\u201d<\/p>\n<p><strong>Iodo<\/strong><\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o envolve o iodo, o micronutriente \u00e9 necess\u00e1rio para que a tireoide produza seus horm\u00f4nios.<\/p>\n<p>A necessidade aumenta na gesta\u00e7\u00e3o e na amamenta\u00e7\u00e3o, e o novo texto da ATA orienta garantir ingest\u00e3o adequada por meio da suplementa\u00e7\u00e3o j\u00e1 antes da concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Brasil, por\u00e9m, a atualiza\u00e7\u00e3o do posicionamento n\u00e3o recomenda que todas as gestantes recebam suplemento de iodo. A suplementa\u00e7\u00e3o deve ser individualizada, principalmente, para mulheres com maior risco de ingest\u00e3o insuficiente.<\/p>\n<p>\u201c[Em gestantes] com dietas muito restritivas, veganas, baixo consumo ou aus\u00eancia de sal iodado ou situa\u00e7\u00f5es de m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o, pode-se considerar suplementa\u00e7\u00e3o de 100 a 150 \u00b5g de iodo por dia.\u201d<\/p>\n<p>(Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com o funcionamento normal da tireoide n\u00e3o devem mais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":506415,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[81154,49028,77062,1041,116,32,33,117,77598],"class_list":["post-506414","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-associacao-americana-da-tireoide","tag-diretrizes","tag-febrasgo","tag-gravidez","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-sbem"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117190200299906879","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=506414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/506414\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/506415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=506414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=506414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=506414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}