{"id":513732,"date":"2026-09-06T12:57:29","date_gmt":"2026-09-06T12:57:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/513732\/"},"modified":"2026-09-06T12:57:29","modified_gmt":"2026-09-06T12:57:29","slug":"setor-vitivinicola-portugues-enfrenta-seca-custos-recorde-e-queda-no-consumo-diogo-lopes-defende-menos-volume-e-mais-valor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/513732\/","title":{"rendered":"Setor vitivin\u00edcola portugu\u00eas enfrenta seca, custos recorde e queda no consumo: Diogo Lopes defende menos volume e mais valor"},"content":{"rendered":"<p>Esta entrevista faz parte de uma s\u00e9rie de conversas que o Dinheiro Vivo\/DN teve com en\u00f3logos e produtores, em plena \u00e9poca de vindimas, sobre o estado da arte do setor e os desafios dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p><strong>A seca prolongada, na sequ\u00eancia das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, est\u00e1 a tornar-se estrutural no setor. Que evid\u00eancias t\u00eam de que o modelo produtivo atual continua a ser compat\u00edvel com o novo regime clim\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Apesar de a seca ser um dos grandes desafios estruturais da viticultura, este ano acabou por ser relativamente generoso do ponto de vista da pluviosidade. Tivemos um inverno rigoroso, com boa acumula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo, o que permitiu que muitas vinhas, sobretudo as instaladas em solos com elevada capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, atravessassem o ciclo vegetativo em condi\u00e7\u00f5es bastante favor\u00e1veis. O verdadeiro desafio est\u00e1 nos solos mais pobres e muito perme\u00e1veis, onde a \u00e1gua dispon\u00edvel se perde rapidamente. Al\u00e9m disso, o aumento gradual das temperaturas faz com que a videira tenha uma maior necessidade h\u00eddrica, devido ao aumento da evapotranspira\u00e7\u00e3o. Isso significa que a \u00e1gua perdida pela planta ter\u00e1 de ser reposta de alguma forma para garantir o equil\u00edbrio vegetativo e a qualidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0As vinhas conduzidas em sequeiro, especialmente nas regi\u00f5es mais quentes do pa\u00eds, estar\u00e3o cada vez mais expostas ao risco de stress h\u00eddrico. No entanto, a resposta n\u00e3o pode passar simplesmente por regar mais. A \u00e1gua ser\u00e1 um recurso cada vez mais escasso e, por isso, a rega ter\u00e1 de ser muito mais eficiente, baseada em crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e em tecnologias que permitam fornecer apenas a \u00e1gua estritamente necess\u00e1ria. Acredito que a viticultura portuguesa continua a ser perfeitamente compat\u00edvel com o novo contexto clim\u00e1tico, mas ter\u00e1 obrigatoriamente de evoluir. Teremos de investir numa gest\u00e3o mais inteligente da \u00e1gua, na escolha criteriosa de castas e porta-enxertos, em pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o do solo e numa viticultura mais resiliente. O futuro n\u00e3o passa por utilizar mais recursos, mas por utiliz\u00e1-los melhor.<\/p>\n<p><strong>Que quebra de produ\u00e7\u00e3o antecipam \u2013 se \u00e9 que antecipam \u2013 este ano e at\u00e9 que ponto essa redu\u00e7\u00e3o amea\u00e7a a viabilidade econ\u00f3mica das explora\u00e7\u00f5es mais pequenas?<\/strong><\/p>\n<p>Para j\u00e1, n\u00e3o antecipo quebras significativas de produ\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, tudo indica que a vindima deste ano ser\u00e1 globalmente superior, em quantidade, \u00e0 do ano passado. As condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas ao longo do inverno e da primavera permitiram um bom desenvolvimento da vinha e, na maioria das regi\u00f5es, o potencial produtivo apresenta-se equilibrado. O principal fator de preocupa\u00e7\u00e3o continua a ser o escald\u00e3o, um fen\u00f3meno que se tem tornado cada vez mais frequente devido aos epis\u00f3dios de calor extremo. Em poucos dias \u00e9 poss\u00edvel perder parte da produ\u00e7\u00e3o ou comprometer a qualidade da uva, sobretudo nas parcelas mais expostas.<\/p>\n<p>Felizmente, a viticultura tamb\u00e9m tem evolu\u00eddo para responder a esta realidade. Hoje recorremos cada vez mais a estrat\u00e9gias de gest\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, ajustando a condu\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o, protegendo melhor os cachos da exposi\u00e7\u00e3o direta ao sol e procurando manter um equil\u00edbrio entre matura\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o da uva. Estas pr\u00e1ticas t\u00eam permitido minimizar significativamente o impacto dos epis\u00f3dios de calor extremo. Naturalmente que existem diferen\u00e7as entre regi\u00f5es e entre explora\u00e7\u00f5es, mas, de uma forma geral, n\u00e3o considero que esta seja uma vindima marcada por uma quebra de produ\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, tudo aponta para uma campanha quantitativamente positiva, mantendo-se o desafio de preservar a qualidade perante fen\u00f3menos clim\u00e1ticos cada vez mais extremos e imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Com custos de \u00e1gua, energia e m\u00e3o de obra em m\u00e1ximos hist\u00f3ricos, que margens operacionais esperam manter? H\u00e1 risco real de encerramentos ou consolida\u00e7\u00e3o for\u00e7ada no setor?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Este \u00e9, provavelmente, um dos maiores desafios que o setor enfrenta e, paradoxalmente, um dos menos discutidos. H\u00e1 v\u00e1rios anos que os produtores t\u00eam vindo a absorver sucessivos aumentos nos custos de produ\u00e7\u00e3o \u2014 desde as mat\u00e9rias-primas, \u00e0 energia, aos materiais de embalagem, aos produtos enol\u00f3gicos, aos transportes e, naturalmente, \u00e0 m\u00e3o de obra. No entanto, esses aumentos raramente s\u00e3o refletidos no pre\u00e7o final do vinho. Na pr\u00e1tica, o consumidor continua a encontrar vinhos a pre\u00e7os muito semelhantes aos de h\u00e1 alguns anos, sobretudo nas grandes superf\u00edcies, onde existe uma enorme resist\u00eancia \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os por parte da distribui\u00e7\u00e3o. Isso significa que quem tem suportado a quase totalidade da press\u00e3o inflacionista s\u00e3o os pr\u00f3prios produtores e os agricultores que tamb\u00e9m lhes vendem uvas! Pede-se resili\u00eancia \u00e0 vinha, perante altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, perante a infla\u00e7\u00e3o, mas quem a salva s\u00e3o os agricultores e produtores que l\u00e1 trabalham e investem todos os dias.\u00a0<\/p>\n<p>O baixo valor das uvas e a quebra cont\u00ednua das margens operacionais n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel a m\u00e9dio prazo. Nenhuma atividade econ\u00f3mica consegue sobreviver indefinidamente quando os custos aumentam de forma consistente e as receitas permanecem praticamente inalteradas. Mais cedo ou mais tarde, o mercado ter\u00e1 de reconhecer o verdadeiro valor do vinho e o custo da sua produ\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio, veremos inevitavelmente uma maior concentra\u00e7\u00e3o do setor, com os produtores de menor dimens\u00e3o a enfrentarem dificuldades crescentes para manter a sua atividade. N\u00e3o porque lhes falte qualidade ou capacidade t\u00e9cnica, mas porque o atual modelo econ\u00f3mico est\u00e1 a tornar-se incomport\u00e1vel. \u00c9 fundamental que toda a cadeia de valor compreenda que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar a exigir mais qualidade, mais sustentabilidade e mais investimento, pagando o vinho como se os custos de produ\u00e7\u00e3o tivessem permanecido iguais aos de h\u00e1 dez anos.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Como \u00e9 que a redu\u00e7\u00e3o de volume e a altera\u00e7\u00e3o do perfil dos vinhos afetam a capacidade de competir em mercados externos onde o pre\u00e7o e a consist\u00eancia s\u00e3o decisivos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0N\u00e3o considero que estejamos perante uma altera\u00e7\u00e3o significativa do perfil dos vinhos portugueses devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u00c9 verdade que, em muitas regi\u00f5es, a uva atinge a matura\u00e7\u00e3o mais cedo do que acontecia h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mas isso significa, acima de tudo, que temos de nos adaptar ao calend\u00e1rio da vindima. Se a vinha est\u00e1 pronta mais cedo, temos de vindimar mais cedo. A viticultura sempre foi uma atividade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza. Do ponto de vista enol\u00f3gico, n\u00e3o vejo que os vinhos portugueses estejam hoje descaracterizados pelo aumento das temperaturas m\u00e9dias do ver\u00e3o. O conhecimento que adquirimos sobre a vinha, a gest\u00e3o do coberto vegetal, a escolha do momento ideal de colheita e as t\u00e9cnicas de vinifica\u00e7\u00e3o permitem-nos continuar a produzir vinhos equilibrados e fi\u00e9is \u00e0 identidade de cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A competitividade do setor n\u00e3o depende apenas do pre\u00e7o nem da quantidade produzida. Portugal distingue-se por aquilo que poucos pa\u00edses conseguem oferecer: uma enorme diversidade de castas aut\u00f3ctones e uma extraordin\u00e1ria riqueza de ambientes. S\u00e3o precisamente essa autenticidade e essa diversidade que tornam os nossos vinhos \u00fanicos nos mercados internacionais. \u00c9 nessa diferencia\u00e7\u00e3o que devemos continuar a investir. Em vez de tentarmos competir com os grandes produtores mundiais atrav\u00e9s do volume ou do pre\u00e7o, devemos refor\u00e7ar aquilo que nos torna verdadeiramente especiais: a originalidade das nossas castas, a identidade das nossas regi\u00f5es e a capacidade de produzir vinhos com personalidade pr\u00f3pria. \u00c9 esse o caminho para continuarmos a crescer nos mercados externos.<\/p>\n<p>\u00a0<strong>Como se combate esta nova vaga de campanha contra o consumo de vinho, em todo o mundo, mas de forma particular em Portugal, onde h\u00e1 cada vez mais vozes a alertar para os efeitos nocivos do seu consumo?<\/strong><\/p>\n<p>A melhor forma de responder a essa tend\u00eancia \u00e9 atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o, da ci\u00eancia e da educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos permitir que o debate seja dominado por posi\u00e7\u00f5es extremadas, que colocam todas as bebidas alco\u00f3licas no mesmo plano e ignoram o contexto cultural, gastron\u00f3mico e social do vinho. Naturalmente, ningu\u00e9m defende um consumo excessivo ou irrespons\u00e1vel. O vinho deve ser consumido com modera\u00e7\u00e3o, integrado numa alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada e num estilo de vida saud\u00e1vel. Essa sempre foi a mensagem do setor e deve continuar a s\u00ea-lo. Mas o vinho \u00e9 muito mais do que uma bebida alco\u00f3lica. Ao longo de milhares de anos de civiliza\u00e7\u00e3o, fez parte da nossa cultura, da nossa agricultura, da nossa gastronomia e da forma como nos relacionamos. \u00c9 um produto que promove o conv\u00edvio, a partilha \u00e0 mesa e a socializa\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Reduzir o vinho apenas ao teor alco\u00f3lico \u00e9 ignorar toda esta dimens\u00e3o hist\u00f3rica, econ\u00f3mica e cultural. \u00a0<\/p>\n<p>Vivemos numa sociedade que, por vezes, parece querer transformar a alimenta\u00e7\u00e3o num exerc\u00edcio exclusivamente funcional, onde tudo se resume a nutrientes, calorias e proibi\u00e7\u00f5es. Mas a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m prazer, tradi\u00e7\u00e3o, identidade e rela\u00e7\u00f5es humanas. O vinho, quando consumido de forma respons\u00e1vel, faz parte desse equil\u00edbrio. Por isso, acredito que o caminho n\u00e3o \u00e9 a demoniza\u00e7\u00e3o, mas sim a educa\u00e7\u00e3o para um consumo consciente e moderado. \u00c9 dessa forma que protegemos a sa\u00fade p\u00fablica sem perder um patrim\u00f3nio cultural que faz parte da identidade de Portugal e de muitos outros pa\u00edses produtores.<\/p>\n<p><strong>Que investimentos est\u00e3o a ser feitos e decis\u00f5es concretas est\u00e3o a ser tomadas para adaptar a vinha ao novo clima e \u00e0 nova realidade de consumo?<\/strong><\/p>\n<p>Os principais investimentos que o setor deve continuar a fazer s\u00e3o aqueles que aumentam a resili\u00eancia da vinha perante os fen\u00f3menos extremos associados \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Falo de uma gest\u00e3o mais eficiente da \u00e1gua, da preserva\u00e7\u00e3o dos solos, da escolha de porta-enxertos mais adaptados, da prote\u00e7\u00e3o da copa contra o calor excessivo e de todas as pr\u00e1ticas vit\u00edcolas que permitam reduzir o impacto de epis\u00f3dios de seca, ondas de calor ou precipita\u00e7\u00e3o intensa.  Quanto \u00e0s tend\u00eancias de consumo, n\u00e3o acredito que devamos tomar decis\u00f5es estruturais na vinha em fun\u00e7\u00e3o de modas passageiras. A vinha \u00e9 uma cultura perene, com um ciclo de vida de v\u00e1rias d\u00e9cadas. N\u00e3o se replanta uma vinha da mesma forma que se altera uma cultura anual. As decis\u00f5es que tomamos hoje ter\u00e3o impacto durante muitos anos e, por isso, t\u00eam de assentar numa vis\u00e3o de longo prazo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa ignorar a evolu\u00e7\u00e3o dos mercados. Pelo contr\u00e1rio, devemos estar permanentemente atentos, bem informados e preparados para ajustar a forma como comunicamos, comercializamos e valorizamos os nossos vinhos. Mas a ess\u00eancia da viticultura portuguesa n\u00e3o deve mudar ao sabor de tend\u00eancias moment\u00e2neas. O nosso maior ativo continua a ser a diferencia\u00e7\u00e3o. Temos castas \u00fanicas, ambientes muito distintos e uma enorme diversidade de estilos de vinho. \u00c9 esse patrim\u00f3nio que devemos preservar e refor\u00e7ar, adaptando-nos \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas com intelig\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o, sem perder a identidade que torna os vinhos portugueses reconhecidos e valorizados em todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>7. Se as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e as redu\u00e7\u00f5es sucessivas de consumo dos \u00faltimos anos se mantiverem, qual \u00e9 o cen\u00e1rio mais realista para o setor vitivin\u00edcola portugu\u00eas nos pr\u00f3ximos cinco anos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Se a atual tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o do consumo se mantiver, acredito que o setor ter\u00e1 inevitavelmente de se ajustar. \u00c9 prov\u00e1vel que exista uma redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de vinha, que algumas adegas encerrem atividade e que assistamos a um processo de consolida\u00e7\u00e3o, sobretudo entre os operadores com maior fragilidade econ\u00f3mica.  Isto n\u00e3o significa, necessariamente, uma crise do vinho portugu\u00eas. Significa que a oferta ter\u00e1 de se adaptar \u00e0 procura. O setor n\u00e3o pode continuar a produzir os mesmos volumes se o mercado est\u00e1 a consumir menos. Esse ajustamento faz parte da evolu\u00e7\u00e3o natural de qualquer atividade econ\u00f3mica. Naturalmente, \u00e9 uma realidade dif\u00edcil, sobretudo para os pequenos produtores, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que estes momentos obrigam as empresas a inovar, a ganhar efici\u00eancia e a criar maior valor acrescentado. No final, tender\u00e3o a permanecer os projetos mais bem preparados, mais diferenciados e mais capazes de responder \u00e0s exig\u00eancias dos consumidores e dos mercados internacionais.<\/p>\n<p>Portugal tem uma enorme vantagem competitiva: produz vinhos \u00fanicos, com castas aut\u00f3ctones e terroirs de grande identidade. O futuro n\u00e3o passa por produzir mais, mas por produzir melhor, comunicar melhor e vender com maior valor. Estou convencido de que os projetos que apostarem na qualidade, na diferencia\u00e7\u00e3o e numa gest\u00e3o profissional continuar\u00e3o a ter um futuro s\u00f3lido, mesmo num mercado mais exigente.<\/p>\n<p><strong>Quais considera serem os principais desafios desta vindima e do pr\u00f3ximo ano para o setor, em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Os principais desafios da vindima continuam, em grande medida, a ser os mesmos, embora se tenham intensificado nos \u00faltimos anos. A escassez de m\u00e3o de obra continua a ser um dos maiores constrangimentos, podendo comprometer a capacidade de vindimar no momento ideal e afetar diretamente a qualidade da uva que chega \u00e0 adega. Ao mesmo tempo, temos de lidar com fen\u00f3menos clim\u00e1ticos cada vez mais extremos e imprevis\u00edveis. Ondas de calor, epis\u00f3dios de escald\u00e3o, granizo ou chuvas intensas obrigam os produtores a uma vigil\u00e2ncia permanente e a uma enorme capacidade de adapta\u00e7\u00e3o. Hoje, fazer viticultura exige muito mais rapidez na tomada de decis\u00f5es do que h\u00e1 duas ou tr\u00eas d\u00e9cadas. Mas, na minha opini\u00e3o, o maior desafio do setor continua a ser o mercado. Trabalho com dez produtores, distribu\u00eddos por cinco regi\u00f5es vitivin\u00edcolas de Portugal, e todos enfrentam a mesma realidade: \u00e9 fundamental consolidar os mercados onde j\u00e1 estamos presentes, conquistar novos destinos de exporta\u00e7\u00e3o e conseguir criar valor para os nossos vinhos.<\/p>\n<p>Portugal n\u00e3o pode competir apenas pelo pre\u00e7o. A nossa for\u00e7a est\u00e1 na autenticidade, na diversidade das castas, na riqueza dos terroirs e na consist\u00eancia da qualidade que conseguimos entregar, ano ap\u00f3s ano. O grande objetivo deve ser continuar a produzir vinhos genu\u00ednos, com identidade, capazes de conquistar consumidores em todo o mundo e, dessa forma, contribuir para elevar cada vez mais o prest\u00edgio do vinho portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esta entrevista faz parte de uma s\u00e9rie de conversas que o Dinheiro Vivo\/DN teve com en\u00f3logos e produtores,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":513733,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[2335,88,82351,82353,80816,82352,7566,89,90,82350,82348,80819,82349,32,33,80815,80810,80812,82346,82347],"class_list":["post-513732","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-alteracoes-climaticas","tag-business","tag-castas-autoctones","tag-consolidacao-do-setor","tag-consumo-de-vinho","tag-consumo-moderado","tag-diogo-lopes","tag-economy","tag-empresas","tag-exportacao-de-vinho","tag-gestao-da-agua","tag-margens-operacionais","tag-pequenos-produtores","tag-portugal","tag-pt","tag-seca-prolongada","tag-setor-vitivinicola","tag-vindima","tag-vinho-portugues","tag-viticultura-portuguesa"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117224213180893599","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=513732"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513732\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/513733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=513732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=513732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=513732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}