{"id":512894,"date":"2026-09-05T16:05:19","date_gmt":"2026-09-05T16:05:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512894\/"},"modified":"2026-09-05T16:05:19","modified_gmt":"2026-09-05T16:05:19","slug":"luana-vitra-aborada-as-terras-raras-em-obra-na-pinacoteca-04-09-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/512894\/","title":{"rendered":"Luana Vitra aborada as terras raras em obra na Pinacoteca &#8211; 04\/09\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Debaixo de uma bandeira branca, tensionada por um grande arco e flecha que aponta, simultaneamente, para o c\u00e9u e para a terra, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2025\/09\/luana-vitra-transforma-o-magnetismo-em-obras-de-arte-em-sua-exposicao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Luana Vitra<\/a> reflete sobre o desejo, a viol\u00eancia e os massacres que marcam as guerras da atualidade. Esse \u00e9 &#8220;Bandeira Branca&#8221;, o novo trabalho da artista mineira que se volta para os metais de terras raras, insumos estrat\u00e9gicos para a ind\u00fastria moderna e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Depois de se destacar em tr\u00eas bienais pelo mundo nos \u00faltimos tr\u00eas anos, Vitra foi selecionada pelo novo programa de parceria entre a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/plastico\/2025\/06\/pinacoteca-quer-arrecadar-r-35-milhoes-com-baile-de-gala-para-festejar-120-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chanel e a Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>, que agora cede seu famoso oct\u00f3gono para a instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O que torna seu trabalho especial \u00e9 sua urg\u00eancia no momento em que vivemos. E como ela n\u00e3o p\u00f5e o dedo na ferida, mas fala disso de uma forma muito po\u00e9tica. Ela trata o assunto de forma direta, mas com a liberdade de uma artista&#8221;, diz Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca.<\/p>\n<p>Sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 um cruzamento entre diferentes artes. Quando crian\u00e7a, Vitra se alfabetizou por meio da poesia. Sua m\u00e3e, pedagoga, fazia com que ela decorasse um poema atr\u00e1s do outro, enquanto seu pai, marceneiro, a levou pelos caminhos da artesania e da manualidade. &#8220;Tudo isso criou em mim uma maneira de ler o mundo&#8221;, afirma Vitra.<\/p>\n<p>Na adolesc\u00eancia, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/resenha\/rs1303200409.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">descobriu a dan\u00e7a<\/a>, paix\u00e3o que serviria como uma base te\u00f3rica para suas esculturas. Dos 13 anos at\u00e9 a maioridade, passou as tardes estudando desde o jazz at\u00e9 o bal\u00e9 cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p>&#8220;A dan\u00e7a me ensinou uma maneira de organizar o peso. Muitas pessoas aprendem como sustentar uma escultura por meio da pr\u00f3pria pr\u00e1tica escult\u00f3rica, mas eu sinto que, em alguma medida, eu aprendi isso estruturando meu pr\u00f3prio corpo&#8221;, diz Vitra.<\/p>\n<p>Depois, a faculdade de moda a aproximou do desenho e das artes visuais. Desde o in\u00edcio do curso, em 2014, at\u00e9 a formatura, ela afirma ter se fechado num casulo de muito estudo, n\u00e3o mostrando nenhum trabalho para ningu\u00e9m. &#8220;Eu sentia que eu era artista, mas ainda dentro de uma din\u00e2mica de um \u2018porvir\u2019, sentia que eu ainda n\u00e3o tinha uma coisa para falar.&#8221;<\/p>\n<p>Isso mudou quando come\u00e7ou a fazer aulas de escultura. Foi a\u00ed que se aproximou do ferro, material definitivo de suas futuras obras e que j\u00e1 estava presente, de diferentes formas, ao longo de sua vida e de sua ancestralidade.<\/p>\n<p>Vitra, de 31 anos, nasceu em <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/poder\/2024\/10\/marilia-campos-de-contagem-mg-e-a-prefeita-mais-votada-do-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Contagem<\/a>, um dos munic\u00edpios do Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero, historicamente associado ao extrativismo mineral. Bisneta de minerador, ela encontrou no ferro uma companhia. &#8220;Quando me coloquei \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de ouvir a voz da mat\u00e9ria, aprendi sobre minha pr\u00f3pria voz.&#8221;<\/p>\n<p>Ao tra\u00e7ar um paralelo entre a mat\u00e9ria mineral e o corpo negro, a artista localiza em ambos um mesmo hist\u00f3rico de viol\u00eancia e cobi\u00e7a. Isso se manifesta tanto em processos hist\u00f3ricos, caso da extra\u00e7\u00e3o em massa do min\u00e9rio no per\u00edodo colonial, como em procedimentos industriais, como a galvaniza\u00e7\u00e3o, que impede o min\u00e9rio de oxidar e, nas palavras da artista, respirar. &#8220;Eu passei a ver a oxida\u00e7\u00e3o como uma esp\u00e9cie de greve da mat\u00e9ria, uma forma de ela dizer \u2018n\u00e3o, eu n\u00e3o vou servir a isso, eu vou me desfazer\u2019&#8221;, afirma Vitra.<\/p>\n<p>Com suas esculturas de ferro, ela come\u00e7ou a rodar o pa\u00eds. &#8220;Tr\u00eas Guerras no Peito&#8221;, no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, foi sua primeira mostra individual na capital paulista, h\u00e1 seis anos. Depois, ela integraria algumas coletivas, como &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2021\/09\/mostra-sobre-carolina-de-jesus-traz-obras-que-pensam-racismo-e-censura-no-brasil.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os Brasileiros<\/a>&#8220;, no Instituto Moreira Salles, h\u00e1 cinco anos, e &#8220;Atos de Revolta&#8221;, no Museu de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/arte\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Arte<\/a> Moderna do Rio de Janeiro, em 2022.<\/p>\n<p>Ainda em 2022, uma das obras de Luana Vitra entrou para o acervo da Pinacoteca. A virada de chave viria no ano seguinte, com uma ascens\u00e3o que segue at\u00e9 hoje. Foi quando ganhou o pr\u00eamio Pipa, dedicado \u00e0 arte contempor\u00e2nea, e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/11\/em-inhotim-obras-de-luana-vitra-e-abdias-nascimento-pensam-fim-da-exploracao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">participou da 35\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo<\/a> com outra instala\u00e7\u00e3o monumental, &#8220;Pulm\u00e3o da Mina&#8221;.<\/p>\n<p>Nela, refletia sobre uma pr\u00e1tica usada pelos africanos escravizados, que levavam can\u00e1rios para as minas como alerta para a presen\u00e7a de gases t\u00f3xicos. Quando os can\u00e1rios paravam de cantar, era sinal de que o lugar estava contaminado. A morte de um dos p\u00e1ssaros podia salvar dezenas de mineiros africanos.<\/p>\n<p>Vitra emendou esse destaque com uma resid\u00eancia de seis meses na \u00c1frica do Sul, com o objetivo de estudar o trabalho de mi\u00e7angaria do povo zulu. &#8220;Foi muito saud\u00e1vel sair de um ambiente de exposi\u00e7\u00e3o extrema e ir para um lugar onde ningu\u00e9m me conhecia.&#8221;<\/p>\n<p>Durante esse per\u00edodo, aprendeu sobre a l\u00f3gica simb\u00f3lica daquele povo, o que tamb\u00e9m transformou sua rela\u00e7\u00e3o com os s\u00edmbolos presentes em seu pr\u00f3prio trabalho. Segundo Vitra, mais do que o aprendizado de t\u00e9cnicas, a conviv\u00eancia com os zulus transformou o seu modo de pensar.<\/p>\n<p>&#8220;Esse per\u00edodo levou o olho dela para outros lugares. Acho que antes Luana tinha um olhar muito relacionado \u00e0s paisagens onde ela cresceu&#8221;, afirma Thiago de Paula, curador e amigo da artista.<\/p>\n<p>A fase de anonimato durou pouco. No ano seguinte, ela conquistou holofotes internacionais. De 2024 para c\u00e1, realizou mais duas bienais, em Charjah, nos Emirados \u00c1rabes Unidos, e na Tail\u00e2ndia. Al\u00e9m disso, fez uma individual em Roterd\u00e3 e uma em Nova York, no prestigiado Sculpture Center.<\/p>\n<p>Agora, com &#8220;Bandeira Branca&#8221;, ela parte da naturaliza\u00e7\u00e3o dos conflitos armados para denunciar uma viol\u00eancia que ultrapassa os corpos humanos e atinge a terra. &#8220;Todas as guerras s\u00e3o, no fim das contas, contra a terra. \u00c9 sempre a terra o corpo que mais vai perder em qualquer guerra. Ent\u00e3o \u00e9 dela que a gente tira tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Depois da exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca, onde &#8220;Bandeira Branca&#8221; fica at\u00e9 janeiro do ano que vem, Vitra ir\u00e1 para a resid\u00eancia Denniston Hill, no interior do estado americano de Nova York, numa proposta de descanso, sem a obriga\u00e7\u00e3o de entregar uma obra no final.<\/p>\n<p>Segundo Thiago de Paula, Vitra \u00e9 uma das artistas mais aclamadas de uma gera\u00e7\u00e3o que &#8220;acompanhou um momento hist\u00f3rico e contribuiu para o repensamento da cena contempor\u00e2nea art\u00edstica, ajudando a mover, ao menos um pouco, regimes de visibilidade&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Debaixo de uma bandeira branca, tensionada por um grande arco e flecha que aponta, simultaneamente, para o c\u00e9u&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":512895,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[144],"tags":[207,205,206,559,982,203,201,202,204,114,115,236,82182,28846,32,33],"class_list":["post-512894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-arte-e-design","tag-arte","tag-arte-e-design","tag-artedesign","tag-artes-plasticas","tag-artes-visuais","tag-arts","tag-arts-and-design","tag-artsanddesign","tag-design","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-folha","tag-luana-vitra","tag-pinacoteca","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117219290392957112","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=512894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/512894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/512895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=512894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=512894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=512894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}