{"id":514248,"date":"2026-09-06T22:24:40","date_gmt":"2026-09-06T22:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514248\/"},"modified":"2026-09-06T22:24:40","modified_gmt":"2026-09-06T22:24:40","slug":"cirurgia-nao-e-inevitavel-para-quem-recebe-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514248\/","title":{"rendered":"Cirurgia n\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel para quem recebe diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<p>Dores nas costas nem sempre come\u00e7am de forma intensa. Pode surgir como uma fisgada abrupta, um inc\u00f4modo ao levantar ou uma sensa\u00e7\u00e3o que aparece e desaparece conforme a posi\u00e7\u00e3o do corpo. Aos poucos, por\u00e9m, movimentos simples como amarrar o t\u00eanis, sair da cama, dirigir ou permanecer sentado podem se tornar desconfort\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mais de 4,12 milh\u00f5es de trabalhadores precisaram se afastar temporariamente de suas fun\u00e7\u00f5es no Brasil em 2025 por motivos de sa\u00fade. Pelo terceiro ano consecutivo, queixas relacionadas \u00e0 coluna lideraram o ranking das doen\u00e7as e transtornos que mais motivaram licen\u00e7as no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Apenas a dorsalgia ficou \u00e0 frente dos transtornos dos discos intervertebrais. A classifica\u00e7\u00e3o inclui diferentes altera\u00e7\u00f5es, entre elas as h\u00e9rnias de disco. Em 2025, 208.727 benef\u00edcios por incapacidade tempor\u00e1ria foram concedidos para condi\u00e7\u00f5es enquadradas neste grupo.<\/p>\n<p>Quando a causa \u00e9 uma h\u00e9rnia de disco, o diagn\u00f3stico costuma trazer uma preocupa\u00e7\u00e3o imediata com a possibilidade de cirurgia. Em muitos casos, por\u00e9m, o tratamento conservador, baseado em movimento, fortalecimento, controle da dor e mudan\u00e7as na rotina, pode fazer parte da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme o fisioterapeuta e propriet\u00e1rio do Doutor H\u00e9rnia, em Lajeado, Cristiano Bremm (CREFITO 8\/38028-F), mais do que evitar o centro cir\u00fargico, a proposta \u00e9 compreender o que acontece com a coluna e encontrar, para cada pessoa, a estrat\u00e9gia mais adequada para recuperar o movimento e a qualidade de vida.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 a h\u00e9rnia de disco<\/b><\/p>\n<p>O especialista explica que a h\u00e9rnia de disco ocore quando o disco intervertebral, estrutura cartilaginosa que funciona como um amortecedor entre as v\u00e9rtebras, se desloca ou se rompe.<\/p>\n<p>\u201cA altera\u00e7\u00e3o pode comprimir ra\u00edzes nervosas pr\u00f3ximas e provocar dor na coluna, que muitas vezes se irradia para os bra\u00e7os ou as pernas. Na regi\u00e3o lombar, por exemplo, a compress\u00e3o pode atingir o nervo ci\u00e1tico. Tamb\u00e9m podem surgir formigamento, dorm\u00eancia ou perda de for\u00e7a nos membros\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Dependendo da intensidade dos sintomas, atividades simples do dia a dia podem se tornar dif\u00edceis, com impacto direto sobre a mobilidade e a qualidade de vida.<\/p>\n<p><img aria-describedby=\"caption-attachment-399002\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-399002\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2871-1-1200x900.jpg\" alt=\"\" width=\"643\" height=\"482\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-399002\" class=\"wp-caption-text\">Cuidados com a postura, atividade f\u00edsica e fortalecimento da musculatura podem contribuir para a sa\u00fade da coluna (Foto: Paulo Cardoso)<\/p>\n<p>O transtorno \u00e9 mais comum na regi\u00e3o lombar, na parte baixa das costas, seguida pela cervical, na regi\u00e3o do pesco\u00e7o. Mais frequente entre adultos de 30 a 60 anos, a condi\u00e7\u00e3o pode estar relacionada ao desgaste natural dos discos intervertebrais, que se tornam menos flex\u00edveis com o passar do tempo. Esse processo, somado a fatores como sobrecarga e movimentos repetitivos, pode favorecer o surgimento da les\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, Bremm tem observado casos em pacientes jovens. \u201cAqui mesmo, em Lajeado, atendemos h\u00e1 poucos dias um rapaz de 17 anos com h\u00e9rnia de disco. Estamos vendo, portanto, uma gera\u00e7\u00e3o com mais problemas de coluna, mas por motivos diferentes daqueles enfrentados pelas gera\u00e7\u00f5es que trabalhavam, por exemplo, na agricultura\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Para ele, parte desse cen\u00e1rio est\u00e1 relacionada \u00e0 mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos, especialmente ao uso prolongado de celulares e computadores. \u201cPara quem tem filhos adolescentes, sabe que \u00e9 dif\u00edcil. A gente orienta, fala para mudar a postura, mas ele vai l\u00e1 e fica do mesmo jeito. E hoje j\u00e1 existem artigos descrevendo o que se chama de \u2018s\u00edndrome do smartphone\u2019.\u201d<\/p>\n<p>O fisioterapeuta chama aten\u00e7\u00e3o principalmente para a posi\u00e7\u00e3o adotada. \u201cFicar com a cabe\u00e7a baixa, com o aparelho no colo, vai totalmente contra o movimento natural, fisiol\u00f3gico, da coluna.\u201d Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, esse tipo de sobrecarga postural \u00e9 um fator que merece aten\u00e7\u00e3o diante do aumento dos problemas de coluna.<\/p>\n<p><b>Assintom\u00e1tica<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 casos em que a h\u00e9rnia de disco n\u00e3o provoca sintomas. Segundo o propriet\u00e1rio, alguns indiv\u00edduos convivem com a altera\u00e7\u00e3o sem sentir dor e s\u00f3 percebem que h\u00e1 algo diferente quando uma crise aparece.<\/p>\n<p>\u201cA pessoa vai sair do carro e trava. Mas j\u00e1 existia uma predisposi\u00e7\u00e3o, um in\u00edcio de h\u00e9rnia que estava ali e ela nem sabia, porque era assintom\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, por\u00e9m, o quadro come\u00e7a de maneira mais discreta. A pessoa sente uma dor leve, toma um relaxante muscular ou um anti-inflamat\u00f3rio, melhora por alguns dias e, depois, o inc\u00f4modo retorna. Esse ciclo pode se repetir at\u00e9 que a dor passe a interferir nas atividades di\u00e1rias.<\/p>\n<p>O especialista ressalta que isso n\u00e3o significa necessariamente que j\u00e1 exista uma h\u00e9rnia de disco. A dor pode estar relacionada a outras altera\u00e7\u00f5es, como o achatamento ou a sobrecarga da regi\u00e3o. \u201c\u00c9 um aviso, digamos. O corpo, na maioria das vezes, vai avisando.\u201d<\/p>\n<p><b>Avalia\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>O primeiro passo, segundo Bremm, \u00e9 entender o que est\u00e1 acontecendo com cada paciente. Na consulta inicial, s\u00e3o realizados testes f\u00edsicos e avalia\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para identificar poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es nos nervos e compreender como a coluna est\u00e1 respondendo aos movimentos. Exames de imagem, principalmente a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, complementam a avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEsses processos ajudam a definir qual \u00e9 o melhor tipo de tratamento.Precisamos entender o que acontece com cada pessoa, respeitar o porte f\u00edsico, a rotina e os afazeres. A partir disso, procuramos as causas do problema para tratar n\u00e3o s\u00f3 a dor, mas o que est\u00e1 levando \u00e0quela altera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>An\u00e1lise individual \u00e9 importante porque cidad\u00e3os com o mesmo diagn\u00f3stico podem ter rotinas e fatores associados diferentes. \u201cEu posso ter um paciente que trabalha o dia inteiro sentado em um escrit\u00f3rio e outro que \u00e9 agricultor e passa o dia levantando peso. Ambos podem ter uma h\u00e9rnia de disco, mas as causas e a forma de abordar cada caso s\u00e3o espec\u00edficas.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" aria-describedby=\"caption-attachment-399003\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-399003\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG_2879-1200x900.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"442\"  \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-399003\" class=\"wp-caption-text\">Exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o podem integrar a rotina de cuidados com o corpo e contribuir para o controle da tens\u00e3o muscular (Foto: Paulo Cardoso)<\/p>\n<p><b>Tratamento<\/b><\/p>\n<p>O fisioterapeuta afirma que o Doutor H\u00e9rnia trabalha com 11 protocolos pr\u00f3prios, definidos de acordo com as caracter\u00edsticas apresentadas por cada paciente. Segundo ele, os protocolos s\u00e3o baseados em estudos cient\u00edficos e, nas estat\u00edsticas internas da cl\u00ednica, apresentam \u00edndice de resolutividade de 95% dos casos.<\/p>\n<p>Maior parte dos tratamentos, conforme Bremm, \u00e9 estruturada em um per\u00edodo de tr\u00eas meses, com duas sess\u00f5es semanais \u2014 cerca de 24 atendimentos no total. O processo \u00e9 dividido em etapas, que podem variar de acordo com a necessidade de cada paciente.<\/p>\n<p>Primeira delas busca corrigir altera\u00e7\u00f5es no posicionamento da coluna e da pelve. Para explicar a l\u00f3gica, o especialista faz uma compara\u00e7\u00e3o com a manuten\u00e7\u00e3o de um carro. \u201cSe o carro est\u00e1 com a geometria e o balanceamento fora do lugar, ele vai gastar mais um pneu de um lado. Se voc\u00ea simplesmente troca o pneu, est\u00e1 tratando o sintoma, mas n\u00e3o a causa.\u201d<\/p>\n<p>Na coluna, a proposta, segundo ele, \u00e9 trabalhar inicialmente poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es de posicionamento, especialmente na regi\u00e3o dos quadris, e realizar corre\u00e7\u00f5es quando indicadas. Em seguida, entram equipamentos de tra\u00e7\u00e3o e descompress\u00e3o da coluna. As macas computadorizadas utilizadas pela cl\u00ednica, explica Bremm, aplicam for\u00e7as controladas para reduzir a press\u00e3o sobre determinadas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Etapa final \u00e9 voltada aos exerc\u00edcios espec\u00edficos para estabiliza\u00e7\u00e3o da coluna. \u201cPrimeiro, a gente trabalha o alinhamento, depois a descompress\u00e3o e, por \u00faltimo, a estabiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso fortalecer uma musculatura espec\u00edfica para que essa coluna tenha mais estabilidade e n\u00e3o volte aos padr\u00f5es que estavam contribuindo para o problema.\u201d<\/p>\n<p>Tratamento, refor\u00e7a o fisioterapeuta, n\u00e3o segue uma f\u00f3rmula \u00fanica. A rotina profissional, o condicionamento f\u00edsico e os movimentos realizados no dia a dia interferem na escolha da abordagem.<\/p>\n<p>\u201cHoje, a nossa estat\u00edstica de resolutividade chega a 95% dos casos. \u00c9 um resultado que mostra que existe, sim, uma alternativa para muitos pacientes que chegam at\u00e9 n\u00f3s acreditando que a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 conviver com a dor ou partir para uma cirurgia. Quando a gente consegue identificar a causa e tratar de forma adequada, \u00e9 poss\u00edvel recuperar a fun\u00e7\u00e3o, devolver o movimento e fazer com que essa pessoa volte para a vida que tinha antes da condi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dores nas costas nem sempre come\u00e7am de forma intensa. 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