{"id":54187,"date":"2025-09-01T15:54:25","date_gmt":"2025-09-01T15:54:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/54187\/"},"modified":"2025-09-01T15:54:25","modified_gmt":"2025-09-01T15:54:25","slug":"operacao-pushkin-a-incrivel-historia-do-maior-roubo-de-livros-desde-a-ii-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/54187\/","title":{"rendered":"Opera\u00e7\u00e3o Pushkin: a incr\u00edvel hist\u00f3ria do maior roubo de livros desde a II Guerra Mundial"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-697823\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/72ce46c89887461855bb83f29c699396-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Sal\u00e3o Morgenstern do Museu Universit\u00e1rio de Tartu, na Est\u00f3nia<\/p>\n<p><strong>Entre 2022 e 2024, uma rede internacional de ladr\u00f5es georgianos visou bibliotecas de toda a Europa, trocando originais por falsifica\u00e7\u00f5es e vendendo raridades em leil\u00f5es em Moscovo.<\/strong><\/p>\n<p>Em abril de 2022, dois homens entraram na biblioteca da Universidade de Tartu, na Est\u00f3nia, e pediram acesso a <strong>obras raras<\/strong> do poeta e dramaturgo russo <strong>Alexander Pushkin<\/strong> e do escritor russo de origem ucraniana Nikolai Gogol.<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses mais tarde, os bibliotec\u00e1rios descobriram que os originais tinham sido substitu\u00eddos por c\u00f3pias. O caso parecia isolado, mas rapidamente se percebeu tratar-se de um <strong>esquema muito mais vasto<\/strong>.<\/p>\n<p>No espa\u00e7o de 18 meses, <strong>dezenas de edi\u00e7\u00f5es raras<\/strong> foram roubadas em mais de uma d\u00fazia de bibliotecas europeias, dos pa\u00edses b\u00e1lticos e Finl\u00e2ndia at\u00e9 \u00e0 Su\u00ed\u00e7a e Fran\u00e7a. <strong>As v\u00edtimas inclu\u00edram institui\u00e7\u00f5es de renom<\/strong>e, como as universidades de Tartu, Tallinn, Vilnius e Vars\u00f3via.<\/p>\n<p>Em alguns casos, os criminosos <strong>substitu\u00edam os exemplares por r\u00e9plicas<\/strong> de alta qualidade; noutros, <strong>simplesmente levavam os livros<\/strong>, e nunca mais os devolveram, conta a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c209evnqne1o?at_medium=RSS&amp;at_campaign=rss\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">BBC<\/a>.<\/p>\n<p>A Europol lan\u00e7ou ent\u00e3o a <strong>Opera\u00e7\u00e3o Pushkin<\/strong>, que envolveu mais de uma centena de agentes em buscas internacionais. At\u00e9 agora, <strong>nove cidad\u00e3os georgianos<\/strong> j\u00e1 foram detidos no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro a ser preso foi <strong>Beqa Tsirekidze<\/strong>, de 48 anos. Condenado na Est\u00f3nia e na Let\u00f3nia, cumpre pena de tr\u00eas anos e tr\u00eas meses. Em entrevista \u00e0 BBC, afirmou ter <strong>entrado no neg\u00f3cio dos livros antigos<\/strong> em 2008 para sustentar a fam\u00edlia, tendo aprendido a restaurar volumes por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Sou como um feiticeiro dos livros<\/strong>. Basta-me pegar num exemplar para saber quanto vale e quanto poder\u00e1 render em leil\u00e3o\u201d, diz Tsirekidze, que j\u00e1 tinha antecedentes: em 2016 foi condenado na Ge\u00f3rgia por furtar livros do Museu de Hist\u00f3ria de Tbilisi, mas escapou <strong>com pena suspensa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O golpe mais medi\u00e1tico<\/strong> ocorreu em outubro de 2023, na biblioteca da Universidade de Vars\u00f3via.<\/p>\n<p>Um jovem casal \u2014 <strong>Mate, filho de Tsirekidze<\/strong>, e a esposa, <strong>Ana Gogoladze<\/strong> \u2014 foi apanhado pelas c\u00e2maras de vigil\u00e2ncia a consultar obras raras. Pouco tempo mais tarde, foram\u00a0 condenados pelo roubo de livros avaliados em quase <strong>85 mil euros.<\/strong><\/p>\n<p>No total, desapareceram <strong>73 exemplares<\/strong>, avaliados em mais de meio milh\u00e3o de euros. \u201c\u00c9 o <strong>maior roubo de livros desde a Segunda Guerra Mundial<\/strong>\u201d, disse \u00e0 BBC o professor <strong>Hieronim Grala<\/strong>, da Universidade de Vars\u00f3via. \u201c\u00c9 como arrancar as joias de uma coroa.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o acad\u00e9mico, reformas recentes na biblioteca, que tinham flexibilizado o acesso a cole\u00e7\u00f5es raras, acabaram por<strong> facilitar a a\u00e7\u00e3o dos ladr\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>Carimbos, falsifica\u00e7\u00f5es, mercado em alta<\/p>\n<p>Identificar a origem dos livros nem sempre \u00e9 simples. Muitos exemplares antigos trazem<strong> carimbos de bibliotecas j\u00e1 extintas<\/strong> ou vendidos legalmente como duplicados, sobretudo no per\u00edodo sovi\u00e9tico. <strong>Outros foram adulterados<\/strong> com p\u00e1ginas impressas em papel envelhecido ou tiveram carimbos removidos quimicamente.<\/p>\n<p>A <strong>fragilidade da seguran\u00e7a no<\/strong>s museus e bibliotecas em que estes livros se encontram habitualmente guardados <strong>contrasta com o valor em jogo<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Meio quilo de ouro<\/strong>, avaliado em cerca de 50 mil euros, \u00e9 normalmente guardado por 22 homens armados. Dois livros, pelo mesmo valor, ficam numa biblioteca <strong>vigiados apenas por uma senhora idosa, muitas vezes sem c\u00e2maras\u201d<\/strong>, ironizou Tsirekidze.<\/p>\n<p>A <strong>procura de livros raros disparou<\/strong> nos \u00faltimos anos. Entre 2022 e 2024, o mercado de r<strong>aridades russas<\/strong> valorizou-se significativamente, coincidindo com os roubos. Para alguns colecionadores na R\u00fassia, adquirir estas obras \u00e9 visto quase como um ato de <strong>patriotismo<\/strong>.<\/p>\n<p>Um exemplo not\u00f3rio \u00e9 o de <strong>Mikhail Zamtaradze<\/strong>, outro georgiano condenado em junho na Litu\u00e2nia. Com documentos falsos, <strong>requisitou 17 edi\u00e7\u00f5es raras<\/strong>. Ainda trocou 12 delas por c\u00f3pias, e desapareceu com todos os originais.<\/p>\n<p>O preju\u00edzo foi estimado em cerca de <strong>600 mil euros<\/strong>. Em tribunal, admitiu ter agido por <strong>encomenda de um comprador em Moscovo<\/strong>, do qual recebeu 25 mil euros em criptomoedas.<\/p>\n<p>Parte dos livros roubados foi parar a leil\u00f5es. A <strong>LitFund<\/strong>, casa de leil\u00f5es de Moscovo, foi acusada de <strong>vender volumes com carimbos da Universidade de Vars\u00f3via<\/strong>. Apesar de garantir que s\u00f3 comercializa obras de origem legal, fotografias de lotes publicados no seu site mostravam exemplares marcados.<\/p>\n<p>Apesar das deten\u00e7\u00f5es, <strong>a Opera\u00e7\u00e3o Pushkin est\u00e1 longe de terminar<\/strong>. Pelo menos um suspeito aguarda julgamento em Fran\u00e7a e v\u00e1rios membros da rede permanecem em fuga \u2014 <strong>assim como alguns dos livros mais valiosos<\/strong> que desapareceram das bibliotecas europeias.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756675766_714_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756675767_503_c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1756675775_20_5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sal\u00e3o Morgenstern do Museu Universit\u00e1rio de Tartu, na Est\u00f3nia Entre 2022 e 2024, uma rede internacional de ladr\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":54188,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[27,28,269,604,445,15,16,14,736,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-54187","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-capa","11":"tag-crime","12":"tag-europa","13":"tag-featured-news","14":"tag-featurednews","15":"tag-headlines","16":"tag-historia","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mundo","22":"tag-news","23":"tag-noticias","24":"tag-noticias-principais","25":"tag-noticiasprincipais","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-top-stories","29":"tag-topstories","30":"tag-ultimas","31":"tag-ultimas-noticias","32":"tag-ultimasnoticias","33":"tag-world","34":"tag-world-news","35":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54187\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}