{"id":52402,"date":"2025-08-31T08:06:20","date_gmt":"2025-08-31T08:06:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/52402\/"},"modified":"2025-08-31T08:06:20","modified_gmt":"2025-08-31T08:06:20","slug":"e-preciso-acabar-com-o-preconceito-contra-os-tratamentos-da-obesidade-diz-cirurgiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/52402\/","title":{"rendered":"&#8216;\u00c9 preciso acabar com o preconceito contra os tratamentos da obesidade&#8217;, diz cirurgi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Ap\u00f3s um ano de trabalho, o cirurgi\u00e3o brasileiro Ricardo Cohen est\u00e1 prestes a concluir seu per\u00edodo na presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Cirurgia da Obesidade e Transtornos Metab\u00f3licos (IFSO). Um dos maiores especialistas em obesidade no pa\u00eds \u2014 e \u00e0 frente do Centro de Obesidade e Diabetes no Hospital Oswaldo Cruz em S\u00e3o Paulo \u2014 diz que ao longo de seu mandato na entidade internacional teve a preocupa\u00e7\u00e3o de informar aos pacientes que \u00e9 seguro, sim, atrelar dois tratamentos de obesidade ( medicamentos e cirurgia) e que a interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica segue uma op\u00e7\u00e3o contra a doen\u00e7a. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Cohen \u00e9 tamb\u00e9m co-autor de um recente documento, publicado na prestigiada revista cient\u00edfica The Lancet Diabetes &amp; Endocrinology, que sugere que a obesidade passe por mudan\u00e7as no diagn\u00f3stico e tratamento. O documento defende que saia de cena a medi\u00e7\u00e3o apenas baseada no \u00cdndice de Massa Corporal (IMC) e sejam considerados sinais e sintomas (como apneia do sono, dificuldades respirat\u00f3rias, problemas card\u00edacos) para se identificar a gravidade da doen\u00e7a. Assim, os pacientes seriam divididos em casos pr\u00e9-cl\u00ednicos (que requerem acompanhamento e eventual tratamento) e cl\u00ednicos (que necessitam de interven\u00e7\u00e3o imediata). <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Ao GLOBO, o especialista falou sobre o impacto dessa classifica\u00e7\u00e3o, do estigma aos pacientes e da falta de canetas emagrecedoras nos SUS. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Como os pacientes enxergam hoje a cirurgia bari\u00e1trica, no cen\u00e1rio das canetas emagrecedoras? Isso mudou a disposi\u00e7\u00e3o deles?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Podemos dividir essa resposta em duas. H\u00e1 o indiv\u00edduo que n\u00e3o tem acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o por qualquer raz\u00e3o, falta do produto ou custo, mas viu (recentemente) que \u00e9 poss\u00edvel emagrecer ou tratar a obesidade. Muitos deles ca\u00edram na cirurgia. Por outro lado, quem tinha indica\u00e7\u00e3o cir\u00fargica, mas teve acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o, passou a us\u00e1-la, mesmo sem indicativos de que teria sucesso. \u00c9 importante dizer que emagrecer n\u00e3o \u00e9 o objetivo: \u00e9 o processo para atingir o objetivo \u2014 botar a obesidade sob remiss\u00e3o. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O paciente que trata obesidade agora \u00e9 mais \u2018empoderado\u2019?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> N\u00e3o. Ele \u00e9 igual, \u00e9 preciso acolh\u00ea-lo e mostrar que essa \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica como qualquer outra e que sua parcela de culpa \u00e9 zero. Infelizmente n\u00e3o mudou. E isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil, mas no mundo inteiro. H\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos internacional que chama-se Metabolic Health Institute. S\u00e3o seis s\u00f3cios, com grande impacto cient\u00edfico na \u00e1rea (Cohen faz parte do grupo). Em 2023 e 2024 fizemos uma pesquisa sobre o que os pacientes pensavam. Eles acreditam que o melhor tratamento para obesidade \u00e9 fechar a boca e fazer mais atividade f\u00edsica. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, ao n\u00e3o conseguir emagrecer, a primeira resposta deles \u00e9 trocar de atividade f\u00edsica e de dieta. Ent\u00e3o, a culpa ainda est\u00e1 embutida. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O senhor foi parte da comiss\u00e3o internacional que sugeriu mudan\u00e7as no diagn\u00f3stico de obesidade. Os m\u00e9dicos compreendem os pacientes de forma diferente?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Parcialmente. Os formadores de opini\u00e3o que hoje defendem a a\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica da medica\u00e7\u00e3o e da cirurgia est\u00e3o cada vez mais eloquentes. Ainda h\u00e1 alguns, por\u00e9m, que acham que \u00e9 falta de for\u00e7a de vontade, que infelizmente chamam as medica\u00e7\u00f5es de \u201cmuleta\u201d, continuam discriminando quem tem obesidade, coisa que nunca fariam contra outra doen\u00e7a cr\u00f4nica como o c\u00e2ncer, por exemplo. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O que precisa mudar para melhorar, em termos de defini\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, a vida do paciente?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A maioria da comunidade envolvida com tratamentos de obesidade ainda segue presa \u00e0 medida do IMC, no crit\u00e9rio mais simples (de classifica\u00e7\u00e3o). Alguns, contudo, mudaram. Tanto que temos apoio de 79 sociedades m\u00e9dicas mundiais da \u00e1rea (para as novas defini\u00e7\u00f5es de obesidade). Ent\u00e3o, com certeza, foi um empurr\u00e3o para mudan\u00e7a. \u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o que sai da estigmatiza\u00e7\u00e3o da culpa para a biologia. Mostra que a doen\u00e7a \u00e9 biologicamente ativa e que tem sinais, sintomas e complica\u00e7\u00f5es. Mas essa nova classifica\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem meses de vida. \u00c9 cedo. Mesmo assim foi surpreendente a repercuss\u00e3o. Foi muito positivo. \u00c9 o in\u00edcio de algo que vai transformar a forma de pensar na obesidade. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O Brasil est\u00e1 envelhecendo. H\u00e1 op\u00e7\u00f5es boas de tratamento para quem passou dos 60 anos, por exemplo?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Esses pacientes precisam ser avaliados individualmente, observando sua idade biol\u00f3gica e n\u00e3o cronol\u00f3gica. \u00c9 preciso pensar no custo-benef\u00edcio m\u00e9dico e n\u00e3o monet\u00e1rio. Uma boa parte vai ser beneficiada quando se retirar o peso sobre a locomo\u00e7\u00e3o, o controle da diabetes, com as doen\u00e7as que v\u00eam junto da obesidade. Com a perda de peso maior e mais r\u00e1pida da cirurgia \u00e9 devolvida a qualidade de vida. Ainda n\u00e3o temos muitos estudos que falem sobre adicionar tempo de vida a essa popula\u00e7\u00e3o. Uma an\u00e1lise feita na Su\u00e9cia, por\u00e9m, mostrou que em quase 40 anos de acompanhamento, as pessoas operadas (para a perda de peso) vivem 4 a 4 anos e meio a mais. Ou seja, um indiv\u00edduo com 80 anos vive 5% a mais, e com qualidade de vida. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O senhor compara bastante a obesidade ao c\u00e2ncer. No caso do c\u00e2ncer, o cuidado precoce \u00e9 importante para o sucesso do tratamento. \u00c9 assim tamb\u00e9m com a obesidade?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Quanto mais cedo melhor. Em caso de obesidades pr\u00e9-cl\u00ednicas, por exemplo, aquele indiv\u00edduo que tem excesso de tecido adiposo, mas n\u00e3o tem nenhum sinal e sintoma agora, coloco em programas de preven\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o vou dar medica\u00e7\u00e3o ou oper\u00e1-lo, vou simplesmente analisar o risco que tem de desenvolver outras doen\u00e7as. Tanto quem tem obesidade cl\u00ednica quanto pr\u00e9-cl\u00ednica deve ter o risco avaliado individualmente. Como no caso de um paciente com pais que infartaram cedo ou com altas taxas de colesterol na fam\u00edlia. Mesmo que em obesidade pr\u00e9-cl\u00ednica, essa pessoa precisa ser tratada. Ou ent\u00e3o, uma pessoa que tem IMC de 31, mas que corre, tem vida social normal. Para que eu vou tratar com medica\u00e7\u00e3o cara e cirurgia a pessoa que n\u00e3o tem nada? Por outro lado, em algu\u00e9m com o mesmo IMC de 31, mas que tem apneia do sono, ov\u00e1rio polic\u00edstico ou hipertens\u00e3o, o tratamento deve ser feito. Em cada caso de obesidade pr\u00e9-cl\u00ednica \u00e9 preciso quantificar o risco, avaliar o quanto \u00e9 preciso intervir e tratar. J\u00e1 no caso da obesidade cl\u00ednica, \u00e9 preciso tratar imediatamente. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>Como o Brasil trata seus pacientes com obesidade?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Lamentavelmente, a Conitec (Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no Sistema \u00danico de Sa\u00fade) acaba de rejeitar o pedido da inclus\u00e3o de semaglutida e liraglutida no rol de tratamentos do SUS. Eles dizem que n\u00e3o tem custo-benef\u00edcio, mas eu duvido que os t\u00e9cnicos da Conitec tiveram acesso a quanto se gasta de revasculariza\u00e7\u00e3o do mioc\u00e1rdio, por ponte de safena ou stent, interna\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia card\u00edaca, di\u00e1lise. Isso gasta muito mais do que qualquer investimento em rem\u00e9dios. Esses rem\u00e9dios t\u00eam sim resultado. A \u00fanica especialidade m\u00e9dica que o fazedor de contas na sa\u00fade quer retorno de investimento \u00e9 a obesidade. Ningu\u00e9m pensa nisso num c\u00e2ncer, porque o pre\u00e7o de uma cura, uma remiss\u00e3o, n\u00e3o existe. O que pecamos em sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 n\u00e3o oferecer os melhores tratamentos dispon\u00edveis. A cirurgia \u00e9 oferecida no SUS, mas subutilizada. Eu n\u00e3o quero retorno de investimento, quero melhoria da sa\u00fade. E mesmo se quisesse o retorno do investimento, o custo das complica\u00e7\u00f5es \u00e9 muito maior. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> <strong>O que te preocupa, como m\u00e9dico, no cen\u00e1rio da obesidade?<\/strong> <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> As novas defini\u00e7\u00f5es v\u00eam como uma luva para mostrar aos pagadores e aos que confeccionam pol\u00edticas de sa\u00fade, sejam p\u00fablicas ou privadas, que a gente consegue priorizar quem deve ser tratado primeiro, e todos devem ser acolhidos e acompanhados com a melhor evid\u00eancia poss\u00edvel. O que me aflige \u00e9 que n\u00e3o adianta publicar que tem bilh\u00f5es de pessoas com obesidade no mundo. Por\u00e9m, se eu pegar desses bilh\u00f5es quantos precisam ser tratados antes, eu torno muito mais palat\u00e1vel e diger\u00edvel para o pagador e at\u00e9 para o paciente. Obesidade \u00e9 biologia, n\u00e3o \u00e9 for\u00e7a de vontade. \u00c9 preciso acabar com a estigmatiza\u00e7\u00e3o da obesidade e o preconceito contra os tratamentos tamb\u00e9m. N\u00e3o \u00e9 muleta. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s um ano de trabalho, o cirurgi\u00e3o brasileiro Ricardo Cohen est\u00e1 prestes a concluir seu per\u00edodo na presid\u00eancia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":52403,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-52402","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52402\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}