{"id":5202,"date":"2025-07-28T11:09:10","date_gmt":"2025-07-28T11:09:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5202\/"},"modified":"2025-07-28T11:09:10","modified_gmt":"2025-07-28T11:09:10","slug":"disfagia-a-dificuldade-para-engolir-comum-em-idosos-nao-deve-ser-banalizada-como-coisa-da-idade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/5202\/","title":{"rendered":"Disfagia, a dificuldade para engolir comum em idosos, n\u00e3o deve ser banalizada como &#8216;coisa da idade&#8217;"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; \u00c9 poss\u00edvel notar que muitos idosos possuem dificuldade para engolir, um dist\u00farbio chamado de <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/saude-e-bem-viver\/2023\/07\/10\/interna_bem_viver,1518368\/disfagia-quando-engolir-se-torna-um-desafio.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>disfagia<\/strong><\/a>. Embora seja frequente nessa faixa et\u00e1ria, especialistas alertam que a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser naturalizada como consequ\u00eancia inevit\u00e1vel do envelhecimento.<\/p>\n<p>A disfagia \u00e9 uma altera\u00e7\u00e3o que acontece no transporte de alimentos, l\u00edquidos ou saliva entre a boca e o est\u00f4mago. A condi\u00e7\u00e3o pode trazer risco para a pessoa, seja na nutri\u00e7\u00e3o, na hidrata\u00e7\u00e3o, ao provocar engasgos ou na qualidade de vida em geral.<\/p>\n<p class=\"texto\">A fun\u00e7\u00e3o de engolir \u00e9 complexa e exige coordena\u00e7\u00e3o entre mais de 30 m\u00fasculos da boca, garganta e do es\u00f4fago, al\u00e9m do sistema nervoso central e perif\u00e9rico, explica Francelise Pivetta Roque, fonoaudi\u00f3loga e especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). &#8220;A degluti\u00e7\u00e3o exige um movimento refinado, com for\u00e7a, coordena\u00e7\u00e3o e timing adequados&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>O engolir acontece em tr\u00eas fases:<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Boca: mastiga\u00e7\u00e3o e preparo do alimento<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Faringe: passagem do alimento pela garganta<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Es\u00f4fago: transporte at\u00e9 o est\u00f4mago<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>O QUE CAUSA A DISFAGIA?<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Diversos quadros podem alterar a fun\u00e7\u00e3o de deglutir. A altera\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 consequ\u00eancia de uma doen\u00e7a ou s\u00edndrome de base. Entre as causas comuns da disfagia est\u00e3o doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, como AVC (acidente vascular cerebral ), respirat\u00f3rias, musculares, mec\u00e2nicas (como c\u00e2ncer de cabe\u00e7a e pesco\u00e7o) e tratamentos como radioterapia.<\/p>\n<p class=\"texto\">Essas doen\u00e7as de base acabam sendo mais comuns em idosos, o que faz com que eles tenham maior incid\u00eancia de disfagia. Parkinson e Alzheimer, que surgem principalmente na velhice, podem afetar esse processo por comprometerem o controle neurol\u00f3gico do movimento.<\/p>\n<p class=\"texto\">No Parkinson, h\u00e1 preju\u00edzos na programa\u00e7\u00e3o motora e na sensibilidade do ato de engolir. J\u00e1 no Alzheimer, o problema surge mais com altera\u00e7\u00f5es cognitivas, como n\u00e3o reconhecer que \u00e9 hora de comer ou n\u00e3o manter aten\u00e7\u00e3o no ato de engolir.<\/p>\n<p class=\"texto\">Outra raz\u00e3o envolve a sarcopenia, perda de massa muscular natural que tamb\u00e9m atinge a musculatura respons\u00e1vel pela degluti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Um fator de risco \u00e9 a sa\u00fade bucal prec\u00e1ria que prejudica a mastiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Juliana Venites, fonoaudi\u00f3loga e especialista em gerontologia pela SBGG, ressalta outro aspecto: a presbifagia, o envelhecimento do ato de engolir. &#8220;Assim como h\u00e1 o envelhecimento da audi\u00e7\u00e3o e da vis\u00e3o, existe tamb\u00e9m o envelhecimento da alimenta\u00e7\u00e3o. Chamamos isso de presbifagia&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>DISFAGIA \u00c9 NATURAL DO ENVELHECIMENTO<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com Venites, cerca de 30% dos idosos saud\u00e1veis t\u00eam queixas para engolir saliva, comprimidos alimentos secos ou tossem ao beber \u00e1gua. Essas altera\u00e7\u00f5es costumam ser subestimadas, segundo ela.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;\u00c9 muito importante diferenciar, porque existe uma confus\u00e3o de algumas pessoas acreditarem que o processo natural de envelhecimento \u00e9 causa da disfagia, e n\u00e3o \u00e9&#8221;, afirma Pivetta Roque. Ou seja, a disfagia ocorre em todas as idades, n\u00e3o \u00e9 uma consequ\u00eancia natural da velhice, mas aumenta o risco por outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"texto\">Essa cren\u00e7a, afirma a fonoaudi\u00f3loga, causa subdiagn\u00f3stico e falta de tratamento. Muitas vezes, nem os profissionais de sa\u00fade reconhecem a disfagia como uma condi\u00e7\u00e3o trat\u00e1vel nos idosos. Al\u00e9m disso, o preconceito et\u00e1rio (etarismo ou idadismo) leva a normalizar sintomas que deveriam ser investigados. &#8220;Ainda atribu\u00edmos ao envelhecimento quadros que, na verdade, s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es que precisam ser avaliadas e tratadas.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Carlos Andr\u00e9 Uehara, geriatra e gerente m\u00e9dico do Hospital Nipo-Brasileiro (HNipo), afirma que envelhecer n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de doen\u00e7a. &#8220;N\u00e3o existe nada que seja normal para a idade. \u00c9 comum, mas n\u00e3o \u00e9 normal&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>SINAIS DE ALERTA PARA DISFAGIA<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Entre as atitudes que chamam a aten\u00e7\u00e3o para a doen\u00e7a, est\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Tosse ou engasgos ao engolir saliva, l\u00edquidos ou alimentos<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Sensa\u00e7\u00e3o de alimento parado no pesco\u00e7o ou na boca<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Sa\u00edda de alimento ou l\u00edquido pelo nariz ou boca<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Pneumonias por aspira\u00e7\u00e3o frequentes<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Infec\u00e7\u00f5es pulmonares frequentes<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Perda de peso sem motivo aparente<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8211; Mudan\u00e7as alimentares<\/p>\n<p class=\"texto\">Venites, a fonoaudi\u00f3loga, enfatiza a quest\u00e3o das mudan\u00e7as alimentares, quando o pr\u00f3prio idoso atribui as mudan\u00e7as a gostos pessoais. &#8220;Trocar o p\u00e3o franc\u00eas pela bisnaguinha nem sempre \u00e9 prefer\u00eancia, pode ser dificuldade.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">O diagn\u00f3stico envolve anamnese (entrevista detalhada sobre hist\u00f3ria cl\u00ednica, h\u00e1bitos e estilo de vida), avalia\u00e7\u00e3o das estruturas da boca e garganta e testes funcionais com alimentos de diferentes consist\u00eancias.<\/p>\n<p class=\"texto\">A chave \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o precoce dos sintomas e o encaminhamento para avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>TRATAMENTO DA DISFAGIA<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">O tratamento da disfagia envolve profissionais de diferentes \u00e1reas, como o geriatra e o otorrinolaringologista, sendo a fonoaudiologia o eixo principal.<\/p>\n<p class=\"texto\">O tratamento pode ser dividido em estrat\u00e9gias compensat\u00f3rias, que envolvem adaptar consist\u00eancia da alimenta\u00e7\u00e3o, postura e escolha de via (se oral ou sonda), e estrat\u00e9gias reabilitadoras, que envolvem exerc\u00edcios motores, treino funcional e estimula\u00e7\u00e3o sensorial.<\/p>\n<p class=\"texto\">Muitas vezes, os dois tipos s\u00e3o combinados para garantir seguran\u00e7a, conforto, qualidade de vida e evitar desnutri\u00e7\u00e3o, desidrata\u00e7\u00e3o e pneumonia aspirativa.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00c9 preciso fazer uma modifica\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia dos alimentos, deixando-os mais amolecidos. Venites ressalta que a disfagia causa perda de autonomia e do prazer de comer, uma vez que a alimenta\u00e7\u00e3o deixa de ser escolha e vira prescri\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que entra a orienta\u00e7\u00e3o para o paciente e a fam\u00edlia, que envolvem manter a postura correta ao comer, velocidade e estrat\u00e9gias para a socializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">A fonoaudi\u00f3loga diz atuar para minimizar o isolamento do paciente, sugerindo pratos adaptados que integrem a pessoa \u00e0 refei\u00e7\u00e3o familiar. &#8220;Esses encontros sociais s\u00e3o permeados por comida. A pessoa com disfagia sente uma segrega\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">A disfagia, explica Pivetta Roque, nem sempre \u00e9 revers\u00edvel, mas \u00e9 poss\u00edvel controlar e melhorar a fun\u00e7\u00e3o de engolir. &#8220;Nosso conceito atual de sa\u00fade est\u00e1 pautado em funcionalidade, n\u00e3o apenas na aus\u00eancia de doen\u00e7a&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; \u00c9 poss\u00edvel notar que muitos idosos possuem dificuldade para engolir, um dist\u00farbio chamado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5203,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[2921,2922,1490,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-5202","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-disfagia","9":"tag-engolir","10":"tag-envelhecimento","11":"tag-health","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5202\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}