{"id":506720,"date":"2026-08-31T17:56:15","date_gmt":"2026-08-31T17:56:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506720\/"},"modified":"2026-08-31T17:56:15","modified_gmt":"2026-08-31T17:56:15","slug":"por-que-razao-algumas-pessoas-lidam-melhor-com-o-stress","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/506720\/","title":{"rendered":"Por que raz\u00e3o algumas pessoas lidam melhor com o stress?"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>O seu voo acaba de ser cancelado e voc\u00ea est\u00e1 na fila do servi\u00e7o de atendimento da companhia a\u00e9rea \u00e0 espera da sua vez para reagend\u00e1-lo. Um dos viajantes est\u00e1 visivelmente nervoso enquanto outro parece relativamente despreocupado. A circunst\u00e2ncia \u00e9 a mesma, mas os seus corpos e c\u00e9rebros poder\u00e3o estar a reagir de formas muito diferentes.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muito que os cientistas sabem que <strong>a gen\u00e9tica, a personalidade e as experi\u00eancias passadas ajudam a moldar a intensidade com que as pessoas reagem \u00e0 press\u00e3o<\/strong>. Agora, novos estudos sugerem que o microbioma intestinal \u2013 a comunidade de micr\u00f3bios que vive no sistema digestivo \u2013 tamb\u00e9m poder\u00e1 representar um papel.<\/p>\n<p>Num estudo recente, <strong>pessoas com microbiomas intestinais mais diversificados demonstraram ter uma resposta mais forte ao stress agudo<\/strong> \u2013 uma descoberta que, segundo os cientistas, pode reflectir a efic\u00e1cia da mobiliza\u00e7\u00e3o do corpo e n\u00e3o dificuldades em lidar com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As descobertas acrescentam uma nova e surpreendente dimens\u00e3o a uma pergunta familiar: <strong>por que raz\u00e3o o mesmo epis\u00f3dio stressante parece afectar diferentes pessoas de maneiras t\u00e3o diferentes?<\/strong><\/p>\n<p>&#13;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/1788198974_248_aljubarrota_00000000_230814121217_800x800.jpg\" alt=\"Aljubarrota\" class=\"image lazyload\" width=\"800\" height=\"800\" data-aspectratio=\"800\/800\"\/><strong>O que acontece ao organismo durante o stress<\/strong><\/p>\n<p>O stress \u00e9 uma reac\u00e7\u00e3o natural que ocorre quando nos apercebemos de um desafio, <strong>uma exig\u00eancia ou uma potencial amea\u00e7a<\/strong>, diz <a href=\"http:\/\/www.pennstatehealth.org\/doctors\/timothy-d-riley-md\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Timothy Riley<\/a>, especialista em medicina familiar na <a href=\"http:\/\/www.pennstatehealth.org\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Penn State Health<\/a>.<\/p>\n<p>Quando nos sentimos stressados, a nossa<strong> am\u00edgdala \u2013 o sistema de processamento emocional do c\u00e9rebro <\/strong>\u2013 pode entrar em ac\u00e7\u00e3o, diz <a href=\"http:\/\/www.jmu.edu\/chbs\/gradpsyc\/people\/atwood-kelly.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Kelly Atwood<\/a>, professora associada do Departamento de Estudos P\u00f3s-graduados de Psicologia da <a href=\"http:\/\/www.jmu.edu\/index.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade James Madison<\/a>. Ao detectar uma amea\u00e7a, o nosso c\u00e9rebro envia uma mensagem para o <strong>hipot\u00e1lamo, o centro de comando do corpo<\/strong>, que ajuda a coordenar a resposta ao stress.<\/p>\n<p>Por conseguinte, poderemos ter sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas perante situa\u00e7\u00f5es de stress elevado, como o cora\u00e7\u00e3o a bater depressa, respira\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida, problemas gastrointestinais ou activa\u00e7\u00e3o muscular para permitir uma eventual fuga de uma situa\u00e7\u00e3o perigosa, diz <a href=\"http:\/\/medicine.yale.edu\/profile\/rajita-sinha\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Rajita Sinha<\/a>, directora do <a href=\"http:\/\/medicine.yale.edu\/stresscenter\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Yale Stress Center<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O intestino pode influenciar a reac\u00e7\u00e3o do organismo a um desafio<\/strong><\/p>\n<p>Novos estudos publicados na <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2352289526000287?via%253Dihub\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Neurobiology of Stress<\/a> sugerem que as pessoas com um microbioma intestinal mais diversificado, ou seja, maior variedade de microorganismos no intestino, podem responder de maneiras diferentes a situa\u00e7\u00f5es de stress agudo. No estudo, <strong>uma maior diversidade microbiana foi associada a cortisol mais elevado e respostas ao stress mais intensas relatadas por adultos saud\u00e1veis<\/strong>.<\/p>\n<p>O intestino e o c\u00e9rebro est\u00e3o em constante comunica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do <strong>eixo intestino-c\u00e9rebro<\/strong>, explica <a href=\"http:\/\/ucrisportal.univie.ac.at\/en\/persons\/thomas-karner\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Thomas Karner<\/a>, autor do estudo e doutorando no Laborat\u00f3rio Wagner da <a href=\"http:\/\/ucrisportal.univie.ac.at\/en\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade de Viena<\/a>, na \u00c1ustria. \u201cO microbioma intestinal e os compostos por este produzidos podem influenciar a forma como o sistema de stress do organismo responde aos desafios e regula os n\u00edveis das hormonas do stress\u201d, diz Karner. \u201cEm simult\u00e2neo, <strong>o stress pode alterar a composi\u00e7\u00e3o do microbioma intestinal, afectar a integridade da barreira do intestino e os n\u00edveis de inflama\u00e7\u00e3o <\/strong>e modificar a produ\u00e7\u00e3o de metab\u00f3litos microbianos como os \u00e1cidos gordos de cadeia curta. Como tal, <strong>a rela\u00e7\u00e3o entre a sa\u00fade intestinal e o stress parece funcionar em ambas as direc\u00e7\u00f5es<\/strong>.\u201d<\/p>\n<p>&#13;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/20240408-goncalodelgado-057724_3ab75002_240711171238_800x800.jpg\" alt=\"20240408 GONCALODELGADO 057724\" class=\"image lazyload\" width=\"800\" height=\"800\" data-aspectratio=\"800\/800\"\/><strong>Uma resposta mais forte ao stress nem sempre \u00e9 pior<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, nem todo o stress \u00e9 nocivo. O <strong>stress de curto prazo, ou agudo<\/strong>, pode ajudar o organismo a responder a um desafio ou amea\u00e7a imediata, explica Karner.<\/p>\n<p>Karner d\u00e1 o exemplo de <strong>uma zebra a fugir de um le\u00e3o na savana<\/strong>: nesse instante, a resposta de stress ajuda-a mobilizar energia e focar a aten\u00e7\u00e3o de modo a lidar com a amea\u00e7a. Ele explica que a descoberta levanta a possibilidade de <strong>uma maior diversidade do microbioma acompanhar uma resposta ao stress mais flex\u00edvel ou adequadamente mobilizada, em vez de se limitar a atenuar o stress<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cNo nosso estudo, uma maior diversidade microbiana intestinal foi associada a n\u00edveis de cortisol e reactividade subjectiva ao stress mais elevados ap\u00f3s um gatilho de stress agudo, o que poder\u00e1 reflectir uma mobiliza\u00e7\u00e3o adaptativa e limitada no tempo do sistema de stress que nos ajuda a estar \u00e0 altura do desafio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Por outro lado, o <strong>stress cr\u00f3nico <\/strong>envolve uma activa\u00e7\u00e3o prolongada ou repetida dos sistemas relacionados com o stress. Voltando ao exemplo da zebra, \u00e9 o problema n\u00e3o \u00e9 aquele impulso curto de stress quando a zebra foge do le\u00e3o, mas aquilo que aconteceria <strong>se a resposta de stress permanecesse activa muito depois de a amea\u00e7a ter terminado<\/strong>.<\/p>\n<p>Nos seres humanos, isso pode acontecer devido a <strong>preocupa\u00e7\u00f5es de longa dura\u00e7\u00e3o, stress social, incerteza, prazos ou exposi\u00e7\u00e3o repetida a situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis sem uma recupera\u00e7\u00e3o adequada<\/strong>, diz Karner. Ao longo do tempo, isso pode perturbar os sistemas que regulam as hormonas do stress e afectar o c\u00e9rebro, o sistema imunit\u00e1rio e o microbioma intestinal.<\/p>\n<p>\u201cUm microbioma mais diversificado poder\u00e1 ser mais resiliente a essas perturba\u00e7\u00f5es\u201d, acrescenta Karner, \u201cmas&#8230; <strong>s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos <\/strong>para perceber como a diversidade do microbioma influencia a transi\u00e7\u00e3o das respostas de curto prazo ao stress adaptativo para as consequ\u00eancias negativas do stress cr\u00f3nico.\u201d<\/p>\n<p>&#13;<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/registo-permanente_36d7842f_240731153427_800x800.jpg\" alt=\"Registo permanente\" class=\"image lazyload\" width=\"800\" height=\"800\" data-aspectratio=\"800\/800\"\/><strong>O microbioma \u00e9 apenas uma parte da resposta ao stress<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Riley, a gen\u00e9tica desempenha um papel na forma como sentimos o stress. Os seres humanos desenvolveram respostas ao stress que ajudaram os nossos antepassados a reagir depressa a potenciais amea\u00e7as e <strong>diferen\u00e7as gen\u00e9ticas individuais podem influenciar a reactividade desses sistemas<\/strong>. \u201cTemos diferen\u00e7as individuais\u201d, diz Sinha. \u201cAlguns genes s\u00e3o mais reactivos e outros genes s\u00e3o menos reactivos em diferentes pessoas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias anteriores ao pr\u00f3prio nascimento<\/strong> tamb\u00e9m podem influenciar a forma como o organismo reage ao stress. Isto deve-se em parte devido \u00e0 <strong>epigen\u00e9tica<\/strong> \u2013 altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que afectam a forma como os genes se exprimem sem alterar o ADN. Uma an\u00e1lise publicada em 2025 na revista <a href=\"http:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC12652292\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Genes<\/a>, que examinou 71 estudos, descobriu <strong>evid\u00eancias de liga\u00e7\u00f5es entre experi\u00eancias traum\u00e1ticas e altera\u00e7\u00f5es epigen\u00e9ticas envolvidas na regula\u00e7\u00e3o do stress<\/strong>. No entanto, os investigadores ainda est\u00e3o a estudar durante quanto tempo essas altera\u00e7\u00f5es persistem e se podem ser transmitidas hereditariamente.<\/p>\n<p><strong>As nossas experi\u00eancias de vida tamb\u00e9m contribuem para a forma como lidamos com o stress. <\/strong>\u201cAs nossas reac\u00e7\u00f5es aos factores de stress s\u00e3o incrivelmente complexas e est\u00e3o profundamente embutidas no tecido dos nossos corpos e mentes desde que nascemos\u201d, diz Riley. \u201c\u00c0 medida que vamos crescendo, aprendemos com cada experi\u00eancia e o nosso sistema nervoso presta especial aten\u00e7\u00e3o a experi\u00eancias stressantes ou traum\u00e1ticas.\u201d<\/p>\n<p>No entanto,a experi\u00eancia pessoal n\u00e3o tem necessariamente de envolver trauma. Por exemplo, <strong>perante um desmaio, uma pessoa sem forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica pode perfeitamente ficar em p\u00e2nico com a situa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Por outro lado, se um profissional da \u00e1rea da medicina assistir ao mesmo acontecimento \u201cpoder\u00e1 saber que o risco \u00e9 baixo e a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ger\u00edvel\u201d, diz Riley.<\/p>\n<p>Segundo Atwood, <strong>o temperamento e a personalidade tamb\u00e9m moldam a forma como as pessoas reagem ao stress<\/strong>. Um estudo publicado em 2016 no <a href=\"http:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC4956603\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Journal of Personality and Social Psychology<\/a> descobriu que <strong>pessoas mais neur\u00f3ticas \u2013 com tend\u00eancia para sentirem emo\u00e7\u00f5es negativas e preocupa\u00e7\u00e3o \u2013 tinham reac\u00e7\u00f5es emocionais mais intensas em dias stressantes<\/strong>. As pessoas mais extrovertidas, organizadas e autodisciplinadas ou abertas a novas experi\u00eancias tendiam a demonstrar picos emocionais mais pequenos. Estas caracter\u00edsticas podem influenciar a forma como as pessoas interpretam e lidam com os desafios, mas reflectem tend\u00eancias \u2013 n\u00e3o limites fixos da resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Por fim, <strong>n\u00e3o h\u00e1 um gene, caracter\u00edstica de personalidade ou assinatura microbiana espec\u00edficos que determinem a forma como uma pessoa reage sob press\u00e3o<\/strong>. A resposta ao stress reflecte uma interac\u00e7\u00e3o complexa entre o c\u00e9rebro, o corpo, a experi\u00eancia e as exig\u00eancias do momento \u2013 e os investigadores s\u00f3 agora come\u00e7am a compreender onde se enquadra o intestino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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