{"id":50782,"date":"2025-08-29T22:21:20","date_gmt":"2025-08-29T22:21:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50782\/"},"modified":"2025-08-29T22:21:20","modified_gmt":"2025-08-29T22:21:20","slug":"passados-20-anos-estamos-mais-vulneraveis-a-outra-catastrofe-como-a-do-katrina-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50782\/","title":{"rendered":"Passados 20 anos, estamos mais vulner\u00e1veis a outra cat\u00e1strofe como a do Katrina | EUA"},"content":{"rendered":"<p>Os ventos de 281 km por hora do furac\u00e3o Katrina, que h\u00e1 20 anos se abateram sobre Nova Orle\u00e3es, tiveram como combust\u00edvel as \u00e1guas quentes do Golfo do M\u00e9xico, que durante v\u00e1rios dias se mantiveram acima dos 28 graus Celsius. Hoje, com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a \u00e1gua do mar est\u00e1 ainda mais quente. S\u00e3o maiores as probabilidades de se repetir uma tempestade t\u00e3o apocal\u00edptica.<\/p>\n<p>Por causa do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2015\/08\/27\/mundo\/noticia\/katrina-a-destruicao-de-uma-cidade-com-hora-marcada-1706048\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Katrina<\/a> morreram perto de 2000 pessoas, muitos milhares ficaram sem casa e grande parte da popula\u00e7\u00e3o nunca voltou. Com a quebra dos diques que protegiam a cidade do Mississ\u00edpi, 80% do espa\u00e7o urbano ficou inundado e os preju\u00edzos totais, a pre\u00e7os actualizados para 2024, foram na ordem dos 200 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares (mais de 171 mil milh\u00f5es de euros).<\/p>\n<p>\u201cAs altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas tornaram 18 vezes mais prov\u00e1vel acontecer esta temperatura do oceano\u201d, calcularam os cientistas do grupo independente norte-americano <a href=\"https:\/\/www.climatecentral.org\/report\/hurricane-katrina-20-year-anniversary\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Climate Central<\/a>, a prop\u00f3sito dos 20 anos do devastador furac\u00e3o. Esta \u00e1gua morna fez com que a velocidade do vento aumentasse 8,8 km por hora. E cada d\u00e9cima de aumento da temperatura da \u00e1gua do mar \u00e0 superf\u00edcie potencia as tempestades tropicais que se transformam em furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico. Se a velocidade do vento do Katrina aumentasse mais 8,8 km por hora, os estragos seriam 25% maiores, estimam estes investigadores.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 em 2005 as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas estavam a influenciar os furac\u00f5es na <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/11\/28\/ciencia\/noticia\/chuvosos-velozes-intensos-furacoes-atlantico-estao-mudar-1940930\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">bacia do Atl\u00e2ntic<\/a><a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/2020\/11\/28\/ciencia\/noticia\/chuvosos-velozes-intensos-furacoes-atlantico-estao-mudar-1940930\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o<\/a> e os seus impactos\u201d, comentou Daniel Gilford, meteorologista e cientistas do clima da Climate Central.<\/p>\n<p>Mas a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que as \u00e1guas do oceano t\u00eam vindo a aquecer cada vez mais, e os 28 graus que na altura eram excepcionais, come\u00e7aram a tornar-se relativamente comuns. A temperatura da \u00e1gua na costa do estado da <a href=\"https:\/\/www.seatemperatu.re\/north-america\/louisiana\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Louisiana, por estes dias, \u00e9 de 31 graus<\/a>. \u201cSe o Katrina se tivesse formado com o clima tal como est\u00e1 hoje, provavelmente seria um furac\u00e3o ainda mais poderoso\u201d, conclui Gilford.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que se conjuguem v\u00e1rios factores. \u00c9 preciso que uma tempestade poderosa entre em terra perto de uma zona densamente povoada, e se para al\u00e9m disso encontrar armadilhas como os diques que rebentaram e contribu\u00edram para as devastadoras inunda\u00e7\u00f5es de Nova Orle\u00e3es\u2026 Bem, conjugam-se os factores para uma nova desgra\u00e7a.<\/p>\n<p>A parte de termos uma \u00e1gua anormalmente quente como combust\u00edvel das tempestades tornou-se mais f\u00e1cil de perceber, porque <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/01\/28\/azul\/noticia\/subida-temperatura-mar-acelerou-quatro-vezes-40-anos-2120408\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">90% do calor em excesso<\/a> do planeta \u00e9 absorvido pelo oceano. E o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/19\/azul\/noticia\/2024-deixar-marcas-irreversiveis-milhares-anos-eis-oito-avisos-2126465\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aquecimento global<\/a> est\u00e1 a intensificar-se.<\/p>\n<p>Consci\u00eancia mudou<\/p>\n<p>Em 2005, na altura do Katrina, a responsabilidade pela dimens\u00e3o do desastre foi atribu\u00edda \u00e0 inc\u00faria dos pol\u00edticos, aos respons\u00e1veis pelo planeamento de emerg\u00eancias, ao racismo estrutural que permitiu que os mais afectados fossem os habitantes negros e pobres de Nova Orle\u00e3es. N\u00e3o se falou muito nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e quando se falava na possibilidade de haver um nexo entre aquecimento global e poderosas tempestades, era sob a forma de uma interroga\u00e7\u00e3o para a qual os cientistas procuravam resposta.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Tudo o que restou da casa de Richard Johnson na zona de Biloxi, em Nova Orle\u00e3es, ap\u00f3s a passagem do Katrina, foram as escadas&#13;<br \/>\nTANNEN MAURY\/EPA                    &#13;<\/p>\n<p>Mas notou-se uma grande diferen\u00e7a entre o discurso nos media sobre o Katrina, em 2005, e aquele sobre outro furac\u00e3o devastador, o Sandy, que chegou a terra na zona de New Jersey, em 29 de Outubro em 2012, e causou pelo menos 65 mil milh\u00f5es de estragos numa \u00e1rea vasta do Nordeste dos EUA.<\/p>\n<p>\u201cAltera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e energia foram temas abordados em conjunto com frequ\u00eancia na cobertura dos media ap\u00f3s o furac\u00e3o Sandy, mas o tema \u2018altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u2019 est\u00e1 ausente da discuss\u00e3o ap\u00f3s o Katrina\u201d, conclui uma equipa de cientistas da Universidade do Vermont, publicada em 2016 na revista cient\u00edfica <a href=\"http:\/\/https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13412-016-0391-8\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Journal of Environmental Studies and Sciences<\/a>.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, houve uma mudan\u00e7a na percep\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de que forma p\u00f5em em perigo as vidas humanas e os locais onde vivemos.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>De o Katrina se tivesse formado com o clima tal como \u00e9 hoje, provavelmente seria um furac\u00e3o ainda mais poderoso<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nDaniel Gilford                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Katrina, quando os media abordavam a possibilidade de a intensidade do furac\u00e3o estar relacionada com o clima em mudan\u00e7a, usavam-se palavras como \u201cteoria\u201d, \u201cpouco prov\u00e1vel\u201d, \u201cacredita-se\u201d, escreve a equipa de Emily Cody, principal autora do estudo. E quando se fala em energia, o foco \u00e9 nos pre\u00e7os, ou nos <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2005\/08\/29\/economia\/noticia\/furacao-katrina-eleva-barril-de-petroleo-acima-dos-70-dolares-em-nova-iorque-1231510\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">mercados<\/a> (a produ\u00e7\u00e3o e transporte de petr\u00f3leo ficou afectada pela tempestade).<\/p>\n<p>Sete anos depois, ap\u00f3s o furac\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2021\/05\/19\/ciencia\/noticia\/6000-milhoes-euros-estragos-furacao-sandy-atribuidos-alteracoes-climaticas-1963085\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sandy<\/a>, a linguagem era diferente. As express\u00f5es \u201caltera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d e \u201caquecimento global\u201d j\u00e1 surgem com alguma frequ\u00eancia, bem como \u201cemiss\u00f5es\u201d, \u201ccarv\u00e3o\u201d e \u201cdi\u00f3xido de carbono\u201d, por exemplo.<\/p>\n<p>Repeti\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel<\/p>\n<p>Esta mudan\u00e7a de linguagem, e de <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/22\/azul\/noticia\/maioria-populacao-quer-travar-crise-climatica-continua-silenciosa-2130523\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c<\/a><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/04\/22\/azul\/noticia\/maioria-populacao-quer-travar-crise-climatica-continua-silenciosa-2130523\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ompreens\u00e3o dos efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/a>, dos fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos, aconteceu em menos de uma d\u00e9cada. Hoje, \u00e9 frequente falarmos em altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas quando confrontados com estas cat\u00e1strofes, como as chuvas intensas e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/08\/mundo\/noticia\/mortos-inundacoes-texas-ja-ultrapassam-centena-2139355\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">inunda\u00e7\u00f5es no Texas<\/a>, no in\u00edcio do Ver\u00e3o.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Habitantes de Nova Orle\u00e3es atravessam a Avenida Tulane com \u00e1gua pela cintura, ap\u00f3s a passagem do Katrina&#13;<br \/>\nSEAN GARDNER\/EPA                    &#13;<\/p>\n<p>Mas se o ent\u00e3o Presidente <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2006\/02\/14\/jornal\/resposta-ao-furacao-katrina--foi-um-falhanco-nacional-63500\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">George W. Bush<\/a> foi intensamente criticado, bem como a ag\u00eancia federal de emerg\u00eancias (FEMA), neste momento, a Administra\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/08\/26\/azul\/noticia\/trump-arriscase-criar-desastre-furacao-katrina-nova-orleaes-2144974\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Donald Trump<\/a> est\u00e1 apostada em eliminar a FEMA e em negar os efeitos \u2014 acabar com a ci\u00eancia \u2014 das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Os apoios \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis nos Estados Unidos tamb\u00e9m est\u00e3o a ser cortados.<\/p>\n<p>Portanto, as probabilidades de algo que parecia imposs\u00edvel, a repeti\u00e7\u00e3o de um desastre como o do Katrina em Nova Orle\u00e3es, parecem cada vez mais elevadas. Uma an\u00e1lise da resseguradora Swiss Re estima que, se acontecesse de novo, a perda de bens segurados chegaria <a href=\"https:\/\/riskandinsurance.com\/hurricane-katrinas-legacy-100-billion-storm-could-strike-again\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">a 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares<\/a> (85.556 milh\u00f5es de euros) \u2014 quase os mesmos 105 mil milh\u00f5es (89.835 milh\u00f5es de euros) de perda de bens segurados provocada pelo Katrina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os ventos de 281 km por hora do furac\u00e3o Katrina, que h\u00e1 20 anos se abateram sobre Nova&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":50783,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[2335,5291,785,27,28,14850,2271,92,413,15,16,14849,14,25,26,14848,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-50782","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alteracoes-climaticas","9":"tag-aquecimento-global","10":"tag-azul","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-catastrofes-naturais","14":"tag-clima","15":"tag-donald-trump","16":"tag-eua","17":"tag-featured-news","18":"tag-featurednews","19":"tag-furacoes","20":"tag-headlines","21":"tag-latest-news","22":"tag-latestnews","23":"tag-longform-katrina","24":"tag-main-news","25":"tag-mainnews","26":"tag-mundo","27":"tag-news","28":"tag-noticias","29":"tag-noticias-principais","30":"tag-noticiasprincipais","31":"tag-principais-noticias","32":"tag-principaisnoticias","33":"tag-top-stories","34":"tag-topstories","35":"tag-ultimas","36":"tag-ultimas-noticias","37":"tag-ultimasnoticias","38":"tag-world","39":"tag-world-news","40":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50782\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}