{"id":50824,"date":"2025-08-29T23:08:07","date_gmt":"2025-08-29T23:08:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50824\/"},"modified":"2025-08-29T23:08:07","modified_gmt":"2025-08-29T23:08:07","slug":"leia-trecho-de-livro-sobre-viagem-no-trem-transiberiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/50824\/","title":{"rendered":"leia trecho de livro sobre viagem no trem Transiberiano"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><strong>Cristina Agostinho\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cPresente de anivers\u00e1rio\u201d\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA ideia partiu de Norma e n\u00e3o me surpreendeu. Partilhamos o mesmo esp\u00edrito aventureiro desde que nos conhecemos em Cuba, nos anos oitenta. Mas fiquei preocupada. N\u00f3s duas hav\u00edamos tido c\u00e2ncer de mama e continu\u00e1vamos em tratamento. Eu come\u00e7ara a tomar um anti-horm\u00f4nio e ela ainda tinha v\u00e1rias sess\u00f5es de imunoterapia pela frente. Era meu anivers\u00e1rio. Est\u00e1vamos no seu aconchegante apartamento to em Buenos Aires, e Norma havia preparado uma pequena comemora\u00e7\u00e3o regada a Malbec e deliciosas empanadas. Foi quando me falou do seu sonho de fazer uma viagem no Expresso Transiberiano. Quando argumentei sobre seus problemas de sa\u00fade, ela respondeu que j\u00e1 havia planejado tudo. A viagem duraria, no m\u00e1ximo, vinte dias, e ir\u00edamos no intervalo entre uma sess\u00e3o e outra da sua imunoterapia. Com mais de setenta anos, n\u00e3o tinha tempo para ficar esperando a cura de suas mazelas. Me contou ainda que havia convidado outras duas amigas para formar o grupo. Cora, eu j\u00e1 conhecia de outras viagens \u00e0 Argentina. Nancy ainda n\u00e3o, por\u00e9m sempre acreditei na afinidade com amigas de minhas amigas. Enquanto o Malbec fazia efeito, divagamos sobre estepes e taigas cobertas de neve, intr\u00e9pidos cavaleiros mong\u00f3is estalando seus chicotes enquanto pastoreavam manadas de cavalos selvagens, rom\u00e2nticas paisagens russas sa\u00eddas dos contos de Tchekhov. At\u00e9 que o teor alco\u00f3lico sacramentou de vez nosso compromisso. Em hip\u00f3tese alguma, desistir\u00edamos do projeto. Aos sessenta e nove anos, eu estava prestes a embarcar na maior aventura de minha vida.\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cEm busca de Tchekhov (1)\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNorma e eu sonh\u00e1vamos com um tour liter\u00e1rio pela cidade por onde passaram ou viveram grandes escritores como Tchekhov, P\u00fatchkin, Dostoievski, Tolstoi, G\u00f3gol, Turgu\u00eaniev e muitos outros. Um sonho invi\u00e1vel para quatro dias em Moscou. Por\u00e9m, Tchekhovetes inveteradas, n\u00f3s duas desej\u00e1vamos, pelo menos, tirar uma foto diante da est\u00e1tua do autor de \u201cTio V\u00e2nia\u201d, \u201cAs Tr\u00eas Irm\u00e3s\u201d e tantos contos inesquec\u00edveis. A recepcionista do hotel nos deu a localiza\u00e7\u00e3o do monumento e o nome da esta\u00e7\u00e3o do metr\u00f4 onde dev\u00edamos descer. Tudo escrito em russo num cart\u00e3o, para mostrar a algu\u00e9m disposto a ajudar as curiosas velhinhas. Quando descemos na esta\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as \u00e0 inestim\u00e1vel ajuda de um jovem que nos indicou a dire\u00e7\u00e3o da rua, l\u00e1 fomos n\u00f3s em busca de Tchekhov. Final mente o encontramos num belo logradouro, no centro da cidade. Um monumento imponente, \u00e0 altura do grande escritor. \u00c9 bem verdade que ele estava acompanhado de outro personagem, e os nomes inscritos no pedestal, em alfabeto cir\u00edlico, eram ileg\u00edveis. Por\u00e9m, o importante \u00e9 que era ELE. E l\u00e1 estava sua figura inconfund\u00edvel, elegante, de sobretudo e cachecol, apoiado num bast\u00e3o. Emocionadas at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas, Norma e eu posamos para fotos aos p\u00e9s do nosso \u00eddolo. Nosso sonho se realizara.\u201d\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cEm busca de Tchekhov (2)\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cNo \u00faltimo dia em Moscou, durante um tour noturno, Norma e eu pedimos \u00e0 atenciosa guia para nos levar at\u00e9 o monumento a Tchekhov. \u00c0 noite, iluminado por holofotes, devia ser magn\u00edfico. Ademais quer\u00edamos nos despedir dele. E a garota se dirigiu at\u00e9 uma modesta est\u00e1tua, num canto escuro da entrada de um edif\u00edcio, na mesma rua do centro. N\u00e3o pode ser! Deve haver algum engano! Ser\u00e1 que essa menina n\u00e3o entendeu o nosso ingl\u00eas? Are you sure, baby? Yes. Sim, era o pr\u00f3prio. At\u00e9 se podia ler, em cir\u00edlico, o seu prenome: \u201cAnton\u201d. Esse homem magro, de olhar entristecido, terno surrado, sem sobretudo, cachecol ou bast\u00e3o, n\u00e3o podia ser Anton Tchekhov. Novas l\u00e1grimas&#8230; de decep\u00e7\u00e3o e raiva! De nada adiantou a guia explicar que a est\u00e1tua estava ao lado do Teatro Tchekhov, onde muitas de suas pe\u00e7as foram encenadas. A homenagem em bronze que os russos lhe prestaram aos 150 anos do seu nascimento, n\u00e3o condizia com a estatura do grande contista, dramaturgo e m\u00e9dico, que at\u00e9 hoje encanta leitores do mundo inteiro. Uma vez ele escreveu estas s\u00e1bias palavras: Valoriza-te para mais; os outros ocupar-se-\u00e3o em baixar o pre\u00e7o. Grande Tchekhov!\u201d (C.A)<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>A Paris da Sib\u00e9ria\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cCaminhar pelo bulevar do Rio Angara em Irkutsky, al\u00e9m da beleza, \u00e9 um passeio liter\u00e1rio. Melhor dizendo, um passeio po\u00e9tico. Em cada banco, sob as frondosas \u00e1rvores, h\u00e1 o poema de um escritor local. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a cidade \u00e9 considerada o maior centro cultural e educacional da Sib\u00e9ria oriental, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, gra\u00e7as ao ex\u00edlio de muitos intelectuais e artistas que se revoltaram contra o Czar. Depois de cumprirem a pena de trabalhos for\u00e7ados, muitos permaneceram por l\u00e1 e se dedicaram a criar gr\u00eamios liter\u00e1rios, teatros e outras atividades culturais.\u201d (C.A)<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>SOBRE O LIVRO\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cUn sue\u00f1o en tren\u201d \u00e9 um livro sobre a viagem que fiz pelo trem Transiberiano, da R\u00fassia \u00e0 China, passando pela Sib\u00e9ria e Mong\u00f3lia, com tr\u00eas amigas argentinas\u201d, conta a mineira Cristina Agostinho, que se define como \u201caventureira por natureza\u201d. Cristina \u00e9 autora de livros infanto-juvenis e de duas biografias: \u201cAs duas Fridas\u201d, sobre Frida Kahlo, e \u201cLuz del Fuego, a bailarina do povo\u201d (com a colabora\u00e7\u00e3o de Branca Maria de Paula e Maria do Carmo Brand\u00e3o), a respeito da dan\u00e7arina e naturalista brasileira. \u201cA escrita compartilhada com as tr\u00eas amigas foi uma experi\u00eancia inolvid\u00e1vel\u201d, define Cristina Agostinho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u201cUN SUE\u00d1O EN TREN\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">De Cora Rojo, Cristina Agostinho, Nancy Sol\u00e1 e Norma Fern\u00e1ndez\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">113 p\u00e1ginas\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">R$ 70\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Lan\u00e7amento neste s\u00e1bado (30\/8), \u00e0s 11h, na Quixote Livraria e Caf\u00e9 (R. Fernandes Tourinho, 274, Savassi, Belo Horizonte)<\/p>\n<p class=\"texto\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cristina Agostinho\u00a0 \u201cPresente de anivers\u00e1rio\u201d\u00a0 \u201cA ideia partiu de Norma e n\u00e3o me surpreendeu. 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