{"id":516605,"date":"2026-09-09T02:30:29","date_gmt":"2026-09-09T02:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/516605\/"},"modified":"2026-09-09T02:30:29","modified_gmt":"2026-09-09T02:30:29","slug":"chaysavanh-manichanh-especialista-mundial-em-microbiota-o-cafe-esta-associado-a-uma-reducao-da-inflamacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/516605\/","title":{"rendered":"Chaysavanh Manichanh, especialista mundial em microbiota: \u201cO caf\u00e9 est\u00e1 associado a uma redu\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica tem aprofundado o conhecimento sobre o corpo humano atrav\u00e9s da <strong>microbiota<\/strong>, que tem sido considerada uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o. O estudo das nossas bact\u00e9rias, impulsionado pelos <strong>avan\u00e7os da biologia molecular<\/strong>, abre a porta a uma infinidade de novas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 que a nossa microbiota pode afectar a nossa sa\u00fade, funcionar como tratamento ou melhorar o nosso bem-estar?<\/strong> Se assim fosse, como poderia ser gerida? Em busca de respostas, na National Geographic convers\u00e1mos com <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/scientific-contributions\/Chaysavanh-Manichanh-14654563\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Chaysavanh Manichanh<\/a>, doutora em Bioqu\u00edmica e Microbiologia, que come\u00e7ou a estudar o tema h\u00e1 24 anos, quando poucos sabiam do que se tratava.<\/p>\n<p>Actualmente, \u00e9<strong> chefe do grupo de Investiga\u00e7\u00e3o em Microbioma do Hospital Vall d\u2019Hebron Institut de Recerca, em Barcelona<\/strong>, e ousa fazer um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o actual. &#8220;No in\u00edcio, \u00e9ramos muito poucos a estudar a microbiota e agora n\u00e3o temos tempo para ler todos os artigos cient\u00edficos que s\u00e3o publicados. Pass\u00e1mos dez anos a caracteriz\u00e1-la e, gra\u00e7as \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do sequenciamento em massa, os dez anos seguintes foram dedicados a relacion\u00e1-la com doen\u00e7as. Agora estamos a tentar utiliz\u00e1-la como<strong> terapia ou como m\u00e9todo de diagn\u00f3stico <\/strong>mais preciso. A ideia \u00e9 aprofundar a rela\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica entre a microbiota e a doen\u00e7a, o que ainda \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mais cautelosa do que a maioria das pessoas que falam nos meios de comunica\u00e7\u00e3o sobre a microbiota, <strong>prefere limitar as suas respostas ao que foi cientificamente comprovado<\/strong>, embora reconhe\u00e7a que o comportamento tem muito a ver com o senso comum.<\/p>\n<p><strong>Pergunta (P): Em que est\u00e1 a investigar actualmente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resposta (R): <\/strong>Estou a trabalhar com especialistas na doen\u00e7a de Crohn e na colite, que desenvolveram estirpes para a curar. Ainda estamos em ensaios cl\u00ednicos com poucos doentes e resultados que n\u00e3o s\u00e3o a 100%. \u00c9 um pouco melhor do que o tratamento actual, mas n\u00e3o funciona em todos os casos. Estamos a tentar estabelecer uma correla\u00e7\u00e3o entre a doen\u00e7a e a microbiota em grandes grupos populacionais, de 10.000 ou 100.000 pessoas, para podermos minimizar a variabilidade. O esfor\u00e7o continua no sentido de reunir todos os grupos de investiga\u00e7\u00e3o e dispor de grandes coortes.<\/p>\n<p><strong>P: A senhora \u00e9 mais cautelosa do que muitas outras pessoas que falam publicamente sobre a microbiota.<\/strong><\/p>\n<p>R: O interesse tem sido exponencial, tanto no lado positivo como no negativo, dentro da comunidade cient\u00edfica. H\u00e1 quem tenha visto uma oportunidade e seja mais f\u00e1cil propor uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do que realizar uma investiga\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estou muito a par do assunto, mas sei que surgiram startups a afirmar que curavam doen\u00e7as analisando a microbiota.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/manichanh-microbiota-vall-dhebron_0872b171_260908165734_800x536.webp\" alt=\"manichanh microbiota vall d'hebron\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"536\" data-aspectratio=\"800\/536\"\/>&#13;VHIR<\/p>\n<p>Manichanh (ao centro) e a sua equipa de investiga\u00e7\u00e3o do Hospital Vall d&#8217;Hebron.\u00a0<\/p>\n<p><strong>P: Isso \u00e9 imposs\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>R: Conseguir fazer previs\u00f5es para ajudar no diagn\u00f3stico \u00e9 o que temos vindo a tentar fazer h\u00e1 quase 25 anos com a doen\u00e7a de Crohn e a colite, mas ainda n\u00e3o o conseguimos.<\/p>\n<p><strong>P: Em que medida a nossa microbiota depende da alimenta\u00e7\u00e3o, da gen\u00e9tica ou do estilo de vida?<\/strong><\/p>\n<p>R. Precisamos de cortes maiores, e \u00e9 isso que estamos a fazer. Existe muita variabilidade entre as pessoas e \u00e9 dif\u00edcil determinar o impacto. \u00c9 verdade que a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos aspectos mais importantes e j\u00e1 se observaram efeitos muito r\u00e1pidos em mudan\u00e7as na dieta.<\/p>\n<p><strong>P: Estudou o caso de quem segue uma dieta vegetariana ou vegana. O que descobriram?<\/strong><\/p>\n<p>R: Que a composi\u00e7\u00e3o muda totalmente. Ao eliminar a prote\u00edna animal, v\u00e3o perder algumas bact\u00e9rias, mas v\u00e3o comer mais fruta, vegetais e leguminosas. Por isso, a tend\u00eancia \u00e9 que tenham uma microbiota com maior diversidade. N\u00e3o sabemos o que acontece a longo prazo.<\/p>\n<p><strong>P: E o que acontece se voltarem a comer carne?<\/strong><\/p>\n<p>R: A microbiota \u00e9 muito resiliente. Se voltarem a comer carne, o seu estado ir\u00e1 alterar-se. \u00c9 como os antibi\u00f3ticos: quando se deixa de os tomar, a microbiota j\u00e1 foi afectada, pelo que se pode deixar de os tomar. Isto significa que, atrav\u00e9s da alimenta\u00e7\u00e3o, se poderia tentar evitar doen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>P: Em que medida o consumo de alimentos ultraprocessados influencia?<\/strong><\/p>\n<p>R: Existem diferentes tipos de alimentos que podem influenciar o estado da inflama\u00e7\u00e3o, mas o problema que temos \u00e9 que \u00e9 dif\u00edcil avaliar o que \u00e9 ultraprocessado, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver o que as pessoas comem, uma a uma. O que, sim, observ\u00e1mos \u00e9 que os alimentos ultraprocessados est\u00e3o relacionados com uma redu\u00e7\u00e3o da diversidade da microbiota. Outra coisa que observ\u00e1mos \u00e9 que os doentes que sofrem destas doen\u00e7as t\u00eam uma alimenta\u00e7\u00e3o menos saud\u00e1vel, mesmo sabendo que as t\u00eam.<\/p>\n<p><strong>P: Isto parece contraintuitivo. N\u00e3o deveriam cuidar mais de si?<\/strong><\/p>\n<p>R: N\u00e3o, foi isso que nos surpreendeu. Agora resta estudar se isso \u00e9 a causa da doen\u00e7a e verificar se, ao alterar a dieta, o seu estado de inflama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m muda. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 intervir na dieta dos doentes e ver se os seus sintomas melhoram.<\/p>\n<p><strong>P: Qual \u00e9 o processo molecular pelo qual uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel gera uma microbiota melhor?<\/strong><\/p>\n<p>R: Ao comer mais fruta, vegetais e fibra, em geral, aumenta-se a diversidade da microbiota porque estes alimentos chegam \u00e0s bact\u00e9rias do c\u00f3lon sem serem processados pelas nossas c\u00e9lulas. \u00c9 como um alimento. Al\u00e9m disso, a microbiota produz vitaminas que podem ser \u00fateis \u00e0s nossas c\u00e9lulas intestinais.<\/p>\n<p><strong>P: Existe algum alimento cuja ac\u00e7\u00e3o tenha sido diferente do que esperavam?<\/strong><\/p>\n<p>R: Existem estudos que indicam que o caf\u00e9 est\u00e1 associado a uma redu\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 ben\u00e9fico para a microbiota, uma vez que \u00e9 metabolizado por certas bact\u00e9rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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