{"id":514724,"date":"2026-09-07T11:35:09","date_gmt":"2026-09-07T11:35:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514724\/"},"modified":"2026-09-07T11:35:09","modified_gmt":"2026-09-07T11:35:09","slug":"cancer-em-jovens-dispara-o-que-esta-por-tras-do-aumento-antes-dos-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/514724\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer em jovens dispara: o que est\u00e1 por tr\u00e1s do aumento antes dos 50 anos?"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O c\u00e2ncer ainda \u00e9 uma doen\u00e7a predominantemente <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">associada ao envelhecimento<\/strong> e continua sendo mais frequente em pessoas mais velhas. No entanto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temos observado um aumento no n\u00famero de diagn\u00f3sticos <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">em adultos com menos de 50 anos<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Pessoas com menos de 50 anos foram a \u00fanica faixa et\u00e1ria a apresentar aumento sustentado da incid\u00eancia de c\u00e2ncer entre 1995 e 2021, e alguns dos aumentos maBrazil Healthis expressivos<strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\"> t\u00eam sido observados abaixo dos 40 anos<\/strong>. Este crescimento ocorre em diferentes pa\u00edses e envolve diversos tipos de c\u00e2ncer, como os de c\u00f3lon e reto, mamBrazil Healtha, endom\u00e9trio, rim, p\u00e2ncreas, est\u00f4mago e tireoide.<\/p>\n<p>Por que isso est\u00e1 acontecendo?<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">N\u00e3o existe uma causa \u00fanica comprovada e, provavelmente, estamos diante da combina\u00e7\u00e3o de diferentes fatores e exposi\u00e7\u00f5es que come\u00e7am desde fases mais precoces da vida.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Entre as principais hip\u00f3teses est\u00e3o o aumento da obesidade e das altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas, o sedentarismo, mudan\u00e7as na alimenta\u00e7\u00e3o, o consumo de \u00e1lcool e maior exposi\u00e7\u00e3o a determinados poluentes e subst\u00e2ncias ambientais.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Outro campo em investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 o microbioma intestinal (conjunto de microrganismos que habitam nosso intestino). Estudos identificaram<strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\"> diferen\u00e7as na composi\u00e7\u00e3o<\/strong> e no <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">metabolismo das bact\u00e9rias<\/strong> intestinais de pacientes com c\u00e2ncer colorretal diagnosticado antes dos 50 anos. Alimenta\u00e7\u00e3o, obesidade e uso de antibi\u00f3ticos podem modificar o microbioma. Ainda n\u00e3o se sabe, por\u00e9m, se essas altera\u00e7\u00f5es contribuem diretamente para o desenvolvimento da doen\u00e7a ou se s\u00e3o, em parte, consequ\u00eancia dela.<\/p>\n<p>Estamos apenas diagnosticando mais?<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Essa \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para parte do aumento, mas n\u00e3o para todo o fen\u00f4meno. O maior acesso a exames e m\u00e9todos diagn\u00f3sticos mais sens\u00edveis pode aumentar a detec\u00e7\u00e3o de alguns tumores, como ocorre particularmente no c\u00e2ncer de tireoide.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Entretanto, tamb\u00e9m observamos pacientes jovens diagnosticados j\u00e1 com doen\u00e7a avan\u00e7ada, e n\u00e3o apenas tumores encontrados incidentalmente em exames de rotina. Al\u00e9m disso, h\u00e1 aumento da incid\u00eancia de tumores para os quais n\u00e3o existe rastreamento populacional nessa faixa et\u00e1ria, como o c\u00e2ncer de p\u00e2ncreas. Isso refor\u00e7a a hip\u00f3tese de uma <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/cancer-esta-aumentando-entre-os-mais-jovens-estudo-aponta-crescimento-de-quase-80-em-diagnostico-precoce\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" data-textassist=\"true\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\"><strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">mudan\u00e7a epidemiol\u00f3gica<\/strong><\/a>, e n\u00e3o apenas de sobrediagn\u00f3stico ou antecipa\u00e7\u00e3o do momento em que o c\u00e2ncer seria descoberto.<\/p>\n<p>E a gen\u00e9tica?<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Quando um c\u00e2ncer ocorre em uma pessoa jovem, uma das preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 a possibilidade de predisposi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria. S\u00edndromes como Lynch, polipose adenomatosa familiar, Li-Fraumeni e altera\u00e7\u00f5es heredit\u00e1rias em BRCA1 e BRCA2 podem favorecer o aparecimento precoce de determinados tumores.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Contudo, essas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por apenas uma parcela dos casos e n\u00e3o justificam, sozinhas, todo o aumento de casos nessa faixa et\u00e1ria. A identifica\u00e7\u00e3o dessas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas heredit\u00e1rias continua sendo importante porque permite o aconselhamento gen\u00e9tico e a implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias espec\u00edficas de rastreamento para o paciente e seus familiares.<\/p>\n<p>O que esse fen\u00f4meno epidemiol\u00f3gico muda na pr\u00e1tica?<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Um dos principais desafios est\u00e1 justamente no rastreamento. Adultos jovens est\u00e3o fora das faixas et\u00e1rias classicamente abrangidas pela maioria das recomenda\u00e7\u00f5es de exames de rastreamento. No c\u00e2ncer colorretal, por exemplo, o rastreamento de indiv\u00edduos de risco habitual come\u00e7a aos 45 anos. Antecipar exames para toda a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece uma solu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, pois significaria incluir milh\u00f5es de pessoas adicionais, com custos, riscos de procedimentos e investiga\u00e7\u00f5es potencialmente desnecess\u00e1rias para a maior parte desse grupo populacional.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">O caminho provavelmente ser\u00e1 identificar melhor quais indiv\u00edduos apresentam maior risco e que poderiam se beneficiar de estrat\u00e9gias de rastreamento mais precoces. Ao mesmo tempo, sintomas persistentes em pessoas jovens n\u00e3o devem ser ignorados e devem motivar atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">H\u00e1 ainda uma consequ\u00eancia particular do c\u00e2ncer nessa popula\u00e7\u00e3o: <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">um diagn\u00f3stico aos 30 ou 40 anos pode repercutir durante d\u00e9cadas<\/strong>. Cirurgias, quimioterapia, imunoterapia e outros tratamentos podem afetar funcionalidade, fertilidade, sexualidade, planejamento familiar, vida profissional e sa\u00fade emocional. O impacto \u00e9 m\u00e9dico, psicol\u00f3gico e social.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Assim, compreender por que algumas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o desenvolvendo determinados tipos de c\u00e2ncer mais cedo permanece como uma quest\u00e3o importante da oncologia. Ainda n\u00e3o temos uma resposta definitiva, mas entender melhor as causas desse fen\u00f4meno poder\u00e3o permitir estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o precoce mais eficazes.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">*Texto escrito por Dr. Gustavo Benfatti Olivato (CRM-SP 199828 \/ RQE 123808), Oncologista Cl\u00ednico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O c\u00e2ncer ainda \u00e9 uma doen\u00e7a predominantemente associada ao envelhecimento e continua sendo mais frequente em pessoas mais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":514725,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":["post-514724","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117229553199471125","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/514724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=514724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/514724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/514725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=514724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=514724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=514724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}