{"id":515287,"date":"2026-09-07T21:48:11","date_gmt":"2026-09-07T21:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/515287\/"},"modified":"2026-09-07T21:48:11","modified_gmt":"2026-09-07T21:48:11","slug":"luz-azul-pode-afetar-menos-o-sono-do-que-o-brilho-07-09-2026-equilibrio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/515287\/","title":{"rendered":"Luz azul pode afetar menos o sono do que o brilho &#8211; 07\/09\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio"},"content":{"rendered":"<p>Ao se acomodarem na cama, algumas pessoas podem acabar deixando de lado um livro h\u00e1 muito esquecido e pegando o celular. E n\u00e3o estariam sozinhas. Uma pesquisa com 122.058 adultos, publicada em 2025, constatou que 41% usavam algum tipo de tela todas as noites na hora que antecedia o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sono\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sono<\/a>.<\/p>\n<p>Apenas 17% disseram n\u00e3o usar <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2025\/08\/por-que-as-telas-te-mantem-acordado-pode-nao-ser-a-luz-azul.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">telas antes de dormir<\/a>. Os efeitos negativos talvez n\u00e3o se resumam ao pouco avan\u00e7o na leitura de &#8220;Guerra e Paz&#8221;, livro de Liev Tolst\u00f3i. Diversos estudos associaram o uso de telas \u00e0 noite a uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2026\/09\/por-que-medir-qualidade-do-sono-pode-estar-fazendo-voce-dormir-pior.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">noite de sono ruim<\/a>.<\/p>\n<p>A luz das telas costuma ter muito azul em seu espectro, o que levou alguns a apontar essa cor como culpada pelo sono ruim. O com\u00e9rcio percebeu a oportunidade. Hoje h\u00e1 uma profus\u00e3o de produtos para <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/05\/protetor-solar-contra-luz-azul-evita-danos-de-raios-solares-mas-nao-da-luz-de-telas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">filtrar a luz azul<\/a>, entre eles \u00f3culos, programas e pel\u00edculas para telas. Mas as evid\u00eancias que justificariam tamanho preconceito contra o azul est\u00e3o longe de ser convincentes.<\/p>\n<p>O ritmo di\u00e1rio do organismo \u00e9 comandado pelo <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2022\/06\/ritmo-circadiano-o-que-e-e-como-funciona.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">rel\u00f3gio circadiano<\/a> do c\u00e9rebro. Ele favorece o estado de alerta pela manh\u00e3 e a sonol\u00eancia \u00e0 noite. A luz dita o ritmo. Um pequeno grupo de c\u00e9lulas do olho cont\u00e9m um pigmento sens\u00edvel \u00e0 luz chamado melanopsina. Essas c\u00e9lulas n\u00e3o auxiliam a vis\u00e3o; em vez disso, enviam sinais aos neur\u00f4nios do rel\u00f3gio circadiano. Isso inibe a produ\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/o-que-especialistas-em-sono-querem-que-voce-saiba-antes-de-tomar-melatonina.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">melatonina <\/a>\u2014 horm\u00f4nio que desencadeia processos fisiol\u00f3gicos associados \u00e0 noite \u2014 e, assim, sincroniza o organismo com o ciclo de dia e noite da Terra.<\/p>\n<p>A melanopsina \u00e9 particularmente sens\u00edvel \u00e0 luz com comprimentos de onda em torno de 480 nan\u00f4metros, bem no meio da faixa azul do espectro. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 controv\u00e9rsia quanto ao fato de que essa luz bloqueia a melatonina. Avaliar os efeitos da exposi\u00e7\u00e3o cotidiana, por\u00e9m, \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2015 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences pediu a 12 participantes que lessem um livro eletr\u00f4nico ou impresso, em um ambiente com pouca luz, antes de ir para a cama.<\/p>\n<p>Os autores constataram que aqueles que liam em telas apresentavam uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 50% na melatonina em compara\u00e7\u00e3o com os leitores de livros impressos. Quem lia em telas tamb\u00e9m demorava mais para adormecer. Caso encerrado, pode-se pensar. Mas os participantes tiveram de ler por quatro horas \u2014 muito at\u00e9 para um devorador de livros \u2014 e, depois disso, os que ficaram com os olhos grudados na tela levaram, em m\u00e9dia, apenas dez minutos a mais para pegar no sono.<\/p>\n<p>Para complicar ainda mais, um estudo semelhante, publicado em 2016 na Sleep Medicine, chegou a resultados diferentes. Os autores reduziram o tempo de leitura de cada grupo para duas horas antes de dormir e tamb\u00e9m expuseram os participantes a uma luz branca intensa e constante no teto durante 6,5 horas ao longo do dia. N\u00e3o encontraram diferen\u00e7as entre os grupos nos n\u00edveis de melatonina nem no in\u00edcio ou na dura\u00e7\u00e3o do sono.<\/p>\n<p>Segundo Russell Foster, neurocientista especializado em ritmos circadianos da Universidade de Oxford, os pesquisadores da luz azul se veem \u00e0s voltas com in\u00fameras complica\u00e7\u00f5es desse tipo. Ele alerta contra a extrapola\u00e7\u00e3o de experimentos laboratoriais como esses para o mundo real, citando a falta de dados.<\/p>\n<p>O poder dos \u00f3culos que bloqueiam a luz azul \u00e9 igualmente nebuloso. Uma revis\u00e3o publicada em 2023 na Cochrane Database of Systematic Reviews analisou 17 estudos sobre essas lentes e n\u00e3o encontrou evid\u00eancias claras de que elas alterassem o sono. A efic\u00e1cia de programas que filtram a luz azul das telas tamb\u00e9m \u00e9 inconclusiva.<\/p>\n<p>Foster afirma que faz sentido reduzir ao m\u00ednimo a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luz antes de dormir. Mas isso n\u00e3o equivale a recomendar que se evitem especificamente as frequ\u00eancias azuis. A luz branca intensa, seja qual for sua fonte, aumenta o estado de alerta e pode alterar o rel\u00f3gio circadiano. &#8220;Qu\u00e3o intensa e por quanto tempo? Nem isso sabemos&#8221;, diz ele. &#8220;Desde que n\u00e3o seja intensa demais, provavelmente n\u00e3o h\u00e1 problema.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ao se acomodarem na cama, algumas pessoas podem acabar deixando de lado um livro h\u00e1 muito esquecido e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":515288,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1031,1029,476,236,116,1713,1208,32,33,117,1030,536,110,36924],"class_list":["post-515287","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-autocuidado","tag-cuide-se","tag-economia","tag-folha","tag-health","tag-insonia","tag-medicina","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-mental","tag-sono","tag-tecnologia","tag-the-economist"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117231963739431764","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/515287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=515287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/515287\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/515288"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=515287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=515287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=515287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}