{"id":508322,"date":"2026-09-02T00:36:19","date_gmt":"2026-09-02T00:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/508322\/"},"modified":"2026-09-02T00:36:19","modified_gmt":"2026-09-02T00:36:19","slug":"chemsex-em-sao-paulo-estudo-premiado-revela-uso-de-drogas-no-sexo-e-silencio-no-atendimento-em-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/508322\/","title":{"rendered":"Chemsex em S\u00e3o Paulo: estudo premiado revela uso de drogas no sexo e sil\u00eancio no atendimento em sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Vinicius Francisco<\/strong><\/p>\n<p>Metade das 194 pessoas que participaram de uma pesquisa realizada em um servi\u00e7o especializado em HIV e infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis de S\u00e3o Paulo relatou uso de subst\u00e2ncias em contexto sexual nos seis meses anteriores. Mas outro dado revela uma dimens\u00e3o menos vis\u00edvel do fen\u00f4meno: <strong>apenas 45% disseram j\u00e1 ter conversado com algum profissional de sa\u00fade sobre o uso de drogas<\/strong>.<\/p>\n<p>O contraste est\u00e1 no centro do <strong>Estudo GLOW<\/strong>, desenvolvido na <strong>Casa da Pesquisa, centro de pesquisa vinculado ao Centro de Refer\u00eancia e Treinamento em IST\/Aids do Estado de S\u00e3o Paulo, o CRT-SP<\/strong>.<\/p>\n<p>Liderado pelo m\u00e9dico infectologista <strong>Lucas Rocker Ramos<\/strong>, investigador principal, o GLOW busca compreender o chemsex n\u00e3o apenas a partir das subst\u00e2ncias utilizadas, mas tamb\u00e9m de suas rela\u00e7\u00f5es com sa\u00fade mental, pr\u00e1ticas sexuais, percep\u00e7\u00e3o de risco e estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o do HIV e de outras infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis, as ISTs.<\/p>\n<p>No <strong>15\u00ba Congresso Paulista de Infectologia<\/strong>, realizado entre 26 e 29 de agosto, em S\u00e3o Paulo, diferentes an\u00e1lises do projeto foram apresentadas \u00e0 comunidade cient\u00edfica. Uma delas avaliou a ocorr\u00eancia de chemsex e as subst\u00e2ncias relatadas pelos participantes. Outra investigou justamente a comunica\u00e7\u00e3o entre usu\u00e1rios dos servi\u00e7os e profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Esse segundo trabalho, apresentado pela enfermeira <strong>Giovanna Haimowski<\/strong>, primeira autora da an\u00e1lise, conquistou o <strong>2\u00ba lugar entre os trabalhos de apresenta\u00e7\u00e3o oral do congresso<\/strong>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" data-dominant-color=\"766d69\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #766d69;\" decoding=\"async\" width=\"423\" height=\"750\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Giovanna-Haimowski_MIDIA_NINJA_VINICIUS_FRANCISCO_03-423x750.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4699854 not-transparent\" \/>Cr\u00e9dito: Vinicius Francisco<\/p>\n<p>\u201cA pergunta que motivou esse trabalho foi: como a comunica\u00e7\u00e3o com os profissionais de sa\u00fade se relaciona \u00e0s percep\u00e7\u00f5es de risco e \u00e0s pr\u00e1ticas sexuais?\u201d, explicou Giovanna.<\/p>\n<p>Os resultados apontaram barreiras que n\u00e3o dependem apenas de quem utiliza subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>\u201cOs principais motivos para a conversa n\u00e3o acontecer foram baixa percep\u00e7\u00e3o de risco, falta de iniciativa profissional e medo de julgamento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O que \u00e9 chemsex?<\/p>\n<p>A express\u00e3o <strong>chemsex<\/strong>, formada pelas palavras inglesas chemical e sex, \u00e9 usada para descrever o uso de determinadas subst\u00e2ncias associado \u00e0 atividade sexual. As defini\u00e7\u00f5es podem variar entre estudos e contextos. No GLOW, os pesquisadores investigaram o uso de subst\u00e2ncias psicoativas antes ou durante o sexo.<\/p>\n<p>Subst\u00e2ncias <strong>psicoativas<\/strong> s\u00e3o aquelas que atuam sobre o c\u00e9rebro e podem alterar percep\u00e7\u00e3o, humor, consci\u00eancia ou comportamento.<\/p>\n<p>Para Rocker, por\u00e9m, limitar o debate \u00e0 combina\u00e7\u00e3o entre sexo e drogas significa deixar de enxergar parte importante do fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>\u201cAcho que o primeiro ponto \u00e9 entendermos o uso de drogas na popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. N\u00e3o podemos olhar para esse fen\u00f4meno apenas como uma quest\u00e3o de comportamento individual ou de escolha\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o uso de subst\u00e2ncias pode estar atravessado por fatores como autoestima, estigma, preconceito, rela\u00e7\u00f5es afetivas, experi\u00eancias de viol\u00eancia e sofrimento emocional.<\/p>\n<p>\u201cQuando colocamos a droga dentro do contexto sexual, a complexidade aumenta ainda mais.\u201d<\/p>\n<p>O que o GLOW encontrou<\/p>\n<p>O GLOW ainda est\u00e1 em andamento. A an\u00e1lise apresentada no congresso reuniu <strong>194 question\u00e1rios respondidos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026<\/strong>, de forma online e an\u00f4nima.<\/p>\n<p>Segundo Lucas Rocker, a escolha desse formato buscou oferecer maior privacidade diante de perguntas sobre sexualidade, uso de subst\u00e2ncias e sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>\u201cComo estamos falando de temas bastante sens\u00edveis, entendemos que uma ferramenta online poderia proporcionar maior privacidade aos participantes e, consequentemente, favorecer respostas mais sinceras e fidedignas.\u201d<\/p>\n<p><img data-dominant-color=\"7f7672\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #7f7672;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"422\" height=\"750\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/LUCAS_ROCKER_MIDIA_NINJA_VINICIUS_FRANCISCO-2-422x750.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4699863 not-transparent\" \/>Cr\u00e9dito: Vinicius Francisco<\/p>\n<p>Entre as pessoas pesquisadas, <strong>50% relataram chemsex nos seis meses anteriores<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre aquelas que relataram a pr\u00e1tica, a <strong>cannabis, ou maconha, foi citada por 65%<\/strong>, seguida por <strong>coca\u00edna, 36%; medicamentos para ere\u00e7\u00e3o, 35%; poppers, 32%; ecstasy e GHB, 18% cada; metanfetamina, 14%; e ketamina, 7%<\/strong>.<\/p>\n<p>Alguns desses termos ainda s\u00e3o pouco conhecidos fora dos contextos em que circulam. <strong>Poppers<\/strong> s\u00e3o subst\u00e2ncias inal\u00e1veis, geralmente \u00e0 base de nitritos, de efeito r\u00e1pido. O <strong>GHB<\/strong>, ou gama-hidroxibutirato, reduz a atividade do sistema nervoso central. O <strong>ecstasy<\/strong> \u00e9 frequentemente associado ao MDMA, subst\u00e2ncia estimulante que tamb\u00e9m altera sensa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00e3o. A <strong>metanfetamina<\/strong> \u00e9 um potente estimulante, enquanto a <strong>ketamina<\/strong> \u00e9 um anest\u00e9sico que pode produzir efeitos dissociativos, como altera\u00e7\u00f5es na percep\u00e7\u00e3o do corpo e do ambiente.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool foi analisado separadamente. <strong>78% relataram consumo e, entre essas pessoas, 49% disseram ter realizado atividade sexual sob efeito da bebida.<\/strong><\/p>\n<p>Para Rocker, conhecer qual subst\u00e2ncia \u00e9 utilizada \u00e9 apenas o in\u00edcio da conversa.<\/p>\n<p>\u201cSimplesmente perguntar ao paciente \u2018voc\u00ea usa drogas?\u2019 muitas vezes n\u00e3o \u00e9 suficiente. Precisamos entender qual droga, em qual contexto, com que frequ\u00eancia, por qual motivo e quais s\u00e3o as consequ\u00eancias desse uso.\u201d<\/p>\n<p>O sil\u00eancio no atendimento em sa\u00fade<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que as diferentes an\u00e1lises do GLOW se encontram.<\/p>\n<p>Se metade da amostra relatou chemsex, <strong>apenas 45% disseram j\u00e1 ter conversado com algum profissional de sa\u00fade sobre o uso de drogas<\/strong>.<\/p>\n<p>Para Giovanna, o resultado chama ainda mais aten\u00e7\u00e3o porque os participantes estavam inseridos no contexto de um servi\u00e7o especializado, onde HIV, outras ISTs e sa\u00fade sexual j\u00e1 fazem parte da rotina de cuidado.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 dentro de um cen\u00e1rio de um servi\u00e7o especializado, onde se espera que essa conversa tenha sido mais frequente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><img data-dominant-color=\"928986\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #928986;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"422\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Giovanna-Haimowski_LUCAS_ROCKER_MIDIA_NINJA_VINICIUS_FRANCISCO_01-750x422.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4699866 not-transparent\" \/>Cr\u00e9dito: Vinicius Francisco<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es apontadas para o tema n\u00e3o aparecer no atendimento estavam a baixa percep\u00e7\u00e3o de risco por parte de alguns participantes, o medo de julgamento e tamb\u00e9m a <strong>falta de iniciativa do profissional de sa\u00fade<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO que os dados nos mostram \u00e9 que a gente tem que quebrar essa barreira de comunica\u00e7\u00e3o, abordar mais\u201d, disse Giovanna.<\/p>\n<p>Rocker chega a uma conclus\u00e3o semelhante a partir da pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos perguntar mais, mas principalmente precisamos aprender como perguntar.\u201d<\/p>\n<p>Para o infectologista, colocar exclusivamente sobre o paciente a responsabilidade de iniciar uma conversa sobre drogas, sexo e sa\u00fade mental ignora o peso do estigma.<\/p>\n<p>\u201cSe o servi\u00e7o de sa\u00fade n\u00e3o estiver preparado para acolher essa popula\u00e7\u00e3o, a pessoa simplesmente n\u00e3o vai falar sobre o que est\u00e1 acontecendo. E, sem essa conversa, perdemos a oportunidade de identificar riscos, fazer preven\u00e7\u00e3o e oferecer cuidado no momento certo.\u201d<\/p>\n<p>O julgamento, ou mesmo a expectativa de ser julgado, pode fazer com que informa\u00e7\u00f5es importantes nunca apare\u00e7am durante o atendimento.<\/p>\n<p>\u201cSe o paciente acha que o profissional vai condenar o seu comportamento, ele provavelmente n\u00e3o vai contar que usa drogas, que faz sexo sob efeito de subst\u00e2ncias ou que teve determinada experi\u00eancia sexual. E a\u00ed perdemos justamente a informa\u00e7\u00e3o que precisamos para cuidar melhor.\u201d<\/p>\n<p>Sa\u00fade mental aparece nos dados, mas n\u00e3o explica tudo<\/p>\n<p>A idade m\u00e9dia da amostra foi de <strong>35 anos<\/strong>. Em estat\u00edstica, a mediana \u00e9 o valor que divide um grupo ao meio: metade dos participantes tinha idade abaixo desse n\u00famero e metade, acima.<\/p>\n<p><strong>90% eram homens cisg\u00eanero<\/strong>, ou seja, homens que se identificam com o g\u00eanero masculino atribu\u00eddo a eles ao nascer. <strong>84% eram gays ou outros homens que fazem sexo com homens<\/strong>.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade p\u00fablica e em pesquisas epidemiol\u00f3gicas, esse \u00faltimo grupo costuma ser identificado pela sigla <strong>HSH, homens que fazem sexo com homens<\/strong>. A express\u00e3o descreve uma pr\u00e1tica sexual, e n\u00e3o necessariamente uma identidade. Um homem pode manter rela\u00e7\u00f5es com outros homens sem se identificar como gay ou bissexual.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a e cor, <strong>53% se autodeclararam brancos, 46% pretos ou pardos e 1% asi\u00e1ticos<\/strong>. Cerca de <strong>68% tinham ensino superior ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Outro dado chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores: <strong>47% relataram algum diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico<\/strong>. Entre essas pessoas, 66% faziam uso de medicamentos para tratamento.<\/p>\n<p>Isso, por\u00e9m, <strong>n\u00e3o significa que o estudo tenha demonstrado que o chemsex cause transtornos mentais ou que um diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico leve algu\u00e9m a praticar chemsex<\/strong>.<\/p>\n<p>O desenho da pesquisa permite descrever caracter\u00edsticas encontradas naquele grupo e explorar rela\u00e7\u00f5es entre elas, mas n\u00e3o estabelecer, sozinho, uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<\/p>\n<p>Para Rocker, a presen\u00e7a da sa\u00fade mental nos resultados refor\u00e7a justamente a necessidade de evitar respostas simplistas.<\/p>\n<p>\u201cA droga muitas vezes pode ser apenas a ponta de um problema muito maior. Por tr\u00e1s daquele uso podem existir camadas de sofrimento, inseguran\u00e7a, baixa autoestima, estigma, preconceito, dificuldades afetivas ou quest\u00f5es de sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n<p>Quem as pesquisas ainda n\u00e3o conseguem enxergar?<\/p>\n<p>H\u00e1 outra cautela fundamental: <strong>os resultados do GLOW n\u00e3o podem ser generalizados para toda a popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ de S\u00e3o Paulo ou do Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>A maior parte dos participantes foi recrutada em um servi\u00e7o especializado em HIV e ISTs. A amostra tamb\u00e9m apresentou predomin\u00e2ncia de homens cisg\u00eanero que fazem sexo com homens, pessoas brancas e participantes com maior escolaridade.<\/p>\n<p>Para Rocker, isso produz uma pergunta importante para os pr\u00f3ximos estudos.<\/p>\n<p>\u201cSer\u00e1 que estamos realmente vendo quem mais usa, ou estamos vendo quem mais conseguimos estudar?\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador destaca a poss\u00edvel sub-representa\u00e7\u00e3o de pessoas trans e negras.<\/p>\n<p>\u201cEssas popula\u00e7\u00f5es podem estar sub-representadas nessas pesquisas e, consequentemente, seus padr\u00f5es de uso, suas motiva\u00e7\u00f5es e as drogas utilizadas podem estar sendo invisibilizadas.\u201d<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 essencial para interpretar os resultados. <strong>Encontrar determinado perfil entre os participantes de uma pesquisa n\u00e3o significa demonstrar que esse seja o perfil de quem mais pratica chemsex na popula\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>PrEP, HIV e preven\u00e7\u00e3o combinada<\/p>\n<p>Entre os participantes do GLOW, <strong>77% utilizavam PrEP e 23% viviam com HIV<\/strong>.<\/p>\n<p>A <strong>PrEP, profilaxia pr\u00e9-exposi\u00e7\u00e3o ao HIV<\/strong>, \u00e9 uma estrat\u00e9gia de preven\u00e7\u00e3o utilizada por pessoas que n\u00e3o vivem com o v\u00edrus. Ela consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes de poss\u00edveis exposi\u00e7\u00f5es ao HIV e, quando utilizada corretamente, reduz de forma muito significativa a possibilidade de adquirir o v\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201cA PrEP, quando utilizada corretamente, \u00e9 uma ferramenta fundamental para preven\u00e7\u00e3o do HIV\u201d, afirma Rocker.<\/p>\n<p>Ela, por\u00e9m, <strong>previne o HIV e n\u00e3o todas as outras ISTs<\/strong>.<\/p>\n<p>Por isso, a sa\u00fade p\u00fablica trabalha com o conceito de <strong>preven\u00e7\u00e3o combinada<\/strong>, que re\u00fane diferentes estrat\u00e9gias de acordo com as necessidades de cada pessoa. Entre elas est\u00e3o PrEP, preservativos, testagem peri\u00f3dica para HIV e outras ISTs, vacina\u00e7\u00e3o para infec\u00e7\u00f5es que possuem imunizantes dispon\u00edveis, diagn\u00f3stico e tratamento oportunos e redu\u00e7\u00e3o de danos.<\/p>\n<p>Para quem vive com HIV, o pr\u00f3prio tratamento tamb\u00e9m \u00e9 uma importante ferramenta de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os <strong>antirretrovirais<\/strong> s\u00e3o medicamentos que impedem a multiplica\u00e7\u00e3o do HIV no organismo. Com o tratamento adequado, a quantidade de v\u00edrus no sangue pode cair a n\u00edveis t\u00e3o baixos que os exames de rotina n\u00e3o conseguem detect\u00e1-la. \u00c9 o que se chama de <strong>carga viral indetect\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n<p>Quando essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 mantida de forma sustentada, <strong>a pessoa n\u00e3o transmite o HIV por via sexual<\/strong>. \u00c9 o princ\u00edpio cient\u00edfico conhecido como <strong>Indetect\u00e1vel = Intransmiss\u00edvel, ou I=I<\/strong>.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o de danos n\u00e3o \u00e9 incentivo ao uso<\/p>\n<p>Outro conceito central para Rocker \u00e9 a <strong>redu\u00e7\u00e3o de danos<\/strong>.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade p\u00fablica, a abordagem reconhece que o cuidado n\u00e3o deve depender de uma pessoa interromper imediatamente o uso de determinada subst\u00e2ncia. O objetivo \u00e9 diminuir riscos e consequ\u00eancias negativas, oferecer informa\u00e7\u00e3o e manter o v\u00ednculo com os servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que n\u00e3o queremos incentivar o uso de drogas. Mas, se a pessoa vai utilizar uma subst\u00e2ncia, precisamos garantir que ela tenha informa\u00e7\u00e3o suficiente para reduzir os riscos. Ela precisa conhecer os efeitos daquilo que est\u00e1 usando, entender quais situa\u00e7\u00f5es podem representar maior risco e, principalmente, saber quais s\u00e3o os seus pr\u00f3prios limites\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Redu\u00e7\u00e3o de danos tamb\u00e9m significa substituir julgamento por escuta.<\/p>\n<p>Para Rocker, preparar os servi\u00e7os para abordar <strong>chemsex<\/strong> exige forma\u00e7\u00e3o continuada dos profissionais, equipes multidisciplinares, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental e participa\u00e7\u00e3o de pessoas da pr\u00f3pria comunidade na constru\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias de cuidado.<\/p>\n<p>\u201cO mais importante \u00e9 n\u00e3o transformar essas pessoas em \u2018usu\u00e1rios de drogas\u2019 antes de enxerg\u00e1-las como pessoas. Precisamos entender as motiva\u00e7\u00f5es, o contexto e o sofrimento que podem estar por tr\u00e1s desse comportamento.\u201d<\/p>\n<p>O GLOW n\u00e3o oferece um retrato definitivo do chemsex no Brasil. Seus resultados descrevem uma popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e deixam perguntas que ainda precisar\u00e3o ser respondidas por estudos capazes de alcan\u00e7ar grupos mais diversos.<\/p>\n<p>Mas o trabalho premiado no Congresso Paulista de Infectologia coloca em evid\u00eancia uma barreira que os servi\u00e7os de sa\u00fade j\u00e1 podem enfrentar: <strong>quando o paciente teme ser julgado e o profissional n\u00e3o abre espa\u00e7o para a conversa, oportunidades de preven\u00e7\u00e3o e cuidado podem ser perdidas<\/strong>.<\/p>\n<p>Para Giovanna, os resultados mostram a necessidade de romper essa barreira de comunica\u00e7\u00e3o. Para Rocker, o caminho passa pela constru\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os onde drogas, sexualidade e sa\u00fade mental possam ser discutidas sem moralismo.<\/p>\n<p>\u201cA informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o incentiva o uso de drogas\u201d, resume o infectologista. \u201cA informa\u00e7\u00e3o permite que as pessoas fa\u00e7am escolhas mais conscientes e reduzam danos quando o uso acontece.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Vinicius Francisco Metade das 194 pessoas que participaram de uma pesquisa realizada em um servi\u00e7o especializado em&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":508323,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":["post-508322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117198651248460000","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=508322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508322\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/508323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=508322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=508322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=508322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}