{"id":5098,"date":"2025-07-28T09:48:05","date_gmt":"2025-07-28T09:48:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5098\/"},"modified":"2025-07-28T09:48:05","modified_gmt":"2025-07-28T09:48:05","slug":"nao-senhor-primeiro-ministro-nao-temos-dinheiro-para-isso-megafone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5098\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, senhor primeiro-ministro, n\u00e3o temos dinheiro para isso | Megafone"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o, senhor primeiro-ministro.<\/p>\n<p>Se tivermos 30 anos, um sal\u00e1rio m\u00e9dio e quisermos uma casa, como lhe foi perguntado no Programa &#8220;Pol\u00edtica Com Assinatura&#8221; pela jornalista Nat\u00e1lia Carvalho, \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o vamos conseguir. A sua resposta vagarosa, iniciada por um hesitante &#8220;acho que sim&#8221; e continuada atrav\u00e9s de um inconsciente &#8220;na medida em que eu j\u00e1 tamb\u00e9m passei por isso&#8221;, \u00e9 demonstrativa da incapacidade dos jovens de planearem o seu futuro com base nas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f3micas atuais.<\/p>\n<p>N\u00e3o, senhor primeiro-ministro, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o chegamos a esse objetivo na pr\u00e1tica como estamos, simbolicamente, a criar um esp\u00edrito de desilus\u00e3o face a v\u00e1rias possibilidades. O trabalho est\u00e1vel n\u00e3o nos \u00e9 uma realidade conhecida, pois o mercado prefere desaproveitar as nossas compet\u00eancias ao longo de anos de estudo e <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/30\/p3\/noticia\/quinto-jovens-portugueses-competencias-trabalho-2138373?ref=educacao\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">apelid\u00e1-las &#8220;sobrequalifica\u00e7\u00e3o&#8221;<\/a>. Mas se n\u00e3o possu\u00edmos o saber t\u00e9cnico desejado, incluindo em an\u00fancios de emprego rid\u00edculos que pedem anos de experi\u00eancia para depois oferecerem um est\u00e1gio, dizem-nos para irmos estudar. Afirma-se que no meio est\u00e1 a virtude, contudo, perante um campo laboral t\u00e3o saturado e submisso a uma l\u00f3gica capitalista de descarte e rotatividade r\u00e1pida, resta-nos pouco para al\u00e9m do desemprego ou da precariedade.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DJaGsMhBMjG\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"\/><p>&#13;<br \/>\n&#13;<\/p>\n<p>Ora, como \u00e9 \u00f3bvio, in\u00fameras s\u00e3o as vezes em que nos \u00e9 vedada a tentativa de independ\u00eancia. Portugal \u00e9 dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia onde os jovens saem mais tarde de casa dos pais por algum motivo, senhor primeiro-ministro, chegando a valores que n\u00e3o andam muito longe do dobro da idade com que saem os jovens suecos, por exemplo. N\u00e3o \u00e9 nosso desejo levar os pais a sustentar-nos ad aeternum, e o sentimento de tentar a sorte e ter de voltar ao ninho \u00e9 profundamente duro e desmotivador. Todavia, a elite pol\u00edtica parece n\u00e3o compreender estes dados e fala de um pa\u00eds imagin\u00e1rio, onde os mais novos t\u00eam todas as oportunidades, cabendo somente aos mesmos aproveit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Quanta arrog\u00e2ncia na forma de pensar dos governantes. Senhor primeiro-ministro, falou-se de 30 anos, mas aos 20 ou aos 35 \u00e9 diferente? E aos 36, quando, repentinamente, gra\u00e7as \u00e0s suas medidas, o jovem deixa de ser jovem e perde uma s\u00e9rie de \u201cregalias\u201d, sem uma transi\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para a nova fase de vida?<\/p>\n<p>Este \u00e9 um problema de uma gera\u00e7\u00e3o inteira, ou at\u00e9 de mais do que uma, abarcando diferentes idades. Por outro lado, a pergunta que lhe foi colocada tamb\u00e9m assumiu como valor de refer\u00eancia o sal\u00e1rio m\u00e9dio. Sabe quanto \u00e9 esse valor em Portugal? N\u00e3o precisa de questionar os assessores, eu digo-lho a partir de uma pesquisa r\u00e1pida: ronda os 1500\u20ac, 1600\u20ac. Uma fortuna, n\u00e3o \u00e9? Dados os padr\u00f5es de vida nacionais. \u00c9 claro que j\u00e1 come\u00e7amos a caminhar no vago, visto que toda a m\u00e9dia tem um desvio-padr\u00e3o associado e, esse, raramente encontramos.<\/p>\n<p>Portanto, at\u00e9 que ponto este sal\u00e1rio representa realmente valores pr\u00f3ximos \u00e0 m\u00e9dia n\u00e3o sabemos. Mas sabemos uma coisa: se o Primeiro-Ministro titubeia diante destes ordenados, ent\u00e3o, se pensasse no sal\u00e1rio m\u00ednimo, tornar-se-ia claro qual seria a sua resposta franca. Ou n\u00e3o teria coragem pol\u00edtica para a afirmar?<\/p>\n<p>Caro Lu\u00eds Montenegro: os jovens adultos anseiam por uma vida digna, honrada, empenhada e que permita demonstrar o seu valor no emprego e noutras esferas da din\u00e2mica social. Um pa\u00eds que esquece os jovens \u00e9 uma sociedade que n\u00e3o quer progredir e que definha lentamente. Se deseja, efetivamente, enobrecer as condi\u00e7\u00f5es daqueles que se posicionam como o futuro de Portugal, comece, talvez, pelo mais f\u00e1cil (que muitas vezes \u00e9 o mais dif\u00edcil) e que n\u00e3o implica nenhuma medida jur\u00eddica ou econ\u00f3mica: mudar mentalidades, alterar representa\u00e7\u00f5es ilus\u00f3rias. Incluindo a sua.<\/p>\n<p>            <script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o, senhor primeiro-ministro. Se tivermos 30 anos, um sal\u00e1rio m\u00e9dio e quisermos uma casa, como lhe foi perguntado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5099,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,301,456,14,25,26,21,22,12,13,19,20,534,1824,542,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-5098","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-governo","13":"tag-habitacao","14":"tag-headlines","15":"tag-latest-news","16":"tag-latestnews","17":"tag-main-news","18":"tag-mainnews","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-p3","24":"tag-p3-cronica","25":"tag-para-redes","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5098","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5098"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5098\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}