{"id":512072,"date":"2026-09-04T19:35:13","date_gmt":"2026-09-04T19:35:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512072\/"},"modified":"2026-09-04T19:35:13","modified_gmt":"2026-09-04T19:35:13","slug":"drones-ucranianos-cacaram-sem-perdao-os-blindados-dos-eua-durante-10-dias-depois-ensinaram-os-americanos-como-se-faz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512072\/","title":{"rendered":"Drones ucranianos \u2018ca\u00e7aram\u2019 sem perd\u00e3o os blindados dos EUA durante 10 dias. Depois ensinaram os americanos como se faz"},"content":{"rendered":"<p>Durante dez dias, uma companhia mecanizada do Ex\u00e9rcito dos EUA tentou sobreviver num campo de batalha onde quase todos os seus movimentos podiam ser observados do c\u00e9u. Do outro lado estavam operadores ucranianos de drones que n\u00e3o tinham aprendido aquelas t\u00e9cnicas apenas em exerc\u00edcios: traziam consigo anos de experi\u00eancia de uma guerra real.<\/p>\n<p>\tEscolha a Executive Digest como fonte preferida no Google<br \/>\n\t<a href=\"https:\/\/www.google.com\/preferences\/source?q=https%3A%2F%2Fexecutivedigest.sapo.pt%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" style=\"flex:0 0 auto;padding:8px 18px;border-radius:7px;background:#1a73e8;color:#fff;font-size:14px;font-weight:700;text-decoration:none;white-space:nowrap;\">Escolher \u203a<\/a><\/p>\n<p>O resultado obrigou os americanos a mudar rapidamente a forma como movimentavam os seus blindados Bradley, escondendo-os entre \u00e1rvores, dispersando homens e ve\u00edculos e chegando a conduzir m\u00e1quinas pesadas por encostas com inclina\u00e7\u00f5es de cerca de 40 graus para escapar aos olhos que os procuravam no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Depois aconteceu uma invers\u00e3o: os ucranianos deixaram de ser o inimigo e passaram para o lado americano.<\/p>\n<p>E come\u00e7aram a mostrar-lhes como se combate com drones.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio ocorreu durante o exerc\u00edcio Combined Resolve, realizado esta primavera no centro de treino militar de Hohenfels, na Alemanha, e foi agora contado na primeira pessoa pelo capit\u00e3o Allan W. Watson, comandante da Blackhawk Company, 2.\u00ba Batalh\u00e3o do 7.\u00ba Regimento de Cavalaria do Ex\u00e9rcito dos EUA.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>O relato, publicado na \u2018Task &amp; Purpose\u2019 e recuperado pela \u2018United24 Media\u2019, procura tamb\u00e9m corrigir uma ideia que ganhou for\u00e7a depois dos exerc\u00edcios: a de que os drones ucranianos teriam simplesmente \u201carrasado\u201d as for\u00e7as blindadas americanas. Watson considera essa descri\u00e7\u00e3o demasiado simplista, mas reconhece que a experi\u00eancia obrigou os seus homens a adaptar-se rapidamente a uma realidade diferente.<\/p>\n<p><strong>Os drones j\u00e1 estavam \u00e0 espera<\/strong><\/p>\n<p>A Blackhawk Company iniciou o exerc\u00edcio de dez dias a 22 de abril. Os Bradley entraram no campo de treino alem\u00e3o em coluna e atrav\u00e9s de um ponto de acesso limitado.<\/p>\n<p>Os ucranianos j\u00e1 estavam no c\u00e9u.<\/p>\n<p>A unidade americana enfrentava operadores da 412\u00aa Brigada de Sistemas N\u00e3o Tripulados Nemesis, uma forma\u00e7\u00e3o ucraniana especializada em drones e com experi\u00eancia adquirida no combate contra as for\u00e7as russas.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Os dois grupos tinham-se encontrado antes do in\u00edcio da fase operacional. Mas quando o exerc\u00edcio come\u00e7ou, os ensinamentos passaram rapidamente da teoria para a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os drones de reconhecimento ucranianos conseguiam observar a forma\u00e7\u00e3o americana a partir do ar, colocando um problema particularmente dif\u00edcil a uma unidade habituada a pensar o campo de batalha sobretudo a partir do terreno.<\/p>\n<p>A companhia tamb\u00e9m n\u00e3o dispunha de alguns dos mais recentes sistemas contra drones que o Ex\u00e9rcito dos EUA est\u00e1 atualmente a testar.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou pela dispers\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Bradleys escondidos debaixo das \u00e1rvores<\/strong><\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Em vez de concentrarem ve\u00edculos e militares em forma\u00e7\u00f5es convencionais, os americanos come\u00e7aram a espalh\u00e1-los tanto quanto poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Os Bradley foram escondidos debaixo de vegeta\u00e7\u00e3o densa. As tripula\u00e7\u00f5es come\u00e7aram tamb\u00e9m a fazer uma pergunta que ganha import\u00e2ncia num campo de batalha coberto por drones: como \u00e9 que o nosso ve\u00edculo parece visto de cima?<\/p>\n<p>\u201cPass\u00e1mos a ser mais deliberados nos nossos movimentos\u201d, explicou Watson. A unidade come\u00e7ou a estudar a sua pr\u00f3pria assinatura a\u00e9rea, em vez de se preocupar apenas com aquilo que os militares conseguiam observar ao n\u00edvel do solo.<\/p>\n<p>As estradas e caminhos representavam outro problema.<\/p>\n<p>Eram as rotas naturais para ve\u00edculos pesados, mas eram tamb\u00e9m os locais mais previs\u00edveis para os operadores de drones procurarem os americanos.<\/p>\n<p>Por isso, deixaram-nos.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Bradley em encostas de 40 graus<\/strong><\/p>\n<p>A companhia come\u00e7ou a procurar ravinas, vales, depress\u00f5es no terreno e zonas densamente arborizadas onde fosse mais dif\u00edcil manter os ve\u00edculos sob observa\u00e7\u00e3o a\u00e9rea.<\/p>\n<p>Isso obrigou os Bradley a chegar a locais onde normalmente uma forma\u00e7\u00e3o mecanizada preferiria n\u00e3o entrar.<\/p>\n<p>Watson descreve momentos em que se encontrava praticamente de lado na torre do seu Bradley enquanto os pelot\u00f5es atravessavam encostas com cerca de 40 graus de inclina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era levar os ve\u00edculos aos seus limites, mas o terreno oferecia aquilo que os americanos procuravam: cobertura natural.<\/p>\n<p>Os drones continuaram a encontr\u00e1-los e o exerc\u00edcio registou perdas simuladas de Bradley, tanques e respetivas tripula\u00e7\u00f5es. Watson salienta, por\u00e9m, que o cen\u00e1rio tinha sido deliberadamente desenhado para exercer a m\u00e1xima press\u00e3o sobre as unidades e permitir que cometessem erros num exerc\u00edcio em vez de os descobrirem numa guerra.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>E rejeita uma das conclus\u00f5es mais f\u00e1ceis: os drones n\u00e3o demonstraram que os grandes blindados se tornaram in\u00fateis.<\/p>\n<p><strong>Os tanques n\u00e3o morreram. T\u00eam \u00e9 de aprender a esconder-se<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o comandante, os Bradley e os tanques Abrams continuaram a oferecer duas vantagens essenciais: prote\u00e7\u00e3o aos militares no interior e capacidade para atravessar rapidamente terrenos que atrasariam for\u00e7as mais ligeiras.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o americana foi, portanto, diferente.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 necessariamente o blindado. \u00c9 utiliz\u00e1-lo segundo regras concebidas para uma \u00e9poca em que n\u00e3o havia pequenos olhos baratos permanentemente no c\u00e9u.<\/p>\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia tem demonstrado precisamente como drones de reconhecimento e ataque podem localizar movimentos, acompanhar unidades e transmitir coordenadas para outros sistemas de armas.<\/p>\n<p>E foi na segunda metade do exerc\u00edcio que os americanos puderam observar essa experi\u00eancia do lado oposto.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Os \u201cca\u00e7adores\u201d passaram para o lado americano<\/strong><\/p>\n<p>Ao sexto dia, a Blackhawk Company passou das opera\u00e7\u00f5es defensivas para as ofensivas.<\/p>\n<p>E a Nemesis mudou de lado.<\/p>\n<p>Os mesmos ucranianos que tinham passado v\u00e1rios dias a procurar os Bradley a partir do c\u00e9u come\u00e7aram a trabalhar ao lado dos americanos.<\/p>\n<p>Foi, segundo Watson, uma das partes mais valiosas de todo o exerc\u00edcio.<\/p>\n<p>Os operadores ucranianos demonstraram t\u00e9cnicas aperfei\u00e7oadas durante anos de combate, incluindo formas de fazer drones relativamente baratos percorrerem dist\u00e2ncias surpreendentes.<\/p>\n<p>Mas uma das principais li\u00e7\u00f5es n\u00e3o estava propriamente no drone.<\/p>\n<p>Estava na velocidade com que a informa\u00e7\u00e3o circulava.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p><strong>Ver um alvo e atac\u00e1-lo antes que desapare\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Os ucranianos mostraram aos americanos como reduzir aquilo que os militares designam por cadeia \u201csensor-to-shooter\u201d.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio \u00e9 simples: um sensor \u2014 neste caso, muitas vezes um drone \u2014 encontra um alvo; \u00e9 necess\u00e1rio identific\u00e1-lo, determinar a localiza\u00e7\u00e3o, transmitir essa informa\u00e7\u00e3o \u00e0 arma capaz de o atingir e disparar.<\/p>\n<p>Quanto mais tempo todo o processo demorar, maior \u00e9 a possibilidade de o alvo desaparecer.<\/p>\n<p>Watson descreveu aquilo que observou como uma verdadeira \u201cmasterclass\u201d na gest\u00e3o e velocidade desta cadeia, combinando tecnologia com t\u00e1ticas desenvolvidas em combate.<\/p>\n<p>Os americanos sa\u00edram da Alemanha com t\u00e9cnicas que o comandante acredita poderem agora ser incorporadas nas pr\u00f3prias forma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas houve uma \u00faltima conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar dos drones, sensores, comunica\u00e7\u00f5es e sistemas cada vez mais sofisticados, Watson considera que o ser humano continua a ser o elemento decisivo \u2014 e tamb\u00e9m uma vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Blackhawk Company conseguiu, em determinados momentos, virar o jogo contra os operadores ucranianos.<\/p>\n<p>\u201cQuando manobr\u00e1mos e fizemos os ca\u00e7adores da Nemesis sentirem-se como os ca\u00e7ados, os c\u00e9us ficaram limpos\u201d, escreveu o capit\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois de dez dias, a li\u00e7\u00e3o n\u00e3o era que os Bradley e Abrams tinham deixado de ter lugar no campo de batalha.<\/p>\n<p>Era outra: num campo de batalha onde algu\u00e9m pode estar permanentemente a observar do c\u00e9u, at\u00e9 uma das for\u00e7as mecanizadas mais poderosas do mundo tem de reaprender onde se esconde, por onde se move e, sobretudo, como parece quando vista de cima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante dez dias, uma companhia mecanizada do Ex\u00e9rcito dos EUA tentou sobreviver num campo de batalha onde quase&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":512073,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":["post-512072","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117214453903413448","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512072","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512072"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512072\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/512073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512072"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512072"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512072"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}