{"id":51743,"date":"2025-08-30T17:37:15","date_gmt":"2025-08-30T17:37:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/51743\/"},"modified":"2025-08-30T17:37:15","modified_gmt":"2025-08-30T17:37:15","slug":"agente-krasnov-as-teorias-sobre-trump-o-kgb-e-a-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/51743\/","title":{"rendered":"Agente Krasnov? As teorias sobre Trump, o KGB e a R\u00fassia"},"content":{"rendered":"<p>        Marcelo Rebelo de Sousa chamou \u201cativo russo\u201d a Donald Trump. M\u00e1 escolha de palavras? Nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios ex-agentes do KGB t\u00eam feito, sem apresentar provas, alega\u00e7\u00f5es sobre a liga\u00e7\u00e3o de Trump a Moscovo.    <\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es do Presidente da Rep\u00fablica sobre o favorecimento que Donald Trump tem dado \u00e0 R\u00fassia t\u00eam sido noticiadas l\u00e1 fora, com destaque para meios ucranianos em ingl\u00eas, apesar de nenhum grande meio estrangeiro ou ag\u00eancia noticiosa global ter pegado no tema.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cCom uma coisa peculiar e complexa: \u00e9 que o l\u00edder m\u00e1ximo da maior superpot\u00eancia do mundo, objetivamente, \u00e9 um ativo sovi\u00e9tico, ou russo. Funciona como ativo. Estou a dizer que, em termos objetivos, a nova lideran\u00e7a norte-americana tem favorecido estrategicamente a Federa\u00e7\u00e3o Russa\u201d, disse Marcelo Rebelo de Sousa esta semana.<\/p>\n<p class=\"\">M\u00e1 escolha de palavras do Presidente? \u00c9 que a palavra \u201cativo\u201d \u00e9 usada no mundo da intelig\u00eancia para descrever algu\u00e9m que trabalha para um servi\u00e7o secreto (quer seja obrigado (devido a chantagem) ou em troca de dinheiro, por exemplo) a recolher informa\u00e7\u00e3o classificada para um pa\u00eds estrangeiro, ou algu\u00e9m numa posi\u00e7\u00e3o de poder que tente influenciar decis\u00f5es ou que garanta que certos interesses n\u00e3o s\u00e3o afetados.<\/p>\n<p>De h\u00e1 alguns anos a esta parte, v\u00e1rias teorias t\u00eam sido noticiadas sobre um alegado envolvimento de Donald Trump com a R\u00fassia e os servi\u00e7os secretos russos. O atual presidente americano sempre rejeitou qualquer envolvimento com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Este ano, o ex-l\u00edder dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Cazaquist\u00e3o disse que Donald Trump foi recrutado pelo KGB em 1987 quando o ent\u00e3o empres\u00e1rio do imobili\u00e1rio, com 40 anos, visitou Moscovo e que teria o nome de c\u00f3digo \u2018Krasnov\u2019. Alnur Mussayev disse que Vladimir Putin tem em sua posse o ficheiro de Trump ao servi\u00e7o do KGB, mas a alega\u00e7\u00e3o foi feita sem a apresenta\u00e7\u00e3o de provas, de acordo com a \u201cEuronews\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Sergei Zhyrnov \u2013 ex-agente do KGB que vive em Fran\u00e7a \u2013 alegou que Trump vivia rodeado de operacionais do KGB durante 24 horas por dia durante a sua visita a Moscovo, do condutor do t\u00e1xi \u00e0 empregada de limpeza do hotel.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel tamb\u00e9m sugeriu que Trump pode ter ca\u00eddo numa armadilha sexual, uma t\u00e1tica conhecida por \u201ckompromat\u201d (ler mais abaixo), pois todas as prostitutas de alto n\u00edvel trabalhavam com o KGB. Outra hip\u00f3tese, \u00e9 ter sido apanhado a subornar respons\u00e1veis de Moscovo, pois tinha a ideia de construir um hotel na capital sovi\u00e9tica, segundo o \u201cThe Hill\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 um terceiro ex-agente do KGB a alegar o envolvimento de Trump com os servi\u00e7os secretos russos.<\/p>\n<p>Yuri Shvets esteve colocado em Washington na d\u00e9cada de 80 e compara o presidente dos EUA aos \u2018cinco de Cambridge\u2019 os estudantes universit\u00e1rios que foram recrutados pela URSS durante os seus estudos e que entraram depois nos servi\u00e7os secretos russos e alimentaram-nos com informa\u00e7\u00e3o classificada durante a segunda guerra mundial e a fase inicial da guerra fria.<\/p>\n<p>O mais conhecido deste quinteto \u00e9 Kim Philby, que acabou por desertar para a URSS e morrer exilado. O escritor brit\u00e2nico Bem MacIntyre tem um livro dedicado \u00e0 hist\u00f3ria ver\u00eddica deste duplo espi\u00e3o: \u201c<a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/um-espiao-entre-amigos-ben-macintyre\/24128825?srsltid=AfmBOoqnNHEi9Oio5VhgR759B_6ZWospqdym7WvxXgTY5yY2dOhRUoFa\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Um espi\u00e3o entre amigos \u2013 Kim Philby e a grande trai\u00e7\u00e3o\u201d.<\/a><\/p>\n<p>Yuri Shvets foi uma das fontes principais do jornalista Craig Unger para escrever o livro <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/american-kompromat-craig-unger\/26292745?srsltid=AfmBOoqXYrwMUy9hcTxCun8wX-LaOezWJSZzamRrk6K6unpCvmnlqjrb\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">American Krompromat:<\/a> \u201cComo o KGB cultivou Donald Trump\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um exemplo onde pessoas foram recrutadas quando eram apenas estudantes e atingiram posi\u00e7\u00f5es importantes: algo assim estava a acontecer com Trump\u201d, afirmou em 2021, em entrevista ao \u201cGuardian\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o ex-espi\u00e3o que vive nos EUA desde 1993, Donald Trump apareceu no radar dos russos em 1977 quando casou com a sua primeira mulher: Ivana Zelnickova, uma modelo checa.<\/p>\n<p>A partir daqui,o empres\u00e1rio come\u00e7ou a ser espiado pelos servi\u00e7os secretos da Checoslov\u00e1quia (StB) em coopera\u00e7\u00e3o com o KGB.<\/p>\n<p>Foi em 1980 que o Trump abriu o seu primeiro grande projeto \u2013 o Grand Hyatt New York Hotel \u2013 perto da esta\u00e7\u00e3o Grand Central em Nova Iorque.<\/p>\n<p>Para o hotel comprou 200 televis\u00f5es \u00e0 empresa de Semyon Kislin, um imigrante sovi\u00e9tico controlado pelo KGB. Kislin identificou o potencial de Trump: um jovem empres\u00e1rio em ascens\u00e3o. Kislin j\u00e1 rejeitou qualquer liga\u00e7\u00e3o ao KGB.<\/p>\n<p>Mais tarde, em 1987, Trump e Ivana visitaram Moscovo e S\u00e3o Petersburgo, com operacionais da KGB a alimentar a ideia de que Trump devia entrar na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u201cPara o KGB, foi uma opera\u00e7\u00e3o de charme. Eles tinham muita informa\u00e7\u00e3o sobre a sua personalidade, portanto sabiam quem ele era pessoalmente. O sentimento \u00e9 que ele era extremamente vulner\u00e1vel intelectualmente e psicologicamente e muito sens\u00edvel a elogios\u201d, disse o ex-espi\u00e3o ao \u201cGuardian\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFoi isto que exploraram. Jogaram o jogo como se estivessem imensamente impressionados com a sua personalidade e transmitindo-lhe que ele era o tipo que devia ser presidente dos EUA um dia: s\u00e3o este o tipo de pessoas que podem mudar o mundo. Eles alimentaram-lhe com uma s\u00e9rie de soundbites e funcionou- Foi um grande acontecimento para o KGB\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Quando ent\u00e3o regressou aos EUA come\u00e7ou a explorar uma nomea\u00e7\u00e3o republicana para a campanha presidencial e chegou a realizar um com\u00edcio. Come\u00e7ou tamb\u00e9m a publicar an\u00fancios em jornais, onde criticava o Jap\u00e3o por considerar que explorava os EUA e tamb\u00e9m expressava cetiscismo sobre a participa\u00e7\u00e3o dos EUA na NATO. Chegou mesmo a escrever uma carta aberta ao povo americano: \u201cA Am\u00e9rica devia parar de pagar para defender pa\u00edses que n\u00e3o se podem defender a si pr\u00f3prios\u201d.<\/p>\n<p>Shvets tinha entretanto regressado a Moscovo e revela como as a\u00e7\u00f5es de Trump foram bem recebidas na primeira diretoria do KGB na sua sede.<\/p>\n<p>\u201cNunca tinha acontecido nada assim. Eu tinha conhecimento das medidas ativas do KGB nas d\u00e9cadas de 70 e 80, e depois das medidas da R\u00fassia, mas nunca ouvi nada semelhante. Era dif\u00edcil acreditar que algu\u00e9m mandaria publicar [an\u00fancios] no seu nome e que iria impressionar pessoas s\u00e9rias no ocidente, mas foi o que aconteceu e ele tornou-se presidente\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Shvets diz que a vit\u00f3ria em 2016 de Trump tamb\u00e9m foi bem recebida por Moscovo.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o do projeto Moscovo concluiu que a campanha de Trump e a equipa de transi\u00e7\u00e3o tinham tido mais de 270 contactos e quase 40 encontros com operacionais ligados \u00e0 R\u00fassia. No entanto, a investiga\u00e7\u00e3o oficial de Robert Muller de 2019 concluiu que n\u00e3o houve conspira\u00e7\u00e3o de Trump com a R\u00fassia para interferir nas elei\u00e7\u00f5es de 2016.<\/p>\n<p>Shvets deixa cr\u00edticas \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o de Muller \u00e0 interfer\u00eancia russa nas elei\u00e7\u00f5es norte-americanas. \u201cO relat\u00f3rio Muller foi uma grande desilus\u00e3o porque as pessoas esperavam que fosse uma investiga\u00e7\u00e3o aprofundada entre Trump e Moscovo e ele limitou-se a investigar os assuntos criminais, deixando de fora os aspetos de contra-intelig\u00eanncia desta rela\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o autor do livro Craig Unger concluiu que Trump era um \u201cativo\u201d. Todavia, considera que n\u00e3o houve um grande plano para Trump chegar \u00e0 presid\u00eancia, o que aconteceu somente por mero acaso. \u201cNos anos 80, quando come\u00e7ou, os russos estavam a tentar recrutar muita gente e tiveram como alvo dezenas e dezenas de pessoas. Trump foi o alvo perfeito: vaidoso e narcisista foi o alvo natural para recrutar. Ele foi cultivado durante 40 anos, at\u00e9 \u00e0 sua elei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Kompromat ou a arte russa de \u2018fazer amigos\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Esta estrat\u00e9gia chama-se em russo \u201ckompromat\u201d: tentar obter informa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis sobre uma pessoa (como fotos ou v\u00eddeos de algo comprometedor) para depois fazer press\u00e3o ou chantagem sobre essa pessoa. Se n\u00e3o cumprisse o pretendido, os servi\u00e7os secretos destruiriam a reputa\u00e7\u00e3o da pessoa em causa.<\/p>\n<p>O KGB da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aperfei\u00e7oou ao m\u00e1ximo esta t\u00e1tica, mas \u00e9 usada atualmente por servi\u00e7os de intelig\u00eancia de todo o mundo.<\/p>\n<p>Um ex-embaixador brit\u00e2nico revelou \u00e0 \u201cCNN\u201d que os diplomatas s\u00e3o avisados sobre o Kompromat quando s\u00e3o enviados para a R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u201cFaz parte de como a R\u00fassia trabalha, que os servi\u00e7os de intelig\u00eancia recolham informa\u00e7\u00f5es sobre indiv\u00edduos para us\u00e1-las para obterem alguma vantagem\u201d, segundo Tony Brenton.<\/p>\n<p>O Kompromat \u00e9 at\u00e9 usado hoje em dia pelos atuais servi\u00e7os secretos russos, incluindo o FSB sucessor do KGB, para recolher todas as informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cOs servi\u00e7os de seguran\u00e7a russos sugam tudo, porque pode vir a ser \u00fatil algum dia. Os aliados de hoje podem virar inimigos depois\u201d, disse em 2017 \u00e0 \u201cBBC\u201d David Filipov, \u00e0 \u00e9poca correspondente do \u201cWashington Post\u201d em Moscovo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Marcelo Rebelo de Sousa chamou \u201cativo russo\u201d a Donald Trump. M\u00e1 escolha de palavras? 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