{"id":54531,"date":"2025-09-01T20:27:08","date_gmt":"2025-09-01T20:27:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/54531\/"},"modified":"2025-09-01T20:27:08","modified_gmt":"2025-09-01T20:27:08","slug":"ladroes-quando-darren-aronofsky-decidiu-que-nao-queria-mais-ser-o-diretor-maluco-de-hollywood","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/54531\/","title":{"rendered":"\u2018Ladr\u00f5es\u2019: Quando Darren Aronofsky decidiu que n\u00e3o queria mais ser o diretor maluco de Hollywood"},"content":{"rendered":"<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">\u00c9 dif\u00edcil imaginar <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/darren-aronofsky\/?srsltid=AfmBOorFsKbITfKTXboSdoP6euX2TZ6GXpr7NYxH1CcFKkuMsEXdOAT4\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/darren-aronofsky\/?srsltid=AfmBOorFsKbITfKTXboSdoP6euX2TZ6GXpr7NYxH1CcFKkuMsEXdOAT4\"><strong>Darren Aronofsky<\/strong><\/a> fazendo algu\u00e9m rir. O homem que torturou Natalie Portman em <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/luiz-zanin\/cisne-negro\/?srsltid=AfmBOorxMcK5DOHTt82j8MI6RFjFMzxOkpC6SsSwCbV1qPT5hPkmOvho\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/luiz-zanin\/cisne-negro\/?srsltid=AfmBOorxMcK5DOHTt82j8MI6RFjFMzxOkpC6SsSwCbV1qPT5hPkmOvho\">Cisne Negro<\/a>, que criou uma das sequ\u00eancias de drogas mais perturbadoras do cinema em R\u00e9quiem para um Sonho e que fez Jennifer Lawrence viver um inferno dom\u00e9stico em <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/cinema\/em-sao-paulo-darren-aronofsky-fala-sobre-o-conceito-biblico-de-mae-que-estreia-esta-semana\/?srsltid=AfmBOor7CHE49wAbZXw5DU8B-wRIh0JVo9Dxxo0xA8j1tmxKKnaA5qlw\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/cultura\/cinema\/em-sao-paulo-darren-aronofsky-fala-sobre-o-conceito-biblico-de-mae-que-estreia-esta-semana\/?srsltid=AfmBOor7CHE49wAbZXw5DU8B-wRIh0JVo9Dxxo0xA8j1tmxKKnaA5qlw\">M\u00e3e!<\/a> decidiu, aos 55 anos, que quer ser engra\u00e7ado.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">O resultado dessa reviravolta est\u00e1 em <strong>Ladr\u00f5es<\/strong>, filme que chegou aos cinemas na \u00faltima quinta-feira, 28, e que representa talvez a maior surpresa da carreira do diretor americano. N\u00e3o pela qualidade \u2013 que oscila entre o competente e o gen\u00e9rico \u2013, mas pelo que revela sobre um artista aparentemente cansado de sua pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img  loading=\"lazy\" class=\"lazy-load-img\"\/><\/p>\n<p>&#8216;Ladr\u00f5es&#8217; \u00e9 um filme divertido com Austin Butler e grande elenco\u00a0Foto:  Sony Pictures\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A trama, que parece uma colagem de ideias extra\u00eddas de <strong>Guy Ritchie<\/strong> e dos <a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/irmaos-coen\/?srsltid=AfmBOoptTghniFwoFw0AIBTcasP2OAGfVkmdX4Jv3N7TP9aotkU1ko_h\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\" title=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/irmaos-coen\/?srsltid=AfmBOoptTghniFwoFw0AIBTcasP2OAGfVkmdX4Jv3N7TP9aotkU1ko_h\"><strong>irm\u00e3os Coen<\/strong><\/a>, conta a hist\u00f3ria de Hank (Austin Butler), ex-jogador de beisebol que vive num apartamento apertado. Sua vida muda quando o vizinho punk (Matt Smith) viaja e deixa o gato sob os cuidados de Hank. Esse simples ato desencadeia uma onda de viol\u00eancia, conforme o protagonista \u00e9 confundido e percebido como aliado do vizinho, que deve dinheiro para mafiosos ucranianos e dois irm\u00e3os judeus violentos.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, Aronofsky desenvolve uma com\u00e9dia de erros genuinamente engra\u00e7ada, ainda que sem personalidade marcante, sobre personagens envolvidos numa espiral de viol\u00eancia. Hank parece n\u00e3o ter tr\u00e9gua: tudo ao redor desmorona mesmo sem ele ter qualquer responsabilidade ou sequer compreender o que acontece. Viol\u00eancia e humor se entrela\u00e7am, sem um elemento sobrepor o outro.<\/p>\n<p>Uma tentativa de reinven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Ladr\u00f5es apresenta dois lados distintos: humor situacional t\u00edpico dos irm\u00e3os Coen e cinema urbano com personagens marginalizados, caracter\u00edstico de Guy Ritchie, tentando sobreviver na selva de pedra nova-iorquina. Dois elementos que funcionam, mesmo que em desarmonia, produzindo um resultado satisfat\u00f3rio na tela.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">A grande quest\u00e3o envolvendo a produ\u00e7\u00e3o, que conta com elenco comandado por Butler (Duna: Parte II) e bons atores de apoio como Zo\u00eb Kravitz, Vincent D\u2019Onofrio e Matt Smith, \u00e9 a falta de personalidade. Desde Pi, Aronofsky construiu uma persona ao redor do nome e do cinema. Conhecido por ser estranho, provocativo e bizarro, certamente pol\u00eamico, com pessoas amando odiar tudo que faz.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Evidentemente, qualquer cineasta pode testar limites, linguagens e g\u00eaneros. Kubrick, Spielberg, Scorsese e Cuar\u00f3n nunca se contentaram em ser uma coisa s\u00f3 &#8211; fizeram dramas, fic\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, com\u00e9dias. O problema em Ladr\u00f5es n\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a de g\u00eanero, mas a pasteuriza\u00e7\u00e3o do risco.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Quando Kubrick dirigia com\u00e9dia, percebia-se sua m\u00e3o e personalidade. Era poss\u00edvel sentir que a mesma mente brilhante estava por tr\u00e1s de 2001, O Iluminado e Dr. Fant\u00e1stico. Existiam ideias e conceitos que conversavam entre si. Este filme de Aronofsky, por mais eficaz nos objetivos, parece trabalho ap\u00e1tico do cineasta, como se fosse apenas para cumprir demandas de produtores.<\/p>\n<p>Um diretor em metamorfose<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Durante coletiva de imprensa realizada no M\u00e9xico para o lan\u00e7amento do filme, com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea no Brasil, Aronofsky revelou aspectos importantes sobre sua nova dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica, embora tenha demonstrado comportamento hostil com mediadores, jornalistas e estudantes de cinema presentes.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">O diretor fez declara\u00e7\u00f5es reveladoras sobre o trabalho e suas inten\u00e7\u00f5es. \u201cPor duas horas, quero que as pessoas esque\u00e7am o mundo, seus problemas, e assistam ao filme\u201d, explicou, definindo Ladr\u00f5es como experi\u00eancia de puro entretenimento.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Aronofsky foi enf\u00e1tico ao marcar diferen\u00e7a de tom em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos anteriores. \u201cOs primeiros 10 minutos de Ladr\u00f5es t\u00eam mais piadas que todos os meus filmes juntos\u201d, declarou. \u201cTento fazer com que todos meus filmes entretenham, que segurem a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quero que seja realmente perturbador, mas mais empolgante\u201d, continuou, numa tentativa de justificar a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o criativa.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Questionado sobre escolhas estil\u00edsticas, defendeu sua versatilidade e negou ser t\u00e3o peculiar quanto a fama sugere. \u201cMeus filmes anteriores tinham g\u00eaneros misturados. Cisne Negro n\u00e3o \u00e9 bem um filme de dan\u00e7a, O Lutador n\u00e3o \u00e9 bem um filme de esportes\u201d, argumentou.<\/p>\n<p data-component-name=\"paragraph\" class=\"styles__ParagraphStyled-sc-6adecn-0 cWrRiu  \">Por fim, numa declara\u00e7\u00e3o que talvez explique Ladr\u00f5es, o diretor revelou sua motiva\u00e7\u00e3o atual. \u201cN\u00e3o quero que as pessoas pensem que sou t\u00e3o problem\u00e1tico quanto meus filmes\u201d, diz.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o da f\u00f3rmula<\/p>\n<p>No final, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que Aronofsky praticamente se esconde em Ladr\u00f5es, entregando um filme engra\u00e7ado, bem atuado, com bons momentos de tens\u00e3o, mas que nunca chega ao objetivo justamente pela falta de ambi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. \u00c9 produto interessado em cumprir cartilhas estabelecidas. Para um diretor como Aronofsky, isso representa retrocesso significativo.<\/p>\n<p>Cinema precisa ser embate, precisa ter ideias. Quando esses elementos se esvaziam, \u00e9 hora de questionar qual dire\u00e7\u00e3o tomar. Ladr\u00f5es funciona como entretenimento, mas deixa a impress\u00e3o de que um dos cineastas mais singulares da atualidade est\u00e1 tentando desesperadamente se livrar daquilo que o tornou especial &#8211; mesmo que isso signifique perder sua identidade art\u00edstica no processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 dif\u00edcil imaginar Darren Aronofsky fazendo algu\u00e9m rir. 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