{"id":506698,"date":"2026-08-31T17:35:18","date_gmt":"2026-08-31T17:35:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506698\/"},"modified":"2026-08-31T17:35:18","modified_gmt":"2026-08-31T17:35:18","slug":"esta-casa-na-costa-nova-reinventa-os-palheiros-tradicionais-de-forma-minimalista-e-funcional-nit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506698\/","title":{"rendered":"Esta casa na Costa Nova reinventa os palheiros tradicionais de forma minimalista e funcional \u2014 NiT"},"content":{"rendered":"<p>Entre o mar e a ria, a moradia Casa Verde procura quase desaparecer na paisagem. O projeto dos arquitetos Sofia e Ricardo Senos parte das caracter\u00edsticas muito particulares da Costa Nova, em \u00cdlhavo, para criar uma habita\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea que combina bet\u00e3o aparente, volumes verdes e interiores minimalistas.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o, a zona \u00e9 luminosa e marcada pela proximidade da praia e pelas tradicionais constru\u00e7\u00f5es da Costa Nova. No inverno, a realidade \u00e9 bem diferente: o vento, a areia e a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s intemp\u00e9ries fazem parte da vida quotidiana. Foi precisamente essa dualidade que esteve na base do projeto.<\/p>\n<p>\u201cA Costa Nova \u00e9 um local tamb\u00e9m muito in\u00f3spito, muito exposto \u00e0s intemp\u00e9ries, ao vento de norte\u201d, explicam os irm\u00e3os, respons\u00e1veis pelo <a href=\"https:\/\/www.m2senos.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">atelier<\/a> M2 Senos Arquitectos, fundado em 2007, com a miss\u00e3o de desenvolver estudos e projetos de arquitetura, reabilita\u00e7\u00e3o e desenho urbano, sediada em Aveiro.<\/p>\n<p>O terreno, com 435 metros quadrados, encontra-se no topo do cord\u00e3o dunar, numa zona particularmente exposta <strong>Assim, o projeto particular procurou responder \u00e0s necessidades da fam\u00edlia que decidiu construir a sua nova habita\u00e7\u00e3o e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es naturais do lugar.<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, havia uma caracter\u00edstica que n\u00e3o podia ser ignorada: a paisagem. A poente est\u00e1 o mar, a nascente a ria, a norte o farol da Barra e, a sul, a Praia da Vagueira. \u201cNa Costa Nova \u00e9 um s\u00edtio onde o norte, o sul, o poente e o nascente est\u00e3o claramente identificados e, portanto, a casa tamb\u00e9m est\u00e1 implantada de acordo com esses eixos\u201d, explica a arquiteta.<\/p>\n<p><strong>O nome Casa Verde n\u00e3o surge por acaso. A escolha da cor est\u00e1 diretamente relacionada com a envolvente natural, marcada pela vegeta\u00e7\u00e3o, que muda de tonalidade ao longo do ano. <\/strong>\u201cA escolha da cor, no fundo, foi para tentarmos fundir a casa com a envolv\u00eancia\u201d, explica Ricardo Senos \u00e0 NiT. A inten\u00e7\u00e3o era que o edif\u00edcio n\u00e3o surgisse como um elemento completamente estranho \u00e0 paisagem, mas que parecesse pertencer \u00e0quele lugar.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o passou por dividir visualmente o edif\u00edcio em dois momentos. Na base, surge um embasamento de bet\u00e3o bruto, pensado para lidar diretamente com as condi\u00e7\u00f5es do terreno. Sobre ele assenta a estrutura superior, revestido a verde.<\/p>\n<p>\u201cD\u00e1-nos algum desenho e alguma escala interessante para aquele volume\u201d, explica o arquiteto. <strong>A escolha do bet\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tica. No inverno, os ventos fortes fazem a areia avan\u00e7ar pelo terreno e chegam mesmo a provocar acumula\u00e7\u00f5es significativas<\/strong>, por isso era necess\u00e1rio utilizar materiais capazes de lidar com essa realidade sem exigir uma manuten\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n<p>Se o exterior procura dialogar com a paisagem, o interior segue uma l\u00f3gica praticamente oposta. A casa \u00e9 assumidamente contempor\u00e2nea e recorre a solu\u00e7\u00f5es construtivas atuais. O material, inicialmente pensado apenas para o exterior, prolonga-se para dentro da habita\u00e7\u00e3o: \u201cO bet\u00e3o n\u00e3o existe s\u00f3 no exterior, mas existe tamb\u00e9m no interior\u201d, esclarecem os respons\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p>As paredes s\u00e3o claras e a decora\u00e7\u00e3o segue uma est\u00e9tica minimalista, pensada para uma utiliza\u00e7\u00e3o descontra\u00edda e pr\u00e1tica. A proximidade da praia obrigava a isso, porque a areia, \u00e1gua salgada e p\u00e9s molhados fazem parte do quotidiano de uma casa como esta, tendo que ser resistente, sem perder a sensa\u00e7\u00e3o de leveza.<\/p>\n<p>Assim, o interior foi pensado como parte integrante da pr\u00f3pria arquitetura, incluindo a cozinha, os arm\u00e1rios, os closets e outros elementos de mobili\u00e1rio fixo. <strong>A escolha ficou assente num open space, entre a cozinha, sala de jantar e sala de estar, onde o branco atravessa todas as divis\u00f5es e cria uma harmonia elegante.<\/strong> Est\u00e3o ainda presentes as escadas que d\u00e3o acesso ao outros pisos, camufladas pela estrutura e revestimento.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-1685078\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/e72555a5aaff3f2aa49b4f2075bd299c.jpeg\" alt=\"\" width=\"677\" height=\"646\"\/><\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m o caso da mesa da sala de jantar, desenvolvida em corian, um material sint\u00e9tico composto por resina acr\u00edlica e minerais naturais, criado pela empresa DuPont que \u00e9 muito utilizado em bancadas de cozinha, casas de banho e decora\u00e7\u00e3o. Neste caso, acompanha\u00a0a linguagem minimalista do restante espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A decora\u00e7\u00e3o propriamente dita ficou mais ligada \u00e0s escolhas dos propriet\u00e1rios, embora sempre com acompanhamento dos arquitetos. O resultado mant\u00e9m uma linguagem simples que deixa a arquitetura assumir o protagonismo.<\/p>\n<p>No ch\u00e3o foi aplicado microcimento, numa tonalidade entre o branco e o p\u00e9rola, numa refer\u00eancia subtil \u00e0 areia e \u00e0 pr\u00f3pria paisagem envolvente. O bet\u00e3o maci\u00e7o aparente nos tetos acaba por ser o principal elemento a introduzir contraste. <strong>\u201c\u00c9 quase como um fruto: temos uma pele muito escura fora e, quando se abre, \u00e9 todo um pouco branco\u201d<\/strong>, resume Sofia Senos.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, a Casa Verde pode transmitir a ideia de ser uma constru\u00e7\u00e3o bastante fechada. Apesar de estar rodeada por mar, ria e dunas, n\u00e3o apresenta grandes superf\u00edcies envidra\u00e7adas diretamente expostas para o exterior. \u00c9, no entanto, uma ilus\u00e3o criada pelo pr\u00f3prio arquiteto. \u201cAs janelas surgem atrav\u00e9s de alguns vazios e est\u00e3o ligadas \u00e0 viv\u00eancia interior\u201d, explica Sofia Senos. Muitas delas est\u00e3o associadas \u00e0s varandas e funcionam atrav\u00e9s de diferentes filtros, criando uma rela\u00e7\u00e3o mais indireta com a paisagem.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma casa com 353 metros quadrados, onde a natureza est\u00e1 constantemente presente, mas sem transformar o interior num espa\u00e7o completamente exposto. <strong>Ao mesmo tempo, esta solu\u00e7\u00e3o permite preservar alguma intimidade. A casa consegue tirar partido das vistas para o mar, para a ria e para as dunas sem colocar os moradores em exposi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de o projeto ter come\u00e7ado como uma casa de f\u00e9rias, acabou por ganhar outra fun\u00e7\u00e3o durante o processo. O cliente, inicialmente interessado numa habita\u00e7\u00e3o para per\u00edodos de descanso junto \u00e0 praia, decidiu que aquele seria afinal o local de resid\u00eancia permanente.<\/p>\n<p>E houve ainda outra altera\u00e7\u00e3o inesperada. Durante a constru\u00e7\u00e3o, os propriet\u00e1rios tiveram g\u00e9meos. A nova realidade familiar obrigou a repensar a distribui\u00e7\u00e3o interior, sobretudo no \u00faltimo piso, resultando numa habita\u00e7\u00e3o com tr\u00eas andares.<\/p>\n<p><strong>\u201cDurante todo o processo tiveram g\u00e9meos, o que obrigou a uma recomposi\u00e7\u00e3o das plantas interiores\u201d<\/strong>, conta Sofia Senos. Foi necess\u00e1rio criar uma nova su\u00edte no s\u00f3t\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o que acabou por dar origem a um dos grandes destaques da casa: uma casa de banho com banheira posicionada junto a uma janela at\u00e9 ao ch\u00e3o, que proporciona uma vista privilegiada.<\/p>\n<p>Inspirada nos palheiros, mas sem imit\u00e1-los<\/p>\n<p>Apesar de estar inserida num territ\u00f3rio fortemente associado aos tradicionais palheiros da Costa Nova, a casa n\u00e3o pretende reproduzir essa arquitetura. \u201cA nossa interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com o palheiro propriamente dito\u201d, esclarece Ricardo Senos. A refer\u00eancia est\u00e1 antes na aprendizagem retirada da arquitetura vernacular e na forma como essas constru\u00e7\u00f5es respondiam ao territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 ensinamentos que v\u00eam da parte dos palheiros, como o facto de a casa estar elevada, entre outra aprendizagens com a arquitetura vernacular, sem que se esteja coma a inten\u00e7\u00e3o de procurar igual\u201d, acrescenta Sofia Senos.<\/p>\n<p>A implanta\u00e7\u00e3o e a volumetria s\u00e3o, assim, contempor\u00e2neas, embora exista uma rela\u00e7\u00e3o direta com a hist\u00f3ria e as caracter\u00edsticas do lugar. No fundo, a Casa Verde foi desenhada para corresponder \u00e0 for\u00e7a do territ\u00f3rio e \u00e0 tranquilidade que se procura dentro de casa.<\/p>\n<p>Carregue na galeria e descubra mais detalhes da Casa Verde, em \u00cdlhavo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre o mar e a ria, a moradia Casa Verde procura quase desaparecer na paisagem. 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