{"id":514070,"date":"2026-09-06T18:29:16","date_gmt":"2026-09-06T18:29:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514070\/"},"modified":"2026-09-06T18:29:16","modified_gmt":"2026-09-06T18:29:16","slug":"o-anel-de-poncio-pilatos-pode-afinal-ter-uma-gralha-com-dois-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514070\/","title":{"rendered":"O &#8220;anel de P\u00f4ncio Pilatos&#8221; pode afinal ter uma gralha com dois mil anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Roi Porat \/ C. Amit\/IAA Photographic Department (esq); J. Rodman (dir) <\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-763507\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/5c74e841c942f7f76b0d235bd874a177-783x450.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Um simples \u201co\u201d pode reescrever a hist\u00f3ria de um anel de h\u00e1 2.000 anos: em vez de ter pertencido a P\u00f4ncio Pilatos, o homem que condenou Jesus, ter\u00e1 sido usado por um subordinado ou escravo para selar bens e documentos destinados ao prefeito romano.<\/strong><\/p>\n<p>O enredo de um <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/descoberto-anel-2000-anos-pertenceu-pilatos-228978\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">anel com 2.000 anos<\/a> ligado a uma das figuras mais marcantes da B\u00edblia crist\u00e3, de que o ZAP deu not\u00edcia h\u00e1 uns anos, complica-se.<\/p>\n<p>Num estudo publicado recentemente na Palestine Exploration Quarterly, a historiadora<strong> Catherine Bonesho<\/strong> defende que as letras de um anel muitas vezes associado ao governador romano <strong>P\u00f4ncio Pilatos<\/strong> se referem a algu\u00e9m chamado Pilatos, e n\u00e3o necessariamente ao magistrado que condenou Jesus \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 por tr\u00e1s da confus\u00e3o? Um erro de tradu\u00e7\u00e3o comum nos romanos.<\/p>\n<p>O anel foi encontrado nos anos 1960, numa fortaleza chamada Herodium, situada numa colina a 12 quil\u00f3metros de Jerusal\u00e9m. No entanto, depois de a terem guardado, os investigadores ter-se-\u00e3o esquecido da joia, que ficou num dep\u00f3sito at\u00e9 ser redescoberta, em 2018.<\/p>\n<p>Os investigadores defenderam ao in\u00edcio que as letras gregas gravadas no anel de liga de cobre (\u03a0\u0399\u039b\u0391\u03a4\u039f) e a imagem de um vaso ligavam a pe\u00e7a a P\u00f4ncio Pilatos, ou a algu\u00e9m que trabalhasse na administra\u00e7\u00e3o da figura do Novo Testamento.<\/p>\n<p>A teoria chamou a aten\u00e7\u00e3o das manchetes dos jornais, mas n\u00e3o escapou a uma boa dose de cr\u00edticas, conta a <a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/pontius-pilate-ring-bible-typo\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Popular Science<\/a>.<\/p>\n<p>Em 2023, uma equipa de cientistas acabou por refuta-la, ao defender que o anel n\u00e3o tinha qualquer liga\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m chamado Pilatos. Na sua opini\u00e3o, a imagem que separava as letras \u03a0 e \u0399 de \u039b, \u0391, \u03a4 e \u039f indicava <strong>duas palavras distintas<\/strong>.<\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos sugeriram que o anel deveria trazer o nome \u03a0\u0399\u039b\u0391\u03a4\u039f\u03a5, a tradu\u00e7\u00e3o grega de PILATI, ou seja, \u201cpertencente a Pilatos\u201d. Mas, por alguma raz\u00e3o, o gravador deixou de fora o \u201cY\u201d.<\/p>\n<p>Foi por essa altura que Bonesho ouviu falar pela primeira vez do anel, e desta teoria, atrav\u00e9s de uma publica\u00e7\u00e3o nas redes sociais.<\/p>\n<p>\u201cDepois de falar sobre isto com um amigo meu, comentei na publica\u00e7\u00e3o que talvez fosse latim escrito em letras gregas\u201d, recordou recentemente Bonesho, historiadora do juda\u00edsmo antigo na Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles, num <a href=\"https:\/\/newsroom.ucla.edu\/releases\/research-may-unlock-mystery-ring-tied-to-pontius-pilate\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">artigo<\/a> publicado no site da UCLA.<\/p>\n<p>Um outro artigo acad\u00e9mico citou a sua sugest\u00e3o, o que acabou por levar Bonesho a investigar por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Depois de analisar imagens digitais e reprodu\u00e7\u00f5es do anel, Bonesho concluiu que quem o gravou n\u00e3o estava a tentar encaixar duas palavras separadas. Nem a deixar de fora um \u201cY\u201d para poupar espa\u00e7o. Em vez disso, estaria a tentar encaixar <strong>\u03a0\u0399\u039b\u0391\u03a4\u039f<\/strong> \u00e0 volta do relevo do vaso, possivelmente gravado anteriormente no anel por outro artes\u00e3o.<\/p>\n<p>O segundo gravador poder\u00e1 tamb\u00e9m ter criado, sem querer, um pequeno defeito, que o obrigou a dividir o nome de Pilatos.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s letras em si, Bonesho pensa que quem fez o anel trocou por engano o \u201co\u201d longo do latim pelo \u00f3micron grego, que tem um aspeto semelhante. No fundo, acredita que \u00e9 uma gralha com 2.000 anos.<\/p>\n<p>\u201cConfundir o \u00f3micron e o \u00f3mega para as vogais \u2018o\u2019 longa e breve, ao transliterar o latim para grego, \u00e9 comum entre quem est\u00e1 a come\u00e7ar a aprender latim\u201d, defende Bonesho. \u201cPodem ter pensado: \u2018parece um O, e tenho um O \u00e0 minha frente. Porque n\u00e3o usar simplesmente o O?&#8217;\u201d<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: o que o anel diz \u00e9 \u201c<strong>\u03a0\u0399\u039b\u0391\u03a4\u03a9<\/strong>\u201c, que significa \u201ca\u201d ou \u201cpara\u201d Pilatos. Ou seja, o dono do anel n\u00e3o seria Pilatos, mas um subordinado ou escravo sob sua supervis\u00e3o, que talvez o usasse como selo em documentos.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese ganha ainda mais for\u00e7a com o material usado na joia.<\/p>\n<p>Na altura, a liga de cobre era um metal mais barato, normalmente usada por pessoas de estatuto mais baixo.<\/p>\n<p>Bonesho considera que esta interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do artefacto. Pelo contr\u00e1rio, d\u00e1-lhe mais nuances e contexto.<\/p>\n<p>\u201cA complexidade perde-se muitas vezes nas narrativas populares sobre como as coisas funcionavam naquela \u00e9poca. Mas compreender o anel d\u00e1-nos uma perce\u00e7\u00e3o mais clara de como era a administra\u00e7\u00e3o romana nos primeiros tempos da Judeia romana\u201d, conclui a historiadora.<\/p>\n<p>Um erro de principiante sobreviveu dois mil anos \u2014 e ainda nos ensina como funcionava, no dia a dia, a m\u00e1quina de Roma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Roi Porat \/ C. Amit\/IAA Photographic Department (esq); J. 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