{"id":512228,"date":"2026-09-04T22:16:17","date_gmt":"2026-09-04T22:16:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512228\/"},"modified":"2026-09-04T22:16:17","modified_gmt":"2026-09-04T22:16:17","slug":"mudanca-de-paradigma-com-tratamento-personalizado-em-hematologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512228\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a de paradigma com tratamento personalizado em hematologia"},"content":{"rendered":"<p>Durante anos, o diagn\u00f3stico de cancro foi sin\u00f3nimo de uma dura senten\u00e7a, que gerava um medo profundo do desconhecido e a incerteza quanto \u00e0 possibilidade de um futuro. E ainda mais se falamos de cancros do sangue que, devido \u00e0 sua complexidade e ao desconhecimento que acompanha o tema, podem ser aterradores para quem enfrenta esta situa\u00e7\u00e3o pela primeira vez.\u00a0<\/p>\n<p>Felizmente, em muitos tipos de tumor, e os hematol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o, esta realidade tem vindo a alterar-se nas \u00faltimas d\u00e9cadas devido, sobretudo, aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e cient\u00edficos, que t\u00eam permitido disponibilizar aos profissionais de sa\u00fade mais e melhores op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio em que o n\u00famero de diagn\u00f3sticos oncol\u00f3gicos aumenta todos os anos, a medicina de precis\u00e3o, com tratamentos cada vez mais personalizados, tem dado passos significativos e contribu\u00eddo decisivamente para a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade.<\/p>\n<p>Em Portugal, e especificamente no que toca aos tumores hematol\u00f3gicos, estes representam, na sua globalidade, cerca de 8% a 9% do total de novos tumores diagnosticados todos os anos, o que equivale a mais de 5.400 novos casos por ano1. Os cancros do sangue, que incluem leucemias, linfomas e mielomas afetam, devido \u00e0s suas especificidades, o sistema imunit\u00e1rio e raramente formam massas s\u00f3lidas, o que, por si, torna o seu diagn\u00f3stico precoce num enorme desafio.<\/p>\n<p>Setembro \u00e9 o m\u00eas de Sensibiliza\u00e7\u00e3o para os Cancros do Sangue e, dia 4, assinala-se o Dia Mundial da Leucemia. Estas datas convidam a refletir sobre o papel e o impacto da inova\u00e7\u00e3o e do acesso na gera\u00e7\u00e3o de valor para o doente. Ambas as datas s\u00e3o uma oportunidade para recordar que, por detr\u00e1s de cada diagn\u00f3stico, existe uma hist\u00f3ria \u00fanica e que a inova\u00e7\u00e3o em sa\u00fade s\u00f3 faz verdadeiramente a diferen\u00e7a quando consegue responder a essa singularidade.<\/p>\n<p>Nos cancros do sangue, e em particular na Leucemia Linfoc\u00edtica Cr\u00f3nica (LLC), a forma mais frequente de leucemia em adultos nos pa\u00edses ocidentais2,3, estamos a assistir a uma transforma\u00e7\u00e3o relevante. O tratamento teve uma evolu\u00e7\u00e3o enorme nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o que levou \u00e0 passagem de uma medicina orientada para a doen\u00e7a para uma medicina orientada para a pessoa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, passamos da quimioterapia convencional para terap\u00eauticas direcionadas, assim como uma sele\u00e7\u00e3o de tratamentos cada vez mais baseada tanto em biomarcadores e caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas da doen\u00e7a, como tamb\u00e9m nas circunst\u00e2ncias individuais do doente.<\/p>\n<p>De facto, dois doentes podem partilhar o mesmo diagn\u00f3stico, mas a evolu\u00e7\u00e3o da sua doen\u00e7a pode ser muito diferente e vai para al\u00e9m das quest\u00f5es meramente biol\u00f3gicas. As equipas de acompanhamento ao doente, de cariz multidisciplinares, devem ter em conta diversos aspetos, e entre estes, \u00e9 tamb\u00e9m necess\u00e1rio compreender o contexto familiar e social do doente, as suas prefer\u00eancias, o seu estilo de vida, uma vez que tudo impacta o resultado. De facto, o foco deixou de ser na escolha &#8220;do tratamento mais adequado para esta doen\u00e7a\u201d e passou a ser em \u201cqual o tratamento mais adequado para esta pessoa, com estas caracter\u00edsticas\u201d.<\/p>\n<p>A medicina atual n\u00e3o procura apenas identificar a doen\u00e7a. Procura acima de tudo compreend\u00ea-la em profundidade para que, aliada \u00e0s caracter\u00edsticas do doente, se possa escolher a estrat\u00e9gia terap\u00eautica mais adequada. Trata-se de uma mudan\u00e7a que beneficia o doente e, simultaneamente, contribui para uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Num contexto em que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa continua a envelhecer e em que doen\u00e7as como a LLC ter\u00e3o um peso crescente, torna-se ainda mais importante investir numa abordagem que combine ci\u00eancia, tecnologia, acesso e, sobretudo, as pessoas. O futuro da oncologia n\u00e3o passa apenas por diagnosticar precocemente e descobrir novos tratamentos, mas por garantir que cada decis\u00e3o cl\u00ednica \u00e9 sustentada pelo melhor conhecimento dispon\u00edvel e adaptada \u00e0s necessidades concretas de cada pessoa.<\/p>\n<p>A medicina personalizada j\u00e1 deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade em muitas \u00e1reas da oncologia e os tumores hematol\u00f3gicos s\u00e3o disso um exemplo. O pr\u00f3ximo passo depende do trabalho conjunto de todas as partes envolvidas no processo, quer sejam profissionais de sa\u00fade, decisores, investigadores, ind\u00fastria farmac\u00eautica e a pr\u00f3pria sociedade. Porque o verdadeiro progresso n\u00e3o acontece quando a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Acontece quando ela chega, em tempo \u00fatil, \u00e0s pessoas que dela precisam.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Marques Veras, Country Manager da BeOne Medicines Portugal<\/p>\n<p>1 \u2013 Dados divulgados no Relat\u00f3rio do\u00a0Registo Oncol\u00f3gico Nacional de 2021 (RON 2021).<\/p>\n<p>2 &#8211; Eichhorst, B. et al. Chronic lymphocytic leakaemia: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. s.l. : Annals of Oncology, 2015. pp. 78-84. 10.1093\/annonc\/mdv303.<\/p>\n<p>3 &#8211; Scarfo, Lydia, Ferreri, Andr\u00e9s and Ghia, Paolo. Chronic lymphocytic leukaemia. Milan: Critical Reviews in Oncology\/Hematology, 2016. pp. 169-182. 10.1016\/j.cretrevonc.2016.06.003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante anos, o diagn\u00f3stico de cancro foi sin\u00f3nimo de uma dura senten\u00e7a, que gerava um medo profundo do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":512229,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":["post-512228","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117215086789143135","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512228","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512228"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512228\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/512229"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}