{"id":52927,"date":"2025-08-31T18:01:33","date_gmt":"2025-08-31T18:01:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/52927\/"},"modified":"2025-08-31T18:01:33","modified_gmt":"2025-08-31T18:01:33","slug":"o-arquiteto-portugues-em-macau-ve-o-bambu-ir-mais-longe-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/52927\/","title":{"rendered":"O arquiteto portugu\u00eas em Macau v\u00ea o bambu ir mais longe \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A estudar e trabalhar o bambu h\u00e1 mais de 20 anos, Nuno Soares v\u00ea futuro para as <strong>constru\u00e7\u00f5es permanentes<\/strong> com este material em Macau, onde tem tradi\u00e7\u00e3o e valor econ\u00f3mico associado, mas falta regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Nuno Soares, a versatilidade do <strong>bambu<\/strong> n\u00e3o se esgota na constru\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. Nem nos habituais andaimes que revestem arranha-c\u00e9us em progress\u00e3o, nem em palcos de \u00f3pera cantonense erguidos em festividades, ou esculturas gigantes, pensadas por estudantes ou artistas, ou at\u00e9 mesmo em momentos que hoje seriam improv\u00e1veis \u2014 e que n\u00e3o dispensaram contesta\u00e7\u00e3o \u2013 como o que ocorreu na reta final da administra\u00e7\u00e3o portuguesa, quando se improvisou uma pra\u00e7a de touros em bambu no centro de Macau.<\/p>\n<p>O arquiteto e acad\u00e9mico portugu\u00eas distingue \u201cum potencial que ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente explorado\u201d: a utiliza\u00e7\u00e3o deste material, enraizado na tradi\u00e7\u00e3o e no tecido econ\u00f3mico da cidade, para dar vida a estruturas de bambu sem data de demoli\u00e7\u00e3o. Existe regulamenta\u00e7\u00e3o apenas para projetos tempor\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos ser fundamentalistas e defender s\u00f3 o que conhecemos e estamos habituados\u201d, diz em entrevista \u00e0 Lusa o arquiteto. H\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o disciplinar do campo da arquitetura e da constru\u00e7\u00e3o de criar melhores produtos \u201cdo ponto de vista da sustentabilidade, resist\u00eancia e est\u00e9tica\u201d, defende.<\/p>\n<p>Soares, natural de Lisboa mas a viver em Macau desde 2003, cruzou-se pela primeira vez com o potencial deste \u201cmaterial lind\u00edssimo\u201d na constru\u00e7\u00e3o quando visitou Macau em 1997. E o que \u00e9 um elemento t\u00e3o rotineiro para quem vive o dia-a-dia da regi\u00e3o foi para o portugu\u00eas, com vis\u00e3o habituada a outra paisagem urbana, o in\u00edcio de uma viagem.<\/p>\n<p>No Centro de Arquitetura e Urbanismo (CURB), que fundou com a designer Filipa Sim\u00f5es em 2014, tem conduzido investiga\u00e7\u00e3o neste campo, com trabalho feito junto de artes\u00e3os de bambu.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m na Universidade de S\u00e3o Jos\u00e9 (USJ), onde est\u00e1 \u00e0 frente do Departamento de Arquitetura e Design, o portugu\u00eas orienta anualmente, em colabora\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria, a constru\u00e7\u00e3o de um pavilh\u00e3o em bambu \u2013 com material usado na montagem de andaimes e que, no final, volta a servir esse mesmo prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>\u201cUma arquitetura que \u00e9 muito inovadora, muito desafiante, que usa design param\u00e9trico do mais sofisticado a n\u00edvel mundial e depois constr\u00f3i com uma t\u00e9cnica artesanal\u201d, diz sobre o projeto, notando que apenas empresas e t\u00e9cnicos especializados est\u00e3o autorizados a construir em bambu por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>No campo da constru\u00e7\u00e3o permanente, a USJ est\u00e1 a desenvolver em parceria com a Assumption University, da Tail\u00e2ndia, um projeto que prev\u00ea a edifica\u00e7\u00e3o de uma estrutura, \u201cpara depois monitorizar ao longo do per\u00edodo de vida\u201d envelhecimento e desempenho do edif\u00edcio e se poderem tirar conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar de ser um material que se degrada, existem t\u00e9cnicas para lidar com a constru\u00e7\u00e3o permanente em bambu que diferem das op\u00e7\u00f5es para obras limitadas no tempo. \u201cN\u00e3o devemos impedir a evolu\u00e7\u00e3o\u201d, defende.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Tail\u00e2ndia, onde existe um c\u00f3digo que permite a edifica\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es permanentes em bambu, a arquitetura sem termo \u00e9 comum em v\u00e1rias outras geografias da regi\u00e3o, como \u00e9 o caso da Indon\u00e9sia, sendo a \u2018Green School\u2019, em Bali, uma escola privada, obra de destaque.<\/p>\n<p>\u201cO bambu, como constru\u00e7\u00e3o permanente entra numa classifica\u00e7\u00e3o de materiais que s\u00e3o aqueles que s\u00e3o as estruturas leves, como algumas estruturas de metal. \u00c9 importante que n\u00f3s usemos os materiais que sejam adequados. Em Macau temos tanta experi\u00eancia e tradi\u00e7\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o do bambu, que ele j\u00e1 faz parte da paisagem urbana\u201d, reflete.<\/p>\n<p>H\u00e1 que perceber onde estas estruturas em bambu podem ser \u00fateis: \u201cNomeadamente na constru\u00e7\u00f5es em edif\u00edcios que existem, constru\u00e7\u00f5es em terra\u00e7os, porque s\u00e3o estruturas que s\u00e3o leves naturalmente, que transportam pouco peso para a estrutura existente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO bambu tem pernas para andar e coisas para fazer no futuro, e j\u00e1 vimos que h\u00e1 uma ind\u00fastria de ponta que est\u00e1 tamb\u00e9m a trabalhar com bambu, a fazer aglomerados com bambu\u201d, concretiza, referindo-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de produtos compostos produzidos a partir deste material.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A estudar e trabalhar o bambu h\u00e1 mais de 20 anos, Nuno Soares v\u00ea futuro para as constru\u00e7\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":52928,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[304,207,205,206,203,201,202,315,204,114,115,15366,62,32,33,3546],"class_list":{"0":"post-52927","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arquitetura","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-cultura","16":"tag-design","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-macau","20":"tag-mundo","21":"tag-portugal","22":"tag-pt","23":"tag-u00c1sia"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}