{"id":517280,"date":"2026-09-09T16:57:24","date_gmt":"2026-09-09T16:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/517280\/"},"modified":"2026-09-09T16:57:24","modified_gmt":"2026-09-09T16:57:24","slug":"putin-pode-agradecer-a-bin-laden-o-preco-que-o-ocidente-ainda-paga-pelo-11-de-setembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/517280\/","title":{"rendered":"\u201cPutin pode agradecer a Bin Laden\u201d: o pre\u00e7o que o Ocidente ainda paga pelo 11 de Setembro"},"content":{"rendered":"<p>Quando os dois avi\u00f5es atingiram as Torres G\u00e9meas em Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001, a amea\u00e7a que dominaria as d\u00e9cadas seguintes parecia ter um nome: terrorismo internacional. Vinte e cinco anos depois, Osama bin Laden est\u00e1 morto, o \u201ccalifado\u201d do Estado Isl\u00e2mico foi destru\u00eddo e os EUA sa\u00edram do Afeganist\u00e3o. Mas muitas das consequ\u00eancias daquele dia continuam presentes.<\/p>\n<p>\tEscolha a Executive Digest como fonte preferida no Google<br \/>\n\t<a href=\"https:\/\/www.google.com\/preferences\/source?q=https%3A%2F%2Fexecutivedigest.sapo.pt%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" style=\"flex:0 0 auto;padding:8px 18px;border-radius:7px;background:#1a73e8;color:#fff;font-size:14px;font-weight:700;text-decoration:none;white-space:nowrap;\">Escolher \u203a<\/a><\/p>\n<p>Afeganist\u00e3o, Iraque, Al-Qaeda, Estado Isl\u00e2mico, centenas de milhares de mortos e uma fatura de v\u00e1rios bili\u00f5es de d\u00f3lares fizeram parte da longa sequ\u00eancia iniciada depois dos atentados que mataram 2.977 pessoas.<\/p>\n<p>E quando o Ocidente come\u00e7ou finalmente a deixar para tr\u00e1s duas d\u00e9cadas dominadas pela \u201cguerra ao terror\u201d, encontrou uma amea\u00e7a muito diferente \u00e0 porta: uma guerra de grande escala na Europa e uma R\u00fassia disposta a desafiar a ordem de seguran\u00e7a constru\u00edda depois da Guerra Fria.<\/p>\n<p>Segundo uma an\u00e1lise publicada pelo \u2018The Independent\u2019 a prop\u00f3sito dos 25 anos do 11 de Setembro, s\u00f3 os EUA gastaram cerca de 4,37 bili\u00f5es de d\u00f3lares \u2014 aproximadamente 3,7 bili\u00f5es de euros \u2014 nas guerras no Afeganist\u00e3o, Iraque e S\u00edria, de acordo com estimativas do projeto \u2018Costs of War\u2019, da Universidade Brown.<\/p>\n<p><strong>Tudo come\u00e7ou em poucas horas<\/strong><\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da resposta ao 11 de Setembro come\u00e7ou a perceber-se praticamente de imediato.<\/p>\n<p>Pela primeira e, at\u00e9 hoje, \u00fanica vez na hist\u00f3ria da NATO, foi acionado o Artigo 5.\u00ba do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte: um ataque contra um membro da Alian\u00e7a seria considerado um ataque contra todos.<\/p>\n<p>Os EUA e os aliados avan\u00e7aram para o Afeganist\u00e3o com dois objetivos centrais: destruir a Al-Qaeda e derrubar os talib\u00e3s, que tinham permitido a Osama bin Laden operar a partir do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No final de 2001, o regime talib\u00e3 tinha sido derrubado e Bin Laden tinha sido visto a fugir da regi\u00e3o montanhosa de Tora Bora, junto \u00e0 fronteira com o Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>Parecia que a guerra poderia ser curta.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Acabaria por durar 20 anos.<\/p>\n<p><strong>Depois do 11 de Setembro mudou tamb\u00e9m a forma de combater<\/strong><\/p>\n<p>A luta contra organiza\u00e7\u00f5es terroristas levou igualmente os EUA a adotarem uma doutrina de ataques preventivos.<\/p>\n<p>Membros de organiza\u00e7\u00f5es consideradas terroristas passaram a poder ser atacados mesmo quando n\u00e3o existia uma amea\u00e7a imediata em curso, numa estrat\u00e9gia que se estendeu a pa\u00edses como o Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u2018The Independent\u2019 recorda que estas opera\u00e7\u00f5es provocaram tamb\u00e9m mortes de civis e alimentaram cr\u00edticas sobre execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais e os limites jur\u00eddicos da chamada \u201cguerra ao terror\u201d.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a pr\u00f3pria resposta ocidental come\u00e7ou a ser explorada pela propaganda extremista.<\/p>\n<p>A Al-Qaeda conseguiu transformar as guerras e a presen\u00e7a militar ocidental em instrumentos de recrutamento, atraindo novos seguidores n\u00e3o apenas no M\u00e9dio Oriente e na \u00c1sia, mas tamb\u00e9m na Europa e atrav\u00e9s de espa\u00e7os de radicaliza\u00e7\u00e3o online.<\/p>\n<p><strong>2003 mudou novamente a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Dois anos depois dos atentados, os EUA e o Reino Unido invadiram o Iraque.<\/p>\n<p>Saddam Hussein foi rapidamente derrubado, mas a guerra abriu uma nova frente que acabaria por durar anos.<\/p>\n<p>As armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a utilizadas como uma das principais justifica\u00e7\u00f5es para a invas\u00e3o n\u00e3o foram encontradas e tamb\u00e9m n\u00e3o foi demonstrada a liga\u00e7\u00e3o operacional entre o regime iraquiano e a Al-Qaeda sugerida antes da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>O conflito mergulhou posteriormente numa insurg\u00eancia onde se cruzaram antigos elementos do regime de Saddam, mil\u00edcias xiitas apoiadas pelo Ir\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es jihadistas.<\/p>\n<p>Foi nesse terreno que uma nova amea\u00e7a come\u00e7ou a crescer.<\/p>\n<p><strong>Da Al-Qaeda nasceu uma amea\u00e7a ainda maior<\/strong><\/p>\n<p>O Estado Isl\u00e2mico emergiu no Iraque e acabaria por conquistar vastas \u00e1reas deste pa\u00eds e da vizinha S\u00edria.<\/p>\n<p>No auge da expans\u00e3o, proclamou um \u201ccalifado\u201d, controlou cidades com milh\u00f5es de habitantes e atraiu milhares de combatentes estrangeiros.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o utilizou execu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, atentados e uma sofisticada m\u00e1quina de propaganda para espalhar terror muito para al\u00e9m dos territ\u00f3rios que controlava.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Mosul, no Iraque, e Raqqa, na S\u00edria, tornaram-se os dois grandes s\u00edmbolos desse poder.<\/p>\n<p>At\u00e9 ao final de 2017, ambas tinham sido reconquistadas por for\u00e7as locais apoiadas por uma coliga\u00e7\u00e3o internacional, acabando com o controlo territorial que sustentava o \u201ccalifado\u201d.<\/p>\n<p>Mas nessa altura j\u00e1 tinham passado 16 anos desde o 11 de Setembro.<\/p>\n<p><strong>Uma fatura de 4,37 bili\u00f5es de d\u00f3lares<\/strong><\/p>\n<p>As guerras tiveram tamb\u00e9m um custo financeiro gigantesco.<\/p>\n<p>O projeto \u2018Costs of War\u2019, da Universidade Brown, estima em 4,37 bili\u00f5es de d\u00f3lares os gastos dos EUA nas guerras no Afeganist\u00e3o, Iraque e S\u00edria, segundo os n\u00fameros citados pelo \u2018The Independent\u2019.<\/p>\n<p>A estes custos somam-se centenas de milhares de vidas perdidas e as consequ\u00eancias humanas, econ\u00f3micas e pol\u00edticas sentidas nos pa\u00edses diretamente envolvidos.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Quando os EUA abandonaram definitivamente o Afeganist\u00e3o em 2021, os talib\u00e3s \u2014 derrubados nas primeiras semanas da interven\u00e7\u00e3o iniciada depois do 11 de Setembro \u2014 regressaram ao poder.<\/p>\n<p>Vinte anos de guerra terminavam praticamente no ponto onde tinham come\u00e7ado no que respeitava ao controlo pol\u00edtico do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso, outra amea\u00e7a crescia<\/strong><\/p>\n<p>Durante grande parte destas duas d\u00e9cadas, as aten\u00e7\u00f5es militares e pol\u00edticas dos EUA e de v\u00e1rios aliados estiveram concentradas no M\u00e9dio Oriente, Afeganist\u00e3o e terrorismo internacional.<\/p>\n<p>Na Europa, entretanto, a rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia deteriorava-se.<\/p>\n<p>Vladimir Putin assistiu ao alargamento da NATO e da Uni\u00e3o Europeia a pa\u00edses da Europa Central e de Leste anteriormente pertencentes \u00e0 esfera de influ\u00eancia sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Em 2022, a R\u00fassia lan\u00e7ou a invas\u00e3o em grande escala da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>A amea\u00e7a que passou a dominar a seguran\u00e7a europeia j\u00e1 n\u00e3o era uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista escondida em montanhas do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Continue a ler ap\u00f3s a publicidade<\/p>\n<p>Era novamente um Estado, com for\u00e7as armadas convencionais, armas nucleares e capacidade para travar uma guerra de grande escala no continente europeu.<\/p>\n<p><strong>Do terrorismo \u00e0 guerra entre Estados<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 talvez esta uma das maiores mudan\u00e7as destes 25 anos.<\/p>\n<p>Em 2001, o Artigo 5.\u00ba da NATO foi acionado para responder ao ataque de uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista.<\/p>\n<p>Hoje, os pa\u00edses da Alian\u00e7a voltaram a preparar-se sobretudo para a possibilidade de um confronto convencional entre Estados.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia levou v\u00e1rios membros europeus da NATO a aumentar os or\u00e7amentos de defesa, reconstruir capacidades militares e voltar a discutir amea\u00e7as que pareciam pertencer \u00e0 Guerra Fria.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, permanecem muitas das estruturas criadas depois do 11 de Setembro: legisla\u00e7\u00e3o antiterrorista, sistemas de vigil\u00e2ncia, controlos refor\u00e7ados nos aeroportos, opera\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e uma arquitetura de seguran\u00e7a profundamente diferente daquela que existia na manh\u00e3 de 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p><strong>25 anos depois, acabou realmente o 11 de Setembro?<\/strong><\/p>\n<p>Bin Laden foi morto em 2011. O territ\u00f3rio controlado pelo Estado Isl\u00e2mico foi reconquistado. Os \u00faltimos militares dos EUA abandonaram o Afeganist\u00e3o em 2021.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 mais dif\u00edcil estabelecer uma data para o fim das consequ\u00eancias do 11 de Setembro.<\/p>\n<p>As guerras que se seguiram alteraram o M\u00e9dio Oriente, transformaram a pol\u00edtica externa dos EUA, mudaram a forma como o terrorismo \u00e9 combatido, contribu\u00edram para novas vagas de radicaliza\u00e7\u00e3o e consumiram bili\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>E quando esse ciclo come\u00e7ou finalmente a encerrar-se, a Europa entrou noutra guerra.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, 25 anos depois, a pergunta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas como o 11 de Setembro mudou o mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 perceber quanto desse mundo ainda existe hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando os dois avi\u00f5es atingiram as Torres G\u00e9meas em Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001, a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":517281,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-517280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/117242144072317788","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=517280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517280\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/517281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=517280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=517280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=517280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}