{"id":512680,"date":"2026-09-05T11:54:17","date_gmt":"2026-09-05T11:54:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512680\/"},"modified":"2026-09-05T11:54:17","modified_gmt":"2026-09-05T11:54:17","slug":"as-ondas-de-calor-no-oceano-ja-fizeram-uma-vitima-em-terra-as-criancas-que-vivem-em-cidades-costeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512680\/","title":{"rendered":"As ondas de calor no oceano j\u00e1 fizeram uma v\u00edtima em terra: as crian\u00e7as que vivem em cidades costeiras"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/as-ondas-de-calor-no-oceano-ja-fizeram-uma-vitima-em-terra-as-criancas-que-vivem-em-cidades-costeira.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Estudo liderado por investigadores da Penn State e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e publicado na Proceedings of the National Academy Sciences of the United States of America revela que as ondas de calor marinhas podem estar a colocar em risco a sa\u00fade e a sobreviv\u00eancia das crian\u00e7as que vivem em comunidades costeiras de pa\u00edses de rendimento baixo e m\u00e9dio.\" data-image=\"foti549kgf95\"\/>Estudo liderado por investigadores da Penn State e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e publicado na Proceedings of the National Academy Sciences of the United States of America revela que as ondas de calor marinhas podem estar a colocar em risco a sa\u00fade e a sobreviv\u00eancia das crian\u00e7as que vivem em comunidades costeiras de pa\u00edses de rendimento baixo e m\u00e9dio.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1788609255_795_alfredo-graca.jpg\" alt=\"Alfredo Gra\u00e7a\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/alfredo-graca\/\" title=\"Alfredo Gra\u00e7a\" data-mrf-recirculation=\"pre_article_author\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alfredo Gra\u00e7a<\/a>        05\/09\/2026 12:03   7 min    <\/p>\n<p>O aquecimento do oceano n\u00e3o se limita aos corpos de \u00e1gua marinhos. As ondas de calor marinhas, per\u00edodos durante os quais a temperatura da superf\u00edcie do oceano permanece anormalmente elevada, podem <strong>estar a colocar em risco a sa\u00fade e a sobreviv\u00eancia das crian\u00e7as que vivem em comunidades costeiras de pa\u00edses de rendimento baixo e m\u00e9dio<\/strong>.<\/p>\n<p>O objetivo da investiga\u00e7\u00e3o passou por <strong>perceber se a exposi\u00e7\u00e3o a ondas de calor marinhas nos meses e nos anos anteriores estava relacionada com diferentes indicadores de sa\u00fade infantil.<\/strong> Para tal, a equipa procedeu \u00e0 an\u00e1lise de dados de sa\u00fade e sobreviv\u00eancia de crian\u00e7as e mulheres provenientes de mais de 9800 locais costeiros em 36 pa\u00edses, cruzando-os com informa\u00e7\u00e3o global sobre a temperatura da superf\u00edcie do mar.<\/p>\n<p>Um oceano mais quente torna as crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis<\/p>\n<p>H\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o preocupante que se evidencia nos resultados. O aumento do desvio-padr\u00e3o no n\u00famero de ondas de calor marinhas durante um per\u00edodo de dois anos esteve associado a um aumento de 5,4% na probabilidade de mortalidade infantil, de 6,5% na emacia\u00e7\u00e3o (baixo peso para a altura) e de 8,8% na de atraso no crescimento (baixa estatura para a idade). A quest\u00e3o que se imp\u00f5e \u00e9: c<strong>omo pode ent\u00e3o o calor no oceano chegar ao prato e a partir da\u00ed afetar o crescimento de uma crian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/1788609257_401_as-ondas-de-calor-no-oceano-ja-fizeram-uma-vitima-em-terra-as-criancas-que-vivem-em-cidades-costeira.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Os investigadores real\u00e7am a import\u00e2ncia de prestar aten\u00e7\u00e3o aos impactos destas ondas de calor marinhas na sa\u00fade humana, incluindo o facto de, a n\u00edvel global, as popula\u00e7\u00f5es humanas se concentrarem tendencialmente em ambientes costeiros e nas suas imedia\u00e7\u00f5es.\" data-image=\"ezyt9xo7jhmc\"\/>Os investigadores real\u00e7am a import\u00e2ncia de prestar aten\u00e7\u00e3o aos impactos destas ondas de calor marinhas na sa\u00fade humana, incluindo o facto de, a n\u00edvel global, as popula\u00e7\u00f5es humanas se concentrarem tendencialmente em ambientes costeiros e nas suas imedia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma das poss\u00edveis respostas est\u00e1 no peixe. Segundo explica <strong>Brian Thiede<\/strong>, coautor do estudo e <strong>professor de sociologia rural, sociologia e demografia<\/strong> <strong>na Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias da Penn State<\/strong> e diretor do Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o Populacional da universidade, para muitas comunidades costeiras, a <strong>pesca<\/strong> \u00e9 uma fonte essencial de <strong>prote\u00ednas e micronutrientes<\/strong>, al\u00e9m de representar uma importante fonte de <strong>rendimento<\/strong>.<\/p>\n<p>As ondas de calor marinhas podem alterar a distribui\u00e7\u00e3o e a qualidade nutricional dos peixes, provocar mortalidade nas popula\u00e7\u00f5es marinhas e perturbar as atividades pesqueiras.<\/p>\n<p><strong>\u201cTais perturba\u00e7\u00f5es <\/strong>[ondas de calor marinhas]<strong> podem ter impactos diretos no abastecimento alimentar e tamb\u00e9m podem ter impactos secund\u00e1rios, afetando os rendimentos dos pescadores e os pre\u00e7os dos alimentos para os consumidores\u201d<\/strong>, afirmou Thiede. \u201cEstes fatores podem condicionar a capacidade das fam\u00edlias de adquirir alimentos ou de dispor dos recursos econ\u00f3micos necess\u00e1rios para aceder a outros servi\u00e7os essenciais, como os cuidados de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Do mar ao prato e ao rendimento das fam\u00edlias<\/p>\n<p>O impacto pode assim propagar-se pela cadeia alimentar e pela economia local. <strong>Uma menor quantidade dispon\u00edvel de peixe pode traduzir-se num rendimento mais parco para os pescadores e, consequentemente, em pre\u00e7os mais elevados para os consumidores<\/strong>, o que acaba por dificultar o acesso das fam\u00edlias \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo a cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Os efeitos foram particularmente fortes em regi\u00f5es dependentes da pesca de pequena escala e em \u00e1reas urbanas<\/strong>. Neste \u00faltimo caso os investigadores real\u00e7am a import\u00e2ncia dos mecanismos de mercado. Isto porque, mesmo quem n\u00e3o depende diretamente da pesca pode sentir os efeitos de um choque ambiental atrav\u00e9s do aumento dos pre\u00e7os dos alimentos.<\/p>\n<p>\u201cOs investigadores e os profissionais da \u00e1rea devem dedicar uma aten\u00e7\u00e3o renovada \u00e0s popula\u00e7\u00f5es costeiras e distinguir melhor entre as fontes de vulnerabilidade enfrentadas pelas popula\u00e7\u00f5es costeiras e pelas do interior\u201d, disse Thiede. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es costeiras enfrentam riscos \u00fanicos relacionados com o clima, devido ao seu ambiente e aos seus meios de subsist\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Para Brian Thiede os resultados do estudo p\u00f5em em evid\u00eancia o facto de que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o a afetar muitos sistemas terrestres essenciais para a sa\u00fade e a sobreviv\u00eancia humanas, sendo que <strong>as comunidades costeiras em particular enfrentam vulnerabilidades espec\u00edficas, dado que dependem do oceano para a alimenta\u00e7\u00e3o ou para o sustento financeiro<\/strong>.<\/p>\n<p>Antecipar o calor para proteger a sa\u00fade<\/p>\n<p><strong>As ondas de calor marinhas est\u00e3o a aumentar tanto em frequ\u00eancia como em intensidade<\/strong>, \u00e0 medida que as condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas globais se alteram com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, segundo os investigadores.<\/p>\n<p>\u201cAs temperaturas oce\u00e2nicas est\u00e3o a aquecer rapidamente, tornando estas ondas de calor mais frequentes e severas\u201d, afirmou Thiede. \u201cAl\u00e9m disso, a sa\u00fade prec\u00e1ria tem consequ\u00eancias generalizadas e multidimensionais, desde os c<strong>ustos humanos imediatos da doen\u00e7a e da morte at\u00e9 aos impactos negativos na educa\u00e7\u00e3o e no emprego, que podem abrandar o crescimento econ\u00f3mico nos pa\u00edses pobres\u201d<\/strong>, concluiu Thiede.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/ciencia\/cientistas-concluem-que-ondas-de-calor-marinhas-estao-a-aumentar-e-com-maior-persistencia-devido-ao-aquecimento-global.html\" title=\"Cientistas concluem que ondas de calor marinhas est\u00e3o a aumentar e com maior persist\u00eancia devido ao aquecimento global\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/estudo-conclui-que-as-ondas-de-calor-marinhas-estao-a-aumentar-e-com-maior-persistencia-devido-ao-aq.jpeg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>Deste modo, os investigadores defendem que <strong>as previs\u00f5es das temperaturas do oceano podem ser integradas em sistemas de alerta precoce<\/strong>. Antecipar estes eventos poder\u00e1 ajudar a <strong>identificar comunidades em risco <\/strong>e a direcionar atempadamente programas de nutri\u00e7\u00e3o, cuidados de sa\u00fade e outras redes de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Finalmente, os autores acrescentam ainda a necessidade da investiga\u00e7\u00e3o sobre as liga\u00e7\u00f5es entre <strong>altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, sa\u00fade humana e ecossistemas marinhos<\/strong> <strong>ser aprofundada<\/strong>, sobretudo nas popula\u00e7\u00f5es costeiras de pa\u00edses de m\u00e9dio e baixo rendimento.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia da not\u00edcia<\/p>\n<p class=\"article-reference__body\">Katie Bohn. (2026). <a href=\"https:\/\/www.psu.edu\/news\/agricultural-sciences\/story\/ocean-heatwaves-linked-poorer-health-among-children-coastal-communities\" target=\"_blank\" data-mrf-recirculation=\"end_article_citation\" rel=\"nofollow noopener\">Ocean heatwaves linked with poorer health among children in coastal communities<\/a>.<br \/>C. Gray, S.C. Dowd, N. Shaul, B.C. Thiede, &amp; J.A. Nye. (2026). <a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2528506123\" target=\"_blank\" data-mrf-recirculation=\"end_article_citation\" rel=\"nofollow noopener\">Marine heatwaves and undernutrition in low- and middle-income countries<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estudo liderado por investigadores da Penn State e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":512681,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[2335,82152,2271,82151,838,116,2219,6760,82150,6612,32,33,5608,117],"class_list":["post-512680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-alteracoes-climaticas","tag-aumento-das-temperaturas-oceanicas","tag-clima","tag-comunidades-costeiras","tag-criancas","tag-health","tag-mar","tag-oceano","tag-ondas-de-calor-marinhas","tag-peixe","tag-portugal","tag-pt","tag-risco","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117218303756830829","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/512681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}