{"id":51716,"date":"2025-08-30T17:21:46","date_gmt":"2025-08-30T17:21:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/51716\/"},"modified":"2025-08-30T17:21:46","modified_gmt":"2025-08-30T17:21:46","slug":"ainda-e-cedo-para-fazer-o-enterro-do-dolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/51716\/","title":{"rendered":"Ainda \u00e9 cedo para fazer o enterro do d\u00f3lar"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\">Marcos Santos \/ USP Imagens<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-72357\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f47543e9b684285d66d78f072631df45-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>A moeda norte-americana tem enfrentado press\u00e3o global e perdido influ\u00eancia nos principais mercados mundiais, com uma ajuda das pol\u00edticas comerciais de Donald Trump \u2014 que n\u00e3o se importa com a sua desvaloriza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a v\u00ea com bons olhos. Mas a not\u00edcia do fim do seu dom\u00ednio \u00e9 manifestamente exagerada.<\/strong><\/p>\n<p>O d\u00f3lar norte-americano registou no primeiro semestre de 2025 a maior desvaloriza\u00e7\u00e3o em mais de 50 anos, com uma <strong>queda de 11%<\/strong> no U.S. Dollar Index, indicador criado pelo Federal Reserve (Fed) que mede a for\u00e7a da moeda face a divisas como o euro, o iene, a libra esterlina ou o franco su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n<p>Esta queda, embora n\u00e3o in\u00e9dita, acontece num momento de crescentes tens\u00f5es econ\u00f3micas e pol\u00edticas que levantam d\u00favidas sobre a <strong>durabilidade da hegemonia<\/strong> do d\u00f3lar como <strong>principal moeda mundial<\/strong>.<\/p>\n<p>O peso da divisa norte-americana nas reservas cambiais tem vindo a diminuir gradualmente: segundo dados do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, em 2000 <strong>representava mais de 70%, atualmente n\u00e3o ultrapassa os 57%<\/strong>, nota a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cjr1zpnr4gvo\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">BBC<\/a>.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o perdido foi <strong>parcialmente ocupado por outras moedas<\/strong>, como o yuan chin\u00eas, e <strong>sobretudo pelo ouro<\/strong>, cuja presen\u00e7a nas reservas de economias emergentes duplicou na \u00faltima d\u00e9cada, chegando a 9%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desta tend\u00eancia de diversifica\u00e7\u00e3o, registou-se uma redu\u00e7\u00e3o consistente da <strong>participa\u00e7\u00e3o estrangeira na d\u00edvida p\u00fablica dos EUA<\/strong>: antes da crise financeira de 2008, <strong>mais de metade dos t\u00edtulos<\/strong> do Tesouro estavam em m\u00e3os de investidores internacionais, valor que <strong>hoje ronda apenas os 30%<\/strong>.<\/p>\n<p>No com\u00e9rcio internacional, <strong>o d\u00f3lar mant\u00e9m clara predomin\u00e2ncia<\/strong>, mas come\u00e7a a <strong>perder espa\u00e7o em setores estrat\u00e9gicos<\/strong> como o da energia, em parte devido \u00e0s <strong>san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia<\/strong>, que passaram a ser contornadas com o uso de moedas locais em exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A instabilidade tem sido <strong>agravada pelas pol\u00edticas do presidente Donald Trump<\/strong>, que em abril anunciou tarifas de 10% sobre todas as importa\u00e7\u00f5es, acrescidas de <strong>sobretaxas mais pesadas<\/strong> para pa\u00edses espec\u00edficos em alguns produtos.<\/p>\n<p>Esta <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/thread\/guerra-das-tarifas\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Guerra das Tarifas<\/a> <strong>abalou as bolsas mundiais<\/strong> e acelerou a venda de ativos norte-americanos: s\u00f3 entre mar\u00e7o e abril deste ano, investidores estrangeiros <strong>retiraram 63 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares do mercado acionista<\/strong> dos EUA, de acordo com o Goldman Sachs.<\/p>\n<p>Os especialistas apontam que o uso do <strong>d\u00f3lar como arma de san\u00e7\u00f5es<\/strong> econ\u00f3micas tamb\u00e9m <strong>mina a confian\u00e7a global<\/strong> dos investidores.<\/p>\n<p>O <strong>congelamento de ativos russos<\/strong> ap\u00f3s a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia mostrou que os <strong>T\u00edtulos do Tesouro<\/strong>, tradicionalmente vistos pelos investidores como \u201cporto seguro\u201d, <strong>podem perder valor de um dia para o outro<\/strong> por decis\u00e3o pol\u00edtica. Para muitos bancos centrais, esta realidade refor\u00e7a o incentivo \u00e0 diversifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro fator de press\u00e3o \u00e9 o <strong>elevado endividamento dos EUA<\/strong>, que atingiu 35,4 bili\u00f5es de d\u00f3lares em 2024, o <strong>equivalente a 123% do seu PIB<\/strong>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a perspetiva de <strong>cortes nas taxas de juro por parte do Fed<\/strong>, num contexto de interfer\u00eancia pol\u00edtica por parte de Trump \u2014 que chegou a amea\u00e7ar demitir dirigentes da institui\u00e7\u00e3o \u2014 <strong>aumenta a incerteza sobre o futuro da moeda<\/strong> norte-americana.<\/p>\n<p>Paralelamente, blocos econ\u00f3micos como o BRICS (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), recentemente expandido com a entrada de novos membros, defendem uma <strong>agenda de \u201cdesdolariza\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Na recente cimeira no Rio de Janeiro, o presidente brasileiro<strong> Lula da Silva<\/strong> voltou a defender que <strong>o com\u00e9rcio internacional n\u00e3o deve depender<\/strong> exclusivamente do d\u00f3lar. A China e a R\u00fassia t\u00eam promovido alternativas, incluindo sistemas pr\u00f3prios de <strong>pagamento digital<\/strong> e maior uso de moedas nacionais em transa\u00e7\u00f5es bilaterais.<\/p>\n<p>Contudo, muitos analistas salientam que <strong>n\u00e3o existe ainda substituto vi\u00e1vel<\/strong> para o d\u00f3lar, que continua a ser <strong>completamente dominante em \u00e1reas como o com\u00e9rcio<\/strong>, a d\u00edvida internacional e a <strong>rede Swift, que liga 11 mil institui\u00e7\u00f5es financeiras<\/strong> em mais de 200 pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Nem mesmo o yuan chin\u00eas<\/strong>, apesar do seu crescimento recente, tem a liquidez e a confian\u00e7a necess\u00e1rias para assumir o lugar da moeda americana.<\/p>\n<p>Alguns conselheiros de Trump, como <strong>Stephen Miran<\/strong>, defendem mesmo que um d\u00f3lar mais fraco poderia <strong>beneficiar a ind\u00fastria dos EUA,<\/strong> tornando as exporta\u00e7\u00f5es mais competitivas. H\u00e1 quem especule que esta <strong>poder\u00e1 ser, em parte, a estrat\u00e9gia<\/strong> do atual presidente Trump.<\/p>\n<p>Mas alguns conceituados economistas, como <strong>Kenneth Rogoff<\/strong>, sublinham que o <strong>d\u00e9fice comercial norte-americano tem m\u00faltiplas causas<\/strong>, e que a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda <strong>n\u00e3o ser\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o milagrosa<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar dos sinais de eros\u00e3o, a maioria dos especialistas considera prematuro falar no \u201c<strong>fim do d\u00f3lar<\/strong>\u201d. A moeda norte-americana continua a ser a principal refer\u00eancia do sistema financeiro global, e mesmo pa\u00edses cr\u00edticos, como R\u00fassia e China, mant\u00eam <strong>grande parte das suas opera\u00e7\u00f5es em d\u00f3lares<\/strong>.<\/p>\n<p>O futuro poder\u00e1 passar por uma lenta diversifica\u00e7\u00e3o das moedas predominantes nos mercados cambiais, mas, para j\u00e1, <strong>o \u201crei d\u00f3lar\u201d continua sentado no trono<\/strong>.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756478761_884_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756478762_883_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756478762_371_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marcos Santos \/ USP Imagens A moeda norte-americana tem enfrentado press\u00e3o global e perdido influ\u00eancia nos principais mercados&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":51717,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,269,3398,92,476,89,90,413,93,97,32,33],"class_list":{"0":"post-51716","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-capa","10":"tag-comercio","11":"tag-donald-trump","12":"tag-economia","13":"tag-economy","14":"tag-empresas","15":"tag-eua","16":"tag-guerra-comercial","17":"tag-mercados","18":"tag-portugal","19":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51716\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}