{"id":528,"date":"2025-07-25T10:17:09","date_gmt":"2025-07-25T10:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/528\/"},"modified":"2025-07-25T10:17:09","modified_gmt":"2025-07-25T10:17:09","slug":"ha-uma-hora-do-dia-que-e-a-melhor-para-fazer-testes-e-entrevistas-de-emprego-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/528\/","title":{"rendered":"H\u00e1 uma hora do dia que \u00e9 a melhor para fazer testes e entrevistas de emprego | Ensino"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 deste por ti a pensar se a hora a que fazes um exame na faculdade tem impacto na nota final? Talvez o resultado ao in\u00edcio da manh\u00e3, quando est\u00e1s com sono, seja diferente daquele quando j\u00e1 est\u00e1s mais desperto. Agora, h\u00e1 um estudo que nos ajuda a responder a isto. Um grupo de cientistas italianos avaliou o resultado de mais de 104 mil exames orais de 19 mil estudantes universit\u00e1rios e descobriu que \u201ch\u00e1 um pico evidente nas taxas de sucesso por volta do meio-dia\u201d.<\/p>\n<p>Os resultados acad\u00e9micos variam ao longo do dia, mas \u201cos estudantes tinham mais probabilidades de passar ao final da manh\u00e3 do que no in\u00edcio da manh\u00e3 ou ao final da tarde\u201d, afirmou o professor Carmelo Mario Vicario, director do laborat\u00f3rio de Neuroci\u00eancia Social-Cognitiva da Universidade de Messina e principal autor do estudo publicado esta quinta-feira na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/psychology\/articles\/10.3389\/fpsyg.2025.1605041\/full\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Frontiers in Psychology<\/a>.<\/p>\n<p>Ou seja: havia mais notas positivas \u00e0s 12h, seguindo-se os exames feitos \u00e0s 11h ou \u00e0s 13h. Mas, se os exames fossem feitos entre as 8h e as 9h ou entre as 15h e as 16h, a chance de passar no exame j\u00e1 era mais reduzida. E talvez estes resultados n\u00e3o se apliquem s\u00f3 a exames acad\u00e9micos, mas tamb\u00e9m a trabalho.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que este padr\u00e3o se pode aplicar a entrevistas de emprego ou a qualquer processo de avalia\u00e7\u00e3o agendado ao longo do dia\u201d, afirmou ainda o investigador, citado em comunicado. O investigador tamb\u00e9m refere que seria interessante investigar se as decis\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o \u201cvariam em termos de justi\u00e7a ou resultado, dependendo da altura do dia\u201d.<\/p>\n<p>E como se chegou a estes resultados? Os investigadores analisaram dados de 104.552 exames orais, incluindo a hora e a data em que tinham sido feitos. Os exames destes 19 mil estudantes da Universidade de Messina tinham sido feitos entre Outubro de 2018 e Fevereiro de 2020 (para evitar as imposi\u00e7\u00f5es que surgiram com a pandemia de covid-19, como os exames por videochamada) por 680 professores de 1243 disciplinas.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es de ensino devem ponderar agendar exames e avalia\u00e7\u00f5es importantes para o final da manh\u00e3 e in\u00edcio da tarde<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nEstudo publicado na Frontiers in Psychology                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Avaliaram-se ainda quantos cr\u00e9ditos \u00e9 que cada \u201ccadeira\u201d lhes dava para excluir que a dificuldade de cada prova contribu\u00eda para esta tend\u00eancia \u2013 ainda assim, h\u00e1 muitos dados em falta e que podem ter algum impacto, como os <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2016\/06\/23\/sociedade\/noticia\/o-horario-dos-exames-esta-desajustado-dos-ciclos-do-sono-1736118\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">padr\u00f5es de sono dos estudantes<\/a>, o stress ou o seu ciclo circadiano (que define se s\u00e3o noct\u00edvagos ou madrugadores). Por uma quest\u00e3o de privacidade, os investigadores n\u00e3o tiveram acesso a dados sobre a idade, o g\u00e9nero ou o pa\u00eds de origem dos estudantes.<\/p>\n<p>Mesmo quando se excluem outros factores, \u201cas probabilidades de passar no teste eram mais altas por volta da hora de almo\u00e7o e mais baixas no in\u00edcio e no final do dia\u201d, l\u00ea-se no comunicado do estudo. Da amostra analisada, s\u00f3 57% dos exames tiveram nota positiva. Muitas das cadeiras de universidades italianas requerem uma nota positiva no exame oral. Da an\u00e1lise foram exclu\u00eddos os exames escritos, j\u00e1 que muitos s\u00e3o feitos em casa.<\/p>\n<p>Nas universidades de It\u00e1lia, os exames orais est\u00e3o agendados e podem durar entre 10 e 30 minutos por estudante. Os professores fazem perguntas sobre a mat\u00e9ria, os alunos respondem e a nota \u00e9 dada no final do exame. N\u00e3o h\u00e1 uma estrutura r\u00edgida. \u201cEstes exames podem ser bastante stressantes devido \u00e0 sua natureza imprevis\u00edvel e ao peso forte que t\u00eam na evolu\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica\u201d, afirma o professor Carmelo Mario Vicario, citado em comunicado.<\/p>\n<p>O grupo de cientistas inspirou-se num estudo que mostrava que os ju\u00edzes tinham mais tend\u00eancia a dar uma senten\u00e7a favor\u00e1vel ao r\u00e9u depois das pausas das refei\u00e7\u00f5es ou no in\u00edcio de uma sess\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que isto acontece?<\/strong><\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o identifica quais as raz\u00f5es para este padr\u00e3o nos exames da faculdade, mas lan\u00e7a algumas pistas: as conclus\u00f5es do estudo batem certo com a evid\u00eancia de que o desempenho cognitivo melhora ao longo da manh\u00e3, antes de voltar a diminuir durante a tarde. Al\u00e9m disso, os n\u00edveis de energia dos alunos tamb\u00e9m podem levar a uma diminui\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o, o que pode afectar a sua performance.<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o \u00e9 o ritmo circadiano dos estudantes: as pessoas nos seus 20 anos tendem a ser mais noct\u00edvagas, enquanto as pessoas com mais de 40 anos tendem a ser mais madrugadoras. \u201cOs estudantes podem estar cognitivamente menos l\u00facidos na altura em que os seus professores est\u00e3o mais alerta\u201d, l\u00ea-se no comunicado do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEstes resultados evidenciam como os ritmos biol\u00f3gicos \u2013 muitas vezes descurados em contextos de tomada de decis\u00e3o \u2013 podem afectar subtilmente, mas de forma significativa, o resultado de avalia\u00e7\u00f5es importantes\u201d, afirmou o professor Alessio Avenanti, da Universidade de Bolonha, co-autor do estudo.<\/p>\n<p>Para contrariar esta influ\u00eancia, os estudantes podem tentar salvaguardar alguns factores que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/06\/11\/sociedade\/noticia\/exames-comer-dormir-e-estudar-1775209\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">est\u00e3o ao seu alcance<\/a>: garantir que dormem as horas suficientes e com qualidade, evitar agendar avalia\u00e7\u00f5es importantes para estes per\u00edodos menos despertos ou fazer \u201cpausas mentais\u201d antes deste tipo de exames, refere o investigador Carmelo Mario Vicario.<\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m podem ser afectados por um fen\u00f3meno de fadiga de decis\u00e3o (em que tomar demasiadas decis\u00f5es ao longo do dia pode afectar a qualidade das decis\u00f5es seguintes). Tamb\u00e9m h\u00e1 a hip\u00f3tese de a fome poder condicionar a performance cognitiva.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Para melhorar o desempenho acad\u00e9mico e ter avalia\u00e7\u00f5es mais justas, \u201cas institui\u00e7\u00f5es de ensino devem ponderar agendar exames e avalia\u00e7\u00f5es importantes para o final da manh\u00e3 e in\u00edcio da tarde\u201d, l\u00ea-se no estudo. Quanto aos professores, reduzir a quantidade de exames por dia e permitir mais pausas tamb\u00e9m pode ser ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>Os investigadores referem que o estudo tem algumas limita\u00e7\u00f5es e que \u00e9 preciso investiga\u00e7\u00e3o futura para perceber melhor como \u00e9 o sucesso acad\u00e9mico \u00e9 influenciado por outros factores, como o estado emocional, a qualidade do sono, condi\u00e7\u00f5es ambientais (como a luz, o barulho e a temperatura) e as notas anteriores. \u201cTer estes factores em conta \u00e9 essencial para evitar dar demasiada import\u00e2ncia a estes efeitos apenas com base nas varia\u00e7\u00f5es da hora do dia.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00e1 deste por ti a pensar se a hora a que fazes um exame na faculdade tem impacto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":529,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[538,27,28,539,535,15,16,14,541,25,26,21,22,537,12,13,19,20,534,542,32,23,24,33,117,536,17,18,29,30,31,540],"class_list":{"0":"post-528","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-bem-estar","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-educacao","12":"tag-ensino","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-investigacao-cientifica","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-neurociencias","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-p3","27":"tag-para-redes","28":"tag-portugal","29":"tag-principais-noticias","30":"tag-principaisnoticias","31":"tag-pt","32":"tag-saude","33":"tag-sono","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-universidades"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/528","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=528"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/528\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/529"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=528"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=528"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=528"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}