{"id":514712,"date":"2026-09-07T11:16:11","date_gmt":"2026-09-07T11:16:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514712\/"},"modified":"2026-09-07T11:16:11","modified_gmt":"2026-09-07T11:16:11","slug":"cerebro-jovem-revela-fragilidade-quando-a-plasticidade-falha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514712\/","title":{"rendered":"C\u00e9rebro jovem revela fragilidade: quando a plasticidade falha"},"content":{"rendered":"<p>C\u00e9rebros jovens s\u00e3o mais flex\u00edveis. Adaptam-se e formam novas liga\u00e7\u00f5es com facilidade. Quando algo corre mal, parte-se do princ\u00edpio de que um c\u00e9rebro mais jovem tem mais margem para se reorganizar e compensar os danos.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Mas essa mesma flexibilidade pode tamb\u00e9m ter um lado negativo ap\u00f3s uma les\u00e3o cerebral traum\u00e1tica, uma les\u00e3o provocada por uma for\u00e7a externa, como uma queda, um acidente de via\u00e7\u00e3o, uma les\u00e3o desportiva ou um impacto na cabe\u00e7a, segundo um <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S001448862600302X?via%253Dihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">estudo (fonte em ingl\u00eas)<\/a> publicado na revista Experimental Neurology.<\/p>\n<p>\u201cMuitos poder\u00e3o pensar que c\u00e9rebros mais jovens s\u00e3o mais resistentes ap\u00f3s uma les\u00e3o, mas os nossos resultados mostram que a realidade \u00e9 bastante mais complexa\u201d, afirmou Samba Reddy, especialista em neuroci\u00eancia e terap\u00eauticas experimentais no Texas A&amp;M Naresh K. Vashisht College of Medicine e autor principal do estudo.<\/p>\n<p>As les\u00f5es cerebrais traum\u00e1ticas afetam at\u00e9 69 milh\u00f5es de pessoas por ano. Este tipo de les\u00e3o pode originar epilepsia p\u00f3s-traum\u00e1tica, uma perturba\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica caracterizada por crises que podem surgir meses ou mesmo anos depois do incidente.<\/p>\n<p>O estudo sugere que c\u00e9rebros mais jovens poder\u00e3o ser mais vulner\u00e1veis aos processos que conduzem \u00e0 epilepsia p\u00f3s-traum\u00e1tica, pelo menos em ratinhos.<\/p>\n<p>\u201cA mesma plasticidade que ajuda os c\u00e9rebros jovens a adaptarem-se pode tamb\u00e9m criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento de redes que produzem crises epil\u00e9ticas\u201d, explicou Reddy num<a href=\"https:\/\/stories.tamu.edu\/news\/2026\/09\/04\/younger-brains-recover-better-than-older-brains-after-traumatic-injury-right-maybe-not\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\"> comunicado de imprensa (fonte em ingl\u00eas)<\/a>. Nos ratinhos mais jovens, a epilepsia surgiu mais tarde, mas, uma vez instalado o processo, o n\u00famero e a intensidade das crises tornaram-se substancialmente maiores.<\/p>\n<p>J\u00e1 os ratinhos mais velhos apresentaram atividade convulsiva mais precoce ap\u00f3s a les\u00e3o, mas tinham uma incid\u00eancia global e uma carga de epilepsia p\u00f3s-traum\u00e1tica mais baixa.<\/p>\n<p>Em suma, o c\u00e9rebro jovem pode reagir melhor aos danos gra\u00e7as \u00e0 capacidade de alterar as suas liga\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00e3o em resposta \u00e0 experi\u00eancia ou \u00e0 les\u00e3o. Mas essa mesma plasticidade pode tamb\u00e9m gerar liga\u00e7\u00f5es an\u00f3malas que alimentam redes produtoras de crises epil\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Mem\u00f3ria segue um percurso diferente<\/p>\n<p>Os ratinhos mais velhos mostraram, na verdade, uma recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida em algumas medidas de fun\u00e7\u00e3o motora. Mas o envelhecimento teve o seu pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Os animais mais idosos apresentaram sinais mais fortes de neuroinflama\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o an\u00f3mala dos circuitos e tiveram maiores dificuldades em manter mem\u00f3rias a longo prazo.<\/p>\n<p>\u201cO envelhecimento alterou o trajeto da recupera\u00e7\u00e3o, em vez de simplesmente a tornar mais dif\u00edcil\u201d, afirmou Reddy. \u201cOs c\u00e9rebros mais velhos pareciam menos suscet\u00edveis a atividade convulsiva cr\u00f3nica, mas continuavam vulner\u00e1veis de outras formas, sobretudo no que diz respeito \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 fun\u00e7\u00e3o cognitiva.\u201d<\/p>\n<p>Os resultados sugerem que as consequ\u00eancias de longo prazo de uma les\u00e3o cerebral dependem n\u00e3o apenas da extens\u00e3o dos danos f\u00edsicos, mas tamb\u00e9m da forma como o c\u00e9rebro reage a esses danos ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Isso pode ajudar a explicar porque \u00e9 que duas pessoas com les\u00f5es aparentemente semelhantes podem ter desfechos a longo prazo muito diferentes.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o oferece ainda pistas sobre o papel da idade no estudo das consequ\u00eancias das les\u00f5es cerebrais traum\u00e1ticas. Nos c\u00e9rebros mais jovens, a preocupa\u00e7\u00e3o principal poder\u00e1 ser o desenvolvimento gradual de redes an\u00f3malas que originam crises epil\u00e9ticas. Nos c\u00e9rebros mais velhos, a inflama\u00e7\u00e3o, as altera\u00e7\u00f5es dos circuitos e o decl\u00ednio da mem\u00f3ria surgem como tra\u00e7os mais marcantes.<\/p>\n<p>\u201cUm c\u00e9rebro jovem poder\u00e1 necessitar de interven\u00e7\u00f5es destinadas a travar o desenvolvimento gradual de redes produtoras de crises epil\u00e9ticas\u201d, concluiu Reddy, \u201cenquanto c\u00e9rebros mais velhos poder\u00e3o beneficiar de abordagens focadas na perda de mem\u00f3ria, na inflama\u00e7\u00e3o e no decl\u00ednio cognitivo ap\u00f3s a les\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"C\u00e9rebros jovens s\u00e3o mais flex\u00edveis. Adaptam-se e formam novas liga\u00e7\u00f5es com facilidade. 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